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Retiro em Iomerê reuniu 21 frades em dias de oração, reflexão e fraternidade

11/08/2026

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Retiro em Iomerê reuniu 21 frades em dias de oração, reflexão e fraternidade

Entre os dias 27 e 31 de julho, a Casa de Encontro dos Camilianos, em Iomerê, recebeu 21 frades para o retiro anual do Regional Frei Bruno. O encontro foi conduzido por Frei Robson Luiz Scudella, que assumiu a pregação diante da impossibilidade, por motivo de força maior, de outro confrade inicialmente escalado. Sua disponibilidade foi um gesto concreto de serviço à fraternidade e de zelo pela vida comum.

O tema do retiro — “O Senhor me conduziu, me fez compreender, me permitiu realizar e, a Ele consagrar minha vida” — orientou toda a reflexão. A proposta foi reler a própria história à luz da fé, em diálogo com o Testamento de São Francisco e com o livro “História pessoal, morada do Mistério”, de Amedeo Cencini.

A programação foi organizada de modo a favorecer não apenas a escuta e a reflexão, mas também a participação de todos. Cada encontro começava com o Evangelho do dia, seguido de um trecho do Testamento de São Francisco e, depois, da leitura e meditação a partir do material proposto. Ao final de cada encontro, eram apresentadas questões para a reflexão pessoal. Antes do encontro seguinte, essas questões eram retomadas em momentos de partilha: no encontro da tarde, partilhava-se aquilo que havia sido suscitado pelo texto e pelas questões da manhã; no encontro da manhã seguinte, retomavam-se as questões e provocações do encontro da tarde anterior. Essa dinâmica permitiu que o conteúdo não permanecesse apenas como exposição, mas fosse aprofundado a partir da experiência e da história de cada frade.

O retiro trabalhou muito a relação entre história pessoal, vocação e Mistério de Deus. A partir do pensamento de Cencini, fomos convidados a reconhecer que a vida não é uma sucessão aleatória de fatos, mas um caminho em que o Senhor vai se revelando e conduzindo a história de cada um. O Testamento de São Francisco serviu como chave de leitura para esse exercício, lembrando que a vocação nasce da experiência concreta de Deus na vida e que a gratidão é parte essencial da resposta vocacional.

Um destaque especial foi a condução de Frei Robson. A programação, distribuída ao longo dos dias com equilíbrio entre os momentos de oração, reflexão, silêncio e partilha, encontrou nele um pregador que soube conduzir o tema com leveza e, ao mesmo tempo, profundidade. Para ele, assumir a orientação de um retiro para frades não era uma tarefa simples. Havia a preocupação própria de quem recebe a responsabilidade de acompanhar uma experiência tão importante para a vida espiritual e fraterna de seus confrades. Ao longo dos dias, porém, essa preocupação deu lugar a uma condução serena, próxima e segura, que foi muito elogiada pelos participantes (qualidade da pregação e condução do retiro). 

Para Frei Robson, esta também foi uma experiência significativa, especialmente por se tratar, ao que tudo indica, da primeira vez em que preparava e conduzia um retiro nessa dimensão. Sua dedicação à preparação, a clareza na apresentação dos conteúdos e a capacidade de estabelecer uma relação entre o tema proposto e a experiência concreta dos frades contribuíram para que os encontros fossem vividos com interesse e profundidade.

Outro momento forte do retiro foi a dimensão fraterna. A convivência entre os frades foi muito boa durante todos os dias. Houve simplicidade no trato, respeito mútuo e uma disposição comum para viver o encontro sem isolamentos nem exigências desnecessárias. Isso foi percebido também pelos responsáveis da casa, que destacaram a alegria e a leveza do grupo. Nos momentos de partilha, isso ficou bastante claro: todos reconheceram a qualidade da acolhida, a boa comida, o conforto da casa que nos acolhia e elogiaram a programação e a condução do pregador.

Também chamou atenção a presença de frades de outros regionais, o que deu ainda mais sentido à experiência de comunhão. Entre os momentos mais significativos esteve a presença de Frei Alcides Cella, com 95 anos, participando com entusiasmo e serenidade de toda a programação. Sua disposição de subir ao Morro das Antenas para contemplar o pôr do sol e depois abençoar a todos, após o Cântico das Criaturas, foi um testemunho simples e muito eloquente de perseverança e fidelidade.

O retiro também teve um momento delicado e marcante. Durante a oração das Laudes, Frei Osvaldo Lino passou mal, desmaiou e caiu, batendo a cabeça no chão. Após o atendimento do SAMU e a transferência para o hospital de Videira, constatou-se uma fratura no crânio. Nesse contexto, foi muito bonita a atuação de Frei Moacir Longo, que acompanhou o confrade e permaneceu ao seu lado, demonstrando na prática o cuidado fraterno que faz parte da nossa vida. Outros frades também se colocaram à disposição para ajudar no revezamento como companhia no hospital, o que confirmou, de modo concreto, que a fraternidade não é apenas um ideal, mas uma forma de viver e responder ao Evangelho.

No conjunto, o retiro foi muito rico. O conteúdo ajudou na reflexão pessoal e vocacional, e a convivência mostrou que a vida franciscana se sustenta na escuta, na simplicidade, na gratidão e no cuidado mútuo. A própria dinâmica de alternar reflexão, silêncio e partilha ajudou a transformar os conteúdos apresentados em uma experiência pessoal e comunitária.

Saímos dali com a impressão de que o encontro cumpriu seu propósito: fortalecer a caminhada, aprofundar a memória da vocação, reconhecer a presença de Deus na própria história e renovar os laços da fraternidade.


Frei Germano Guesser