32ª Edição do Grito dos Excluídos em Bauru une movimentos sociais e Igreja na defesa da justiça, da paz e da soberania
09/09/2026

Em sua 32ª edição, o tradicional Grito dos Excluídos e Excluídas foi às ruas neste 7 de setembro para fazer um contraponto aos desfiles oficiais e denunciar as desigualdades e injustiças que persistem em nosso país.
Com o tema permanente “Vida em Primeiro Lugar” e o lema “Na defesa da Terra, da Paz e da Moradia, Erguemos a voz: Mulheres Vivas e Soberania!”, o ato em Bauru (SP) foi promovido pelo Setor Caridade da Diocese.
O evento contou com a participação de pastorais sociais – com destaque para a Pastoral da Ecologia Integral -, do Conselho Nacional dos Leigos e Leigas do Brasil (CNLB) e de movimentos sindicais e populares do município, marcando a retomada da parceria da Igreja com os movimentos sociais na realização do ato. Frei Ricardo Backes e Frei André Gurzynski representaram os frades franciscanos da Paróquia Santo Antônio, que atuam na cidade.

Lutas e reivindicações
A manifestação colocou em pauta a urgência de respostas para problemas estruturais que afetam a população mais vulnerável, tais como:
*Déficit habitacional e especulação imobiliária: que excluem milhões de pessoas do direito à moradia digna;
*Concentração de terra e de riquezas: que privilegia poucos em detrimento de uma grande maioria de excluídos;
*Precarização dos serviços públicos: ausência, precariedade ou preço abusivo de serviços essenciais, sobretudo nas periferias;
*Violência estrutural: combate às diferentes formas de violência, incluindo a misoginia, o feminicídio (que vitimou mais de 1.500 mulheres no país em 2025), o racismo, a homofobia e a violência contra pessoas em situação de vulnerabilidade social.
Cartazes e faixas clamavam por justiça socioambiental, ressaltando a urgência da questão climática associada à justiça social. O ato também defendeu a soberania nacional e os direitos trabalhistas, endossando a proposta de redução da jornada de trabalho com o fim da escala 6×1.
O Grito dos Excluídos e das Excluídas denuncia que a Independência do Brasil permanece incompleta enquanto nossa soberania continuar ameaçada, nossas riquezas forem saqueadas por elites a serviço de interesses estrangeiros, e parcelas significativas da população continuarem privadas do acesso a uma vida digna e à satisfação de suas necessidades mais básicas.
O folder explicativo distribuído lembrou o lema muito apreciado pelo saudoso Papa Francisco: “Nenhuma família sem casa, nenhum camponês sem terra e nenhum trabalhador sem direitos!”

Elaine Bertone e Frei André Gurzynski


