Frei Diego: Jesus só quer saber o tamanho do amor no nosso coração
29/06/2026

No encerramento da Novena preparatória para o Dia do Padroeiro e Missa da Vigília, o Reitor do Santuário Frei Galvão, em Guaratinguetá (SP) e Definidor Provincial, Frei Diego Atalino de Melo, pregou, neste domingo (28), sobre o tema de uma das frases mais belas de São Pedro: “Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que eu te amo” (Jo 21,17).
O pároco Frei Evandro Balestrin saudou Frei Diego, a Fraternidade de Pato Branco, Frei Felipe Carretta, o pregador do oitavo dia, e o povo que enfrentou chuva e frio para estar nesta Celebração Eucarística, que foi transmitida pela TV Celinauta. A imagem de São Pedro foi acolhida na procissão de entrada e as Comunidades São Francisco e São Luís foram responsáveis pela liturgia deste domingo.
Frei Diego retribuiu o agradecimento aos frades e ao povo, “que nos acolhe não somente hoje, mas todos os dias nas suas casas, através da transmissão da Missa do santuário de Frei Galvão de Guaratinguetá (SP), que por meio da TV Celinauta chega a tantos corações. Quero saudar a você que reza conosco pelos meios de comunicação e redes digitais, que são voluntários neste momento e estão trabalhando aqui no Salão, fazendo do serviço e da doação a sua Eucaristia”.

Segundo o pregador, com alegria, hoje concluímos esta bonita caminhada de preparação a esta Solenidade do nosso querido Padroeiro São Pedro. “Eu acredito que entre os perfis e personalidades dos apóstolos, daqueles primeiros que seguiram a Jesus, Pedro é aquele que se destaca, quem sabe, como apóstolo marcado pelos extremos, ou poderíamos até dizer marcado pelas contradições. Pedro é aquele que é capaz de dizer: ‘Senhor eu vou te seguir aonde quer que fores’, mas diante de uma dificuldade, ele recua. Pedro é aquele que vê Jesus caminhando sobre as águas e diz: ‘Senhor, manda-me ir ao teu encontro’. No entanto, diante dos primeiros ventos contrários, enquanto Pedro caminhava naquele mar agitado, a sua fé se torna instável e Pedro começa a afundar”, introduziu.
Para o frade, Pedro é aquele homem da confissão, aquele que reconhece o Senhor como filho, o Messias, o enviado, aquele que faz uma bonita proclamação de fé. “Mas, ao mesmo tempo, no momento derradeiro, quando Jesus estava sendo perseguido, violentado, entregue na cruz, Pedro é aquele que diz: ‘Não o conheço’. É aquele que nega a Jesus três vezes. Este é Pedro, o homem capaz de gestos tão nobres, tão grandiosos de fé e, ao mesmo tempo, capaz de traições, de negações a Jesus. Este é Pedro. Mas nós temos de outro lado Jesus, que conhece bem o barro do qual é feito Pedro e que conhece bem a nossa humanidade. E, por isso, no Evangelho de hoje que acabamos de ouvir, vemos Jesus dando para Pedro a possibilidade de fazer um caminho de conversão, um caminho de mudança de vida, um caminho que passava das negações para o amor. Vocês viram, três vezes Jesus pergunta para São Pedro: ‘Tu me amas, tu me amas, tu me amas’. Cada pergunta dessa era uma possibilidade de cura das três negações de Pedro. Jesus sabia que Pedro tinha dito, naquela noite da Paixão, que não O conhecia. Até que na terceira vez o galo cantou. E Pedro chorou. Sentiu a dor da sua fragilidade. Jesus sabia que aquelas negações precisavam ser curadas. Precisavam ser ressignificadas, precisava novamente acreditar não nos seus erros, mas na sua capacidade de amar e, por isso, Jesus faz didaticamente, pedagogicamente, terapeuticamente, Jesus faz por três vezes a pergunta para Pedro: ‘Tu me amas, tu me amas, tu me amas’. Na terceira, a resposta de Pedro não tinha outro caminho se não fazer a confissão mais bonita, quem sabe a oração mais profunda: ‘Senhor tu sabes tudo’. Tu conheces, sabes inclusive as minhas contradições, sabes do barro do qual eu sou feito, sabes inclusive que te neguei três vezes. Mas, acima de tudo, ‘tu sabes que eu te amo’. E aí Quando Pedro se coloca diante de Jesus, sem máscaras, não querendo fazer uma figura de alguém que era santo, perfeito, Pedro se coloca como ele era diante de Jesus. Então, Jesus o resgata, o ama e lhe dá a possibilidade de ser este grande pastor, de ser aquele que vai apascentar outras ovelhas”, explicou.

“Irmãos e irmãs, esta bonita experiência de fé e de amor de São Pedro é no fundo um grande exemplo da nossa experiência de fé e de vida. Todos nós somos marcados por contradições. Todos nós somos marcados por momentos bonitos, de amor, de generosidade, de fé, de entrega e de serviço, assim como Pedro foi. Mas todos nós sejamos sinceros, também conhecemos o nosso lado de traição, o nosso lado egoísta, fechado, indiferente, o nosso lado que, às vezes, nega o projeto de Deus, nega o projeto de Jesus. Tal qual Pedro, todos nós vivenciamos, quem sabe, esta contradição humana interior e esta realidade que toca a cada um de nós. Então, o que esta Celebração, o que a nossa devoção a São Pedro tem a nos ensinar?”, perguntou.
Para o pregador, assim como Pedro, nós temos a possibilidade de fazermos também um caminho de conversão, de passarmos da negação para o amor, de passarmos do erro para a verdade. “Todos nós, assim como São Pedro, somos olhados e medidos, não pelos nossos erros, mas pelo nosso desejo de acertar, pela intensidade do nosso amor. Vejam bem. depois desta refeição, Ele não pergunta para Pedro por que naquela noite você me negou? Pedro, por que você fugiu? Pedro eu queria entender por que você me abandonou, o que que passou no teu coração? Não, Jesus não insiste na ferida da negação. Jesus não para no erro, Jesus tampouco é ficcionado pelo pecado, como muitas vezes, inclusive dentro da Igreja a gente quer transmitir uma fé que é amedrontada, como se Deus fosse fissurado em saber os nossos erros, como se Deus se preocupasse somente em conhecer os nossos pecados. Não”, exortou.
O evangelho de hoje, enfatizou o frade, nos mostra exatamente o jeito de Jesus se relacionar com os pecadores, assim como Ele se relacionou com Pedro e com cada um de nós. “Ele não quer saber porque nós o negamos, Ele não quer saber o tamanho ou a gravidade dos nossos pecados. Isso não interessa a Jesus. O que de fato lhe interessa é o tamanho do nosso amor, é a intensidade da nossa doação, é o nosso desejo de servi-lo realmente. Irmãos e irmãs, isto é muito sério. Toca a cada um de nós, porque, às vezes, nós lemos a nossa vida a partir dos erros. Tem gente que passa uma existência se autocondenando, se autojulgando. Tem gente que chega no final da vida carregando o fardo de um erro, de um pecado grave, de uma decisão errada, equivocada e ainda se martiriza por aquilo. Quando Jesus só quer saber o tamanho do amor que está no nosso coração. Às vezes, algumas famílias carregam por anos, por décadas, erros do passado. Quantos casais, quantos cônjuges não conseguem superar um erro lá de trás? Às vezes, superar uma traição. E vivem num eterno ciclo vicioso: ‘Ah, mas dez anos atrás você errou, mas lá você falou aquilo, mas lá naquele tempo’, não é o jeito curativo de tratarmos os erros. Jesus mostra que se a gente quiser seguir uma vida plena, uma vida capaz de ter sentido, é preciso superar, inclusive as negações, as traições e os erros, é preciso acima de tudo recomeçar. A nossa vida é também um eterno recomeço. A nossa vida é também um eterno começo. O convite de Jesus é para não pararmos nas nossas traições, negações, erros ou pecados”, ensinou Frei Diego.

“Queridos irmãos e irmãs, Jesus olhou com amor para Pedro, não o reduziu aos seus erros, mas o mediu pela intensidade do seu amor e isso o transformou nesta rocha firme, capaz de pastorear até os dias de hoje, toda uma Igreja, porque Pedro, por força não dos seus pecados, mas por força do seu amor, ele se tornou também um curador ferido. Só quem já passou pela dor de cair, de pecar e errar, mas também de se sentir perdido, perdoado, é capaz de entender as dores dos outros. Por isso, peçamos a São Pedro que nos ajude a sermos misericordiosos com os irmãos e irmãs, que não sejamos juízes severos, não! Jesus não agiu desta maneira e, por isso, ele reabilitou Pedro. Que tenhamos este comportamento, esta atitude, para conosco. Pedro poderia ter dito: ‘Não Senhor, eu nunca mais vou poder servi-lo, tampouco eu poderei ser um grande pastor, não posso assumir esta missão, porque eu errei demais’. Não, Pedro se deu também uma nova chance e se abriu para melhorar. Que todos nós, sentindo as nossas contradições a exemplo de São Pedro, possamos nos abrir para este amor de Jesus que cura, que restaura e que nos faz, acima de tudo, servidores. Que o nosso querido Padroeiro nos ensine, pelo seu exemplo, a sermos estes que fazem um caminho constante de conversão. Que possamos passar da negação para o amor e que este amor de Jesus continue nos dando a força e nos faça retribuir com uma vida nova”, finalizou.

No final da Missa, Frei Diego falou da parceira da Rádio e TV Frei Galvão com a TV Celinauta, contou um pouco sobre a vida de Frei Galvão e convidou o povo a visitar o Santuário Frei Galvão em Guaratinguetá, uma cidade próxima de Aparecida. Explicou como aconteceu o milagre da Pílula de Frei Galvão e frisou que a graça só é possível com fé.
Na Solenidade do Padroeiro, o tema é: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja” (Mt 16, 18), que marca o momento em que Jesus entrega a liderança de sua comunidade a Simão, dando-lhe o nome de Pedro. As Missas na Matriz serão às 9h30 e às 19h30. A festa continuará a oferecer doces, bolos, pastéis, quentão, bingo, das 16h às 19h e 19h30 às 22h, churrasco a partir das 11h30. Nesta segunda, o Pavilhão São Pedro funciona a partir das 10h até 22h. O jogo do Brasil e demais jogos da Copa do Mundo poderão ser vistos no telão do Pavilhão.

Pascom da Paróquia















