Notícias - Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil - OFM

Quem ganha: Time de São Francisco ou Time de Santo Antônio?

12/06/2026

Notícias

“São Francisco e Santo Antônio, uma dupla de craques no céu”. Este foi o tema que o orador Dom Fernando Antônio Figueiredo, OFM, bispo emérito de Santo Amaro, apresentou nesta quinta-feira, às 18 horas, durante o Momento Devocional a Santo Antônio. Desde o dia 6 de junho, as reflexões no Convento e Santuário São Francisco, no centro de São Paulo, estão em sintonia com a Copa do Mundo e, principalmente, com a Seleção Brasileira, que estreia no sábado. Para isso, o tema geral das festividades que preparam para o grande dia do santo franciscano é: “Com Santo Antônio, vestindo a camisa da fé”. O Momento Devocional tem uma leitura bíblica e outra da vida de Santo Antônio, orações e cantos. No final, a bênção de Santo Antônio e aspersão de água benta. O pároco Frei Medella agradeceu muito presença de Dom Fernando nesta noite.

Com o tema, Dom Fernando criou uma parábola para falar do duelo no céu entre “os craques” São Francisco e Santo Antônio:

Eis que os dois times se colocam em ação, os dois querendo obter a vitória. A dedicação de ambos é grande, treinaram por anos, exercitando-se no combate acirrado do dia a dia.

 O Grande e Magnífico Juiz chama os representantes dos times e após tirar a sorte, passando a bola para o time da Caridade, apita o início do jogo.

O time da Caridade conta com o grande craque São Francisco de Assis, o time da Fé com o grande craque Santo Antônio.

Os dois correm pelo campo no desejo de vencer. Quem será o vitorioso?

O time da Caridade, ao qual S. Francisco transmite grande ardor, confunde seus oponentes, pois diante do frio, do vento que soprava forte, nada de agasalho, de um ambiente aconchegante, mas, pra espanto de todos o grande craque cantando na língua de sua mãe francesa, louvava o Senhor.

No início, a bola está com fr. Leão, que diante da promessa de S. Francisco, tiritando de frio, busca ansiosamente alcançar a vitória.

Porém, a bola fugia a cada momento de seus pés; quando pensava que a tivesse dominado e já tivesse atingido o objetivo, que segundo ele seria dar um exemplo de santidade, curar cegos, paralíticos, surdos, coxos, mudos, e mesmo ressuscitar mortos, ela escapava dos seus pés. Mas ele não desistia. Perseverando, conseguiu tê-la, mais uma vez, firme em seus pés.

Agora, feliz, dizia fr. Leão: “Ela não me escapa”. E, com certa empáfia, preparou-se para chutá-la no gol. Sentia-se dono do jogo. Estufando os pulmões com orgulho mal contido, murmurava para si mesmo: “Conheço a língua dos anjos, o curso das estrelas, e sobretudo tenho a luz interior para converter todos os infiéis à fé cristã; não há dúvida farei o gol da vitória”.

Mas a realidade da vida traz suas surpresas. Inesperadamente, ele tropeça, choca-se com um adversário e vai ao chão. Todo o seu esforço cai por terra.

O capitão do time, S. Francisco, corre para socorrê-lo. Lá já se encontrava o capitão do time da Fé, S. Antônio, que diz nada ter acontecido de grave, ninguém estava ferido. Tinha sido, reconheciam ambos os jogadores, um acidente. 

Francisco olha para Antônio e chamando-o de “o meu Bispo”, lhe pede que ele ensinasse a todos, também aos do seu time, um proceder reto, autêntico e íntegro.

Nisso chega o Juiz, que ciente do ocorrido declara não haver razão para condenar ou julgar nenhum dos envolvidos. Sereno, convida-os a continuar a partida.

A bola passa, então, para o time da Fé, que animado por seu capitão S. Antônio, chega à área do time da Caridade. O goleiro, porém, num gesto impetuoso atinge o atacante no joelho, que não revida, não o agride, pois não olvidava a orientação dada por S. Antônio, que, com firmeza, dizia: “Arranca de si o coração de pedra e tomando um coração de carne se torne capaz de se doer compungido das dores do irmão, de modo que a sua compaixão seja consolo para o que está ferido”.

O Juiz, com a mesma serenidade de espírito, apazigua os ânimos. O jogo continua.

Com garra e entusiasmo, Fr. Leão retoma o jogo, pois naquele breve intervalo tinha imaginado que caso eles obtivessem a vitória, certamente ele seria recompensado com algum tesouro terreno ou algum outro benefício extraordinário.

Mas o seu capitão S. Francisco, como que lendo seus pensamentos, desfaz seus sonhos afirmando que “mesmo se alguém falasse com língua de anjo e soubesse o curso das estrelas e as virtudes das ervas”, não teria ainda alcançado a vitória.

Ao mesmo tempo, indiretamente, consolando Fr. Leão, S. Antônio, capitão do time da Fé, recomendava ao do seu time: “A paciência é a melhor maneira de se vencer”. Paciência, perseverança, quão necessárias elas são para mim, remoía no seu interior Fr. Leão, que já se sentia cansado e um tanto esgotado.

No entanto, a voz de S. Antônio, acende uma luz em seu coração. O capitão do time da Fé, em sua sabedoria, se dirige aos seus jogadores, que também se sentem esgotados, dizendo: “Assim como o peixe é batido pelas frequentes ondas do mar, sem que morra com isso, também a fé não se quebra com as adversidades.

Fr. Leão se sente revigorado, mas eis que o tempo se esgotou. Totalmente imparcial, o Juiz apita o final do jogo. E com seu olhar bondoso e penetrante, abraça os dois capitães, os encoraja a continuar no esforço de sempre mais viverem em harmonia e mútua compreensão.

Porém, o vencedor do torneio, quem é? Graças ao empate, o capitão da Caridade e o capitão da Fé erguem juntos o troféu da competição, ele representa a tão desejada perfeita alegria.

No entanto, nem todos ainda compreenderam bem o lema do torneio, presente no troféu, a alegria perfeita. Tinham dúvidas, principalmente Fr. Leão.

Tomando a palavra, S. Antônio, que unia em si sabedoria e humildade, indica que só a compreenderia quem fosse despojado, interiormente livre. Era a condição fundamental para passar “pela porta estreita que é Cristo”, no reconhecimento de si mesmo como sendo o próximo de toda humana criatura.

Tocado no seu íntimo, com júbilo, Frei Leão exclama: “Mas então não há quem não seja meu irmão, a todos devo respeitar e amar”.

O sorriso aberto e fraterno de S. Francisco penetra os corações de cada um. Numa visão espiritual, ele se dirige a todos e exemplifica de modo direto, simples e claro o que é a alegria perfeita.

Tendo os olhos voltados para Fr. Leão, diz ele: “Se chegarmos a Santa Maria dos Anjos, inteiramente molhados pela chuva e transidos de frio, cheios de lama e aflitos de fome batermos à porta do convento, e o porteiro irritado nos disser: “Quem são vocês?”; e nós responderemos: “Somos dois dos vossos irmãos”, e ele retrucar: “Não dizem a verdade, são dois vagabundos que andam enganando o mundo e roubando as esmolas dos pobres, fora daqui”; e não nos abrir a porta e nos deixar estar ao tempo, à neve e à chuva com frio e fome até à noite: então se suportarmos prazenteiramente sem nos perturbarmos e sem murmurarmos contra ele e pensarmos caritativa e humildemente que o porteiro na verdade nos tinha reconhecido e que Deus o fez falar contra nós: ó irmão Leão, escreve que nisso está a perfeita alegria”

Livres e serenos, S. Francisco e S. Antônio se declaram irmãos mesmo daqueles que os rejeitam e os insultam. Eis a perfeita alegria, não há ninguém que não pertença a Deus.

Os dois times da Caridade e da Fé, com o troféu nas mãos, intimamente unidos, louvam ao Senhor e felizes se retiram do campo, abraçados fraternalmente.


Equipe de Comunicação do Santuário e Convento São Francisco