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Guardiães iniciam reunião provincial em Agudos

06/05/2026

Notícias

A Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil iniciou, na noite de 4 de maio de 2026, no Seminário Santo Antônio, em Agudos (SP), a Reunião dos Guardiães e Coordenadores de Fraternidade. O encontro reúne os frades responsáveis pela animação da vida fraterna nas diversas casas da Província para um tempo de oração, reflexão, partilha e avaliação da caminhada comum.

A abertura foi marcada por um momento orante conduzido pelo Vigário Provincial, Frei Gustavo Medella, seguido pela acolhida do Ministro Provincial, Frei Paulo Roberto Pereira, que situou a reunião como um espaço privilegiado de leitura da realidade à luz das propostas do Capítulo Provincial. Em sua fala, destacou que a avaliação da caminhada não deve ser pontual, mas contínua, ajudando a Província a permanecer fiel ao seu caminho formativo e missionário.

Ao apresentar o Programa Provincial de Formação Permanente, já em andamento, recordou que os principais sujeitos desse processo são cada frade, a fraternidade e aqueles que exercem o serviço da autoridade, os guardiães. De modo particular, sublinhou o papel do guardião como animador da vida fraterna e formativa, responsável pelo cuidado concreto dos irmãos e pelo bem comum da fraternidade.

Retomando a pergunta bíblica — “Por acaso eu sou guarda do meu irmão?” — o Ministro Provincial conduziu a reflexão para o coração da vida franciscana: o cuidado concreto com o irmão. Destacou que o guardião, antes de tudo, é irmão entre irmãos, e que a vida fraterna é o espaço onde se vive e se exerce essa responsabilidade. Também recordou que cada frade é o primeiro responsável por sua própria formação, que se realiza no cultivo pessoal, no diálogo e na abertura às mediações da fraternidade e da Província.

O encontro contou com a presença de Frei Ivair Bueno de Carvalho, que participa pela primeira vez da reunião nesta condição de Custódio. Sua presença reforça os laços de proximidade e corresponsabilidade entre a Província do Brasil e a Custódia Imaculada Mãe de Deus em Angola, que segue em processo de consolidação e amadurecimento institucional.

Eucaristia e espiritualidade do “Paz e Bem”

Na manhã do dia 5 de maio, os trabalhos tiveram início com a celebração da Eucaristia, presidida pelos guardiães das Casas de Formação da Província.

Na homilia, Frei Gentil de Lima Branco situou a assembleia no tempo pascal, destacando o processo de transformação vivido pelos discípulos após a Ressurreição. A partir da experiência de São Paulo em Listra — apedrejado, dado como morto, mas capaz de se levantar e continuar a missão — recordou que a vida evangelizadora não se faz sem dificuldades.

“É preciso passar por muitos sofrimentos para entrar no Reino de Deus”, afirmou, aplicando essa realidade ao serviço dos guardiães, coordenadores e formadores, frequentemente marcados por incompreensões, críticas e desafios concretos.

Ao comentar o Evangelho, destacou a paz deixada por Cristo — distinta da paz do mundo — como serenidade interior fundada na confiança em Deus. Concluiu convidando os presentes a viverem o “Paz e Bem” não apenas como saudação, mas como um verdadeiro programa de vida, especialmente diante das “pedradas” do cotidiano.

Formação permanente e fraternidade: do funcional ao carismático

Na sequência, os frades reuniram-se na Sala Capitular. A reflexão inicial destacou que a formação permanente não é separada da formação inicial, mas continuidade de um mesmo caminho vocacional, que envolve toda a vida do frade.

Foi apresentado o texto fonte para a reflexão “Os Agentes e os Lugares da Formação Permanente”, que orientou o trabalho do dia. O texto ressaltava que a formação se realiza a partir de três sujeitos principais: cada frade, como responsável por sua própria caminhada; a fraternidade, como espaço privilegiado de vivência do Evangelho; e os guardiães e ministros, como animadores desse processo.

Os guardiães foram convidados à leitura e partilha em duplas, a partir de questões que abordavam temas como comunicação fraterna, exercício da autoridade, vivência das dificuldades e corresponsabilidade na vida comum. Foi destacado que a vida fraterna é o grande dom da vocação franciscana e que o desafio atual consiste em passar de uma fraternidade meramente funcional para uma fraternidade verdadeiramente carismática, marcada por relações mais profundas, confiança, diálogo e partilha.

Na partilha em plenário, diversos frades trouxeram contribuições a partir de suas experiências. Frei Laurindo Lauro chamou atenção para a superficialidade das relações fraternas e a necessidade de maior confiança entre os irmãos. Frei Leandro Costa dos Santos destacou que o guardião exerce seu serviço no interior da fraternidade, e não acima dela. Frei Gustavo Wayand Medella enfatizou a simplicidade como característica fundamental do serviço, definindo o guardião como aquele que “simplifica” a vida fraterna. Já Frei Sandro Roberto da Costa alertou para o risco de se perder o essencial da vocação em meio a estruturas excessivas.

Um ponto recorrente foi o desafio de passar de uma fraternidade meramente funcional para uma fraternidade verdadeiramente carismática, marcada por relações mais profundas, diálogo, partilha e cuidado mútuo.

Balanço da Província e realidade de Angola

Ainda no período da tarde, Frei Robson Luiz Scudela apresentou o balanço contábil e econômico da Província, oferecendo aos guardiães uma visão atualizada da situação financeira, com destaque para os princípios de transparência e corresponsabilidade na administração dos bens.

À noite, Frei Ivair Bueno de Carvalho apresentou a realidade da Custódia de Angola, partilhando o percurso dos últimos anos: a organização da vida fraterna, os desafios do contexto local e os avanços no processo de consolidação e busca de maior autonomia. O relato foi marcado por sinais concretos de crescimento e esperança. Em seguida, realizou-se a apreciação do Conselho Fiscal, conduzida por Frei Rafael Spricigo, com análise dos dados do balanço e espaço para esclarecimentos.

A reunião dos guardiães é, cada vez mais, um momento de afinar os mesmos pulmões — respirar juntos, a partir das fraternidades espalhadas pelos cinco estados brasileiros e por Angola, para retomar o essencial: que no centro de tudo está o Evangelho, a fraternidade e o rosto concreto do irmão.

Os trabalhos continuam nos dias 6 e 7 de maio, com grupos de estudo sobre formação, evangelização e administração dos bens.


Frei Jeâ Paulo Andrade, OFM