Frei Josemberg mostra como agir com o coração
22/06/2026

“Não tenhais medo”. O povo que lotou a Matriz de São Pedro Apóstolo, em Pato Branco (PR), ouviu repetidas vezes esse pedido de Frei Josemberg Cardozo Aranha, o guardião do Noviciado Franciscano, em Rodeio (SC), e o pregador no segundo dia da Novena em honra ao Padroeiro. Frei Berg, como é conhecido, presidiu a Celebração Eucarística às 19h30. A frase foi o tema do dia: “Não tenhais medo! Vós valeis mais do que muitos pardais” (Mt 10,31.
O pároco Frei Evandro Balestrin se dirigiu aos frades da Fraternidade (Frei Augusto, Frei Raimundo, Frei Luiz e Frei Mário, que está se recuperando de uma cirurgia), a Frei Berg e aos fiéis reunidos com a saudação de Paz e Bem: “Hoje temos a alegria de ter conosco Frei Josemberg. Ele é também vice mestre do nosso Noviciado, que fica em Rodeio, terra onde Frei Policarpo Berri nasceu”, disse, pedindo uma salva de palmas. O movimento da Lareira preparou a liturgia para este dia e um casal do Movimento carregou a imagem de São Pedro na procissão de entrada.
No Ato Penitencial, o celebrante convidou a abandonar o medo, sobretudo aquilo que carregamos que são os nossos pecados. “Então, vamos nos reconhecer pecadores, necessitados da misericórdia do Pai”.
Frei Berg lembrou que há 816 anos, São Francisco de Assis, o Pai Seráfico, teve uma visão dentro da chamada Igreja da Porciúncula, Santa Maria dos Anjos. E lá, então, ele, em diálogo com nosso Senhor teve o grande desejo do chamado Perdão de Assis ou Indulgência da Porciúncula. “E ele vai até Roma pedir para que o Papa conceda esta indulgência para aquela pequenina igreja ali nos arredores de Assis. O Papa pede a São Francisco que reúna os frades e o povo de Deus, dizendo exatamente estas palavras: ‘Irmãos meus, desejo vos levar todos para o céu. E hoje não estou aqui com um desejo diferente, senão exatamente esse: Que todos nós alcancemos a graça exatamente do céu'”, recordou o frade explicando que gostaria de começar e terminar a homilia também com estas palavras. “Então recordo, primeiramente, Nosso Senhor no Evangelho de hoje. Três vezes ele diz: Não tenhais medo dos homens que nos perseguem. Não tenhais medo daqueles que são capazes de matar o corpo, mas não podem matar a alma! E não tenhais medo, pois vós valeis mais do que os pardais”.
“Caros irmãos e irmãs, Muitas vezes o nosso medo está primeiramente na pessoa, no ser ou no objeto errado. Muitos de nós, por exemplo, tememos coisas fúteis da vida. Tememos o medo de ser assaltado, o medo da violência, o medo do desemprego, o medo da doença, o medo de perder quem nós amamos, etc. Outros ainda. por uma razão até óbvia, temos medo do diabo. Temos medo das tentações e dos nossos pecados e acabamos culpando o diabo por nossas más intenções. Mas o Evangelho é claro, tenhais medo daquele que pode matar o corpo e lançar a alma para o inferno. Quem é esse? O diabo? Não. É Deus. Porque Deus é o juiz. Ele que vai julgar a salvação eterna ou a condenação eterna. E muitas vezes nós tememos a coisa errada. Porque o diabo já foi julgado, condenado, expulso do céu e viverá sua eternidade no inferno. Então, Deus é o justo juiz a quem nós devemos temer. E o temor a Deus é um dom do Espírito Santo. Contudo, cuidado, porque eu sei que até aqui a minha fala causou um espanto. Mas nós temos que ter cuidado. O temor a Deus não é um problema. Não significa ter medo de Deus, mas é uma prudência, uma reverência diante de Deus, da grandeza de Deus”, reforçou o frade.

Ele explicou que dentro da Igreja existe a chamada escola Seráfica, a escola franciscana, que vai dizer que o temor a Deus não parte em si do medo de ganhar o inferno, mas do medo de não amar a Deus o suficiente, “porque para nós, franciscanos, existe o chamado primado do amor. O amor vem em primeiro lugar: Amar a Deus sobre todas as coisas. Isso implica de fato colocar Deus em primeiro lugar. E quando nosso Senhor fala, não tenhais medo, não ter medo significa ter coragem”, clarificou.
Segundo ele, em dado momento, Jesus, nosso Senhor, vai falar: “Coragem, eu venci o mundo”. “E a palavra coragem, uma das etimologias mais bonitas que nós temos, vem de cor, que significa coração, e agem, que significa agir. Ter coragem significa agir com o coração. Muitos de nós achamos que ter coragem é pegar a espada na mão e sair enfrentando os problemas e as pessoas que estão à nossa frente. Mas coragem significa agir com o coração. Agir com o coração significa agir com amor. Então, não ter medo é ter coragem e ter coragem é agir com amor, porque eu sou capaz de enfrentar qualquer coisa por quem eu amo. E se eu amo a Deus, eu também sou capaz de enfrentar qualquer coisa por amor a Deus”, ensinou.
“Agora vou fazer mais uma pergunta, que sempre costumo fazê-la: Naquele dia que já está inclusive se aproximando, de uma noite fria, que os senhores estavam debaixo da coberta e ficaram com preguiça de vir à missa por causa do frio. Quem ficou em primeiro lugar foi Deus ou a preguiça? Vocês não têm nem vergonha de responder, não é? Pois bem, a preguiça ficou em primeiro lugar. Dentre tantas outras coisas que nós colocamos em primeiro lugar, deixando Deus em segundo, terceiro, quarto ou quinto lugar, como então, precisamente, posso dizer que não tenho medo e de fato amo a Deus? Ora, o preço do amor é o sofrimento. Quem ama. sofre e sofre muito. E o exemplo maior é de nosso Senhor Jesus Cristo na cruz, que sofreu, padeceu por amor a cada um de nós, a mim, a você. Qualquer uma mulher aqui que é mãe sabe que sofreu para colocar o filho no mundo. Sabe que sofreu quando o filho adoecia, quando ficou adolescente, saía de casa e não avisava mais para onde iria e que horas chegaria. Sofreu quando o filho ou a filha se casou e saiu de casa. Alguns de nós agradecemos por ter saído de casa, mas na sua maioria, sempre, ao longo de nossa vida, estamos sofrendo por quem amamos. Então, na medida em que eu sei que eu estou amando a Deus, estou sofrendo por amor a Deus”, detalhou.

“Não estou aqui dizendo que nós somos masoquistas e vamos buscar sofrimento diante dos percalços da vida, como um matrimônio, na alegria, na doença, na saúde, na tristeza, todos os dias de minha vida até o fim. Então, se agora estou passando por uma enfermidade terrível, eu vou sofrer. Vou sofrer por amor a Deus. Eu vou rezar. Vou rezar por amor a Deus. Eu vou me curar. Me curar por amor a Deus. Mas o que mais importa nesta vida? O que eu dizia no início. O céu! Eu posso rezar e pedir uma cura de uma doença terrível. E Deus me conceder. Mas isso só vai prolongar a minha vida. Mais cedo ou mais tarde, nós vamos morrer. Mas a nossa alma que é eterna e vai de novo no último dia receber o corpo glorioso e ressuscitar”, explicou Frei Berg.
“E eu disse tudo isso para recordar novamente agora. Então, não tenhas medo, não tenhas medo, não tenhas medo! É o pedido de Nosso Senhor. Não temos medo de nada, porque o nosso lugar é o céu. É a promessa de nosso Senhor Jesus Cristo. Então, quando São Francisco de Assis chora desejando levar-nos todos para o céu, é o mesmo choro durante toda uma noite rezando por que o amor ainda não é amado. Este é o maior pecado nosso: a dificuldade de obedecer ao primeiro mandamento, de colocar o primado do amor em nossa vida, de amar a Deus sobre todas as coisas e colocá-lo em primeiro lugar. E por fim, é importante ainda lembrar que a primeira leitura vai dizer para nós que existem homens bons e homens maus. Não somos nós que vamos julgar aqui quem é mau, quem é bom, quem é joio, quem é trigo. Somente Deus fará isso.
“Irmãos e irmãs, não tenham medo. Buscai o céu. Ou como diz nosso Senhor. Buscai primeiro o reino de Deus e a sua justiça e tudo vos será acrescentado”, disse perguntando a todos se quereis morar no céu. A resposta foi fraca e ele repetiu a pergunta e fez outra: Quereis ir hoje? Agora a gente cambaleia. Sabe por quê? Pelo medo de não estarmos preparados. Não pensem os senhores que viveremos cem anos, alguns talvez cheguem a esta graça. Estou eu preparado para o encontro com a irmã morte? Irmãos e irmãs, também não precisamos ter medo da morte, a morte é a porta do grande abraço entre eu e o céu, entre eu e Deus, entre eu e a vida eterna, aonde moraremos com todos os santos, com a Virgem Maria, com São Francisco, com os nossos entes queridos, que alcançaram a graça da salvação. Então não tenhas medo nem da morte. Tenham coragem de agir com o coração, de buscar a Deus, de buscar ao céu. Nada de preguiça. Nada de maldade, nada de fofoca, nada de pecado”, animou.
“Se você está em pecado mortal, se converta. São Pedro, primeiro tem o medo e nega nosso Senhor Jesus Cristo, mas depois ele vem com amor, perde o medo e diz, ‘sim Senhor, tu sabes que eu te amo’. Os apóstolos recebem o Espírito Santo, perdem o medo e vão ganhar o mundo pregando o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo. Sabiam que o risco que corriam era a morte e morreram mártires e felizes. Morreram por amor a Deus. Então meus irmãos e irmãs, desejemos o céu, façamos um esforço tremendo para de fato amar a este amor que nos amou até a morte de cruz. Nos ama apesar dos nossos erros, das nossas faltas e nossos pecados. O amor nos levará ao céu”, finalizou Frei Berg.
No final da Missa, Frei Evandro convidou a todos para o terceiro dia da Novena, que terá como pregador, às 19h30, Frei Alisson Zanetti, pároco da Paróquia Patrocínio de São José, de Coronel Freitas, em Santa Catarina. Ele vai abordar o tema: “Tira primeiro a trave do teu próprio olho” (Mt 7,5)”.
O pároco lembrou que no dia 24/6, devido ao jogo do Brasil na Copa do Mundo, o horário da Novena será às 18 horas: “No salão terá um telão para poder assistir e torcer. Quem de nós não gosta de assistir ao jogo comendo uma pipoca, pinhão ou um quentão no frio? Seja muito bem-vindo e participe conosco dessa grande preparação da festa de São Pedro!”.
Pascom da Paróquia
















