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Carta do Ministro geral para o Pentecostes de 2026

14/05/2026

Notícias

Neste ano em que a Família Franciscana celebra os 800 anos da páscoa de São Francisco de Assis, marcada pelo encontro do Santo com a irmã morte, a carta de Pentecostes do Ministro geral da Ordem dos Frades Menores, Frei Massimo Fusarelli, propõe uma profunda reflexão sobre a unidade espiritual presente nos últimos momentos da vida do Pobrezinho de Assis. 

A celebração de Pentecostes, realizada cinquenta dias após a Páscoa, recorda a descida do Espírito Santo sobre os discípulos reunidos em Jerusalém, conforme narra o livro dos Atos dos Apóstolos. Na solenidade, a Igreja revive o dom do Espírito que fortalece e conduz os cristãos na missão de testemunhar o Evangelho.

Na carta deste ano, Frei Massimo propõe uma releitura do percurso espiritual de São Francisco de Assis a partir de alguns momentos decisivos de sua experiência: Fonte Colombo, Greccio, Alverne, São Damião e a Porciúncula. Nas passagens, são ressaltadas as ações do Espírito Santo na vida do Santo Seráfico, transformando crises, sofrimentos e fragilidades em um caminho de renovação.

Ao refletir sobre o centenário franciscano, Frei Massimo alerta para o risco de “monumentalizar” São Francisco, reduzindo sua experiência a lembranças do passado sem permitir que seu carisma continue gerando vida nova no presente. Por isso, insiste que o Espírito continua conduzindo a Ordem e toda a Família Franciscana a encontrar novas formas de viver o Evangelho em meio aos desafios atuais.

A carta também reforça a relação entre contemplação e missão, recordando que São Francisco nunca separou a busca por Deus da proximidade com os pobres e sofredores. Segundo o Ministro geral, o carisma franciscano permanece vivo quando se traduz em simplicidade e solidariedade concreta com os mais vulneráveis.

Ao olhar para os conflitos, sofrimentos e crises humanitárias presentes em diversas partes do mundo, Frei Massimo recorda que o carisma franciscano não pode permanecer distante da realidade concreta da humanidade. Pelo contrário, é justamente nesses contextos de dor e fragilidade que a presença franciscana é chamada a ser sinal de esperança, reconciliação e paz.

A carta também projeta o olhar para o futuro da Ordem, especialmente para a preparação do Capítulo geral de 2027, que será realizado no Vietnã. Ao concluir sua mensagem, o Ministro geral dirige uma oração ao Espírito Santo, pedindo que reacenda na Família Franciscana “uma fé reta, uma esperança certa e uma caridade perfeita”, para que o carisma de São Francisco continue sendo presença viva e transformadora na Igreja e no mundo.

Leia abaixo a carta na íntegra ou clique aqui para acessar o documento oficial.

 


 

Carta do Ministro geral para o Pentecostes de 2026

A todos os Frades Menores da Ordem
Às Irmãs Clarissas e Concepcionistas
Às Irmãs Franciscanas afiliadas à Ordem
Aos leigos e leigas franciscanos

Caros Irmãos e Irmãs, 

O Senhor vos dê a paz! 

Estamos vivendo no coração do oitavo centenário do encontro de São Francisco com a irmã morte. Preparamo-nos ao longo de três anos, percorrendo novamente as últimas etapas do seu caminho: a Regra e o Natal de Greccio, os estigmas no Alverne, o Cântico das Criaturas, até à sua morte. 

Parece-me importante dizer uma palavra que nos ajude a captar a unidade deste percurso, para que o Centenário não se encerre como mais uma celebração, sem deixar rasto. Vejo o risco de monumentalizar a figura de Francisco, fixando como numa fotografia instantânea alguns aspectos da sua história e perdendo de vista o movimento interior que os unifica. É precisamente aqui que reencontramos o dom que o Senhor, no Espírito, fez à Igreja e ao mundo através de Francisco de Assis: o seu carisma. É por isso que vos alcanço com esta carta no início da Novena de Pentecostes. Invoquemos o Espírito Santo vivificante, Ministro geral da Ordem, para que nos abra à sua luz e ao seu fogo para uma nova vitalidade evangélica. Como precisamos disso, todos nós na Família franciscana e o mundo conosco! 

O Espírito do Senhor que dá a vida 

Para orientar o nosso olhar precisamos de um critério. Refletindo, parece-me que para Francisco esse critério foi simplesmente o Espírito do Senhor que dá a vida. Abriu-se ao seu  «santo modo de operar», reconheceu-o presente em si e à sua volta, não teve medo de seguir a sua inspiração suave. 

O Espírito mostra a Francisco o Evangelho como forma de uma vida em busca do rosto do Senhor, itinerante e pobre, livre para o anúncio, fraterna e solidária com todos, especialmente com os pobres. É esta presença operante do Espírito que ele contempla e recebe nas diversas etapas do seu caminho, e que hoje pedimos para reconhecer de novo, também por nós, nas diversas condições de vida em que nos encontramos. 

Fonte Colombo: a liberdade do Espírito na letra 

Em Fonte Colombo, Francisco, como sábio artesão, liberta o Espírito na letra da Regra: viver segundo o Evangelho de Jesus em obediência, sem nada de próprio e em castidade, como irmãos e menores. O percurso para chegar a este texto foi longo e escavou profundamente Francisco: ele e os seus frades atravessaram a crise de uma fraternidade que crescia e se transformava, com a pergunta de como guardar viva a centelha originária em formas cada vez mais articuladas. 

Greccio: o amor de Deus manifesta-se na nossa carne 

Em Gréccio, segundo Celano, encerra-se a primeira parte da sua vida, quando Francisco contempla o Evangelho feito carne na humildade da sua encarnação e na simplicidade da criação. Reconhece que a carne, a matéria, a história concreta dos homens são o lugar onde Deus escolhe habitar. Na Eucaristia «eis que diariamente ele se humilha … diariamente ele vem a nós em aparência humilde», suscitando em nós uma vida pobre e simples. Em Gréccio, Francisco aprende que toda a realidade é capaz de manifestar algo do mistério de Deus. 

O Alverne: a vida que passa através das chagas 

No monte Alverne, Francisco abre ainda três vezes o Evangelho e na prova experimenta o sopro do Espírito que dá a vida. Reconhece-se «vilíssimo verme e inútil servo», envolvido por uma grande escuridão interior. Precisamente ali, a vida é-lhe restituída pelo encontro com o Crucificado glorioso, que o alcança na evidência da sua pobreza. O Serafim mostra-lhe que a verdadeira vida passa pelo dom de si até ao fim. Os estigmas não apagam as suas perguntas, mas unem-no mais profundamente a Cristo e revelam-lhe que a vida nova nasce também da dor oferecida. 

São Damião: o louvor que nasce da noite 

Em São Damião, Francisco vive o Evangelho na noite da dor, da enfermidade e da cegueira. A escuridão da prova é o ventre que gera a intuição do Cântico, quando o Espírito da vida o abre ao louvor. Francisco convoca o outro Evangelho, o livro de todas as criaturas, para que o socorram ao pronunciar o nome de Deus. O Cântico nasce nesta noite luminosa na dor e continua na exortação às irmãs de São Damião, prolonga-se até à estrofe do perdão, e Francisco quer ouvi-lo ainda antes de morrer, continuando a compô-lo e a cantá-lo, louvando agora o Senhor precisamente pela «nossa irmã morte corporal». 

A Porciúncula: a morte como Páscoa 

Na Porciúncula, a morte de Francisco, cume do seu caminho de seguimento do Filho de Deus, celebra a Páscoa do Senhor, sobretudo através do dom das relações fraternas. Deixa-se rodear pelos frades como por uma mãe e pede para ouvir o Evangelho de Jesus que lava os pés. O encontro com a morte, a quem por isso chama «irmã», abre-lhe o limiar de «um lugar extremamente delicioso, onde corriam águas limpidíssimas». Assim Francisco passa desta vida à Vida. 

O que nos resta? 

O que nos resta a nós da vida iniciada com Francisco e crescida através de tantos irmãos e irmãs no tempo? A centelha que capturou e transformou Francisco continua ainda a torná-lo semente de vida para todas as gerações. E nós, frades, irmãs e leigos franciscanos no mundo, onde estamos? Deixemo-nos interrogar por esta pergunta, com honestidade, porque é aqui que o dom do Espírito que chamamos «carisma» pode crescer. Mas basta conservá-lo nos santuários, nas tradições que se repetem, nos lugares que herdamos, sem nos perguntarmos se pode manifestar no nosso tempo o que ainda não foi dito? Francisco foi chamado por Tomás de Celano «homem do mundo futuro»: a vida que nele tomou forma não esgotou todas as suas potencialidades e orienta-nos para o futuro de Deus. 

Para além de toda a monumentalização 

Eis aquilo de que precisamos para que o caminho continue para além do Centenário: não opor resistência à vida iniciada com Francisco, deixá-la tomar formas inéditas. O mesmo Espírito que a suscitou continua a animá-la para que tome forma hoje. Não podemos então evitar uma pergunta: que frade menor, irmã contemplativa, leigo franciscano o dom do carisma desenha e suscita hoje? A que franciscano/a queremos formar, nós mesmos e quantos ainda batem às nossas portas? Coloquemo-nos estas perguntas nos muitos e diversos contextos em que procuramos responder ao dom da nossa vocação. Com efeito, esta vida, inserida nas diversas culturas e histórias em que estamos presentes, pode receber formas e linguagens novas se estivermos disponíveis para a reconhecer também nos outros: no irmão que vem de um mundo diferente do meu, na irmã que aprendeu a rezar numa língua que não conheço, na comunidade que encontrou expressões do carisma que eu não tinha imaginado. 

Outro espaço decisivo é o contato vivo — muitas vezes sofrido — com a história dramática que estamos vivendo. Penso nos irmãos e irmãs na Terra Santa, na Ucrânia, no leste do Congo, no Sudão e Sudão do Sul e noutros lugares de África, em Myanmar, no Haiti, em Cuba, no México como noutros países da América Latina: lugares onde o carisma é chamado a crescer hoje, não como resposta abstrata mas como presença concreta e solidária. 

Contemplativos em missão, juntos como irmãos e menores 

Na nossa história, os movimentos de reforma partiam sempre daquilo que Francisco manteve unido e que nós arriscamos separar: a contemplação e a missão. Não são duas escolhas alternativas, dois «modelos» de vida franciscana entre os quais optar. Continuam a ser os dois pulmões de um único respiro. A pregação, a presença e o serviço não privavam Francisco do deserto: ele voltava sempre a tempos prolongados de retiro. O Espírito que dá a vida é o mesmo que leva a olhar o rosto de Deus e o rosto do pobre, e revela-os inseparáveis. 

Precisamos de reencontrar esta unidade também hoje, nós frades e irmãs nas estruturas que habitamos e nas que construímos nos países de nova presença, os leigos franciscanos nas suas condições ordinárias de vida. Nem todas as estruturas ajudam: é um discernimento necessário, a fazer juntos com honestidade, para que silêncio e serviço, oração e proximidade possam respirar juntos.

Nesta missão não estamos sós. Os leigos franciscanos, as irmãs, quantos partilham a nossa inspiração evangélica são companheiros de caminho, não destinatários do nosso cuidado pastoral. Francisco não fundou uma instituição clerical: reuniu à volta do Evangelho homens e mulheres de toda a condição. As novas formas de vida franciscana que o Espírito suscita neste tempo nascem do encontro com a realidade concreta e da identidade profunda do que somos: irmãos e menores, contemplativos em missão. 

A escolha dos pobres: os nossos mestres 

No coração do nosso carisma há uma escolha que Francisco nunca atenuou: «E devem alegrar-se, quando conviverem entre pessoas insignificantes e desprezadas, entre os pobres, fracos, enfermos, leprosos e os que mendigam pela rua». No fim da sua vida, queria voltar precisamente entre os leprosos. Pôs em nós este germe: viver como, entre e para os pobres. Não como benfeitores que se aproximam com benevolência, mas como irmãos que partilham a condição. Os pobres não são o «campo» da nossa missão: são os nossos mestres. Francisco compreendeu-o no encontro com o leproso, que lhe restituiu o gosto da vida e mudou para sempre a forma do seu olhar. E daí nunca mais voltou atrás. 

Esta escolha não é uma opção entre outras, uma sensibilidade que alguns têm e outros não. É um critério vocacional. Vale para todos na nossa grande família. Permitam-me agora uma palavra dirigida sobretudo aos meus frades. Quem se reconhece chamado a ser frade menor aceita que a minoridade não é um título honorífico, mas uma posição real: estar embaixo, com quem está embaixo, sem procurar subir. Quando na nossa vida se manifesta de diversos modos o desejo de ascensão social — de maior reconhecimento, de estatuto mais elevado, de protagonismos individuais ou de grupo — é aí que o carisma é contestado nos fatos, mesmo que seja proclamado com palavras. A minoridade é critério de vocação e critério de missão: diz-nos de onde partimos e com quem caminhamos. 

Perguntemo-nos, com franqueza fraterna: nós com as nossas fraternidades somos realmente próximos dos pobres, ou a distância cresceu com o tempo, coberta talvez por obras institucionais que funcionam mas que já não exigem o contato direto? O encontro vivo, pessoal e cotidiano com quem está à margem é uma das formas mais verdadeiras em que o carisma se mantém vivo e reconhecível. 

Liberdade evangélica: trabalho, dinheiro, dependência 

Há um nó que não podemos evitar, porque toca a coerência da nossa vida e o seu anúncio: a relação com o dinheiro. Isto toca a todos nós, frades, irmãs e leigos, cada um de modo diferente. Francisco fez disso uma das questões mais radicais da sua experiência evangélica. Não por desprezo das coisas criadas — ele que cantava a beleza de cada criatura — mas porque tinha compreendido que o dinheiro, quando se torna segurança, se transforma numa forma de poder e de defesa contra o que assusta. Retemo-lo como propriedade, enquanto prometemos viver sem nada de próprio

Somos chamados a olhar com honestidade este nó na nossa vida concreta. Que relação temos com o dinheiro e como o gerimos, individualmente e em fraternidade? A disponibilidade de recursos, mesmo quando usada para obras boas, pode tornar-se pouco a pouco um muro invisível entre nós e os pobres, na mesma fraternidade entre quem tem mais acesso a eles e quem tem menos. Eis uma forma de segurança que nos afasta da dependência evangélica que Francisco escolhia como estilo. Esta é uma questão aberta, que devemos colocar-nos com força nas nossas fraternidades. 

Francisco liga tudo isto à prioridade do trabalho com as próprias mãos como forma fundamental de sustento. Trabalhar não é uma concessão à necessidade: é uma escolha que nos mantém na realidade como criaturas, que nos torna dependentes da vida comum e não de posições adquiridas, como pobres e não como senhores. O risco oposto — viver do que recebemos sem oferecer em troca nenhuma forma de trabalho, assumindo um direito passivo ao sustento — diz que estamos longe do carisma, e que arriscamos não o receber mais como dom do Espírito. Os leigos podem ajudar-nos a descobrir e a viver melhor esta dimensão. 

Há finalmente uma palavra de Francisco que ressoa de modo particular: tudo o que temos é um dom, não nos pertence, apenas o recebemos. O nosso ser, os bens que gerimos, as estruturas que habitamos, os recursos que utilizamos: são um dom que nos é dado em empréstimo. Não podemos retê-los para nós, mas somos chamados a restituí-los e o verdadeiro destinatário é o pobre: «E a esmola é a herança e direito que se deve aos pobres, a qual Nosso Senhor Jesus Cristo conquistou para nós». Restituir aos pobres o que apenas recebemos é o gesto mais eloquente da nossa vocação: diz que não temos medo, que confiamos no Pai como Francisco nos mostra. 

Rumo ao Capítulo geral 

Ir além do Centenário não significa descobrir mais algum monumento e arquivar também este capítulo. Significa não nos cansarmos de responder ao dom desta vida que o Espírito fez brotar de Francisco, deixando-nos tocar e também inquietar, para que tome corpo hoje. 

Esta vida liberta-nos da identificação excessiva entre o carisma recebido e os modos, as tradições, as estruturas em que tomou corpo ao longo dos séculos. Francisco respirou no Espírito a liberdade do Evangelho: não nos defendamos do seu sopro. Continuemos a dar-lhe carne, para que possa exprimir-se nas nossas escolhas, no nosso anúncio, no estilo autêntico das nossas fraternidades. 

Comecemos a preparar-nos todos juntos para o Capítulo geral 2027 no Vietnã. Parece um evento distante da vida cotidiana dos frades. Nesta hora da história é vital sentirmo-nos e agir cada vez mais como fraternidade internacional. Na preparação para o Capítulo serão envolvidos frades, as fraternidades locais, as Entidades e as Conferências. Convidaremos também ao Vietnã, para uma semana comum, dois leigos de cada Conferência, para ouvir a sua voz e o seu olhar para o futuro. Seja então um caminho para dar voz a esta vida presente entre nós, mesmo que muitas vezes seja como uma brasa muito tênue sob a cinza. Seja uma oportunidade para reavivá-la e fazê-la arder. Esta vida urge em nós, abre portas onde tudo parecia já fechado, orienta-nos para o futuro que Deus já está a tecer no trabalho deste tempo — que nos educa como nunca para uma laboriosa esperança. 

O mundo espera 

Não vale só para nós. A Igreja precisa desta expressão do Espírito para viver plenamente a sua vocação e missão. E o mundo — também através de tantas mulheres e homens que não se reconhecem em nenhuma pertença religiosa — pede-nos que libertemos esta vida que levamos, para que haja lugares onde se possa perceber aquele pulsar que habita em cada criatura e a conduz ao seu cumprimento na própria vida de Deus. 

REZEMOS JUNTOS: 

Vem Espírito Santo, sobre este pequeno povo de irmãos, irmãs e menores.
Acende de novo em nós, com a chama do teu amor, uma fé reta, uma esperança certa e uma caridade perfeita.
Transforma a nossa vontade e o nosso coração para que não retenhamos o dom recebido: torne-se vida oferecida.
Santa Maria, Virgem feita Igreja, acompanha-nos neste caminho.
São Francisco, homem do mundo futuro, lembra-nos que o Evangelho é ainda hoje a nossa única riqueza. Amém. 

Desejo-vos um luminoso Pentecostes, irmãos e irmãs. O Espírito, verdadeiro Ministro geral da Ordem, nos guie juntos rumo àquela vida plena que é o desejo mais profundo do coração de cada criatura. 

Vosso irmão e servo, 

Fr. Massimo Fusarelli, OFM
Ministro geral


Roma, da Cúria geral da Ordem, 13 de maio de 2026.
Prot. 115201/MG-048-2026

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