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Frei Wilson: O amor é o centro da conversão cristã

24/06/2026

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Frei Wilson: O amor é o centro da conversão cristã

No quarto dia (23/6) da Novena preparatória para a Festa de São Pedro em Pato Branco (PR), véspera da celebração de São João Batista, o pregador Frei Wilson Batista Simão veio da Fraternidade São Francisco de Chopinzinho (PR), onde é guardião, para refletir sobre: “Tudo quanto quereis que os outros vos façam, fazei também a eles” (Mt 7,12). Com Frei Wilson vieram Frei Diomedes Basi e os aspirantes Mateus Moura Pereira e Adinan Pereira Rodrigues. 

Na procissão de entrada, as catequistas trouxeram a imagem de São Pedro e as cestas com o pãozinho de Santo Antônio. A Pastoral da Catequese foi a responsável pela liturgia deste dia e, no final da celebração, um garotinho apareceu vestido de São Pedro no altar e as crianças da catequese entraram em procissão carregando flâmulas com desenho de São Pedro, enquanto a assembleia entoava o canto: “Ó São Pedro, pedra forte, rocha firme do Senhor, intercede pela gente…” Os frades da Fraternidade de Pato Branco concelebraram. 

Depois de saudar a todos, o celebrante falou da alegria de nos reunirmos nesta noite fria, mas santa, para celebrar o quarto dia da novena em honra ao nosso Padroeiro São Pedro Apóstolo. “Nessa Eucaristia, meu povo santo de Deus, queremos colocar diante de Deus a nossa vida, a nossa caminhada, nossas fraquezas e esperanças, deixando-nos conduzir pela graça do Senhor. Neste ano, toda a nossa novena é iluminada pelo tema: “Com São Pedro, no caminho da conversão, da negação ao amor”. E hoje, de maneira muito especial, a palavra de Deus nos mostra que a verdadeira conversão acontece quando aprendemos a amar concretamente o próximo, vivendo aquilo que Jesus nos ensinou e nos ensina”, anunciou Frei Wilson.

Referindo-se ao tema do dia – “Tudo quanto quereis que os outros vos façam, fazei também a eles” -, o frade lembrou que a conversão de São Pedro não aconteceu de um dia para o outro. Pedro, o nosso Padroeiro, precisou caminhar com Jesus, ouvir seus ensinamentos, cair, errar, reconhecer suas limitações e permitir que o amor misericordioso de Cristo transformasse o seu coração. Pedro era impulsivo, muitas vezes falava antes de pensar. Em certos momentos, quis impedir Jesus de seguir o caminho da cruz. Em outro momento, cheio de medo, negou o mestre três vezes. Talvez seja justamente por isso que Pedro se torna tão próximo de cada um de nós. Porque também nós somos marcados por contradições. Também nós, muitas vezes, negamos Jesus através das nossas atitudes”, observou o pregador. 

“Quando faltamos com amor, negamos Jesus; quando alimentamos divisões na nossa comunidade paroquial, negamos Jesus; quando julgamos o próximo sem misericórdia, negamos Jesus; e quando somos indiferentes ao sofrimento dos irmãos que caminham conosco. O mais bonito no caminho de Pedro não foi a sua fraqueza. Foi a sua capacidade de se deixar transformar pelo amor de Deus. E nós deixamos se transformar, se tocar pelo amor de Deus, a exemplo de Pedro? Depois de negar Jesus, Pedro chorou, reconheceu a sua pobreza humana. E exatamente ali começou a sua verdadeira conversão. Pedro passou da autossuficiência para a confiança em Deus; passou do medo para a coragem; passou da negação ao amor. E é isso que essa Novena quer despertar também em cada um de nós que estamos aqui nesta igreja, celebrando em prol da nossa comunidade. Portanto, o evangelho dessa noite nos mostra que a conversão verdadeira não acontece apenas nas palavras, mas principalmente na maneira como tratamos as pessoas. Jesus resume toda a lei num ensinamento simples e profundo. ‘Tudo quanto quereis que os outros vos façam, fazei também a eles’. Todos nós queremos ser respeitados, então precisamos respeitar; queremos ser compreendidos, então precisamos compreender; queremos o perdão, precisamos perdoar; queremos acolhimento, então precisamos acolher todas as noites os nossos irmãos que vêm celebrar conosco e o povo santo de Deus. O problema é que, muitas vezes, queremos receber dos outros aquilo que ainda não aprendemos a oferecer”, questionou.

Para ele, por isso, a conversão cristã exige de cada um de nós mudança concreta de atitudes. “É fácil rezar, difícil é amar quem nos machuca. É fácil falar de Deus, difícil é viver como irmãos e irmãs na comunidade reunida em torno da Palavra e da Mesa Eucarística. É fácil participar da Igreja, difícil é abandonar o orgulho, a inveja e a dureza do coração. Jesus hoje nos recorda que não existe caminho de santidade sem a fraternidade. Não existe amor verdadeiro a Deus sem o amor sincero ao próximo. São Pedro aprendeu isso convivendo com Jesus Cristo que ele negou. Foi o mesmo Cristo que o acolheu novamente às margens do mar e perguntou três vezes: ‘Pedro, Tu me amas?’ Também Jesus pergunta a cada um de nós: Tu me amas?”, refletiu.

O frade continuou: “E nós respondemos: sim Senhor. Portanto, Jesus não pergunta a Pedro se ele é perfeito. Não pergunta se ele nunca errou. Jesus não quer saber das limitações, dos defeitos de Pedro. Jesus pergunta apenas se ama. O amor é o centro da conversão cristã. E talvez nessa noite, Jesus também esteja olhando para cada um de nós e nos perguntando: “Filha, filho, tu me amas?” E a resposta não está apenas nas palavras, mas na nossa vida. Amamos Jesus quando cuidamos da família, quando somos honestos, quando evitamos fofocas e divisões nos nossos movimentos, nas nossas pastorais, na nossa comunidade. Amamos Jesus quando ajudamos quem sofre”, ensinou.

Comentando a primeira leitura, Frei Wilson diz que Ezequias nos ensina algo profundo e espiritual: “Ele pega a carta da ameaça, sobe ao templo e se coloca diante do Senhor. Que gesto bonito e profundo. Ezequias não responde com orgulho, nem com desespero. Ele leva a sua dor para Deus. E talvez essa seja uma das grandes lições dessa noite. O coração convertido não é o coração que nunca sofre, mas o coração que aprende a colocar tudo nas mãos do Senhor. São Pedro também precisou aprender isso”.

Segundo o frade, no início de sua caminhada, Pedro muitas vezes confiava demais em si mesmo. “Dizia a Jesus, jamais te deixarei, jamais te abandonarei. Mas bastou chegar a hora da cruz para que ele tivesse medo e negasse o mestre. Pedro caiu justamente porque ainda confiava mais na própria força do que na presença e na graça do Senhor. Depois de sua queda e de seu encontro com o olhar misericordioso, com o olhar bondoso de Jesus, Pedro aprende a verdadeira conversão. Deixa de se apoiar apenas em si mesmo e passa a confiar inteiramente no amor do Senhor. E assim, Pedro passa da negação ao amor”, assinalou.

“Também nós precisamos viver essa passagem espiritual. Muitas vezes negamos Jesus. Não somente pelas palavras, mas também quando deixamos o medo, o orgulho, a raiva ou a falta de fé dominarem os nossos corações. Mas o Senhor nunca fecha as portas para quem deseja recomeçar. Então o Evangelho nos apresenta a porta estreita, exatamente esse caminho da conversão diária. É escolher confiar em Deus mesmo em meio às dificuldades. É escolher amar quando seria mais fácil. É escolher o perdão quando o orgulho pede distância. O caminho largo é sempre mais confortável. O caminho estreito exige de todos nós coragem e talvez hoje, Jesus também”, exortou.

E completou sua pregação: Qual caminho estamos escolhendo: O caminho da aparência ou da verdade? O caminho do egoísmo ou do amor? O caminho da autossuficiência ou da confiança em Deus? São Pedro encontrou a verdadeira vida quando deixou de confiar apenas em si mesmo e passou a confia totalmente em Cristo. E essa também deve ser a nossa oração nessa noite, nesse quarto dia. Senhor, transforma o nosso coração, ajuda-nos a passar da negação ao amor. Que São Pedro Apóstolo, nosso Padroeiro, interceda por todos nós e nos ajude a entrar pela porta estreita que conduz à vida eterna.

Aspirantes à vida religiosa

Os aspirantes à vida religiosa franciscana na Província Franciscana da Imaculada Conceição iniciam sua caminhada nas Fraternidades de Acolhimento Vocacional (FAVs). Neste ano,  num primeiro momento no Seminário Frei Galvão, ficaram por dois meses, e depois continuaram a experiência de convivência e vida fraterna nas Fraternidades escolhidas para acompanhar esses jovens. Mateus e Adinan fazem essa formação na Fraternidade São Francisco, tendo como mestre Frei Junior Mendes. No final dos agradecimentos, o pároco Frei Evandro Balestrin pediu que eles se apresentassem. 

“Tenho 25 anos, sou natural do Espírito Santo. E como o Frei disse, nós estamos aqui na primeira etapa do aspirantado, para conviver com os freis, aprender e também ter essa experiência de fraternidade”, disse Mateus. “Boa noite, povo de Deus. Meu nome é Dinam e eu sou de Uruçanga, Santa Catarina. Rezem pelas vocações, também pela nossa perseverança”, pediu o catarinense. 

“A mão do Senhor estava com ele. E o menino crescia e se fortalecia em espírito” (Lc 1,66) é o tema que Frei Walter de Carvalho Júnior, animador das Presenças na Frente da Educação, de Curitiba, vai refletir nesta quarta (24/6), no quinto dia da Novena em honra a São Pedro Apóstolo, tendo como presidente da Celebração Eucarística Frei Mário Tagliari, que reside nesta Fraternidade. A inspiração para este dia festivo de São João Batista com a Missa às 18h (mudança no horário devido ao jogo do Brasil na Copa do Mundo), é: Preparar o caminho: a conversão que anuncia Cristo. Como São João Batista, a vida convertida aponta para o Senhor.


Pascom da Paróquia