Vida Cristã - Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil - OFM

Especial Campanha da Fraternidade

Campanha da Fraternidade Ecumênica 2021

No dia 17 de fevereiro tem início a Quaresma, tempo em que a Igreja do Brasil aproveita para trabalhar de forma mais intensa a Campanha da Fraternidade.

Com o tema: “Fraternidade e Diálogo: compromisso de amor” e lema: “Cristo é a nossa paz: do que era dividido, fez uma unidade” (Ef. 2.14), a CFE 2021 traz como proposta resgatar a importância do diálogo em meio ao contexto de polarização em nosso país.

O objetivo geral da CFE  neste ano é, através do diálogo amoroso e do testemunho da unidade na diversidade, inspirados e inspiradas no amor de Cristo, convidar comunidades de fé e pessoas de boa vontade para pensar, avaliar e identificar caminhos para a superação das polarizações e das violências que marcam o mundo atual.

A CFE tem como objetivos específicos: – Denunciar as violências contra pessoas, povos e a Criação, em especial, as que usam o nome de Jesus; – Encorajar a justiça para a restauração da dignidade das pessoas, para a superação de conflitos e para alcançar a reconciliação social; – Animar o engajamento em ações concretas de amor à pessoa próxima; – Promover a conversão para a cultura do amor em lugar da cultura do ódio; e – Fortalecer e celebrar a convivência ecumênica e inter-religiosa.

A arte escolhida para ilustrar o caminho fraterno de diálogo e comunhão foi elaborada pela agência Ateliê 15. O cartaz remete ao apelo de Cristo pela unidade. O secretário executivo para Campanhas da CNBB, padre Patriky Samuel Batista, destaca que “Cristo é a nossa paz e suas ações nos inspiram a concretiza-la por meio do nosso testemunho de vida”.

Segundo os artistas do Ateliê 15, a base do desenho é uma ciranda, uma grande roda onde não há primeiro, nem último, onde todos formam uma unidade e precisam trabalhar na mesma sintonia e ritmo para não perderem o compasso. “A ciranda lembra uma canção muito comum em nossas comunidades, ‘baião das comunidades’ do cantor e compositor Zé Vicente. Todas e todos são convidados a participarem desta ciranda pela vida construindo a civilização do amor, da justiça, da igualdade e da paz. Na ciranda há uma criança com a mão estendida a espera de mais pessoas a fim de que o movimento de fraternidade não pare. Somos todos convidados!”.

Acompanhe neste Especial diversos textos sobre a CF  para a divulgação desta Campanha.

Nota da CNBB sobre a CFE21

A presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou, nesta terça-feira, 9 de fevereiro, uma nota na qual esclarece pontos referentes à realização da Campanha da Fraternidade Ecumênica deste ano, cujo tema é: “Fraternidade e Diálogo: compromisso de amor” e o lema: “Cristo é a nossa paz. Do que era dividido fez uma unidade”,  (Ef 2,14a).

O documento reafirma a Campanha da Fraternidade como uma marca e, ao mesmo tempo, uma riqueza da Igreja no Brasil que deve ser cuidada e melhorada sempre mais por meio do diálogo. Iluminado pela Encíclica Ut Unum Sint, de 1999, do Papa São João Paulo II, o texto aponta também ser necessário cuidar da causa ecumênica.

Sobre o texto-base da CFE deste ano, os bispos afirmam que a publicação seguiu a estrutura de pensamento e trabalho do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC), conselho responsável pela preparação e coordenação da campanha da fraternidade em seu formato ecumênico. “Não se trata, portanto, de um texto ao estilo do que ocorreria caso fosse preparado apenas pela comissão da CNBB”, aponta a Nota.

No documento, a presidência da CNBB reafirma que a Igreja Católica tem sua doutrina estabelecida a respeito das questões de gênero e se mantém fiel a ela. “A doutrina católica sobre as questões de gênero afirma que ‘gênero é a dimensão transcendente da sexualidade humana, compatível com todos os níveis da pessoa humana, entre os quais o corpo, a mente, o espírito, a alma. O gênero é, portanto, maleável sujeito a influências internas e externas à pessoa humana, mas deve obedecer a ordem natural já predisposta pelo corpo” (Pontifício Conselho para a Família, Lexicon – Termos ambíguos e discutidos sobre família, vida e questões éticas., pág. 673).

A nota informa que os recursos do Fundo Nacional de Solidariedade (FNS) seguem rigorosa orientação, obedecendo não apenas a legislação civil vigente para o assunto, mas também a preocupação quanto à identidade dos projetos atendidos. “Os recursos só serão aplicados em situações que não agridam os princípios defendidos pela Igreja Católica”, reforça a nota.

A presidência da CNBB afirma, no parágrafo final, que apesar de nem sempre ser fácil cuidar das dificuldades levantadas pela realização de uma Campanha da Fraternidade e da caminhada ecumênica e de muitos outros aspectos da ação evangelizadora da Igreja, nem por isso se deve desanimar e romper a comunhão, o que segundo os bispos é uma das maiores marcas dos cristãos. “Não desanimemos. Não desistamos. Unamo-nos”, exorta a presidência da CNBB.

Conheça, abaixo, a íntegra do documento. Aqui a versão em PDF:

NOTA DA PRESIDÊNCIA DA CNBB

Irmãos e irmãs em Cristo Jesus,

“Não apagueis o Espírito, não desprezais as profecias,
mas examinai tudo e guardai o que for bom” (1 Ts 5,21)

1. No exercício de nossa missão evangelizadora, deparamo-nos com inúmeros desafios, diante dos quais não podemos esmorecer, mas, ao contrário, buscar forças para responder com tranquilidade e esperança.
2. Nosso país vive um tempo entristecedor, com tantas mortes causadas pela covid-19, um processo de vacinação que gostaríamos fosse mais rápido e uma população que se cansou de seguir as medidas de proteção sanitária. Nosso coração de pastores sofre diante de tantas sequelas que surgem a partir da pandemia, em especial o empobrecimento e a fome.

A Campanha da Fraternidade 2021 e suas características
3. Em meio a tudo isso e atendendo à solicitação de irmãos bispos, desejamos abordar a Campanha da Fraternidade deste ano. Algumas afirmações têm ocasionado insegurança e mesmo perplexidade.
4. Como sabemos, a Campanha da Fraternidade é uma riqueza da Igreja no Brasil, nascida e amadurecida não sem dificuldades e mesmo sofrimentos. A cada Campanha, o aprendizado se fortalece e se mostra continuamente necessário. Assim acontece com cada tema escolhido e assim acontece quando as Campanhas, desde o ano 2000, são feitas em modo ecumênico.
5. Para este ano, o tema escolhido foi o diálogo, com o tema, portanto, fraternidade e diálogo: compromisso de amor. Trata-se, como explicado nas formações feitas pelo nosso Setor de Campanhas, do recolhimento dos temas anteriores, em especial desde 2018, que tratou da superação da violência, até 2020, quando apresentou-se a proposta cristã do cuidado.
6. Para 2021, conforme aprovação em nossa Assembleia Geral de 2018, a Campanha foi construída ecumenicamente e, conforme costume desde o ano 2000, sob a responsabilidade do CONIC. Nas primeiras reuniões, discerniu-se pelo tema do diálogo, urgência num tempo de polarizações e fanatismos, cabendo então ao CONIC a construção do texto-base. Isso foi feito conforme está explicado na apresentação do mesmo, com detalhamento da equipe elaboradora, na pág. 9.
7. Consequentemente, o texto seguiu a estrutura de pensamento e trabalho do CONIC. Foram realizadas várias reuniões, o texto passou por revisão da assessoria teológica do CONIC, uma assessoria com membros das diversas igrejas, chegando, então, ao que hoje temos. Não se trata, portanto, de um texto ao estilo do que ocorreria caso fosse preparado pela comissão da CNBB, pois são duas compreensões distintas, ainda que em torno do mesmo ideal de servir a Jesus Cristo. O texto-base desse ano, por conseguinte, deve ser assim compreendido, como o foi nas Campanhas da Fraternidade levadas a efeito de modo ecumênico.

Algumas questões específicas
8. Nos últimos dias, reações têm surgido quanto ao texto. Apresentam argumentos que esquecem da origem do texto, desejando, por exemplo, de uma linguagem predominantemente católica. Trazem ainda preocupações com relação a aspectos específicos, a saber, as questões de gênero, conforme os números 67 e 68 do referido texto.
9. A doutrina católica sobre as questões de gênero afirma que “gênero é a dimensão transcendente da sexualidade humana, compatível com todos os níveis da pessoa humana, entre os quais o corpo, a mente, o espírito, a alma. O gênero é, portanto, maleável sujeito a influências internas e externas à pessoa humana, mas deve obedecer a ordem natural já predisposta pelo corpo” (Pontifício Conselho para a Família, Lexicon – Termos ambíguos e discutidos sobre família, vida e questões éticas., pág. 673).

Uma ajuda destacável
10. Já pronto o texto-base, fomos presenteados com a Fratelli Tutti, que recomendamos vivamente seja também utilizada como subsídio para a Campanha da Fraternidade deste ano. Ela estabelece forte conexão entre o tema de 2020 e o de 2021, cuidado e diálogo, e muito ajudará na reflexão sobre o diálogo e a fraternidade.

Coleta da Solidariedade
11. Junto com essas preocupações de conteúdo, surgiu ainda a sugestão de que não se faça a oferta da solidariedade no Domingo de Ramos, uma vez que existiria o risco de aplicação dos recursos em causas que não estariam ligadas à doutrina católica.
12. Lembramos que, em 2019, foi distribuída pelo Fundo Nacional de Solidariedade – FNS a quantia de R$3.814.139,81, fruto da generosidade de nossas comunidades, não se incluindo nessa quantia o que foi destinado aos fundos diocesanos. Em 2020, por causa da pandemia, não ocorreu arrecadação. Somente com a ajuda da instituição alemã Adveniat conseguimos atender a 15 projetos.
13. Sobre isso, recordamos que o FNS segue rigorosa orientação, obedecendo não apenas a legislação civil vigente para o assunto, mas também preocupação quanto à identidade dos projetos atendidos. Desde o início da construção da Campanha da Fraternidade de 2021, temos informado ao CONIC a respeito da dificuldade e até mesmo da impossibilidade de mantermos a estrutura do Fundo de Solidariedade como ocorrido nas Campanhas ecumênicas anteriores. Sobre este ponto, tendo como base a última dessas Campanhas, a de 2016, esta Presidência já manifestou ao CONIC as dificuldades e, por espírito de comunhão e corresponsabilidade, vai conversar sobre o assunto na próxima reunião do CONSEP. A conclusão será informada em seguida.

Desse modo:
14. Em consequência, respeitando a autonomia de cada irmão bispo junto aos seus diocesanos e como não poucos irmãos nos têm solicitado indicações para informar ao povo sobre a CF 2021, consideramos importante que sejam destacados os seguintes aspectos:
1) A Campanha da Fraternidade é um valor que não podemos descartar.
2) Alguns temas, conforme seu modo de ser apresentado, tornam-se mais difíceis que outros.
3) A Igreja tem sua doutrina estabelecida a respeito das questões de gênero e se mantém fiel a ela.
4) Os recursos do Fundo Nacional de Solidariedade serão aplicados em situações que não agridam os princípios defendidos pela Igreja Católica.
5) A causa ecumênica se mantém importante. “Uma comunidade cristã que crê em Cristo e deseja com o ardor do Evangelho a salvação da humanidade não pode de forma alguma fechar-se ao apelo do Espírito que orienta todos os cristãos para a unidade plena e visível … O ecumenismo não é apenas uma questão interna das comunidades cristãs, mas diz respeito ao amor que Deus, em Cristo Jesus, destina ao conjunto da humanidade; e criar obstáculos a este amor é uma ofensa a Ele e ao Seu desígnio de reunir todos em Cristo” (S. João Paulo II, Encíclica Ut Unum Sint, 99)
15. Concluímos lembrando a importância da Campanha da Fraternidade na história da evangelização do Brasil. É nossa marca. Cabe-nos cuidar dela, melhorá-la sempre mais por meio do diálogo, assim como nos cabe cuidar da causa ecumênica, um ideal que se nos impõe. Se nem sempre é fácil cuidar de ambos e de muitos outros aspectos de nossa ação evangelizadora, nem por isso devemos desanimar e romper a comunhão, uma de nossas maiores marcas, um tesouro que o Senhor Jesus nos deixou e do qual não podemos abrir mão. Não desanimemos. Não desistamos. Unamo-nos.

Brasília-DF, 09 de fevereiro de 2021


Dom Walmor Oliveira de Azevedo

Arcebispo de Belo Horizonte (MG)
Presidente da CNBB

Dom Jaime Spengler
Arcebispo de Porto Alegre (RS)
Primeiro Vice-Presidente da CNBB

Dom Mário Antônio da Silva
Bispo de Roraima (RR)
Segundo Vice-Presidente da CNBB

Dom Joel Portella Amado
Bispo auxiliar da arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro (RJ)
Secretário-geral da CNBB

Diálogo profético: desafio da Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2021

Por D. Joel Portella Amado

Introdução

Com o tema “Fraternidade e diálogo”, a Campanha da Fraternidade de 2021 se insere no que, a partir dos desafios brotados da pandemia, se tem convencionado chamar de “novo futuro”. Discernido antes dos impactos causados pelo coronavírus, o tema “diálogo” tem mostrado importância cada vez maior, na medida em que indica o caminho para a superação de um conjunto de crises que envolvem o Brasil e o mundo. Trata-se de campanha planejada e realizada ecumenicamente, sob a coordenação do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (Conic). Esta é a quinta vez que a CF é assim realizada. Em direta continuidade com as campanhas mais recentes, o tema da CFE-2021 chama a atenção para um aspecto de vital importância para nossos dias, uma atitude que deve recuperar os primeiros lugares nas listas de preocupações. Com o risco de ser mal compreendido, o diálogo, ao revelar o mais profundo do ser humano, pede espaço para ser objeto de reflexão e oração, gerando, em consequência, práticas e estruturas que se alimentam do diálogo e o sustentam.

  1. Em linha de continuidade

Com quase seis décadas de existência, a CF é um convite à conversão por meio de uma pedagogia que já se consolidou. Mostra uma situação específica e, a partir dela, questionando causas e efeitos, ajuda a chegar à raiz mais profunda, que é o pecado. É por isso que a CF tem abordado temas à primeira vista tão diferentes, como participação paroquial (1970), temas ecológicos (1979, 2004 e 2017), família (1994), segurança pública (2009) e juventude (1992). São abordagens escolhidas com base em situações que marcam a vida do povo brasileiro. Algumas, é verdade, acabam adquirindo abrangência maior. Outras, embora deem a impressão de regionalidade, visam interpelar o conjunto da sociedade brasileira.

O tema “diálogo” se encontra em linha direta de continuidade com a CF anterior. Em 2020, a reflexão proposta nos convidou a encontrar caminhos para superar a lógica da indiferença e construir relações pessoais e sociais baseadas no cuidado, expressando o fato de que, queiramos ou não, somos estruturalmente corresponsáveis uns pelos outros. Quando, por exemplo, em 2014, a CF nos apresentava o tema do tráfico humano, éramos indagados a respeito de um mundo que, de tanto desconsiderar o ser humano, acaba por transformá-lo em mercadoria, num sistema de hedionda escravidão. Por isso, em 2015, diante do risco de não percebermos a responsabilidade humanitária inerente à fé, refletimos sobre o compromisso sociotransformador, o qual diz respeito às pessoas (2018) e, numa visão integrada, ao meio ambiente (2016 e 2017). Não há, pois, como desconsiderar a continuidade entre os temas, de modo que o tema de uma CF se torna mais acessível quando recordamos os temas anteriores, especialmente os mais próximos.

  1. Cuidar implica dialogar

Foi, portanto, nessa linha de continuidade que a CF-2020 apresentou o tema do cuidado. Com inspiração em Santa Dulce dos Pobres, então recentemente canonizada, e tendo como base a ecologia integral, apresentada pelo Papa Francisco na Laudato Si’, aquela campanha pode ter deixado a impressão de que não estava abordando um tema específico, um desafio concreto, como, em outros temas, era fácil de perceber. É possível entender mais facilmente a concretude, por exemplo, do tema “juventude” (1992 e 2013) do que dos temas “cuidado” e “diálogo”, que podem dar a impressão de serem abstratos, desconectados da vida.

Por isso, é tão importante não esquecer a conexão entre os temas. Em cada um deles, o cuidado se faz presente, enquanto autêntico empenho para que a vida, em todas as suas instâncias, seja preservada. Cuidar, vimos na CF-2020, implica reconhecer a existência do outro, da outra, de todos os outros e da casa comum. Significa voltar-se para esse outro com reverência e acolhida, olhando-lhe as vulnerabilidades e ajudando a emergir, do meio de situações tristes e degradantes, a dignidade que lhe é inerente, ainda que agredida, desrespeitada.

Cuidar não se restringe, bem sabemos, à dimensão material. Embora indispensável, essa dimensão não é a única. Cuida-se, por exemplo, do faminto dando-lhe o alimento para sanar de imediato sua fome, ajudando-o a conseguir, por seu próprio esforço, sustento para si e seus familiares e não deixando morrer a indagação pelos motivos da fome. No entanto, cuidar implica também doar o ouvido, o coração e a mente para realizar uma das atitudes mais humanas e indispensáveis em todos os tempos, principalmente em períodos históricos como o atual: a escuta, o mergulho no horizonte existencial da outra pessoa, buscando compreender o modo como ela sente a vida, avalia o mundo, percebe a realidade. Desse encontro profundamente interpessoal, emergem perspectivas novas, purificadas de preconceitos, de miopias socioculturais, que só permitem enxergar o que está no restrito círculo da vida que se leva. O pecado destrói a vida, e cuidar da vida implica voltar-se a ela, permitindo-lhe recuperar não apenas sua dimensão material, mas também toda a abrangência do que significa dignidade humana.

  1. Diálogo é mais que conversa

Dialogar não é apenas estabelecer conversa. Esta pode ser uma atividade desenvolvida por duas pessoas sem que, todavia, ocorra o efetivo abrir-se à alteridade, ou seja, ao outro e à outra como diferentes de mim. O diálogo se inicia, sem dúvida, pelo ato de conversar, pois, se nem ao menos nos dirigimos às outras pessoas, se não as escutamos nem compartilhamos com elas um pouco do que pensamos e sentimos, não daremos o passo para o verdadeiro diálogo. Conversamos sobre coisas. Dialogamos sobre nós e sobre o sentido da vida. Conversamos, por exemplo, sobre as contas a pagar, rumos de uma série televisiva ou o sistema de transportes que não atende às necessidades. Dialogamos, porém, sobre sonhos, esperanças, compreensões, expectativas, frustrações, tristezas e alegrias. Conversa pode ser o instrumento. Diálogo, porém, é a finalidade. Partimos do mais imediato para chegar ao mais importante.

Consequentemente, diálogo não é convencimento. Não é uma espécie de jogo de xadrez em que, a todo instante, procuramos pôr a outra pessoa em xeque para garantir nossos pontos de vista. Diálogo não é técnica de venda ou interrogatório. Diálogo é descoberta, é percepção do que vai no mais profundo de cada criatura. É identificar, ainda que aos poucos, o que torna cada pessoa tão original, tão diferenciada no conjunto de toda a criação. É, de algum modo, estabelecer um grau de conexão que permita sentir o que a outra pessoa sente, compreender o modo como ela percebe a vida. Não se trata, por certo, de anulação de uma das partes do diálogo, pois este implica sempre a existência, no mínimo, de dois diferentes, de dois que não se anulam nem perdem suas identidades ao se colocarem reverencialmente um diante do outro. Diálogo é compartilhamento das identidades, das crenças, das convicções. É porque as tenho que não temo compartilhá-las; e, quanto mais compartilho, mais me firmo, deixando-me purificar, transformar, converter, sem me anular.

Por isso é tão difícil conviver com pessoas ou grupos que não sabem dialogar. Na insegurança de suas identidades, acabam se fechando em fanatismos ou fundamentalismos, exigindo que a vida seja encapsulada, sem as diferenças presentes em qualquer um de nós. Prevenir-se contra essa atitude certamente não significa cair no relativismo, próprio das perdas de identidade, pois convicção não exige fechamento em si, mas, ao contrário, implica abertura madura para o diálogo, sem temer a exposição de pensamentos e sentimentos, sabendo que as convicções, ao serem compartilhadas, se voltam para nós mais solidificadas, se bem que não poucas vezes transformadas, purificadas. Assim como acontece com o corpo humano, que, ao se exercitar, se fortalece, a postura dialogal sai fortalecida ao apresentar ao outro e à outra, bem como ao acolher o que o outro e a outra apresentam.

  1. Jesus dialogava

Se queremos nos compreender, devemos contemplar Jesus Cristo. Se desejamos assimilar o que o diálogo significa, precisamos nos voltar para Jesus Cristo e, alicerçados no pilar da Palavra de Deus (DGAE 88-92 e 144-159), perceber, se assim podemos dizer, o diálogo feito carne. Para isso, a CFE-2021 propõe como primeiro texto o relato dos discípulos de Emaús (Lc 21,13-35). Ali, temos um exemplo importante do que seja a atitude de diálogo. Jesus toma a iniciativa de ir ao encontro dos dois discípulos onde e como estão. O mergulho na conversa (Lc 21,17) é o caminho para iniciar o que mais amplamente podemos chamar de diálogo. O tempo gasto com os dois é condição para passar da informação para a transformação dos discípulos. Se fosse apenas uma informação, bastaria a Jesus dizer: “Eu ressuscitei. Estou aqui. Parem com isso”. No entanto, pacientemente Jesus estabelece ponte com a desolação dos discípulos. Aceita o convite para entrar na casa, conviver mais, dialogar mais, e, ao partir do pão, o diálogo se plenifica e os dois reconhecem o Senhor. Como, porém, a dinâmica dialogal é contínua, os discípulos saem ao encontro dos outros para com eles dialogar e ajudá-los a confirmar a novidade da ressurreição.

Esse relato de Emaús nos remete a muitos outros, nos quais contemplamos Jesus em diálogo. Os mais fáceis de compreender são aqueles em que, à semelhança de Emaús, uma conversa é estabelecida. É o caso do conhecido encontro com a mulher da Samaria (Jo 4,1-42) ou os diversos relatos de curas. Jesus sempre dialoga, escuta e recomenda, acolhe e transforma. É, por exemplo, o que encontramos na cura do cego de Betsaida (Mc 8,22-26). Como manifestações do Reino de Deus, as curas, que até poderiam ser feitas com maior rapidez e economia de tempo, envolvem uma experiência mais ampla, a do diálogo, atitude expressa na pergunta: “Que queres?”, mesmo que o contexto já deixe claro o que é solicitado (Mc 10,51) e até quando são pedidos inatendíveis (Mc 10,35-45).

O diálogo de Jesus com os discípulos e com as multidões revela algo mais profundo ainda: o diálogo com o Pai, na força do Espírito. Conhecemos bem o que significa a relação entre a Trindade imanente e a Trindade econômica. O que Jesus manifesta, ainda que feitas todas as ressalvas em relação ao mistério de Deus, é aquilo mesmo que é a Trindade em si: Deus do diálogo. Podemos, pois, compreender analogicamente o divino e contínuo amor circulante como diálogo entre as três divinas Pessoas. Com base nisso, é possível compreender que, tendo sido criados à imagem e semelhança do Deus-diálogo, somos estruturalmente abertos ao diálogo e, se assim não ocorre, o motivo é o pecado ter tomado conta de nós e da realidade ao nosso redor.

  1. Diálogo e profetismo

A CF sempre insistiu na dimensão profética da vivência da fé. O profeta, no dizer simples, é alguém que, tendo acolhido a Palavra de Deus, percebe o descompasso entre ela e a realidade e passa, então, a alertar o povo, ainda que arcando com um preço muito alto (Lc 13,34). Em suas atitudes e falas, o profeta faz a história avançar, purifica-a dos fechamentos e das idolatrias, leva pessoas e povos a mudar de atitude (Jn 3,1-10). Nessa relação entre Palavra de Deus e conversão, podemos identificar a ação profética.

Na medida em que nosso tempo se caracteriza por forte polarização – com fanatismos e fundamentalismos que, de acordo com a imagem muito utilizada pelo Papa Francisco, são muros –, dialogar significa construir pontes, conexões entre perspectivas diversas, algumas vezes diametrais. Vivemos um tempo de pluralidade, com incontáveis visões e compreensões, num contínuo movimento que compõe mosaicos culturais variados. Se, por um lado, essa realidade carrega em si uma riqueza humana e social não experimentada antes pela humanidade, por outro, ela é igualmente capaz de gerar atitudes de autoproteção. Nestes casos, pessoas e grupos se agarram às suas concepções de um modo reativo, até mesmo bélico e, consequentemente, não dialogal. O diferente, o outro e a outra, que, na verdade, são irmãos e irmãs, passam a ser vistos como inimigos a combater, ainda que o resultado possa ser a morte. Nesse sentido, a ausência de diálogo é uma ameaça à vida; por conseguinte, chamar ao diálogo, possibilitar escuta mútua, auxiliar na apresentação de compreensões, tudo isso, uma vez que interpela a postura polarizada atual, pode ser considerado um jeito de ser profeta.

É possível que, durante a CFE-2021, surjam perguntas a respeito das diversas situações de morte e sua relação com o diálogo. As vítimas de chacinas e guerras, os refugiados, os agredidos pelo racismo, os que estão ingressando em situação crônica de fome, esses e outros exemplos podem levar à impressão de que o tema “diálogo” está em descompasso com a realidade, na medida em que é um tema de natureza mais pessoal, interior, intimista. No entanto, é exatamente para corrigir tal tipo de compreensão equivocada que a CFE-2021 nos propõe esse tema. Não se trata de negar que o diálogo, assim como todos os demais temas, possui uma dimensão pessoal. Esta, contudo, se encontra em direta articulação com as demais dimensões da vida, entre as quais a socioambiental. Enquadrar a questão das inúmeras formas de sofrimento na ótica do diálogo significa indagar quais são os valores últimos a reger nossas opções e atitudes. Significa, portanto, radicalizar a questão, olhar o problema em sua raiz, como aconteceu na CF-2020 com o tema do cuidado. As incontáveis agressões à vida estão, de algum modo, ligadas pela indiferença, lembrava-nos a CF-2020. O caminho para o enfrentamento passa necessariamente por uma postura que podemos chamar de diálogo. Talvez algum outro nome poderia ser usado. O importante, porém, é a atitude de nos debruçarmos contemplativamente sobre pessoas e grupos, especialmente sobre os que, na pluralidade do mundo atual, assumem perspectivas distintas das nossas. Em lugar de indiferença e armas, convívio e escuta. Em lugar de autossuficiência e polarização, diálogo.

  1. Atitudes em favor do diálogo

Surge, desse modo, a pergunta pelo agir na CFE-2021. Anualmente, a CF apresenta inúmeras propostas, em geral sistematizadas nos níveis pessoal, comunitário e social. Nos últimos anos, em razão da crescente consciência ambiental, também a questão ecológica tem sido irreversivelmente considerada. Importa não separar os três âmbitos da ação, acrescentando ainda o âmbito especificamente religioso.

Em nível pessoal, o primeiro passo é o testemunho. Não há como avançar diretamente para os outros âmbitos sem que exista a conversão pessoal de perspectiva. Como pensar em diálogo no âmbito socioambiental se a estrutura pessoal se conserva fechada em si mesma, belicosa e reagente? Como falar em favor dos vulneráveis se não os escutamos, se não nos debruçamos para dialogar com eles, escutar suas dores e propostas de superação? Precisamos reconhecer que todos nós corremos o risco do fechamento em torno de nossas perspectivas. Por isso, a CFE-2021 nos pede, consequentemente, para sermos pessoas de diálogo, não apenas de conversa, mas de escuta e de apresentação – na verdade e na caridade – das razões de nossa esperança.

Em nível comunitário, ou seja, no âmbito das instituições, também as religiosas, é importante gerar experiências de convívio, escuta e partilha. Num contexto sociocultural em que predominam o individualismo e a indiferença, ser escutado e escutar possui grande força transformadora. É por isso que serviços de apoio à solidão, à adição e a angústias são indispensáveis no enfrentamento de situações que podem levar, como mecanismos de defesa, ao fanatismo, à agressividade e a atitudes de extermínio de si ou de outrem. Fica, desse modo, fácil compreender a importância das rodas de conversa e outras formas de partilha da vida, tanto no âmbito pessoal quanto nos demais âmbitos da existência.

No caso das instituições religiosas, mais especificamente das comunidades católicas, adquire relevância a prioridade das atuais Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil – as comunidades eclesiais missionárias. Pequenas no número de pessoas e construídas com base nos vínculos entre os membros, trazem em si a vocação de serem verdadeiras escolas de cuidado e diálogo, onde os problemas pessoais e socioambientais são abordados na confiança e à luz da Palavra de Deus. O convívio-diálogo, apesar das dificuldades inerentes a cada grupo, é a base a partir da qual a Palavra se faz vida e a vida se deixa iluminar pela Palavra.

Ainda no âmbito religioso, um campo fértil e desafiador para o exercício do diálogo encontra-se no ecumenismo e no diálogo inter-religioso. Em nossos dias, muitos têm sido os motivos de ruptura, em virtude das polarizações. Também as religiões estão envolvidas nesse triste processo. No caso das religiões cristãs, isso se torna ainda mais grave, na medida em que faz parte do ser cristão a fraterna busca da unidade. São compreensões e experiências diferentes em torno da mesma Boa-nova. Não são, porém, opostas nem concorrentes, e – por mais desafios que possam surgir –, sem o testemunho da unidade, todo o restante corre o risco de não ser assimilado. Diante de conflitos de natureza religiosa, algumas vezes dentro da própria família, o diálogo se mostra um caminho por excelência para a superação dos conflitos.

No âmbito social, inúmeras ações podem ser levadas a efeito. Num primeiro grupo, encontram-se as ações que indicam o pecado e chamam à conversão (Ez 16,2). É preciso mostrar as sequelas trazidas pela indiferença, pelo egoísmo, pelo desprezo à vida, pela financeirização das escolhas, pela corrupção e por tudo mais que gera morte. Não podemos delegar essa responsabilidade às pedras (Lc 19,40). Em segundo lugar, é necessário participar dos diversos grupos que ajudam a consolidar a democracia, entre os quais os conselhos de políticas públicas, também conhecidos como conselhos paritários ou outros nomes. É preciso também assumir a dimensão política, para que seja sanado o estigma de que, sendo político, é necessariamente sujo.

Em termos especificamente ambientais, o diálogo exige que dediquemos “algum tempo para recuperar a harmonia serena com a criação, refletir sobre nosso estilo de vida e nossos ideais, contemplar o Criador, que vive entre nós e naquilo que nos rodeia e cuja presença não precisa ser criada, mas descoberta, desvendada” (LS 225).

Em meio a todos esses âmbitos, adquire força o âmbito educacional. É preciso educar para o diálogo. É necessário discernir os rumos da educação em nosso país. Trata-se, por certo, de tarefa longa e detalhada, que, por isso, em muito ultrapassa esta apresentação da CFE-2021. Seu ponto de partida, entretanto, deve ser a opção por um processo educador que tenha no diálogo seu ponto de partida: educar para dialogar.

  1. Uma campanha que não termina

Em sua longa trajetória, a CF sempre insiste que o tempo mais intenso de oração e conscientização é a Quaresma. Isso, entretanto, não significa que os desafios apresentados cheguem à Páscoa integralmente vencidos. Ao contrário, o tempo mais intenso da CF cumpre, na maioria das vezes, a função primeira, a da conscientização. Uma vez que tratam de situações crônicas na realidade brasileira, os temas exigem continuidade, num processo que pode levar longo tempo. O importante, porém, é que sejam dados os primeiros passos, sem os quais pessoas e situações não se transformam. A pandemia trazida pelo coronavírus pôs às claras não apenas os aspectos sanitários. Ela realçou inúmeras chagas da realidade brasileira, fazendo nascer o desejo pelo que se tem convencionado chamar de novo futuro.

Olhando, porém, a gravidade do que se vivenciou ao longo de 2020, com a multipandemia, é indispensável dizer que essa não é apenas uma questão de futuro, mas do tempo presente, a partir do qual se constrói o futuro. Não se trata de um futuro a esperar, mas de um futuro a construir. Indesejável e injustificável em todos os sentidos, a pandemia acabou possibilitando experiências de convívio que já não podem ser desconsideradas. Relativizou o consumismo, mostrando que os bens não substituem as pessoas, num mundo criado pelo e para o amor, o cuidado, o diálogo. Por isso, a última – porém não menos importante – atitude a ser mencionada para o agir da CFE-2021 há de ser a valorização do que temos conseguido em meio a tantas tristezas oriundas da multipandemia que veio a nos assolar.


Dom Joel Portella Amado, doutor em teologia pela PUC-Rio, é bispo auxiliar do Rio de Janeiro e secretário geral da CNBB. Texto publicado na “Vida Pastoral” (https://www.vidapastoral.com.br/) E-mail: joel@arquidiocese.org.br

 

Entrevista Pe. Patriky Batista

 “A CF precisa começar em nós”

 

O Vigário Provincial, Frei Gustavo Medella, entrevistou Pe. Patriky Samuel Batista, secretário executivo de Campanhas da CNBB, para o programa “Manhã Franciscana”.
Natural da cidade de de Piumhi (MG), Pe. Patriky formou-se em Filosofia na Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas) em 2004. Em 2013, fez pós-graduação em Missiologia e Animação Pastoral pelo Instituto Superior de Filosofia Berthier (IFIBE) de Passo Fundo (RS) e, em 2018, concluiu outra pós-graduação em Teologia Pastoral pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia de Belo Horizonte (MG).
Foi ordenado presbítero em 20 de dezembro de 2008 e nomeado, no dia 27 de junho de 2019, secretário executivo de Campanhas da CNBB.
Acompanhe a entrevista!

 Desde o ano 2000, esta é a quinta edição da Campanha da Fraternidade Ecumênica. Qual o diferencial de uma edição ecumênica da Campanha da Fraternidade em relação às outras?

Pe. Patriky – Frei Gustavo, é importante lembrar que a Campanha da Fraternidade é uma ação evangelizadora, promovida pela CNBB, que tem esse momento forte no período quaresmal. O grande objetivo da campanha é despertar a solidariedade dos fiéis e da sociedade como um todo em relação a algum problema concreto, que envolve a sociedade brasileira, mas buscando a solução a partir da Palavra de Deus, a partir do Evangelho.
Então, a cada ano é escolhido um tema e, de cinco em cinco anos, acontece uma edição ecumênica da CF. Este ano, nós vamos viver a 57ª CF e a 5ª Ecumênica. O grande diferencial resumo em três pequenos aspectos: Primeiro, quando é ecumênica, quem assume a condução do processo é o Conic, que é o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs. Então, quais as igrejas que pertencem ao Conic: a Igreja Evangélica de Confissão Luterana, os Anglicanos, a Igreja Sírian-Ortodoxa de Antioquia, nós, da Igreja Católica, a Igreja Presbiteriana Unida e também a Aliança de Batistas do Brasil. E esse ano, além das Igrejas pertencentes ao Conic, nós temos a presença de um membro fraterno, que é a Igreja Betesda, com sede em São Paulo, e também o CESEEP, que é o Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização Educação Popular. Essa é a primeira característica e quem assume o processo é o Conic. A segunda característica é que o Conic organiza uma comissão, que vai pensar a Campanha desde o tema, lema, texto-base, e algumas peças para que a gente possa viver a Campanha em cada pequena comunidade. E essa comissão organizadora é composta de um membro de cada uma das Igrejas pertencentes ao Conic. Da Igreja Católica, eu represento a nossa comunidade de fé e também o Pe. Marcos Barbosa, que é o assessor para o Ecumenismo e Diálogo Religioso. Uma terceira característica é que o gesto concreto que compõe o Fundo Nacional de Solidariedade também é promovido por todas as Igrejas.

No centro da temática da Campanha da Fraternidade deste ano está o diálogo como um compromisso de amor. Que elementos não podem faltar num diálogo verdadeiro?

Pe. Patriky – Você foi no ponto central, Frei Gustavo, porque por mais que a campanha seja vivida de forma ecumênica, o tema é o diálogo e talvez uma primeira intuição enquanto elemento seria justamente isso: o diálogo deve ser assumido como estilo de vida. Ele é muito mais que uma conversa, muito mais que um debate. Ele é algo que parte do existencial. Ou seja, supõe um convívio para partilhar significados, experiências, daí a importância de vencer o medo, ir ao encontro do outro, buscar essa proximidade, exercitar a escuta como dizem os bispos do Brasil nas novas diretrizes. Hoje, a escuta é uma verdadeira profecia. A importância de envolver-se na conversa, de ter uma paciência de compreender o outro nas suas particularidades e uma partilha consciente também da nossa própria identidade, sem fazer proselitismos, mas que a gente possa se apresentar também ao outro como irmãos.

Entre os objetivos específicos da Campanha da Fraternidade deste ano está a superação da cultura do ódio. Padre, o que tem provocado o fortalecimento dessa cultura do ódio, inclusive entre grupos que se denominam cristãos?

Pe. Patriky – Olha Frei Gustavo, é uma pergunta assim que deve nos fazer pensar. Como a gente está a um pouco mais de um mês para dar início à Quaresma, este período de conversão, talvez seja o momento propício para a gente pensar. Eu tomo aqui como primeira reflexão aquilo que o Papa Francisco dizia na sua primeira visita que fez em Lampedusa, no início de seu Pontificado. “Talvez a globalização da indiferença tenha marcado todos nós, inclusive o interno das nossas comunidades de fé. E essa globalização da indiferença que acaba gerando intolerâncias, individualismos, e o próprio esquecimento do Evangelho, daquilo que Cristo nos traz, enquanto palavra de acolhida, de vivência, de amor, de fraternidade. E talvez falta de uma autêntica escuta e de comunhão entre nós. Olhar mais para aquilo que nos une do que aquilo que nos separa. Daí a importância que, infelizmente, tem esses e tantos outros desafios de recuperar as nossas relações de proximidade, de vivência do mandamento do amor como o Cristo nos pede. Daí a importância do testemunho. Frei Gustavo, o que muita gente tem perguntado: “Mas padre, já que o tema é o diálogo, como que eu vou dialogar com quem não quer nem uma conversa? Como dialogar com essas existências que temos?” Aí tenho lembrado que o diálogo também se faz pelos gestos. O nosso testemunho também comunica, o nosso testemunho também é diálogo. Daí a importância de lembrarmos, ao longo desta Campanha, a Encílica “Fratelli tutti” do Papa Francisco, que é uma inspiração para todos nós. Nos capítulos sexto e, sobretudo, no oitavo, quando o Papa aborda o tema do diálogo e fala da importância das religiões para construção de uma nova sociedade, embasada nesses valores que são universais. Então, eu penso que é mais do que pertinente essa Campanha da Fraternidade para nos ajudar a iniciar processo dialogais, de proximidade, de escuta, de verdadeiro amor ao próximo. E o período quaresmal é providencial para isso. O coração que se converte a Deus jamais será indiferente ao irmão.

Padre, o lema da Campanha da Fraternidade deste ano é retirado da Carta aos Efésios: “Cristo é a nossa paz: do que era dividido, fez uma unidade”. Como nós podemos compreender o conceito de unidade na diversidade?

Pe. Patriky – Olha Frei Gustavo, como podemos ouvir no hino esse grande convite: “Venham todos, vocês, venham todos, reunidos num só coração. De mãos dadas formando a aliança, confirmados na mesma missão”. E como que a gente pode, então, avançar nesse sentido, buscando de fato a unidade na diversidade? Acho, primeiramente, percebendo que o diálogo não simplesmente cria conexão entre as pessoas, mas ele revela que há uma conexão entre nós. Somos irmãos e irmãs, filhos do mesmo Pai. E aí a importância de relembrarmos o mistério da Trindade. Somos imagem e semelhança de um Deus dialogal, que é comunhão e relação em si mesmo. Se somos imagem e semelhança desse Deus que é trindade, somos chamados então a adentrar no coração do outro, nesse espaço sagrado, desamarrando as nossas sandálias. Buscando a unidade, eu penso a partir de três aspectos como São João Paulo II já nos dizia na Novo Millennio Ineunte, a partir dessa espiritualidade da comunhão. Daí a importância da oração. Então, rezar juntos, buscar esses momentos de fraternidade orante à luz do Evangelho e da Palavra de Deus. O segundo modo de viver a unidade na diversidade, não é fazendo opções por grandes discussões doutrinárias e teológicas, mas buscar solidariedade e cuidado com os pobres, trabalhar juntos em favor da vida plena para todos. E, por último, a busca pela paz. E aí vem essa imagem do lema “Cristo é a nossa paz: do que era dividido, fez uma unidade”, que faz referência àquele muro que existia no tempo de Jerusalém chamado Muro da Divisão, onde as pessoas que eram pagãs, os gentios, não podiam adentrar àquele espaço. Então, havia um murro de mais ou menos 1m40, que tinha uns alertas: “Se você não é um judeu, se você é um gentio, e adentrar a partir desse mudo, você é responsável pela sua própria morte”. Então, havia um muro que separava e Paulo acreditava, pela experiência que ele fez de fé, que Cristo derruba esse murro para que a gente possa se aproximar uns dos outros e nos aproximarmos também do sagrado. Como o próprio Paulo vai dizer aos romanos, que nada nos separa do amor de Deus, então nada pode nos separar uns dos outros. Então é preciso que essa Campanha nos ajude a destruir muros, construir pontes, mas também abrir mão dos entulhos, porque tem gente que até destrói muros, mas pegam os entulhos que sobram ali para poder cometer violência uns com os outros, nas nossas comunidades, entre religiões. Então é o grande convite para que a gente possa olhar para Cristo que é nossa paz.

De que maneira, quem nos ouve, já pode começar a se preparar para ver bem, celebrar bem esta Campanha da Fraternidade 2021?

Pe. Patriky – Eu faria três destaques, Frei Gustavo. O primeiro é abraçar a Campanha da Fraternidade como uma ação evangelizadora da Igreja, que tenha a confirmação, a anuência dos papas. Desde 1970, todos os papas enviam uma mensagem para a comunidade vivenciar a Campanha da Fraternidade no horizonte quaresmal. Nós estamos na expectativa que, no dia 17 de fevereiro, o Papa Francisco vai publicar a mensagem para todos nós, sempre nos exortando e nos confirmando nessa caminhada. Então, por primeiro, abraçar a Campanha como algo da Igreja, como algo nosso. Um dos modos de viver a espiritualidade quaresmal na Igreja, no Brasil. A segunda coisa é a gente se inteirar do tema, que é o diálogo, envolvendo a nossa própria comunidade, iniciar processos de transformação mesmo nesse cenário marcado por polarizações, tolerâncias, divisões. E lembrar também que não é somente nas celebrações eucarísticas o lugar de falar, de viver a Campanha. É preciso tratar disso nos nossos Conselhos Pastorais, nas nossas rodas de conversa, nos ambientes de trabalho, onde quer que estejamos. O terceiro aspecto que eu vejo como muito importante, é o seguinte: a Campanha precisa começar em nós. As mudanças que eu espero que aconteçam no mundo só serão realidades quando forem assumidas por todos nós. Eu tenho sido uma pessoa de diálogo? Como podemos melhorar o diálogo na nossa própria família, com os membros da própria comunidade, e esse grande momento de fraternidade que promove, então, o diálogo como um compromisso de amor? Que Deus nos ajude, não é Frei Gustavo, a fazer com que essa campanha possa dar continuidade a essa belíssima caminhada. Quase 60 anos que a Campanha da Fraternidade tem sido um farol, uma luz nesse caminho para dar visibilidade ao Reino de Deus.

Ao retribuir os agradecimentos de Frei Gustavo Medella, Pe. Patriky lembrou que São Francisco de Assis é a grande inspiração para a Campanha da Fraternidade deste ano. “Que a gente possa lembrar: Senhor, fazei-me instrumento de paz, de diálogo, instrumento de paz e bem! Que Deus abençoe e confirme essa bonita caminhada da CF!”, disse.

Objetivos da CF

Objetivo Geral:

Conscientizar, à luz da Palavra de Deus, para o sentido da vida como Dom e Compromisso, que se traduz em relações de mútuo cuidado entre as pessoas, na família, na comunidade, na sociedade e
no planeta, nossa Casa Comum.

Objetivos Específicos:

  • Apresentar o sentido de vida proposto por Jesus nos Evangelhos;
  • Propor a compaixão, a ternura e o cuidado como exigências fundamentais da vida para relações sociais mais humanas;
  • Fortalecer a cultura do encontro, da fraternidade e a revolução do cuidado como caminhos de superação da indiferença e da violência;
  • Promover e defender a vida, desde a fecundação até o seu fim natural, rumo à plenitude;
  • Despertar as famílias para a beleza do amor que gera continuamente vida nova;
  • Preparar os cristãos e as comunidades para anunciar, com o testemunho e as ações de mútuo cuidado, a vida plena do Reino de Deus;
  • Criar espaços nas comunidades para que, pelo batismo, pela crisma e pela eucaristia, todos percebam, na fraternidade, a vida como Dom e Compromisso;
  • Despertar os jovens para o dom e a beleza da vida, motivando-lhes o engajamento em ações de cuidado mútuo, especialmente de outros jovens em situação de sofrimento e desesperança;
  • Valorizar, divulgar e fortalecer as inúmeras iniciativas já existentes em favor da vida;
  • Cuidar do planeta, nossa Casa Comum, comprometendo-se com a ecologia integral.

Histórico

Frei Luiz Iakovacz

A Campanha da Fraternidade (CF) teve um início modesto na cidade de Natal (RN), em 1962. Três padres que trabalhavam na Cáritas Brasileira idealizaram um trabalho de conjunto em duas dimensões: evangelizar e arrecadar fundos para a própria instituição a fim de atender melhor suas obras assistenciais e promocionais. Assim, aos poucos, poderia caminhar com as “próprias pernas”, sem depender da Cáritas Internacional.

Em combinação com as dioceses e paróquias, as pregações quaresmais daquele ano (1962) seriam sobre “Conversão”. Não só a pessoal, mas também social, isto é, que se fizesse uma coleta em dinheiro. A este trabalho deu-se o nome de Campanha da Fraternidade.

No ano seguinte (1963), dezesseis dioceses do nordeste fizeram o mesmo. O êxito financeiro foi fraco, mas a sementinha estava plantada.

Neste espaço de tempo, estava acontecendo o Concílio Vaticano II (1962 – 1965). Os Bispos brasileiros, entusiasmados com o espírito renovador do Concílio e vendo que esta iniciativa pastoral traria bons frutos, estabeleceu que a CF fosse implantada em todas as Dioceses e Paróquias, a partir da Quaresma de 1964. Desde então e de maneira paulatina, isto foi acontecendo.

Com o tempo, foram sendo confeccionados subsídios para círculos bíblicos e catequese, programas radiofônicos e televisivos, concursos para cartazes e hinos, e outros.

Ao seu término, cada paróquia faz uma avaliação, sugerindo, inclusive, que temas poderiam ser abordados nas próximas Campanhas. Órgãos Públicos e ONGs também o fazem. O Conselho Episcopal de Pastoral (Consep), órgão da CNBB, escolhe qual é o mais oportuno para cada ano.

Inicialmente (1964 – 1972), os temas estavam relacionados com a renovação interna da própria Igreja, como por exemplo, “Lembre-se: você também é Igreja”/1964.

Nos anos 1973 – 1984, a Campanha se preocupou com a realidade social do povo: “Repartir o Pão”/1975, “Saúde para Todos”/1981.

A partir de 1985, o tema gira em torno de situações existenciais do povo brasileiro. Ano passado foi sobre a violência e, neste, Fraternidade e Políticas Públicas (cf. Texto-Base pp. 103 a 106).

No transcorrer dos 56 anos de CF, dois fatos merecem destaque: a partir de 1970, na Quarta-Feira de Cinzas – a abertura oficial é transmitida em cadeia nacional de rádio e televisão, com a mensagem do Papa. E, desde o ano 2000, ela é ecumênica, com a participação de outros credos religiosos. De cinco em cindo anos, isto se repete.

Por fim, uma palavra sobre Gesto Concreto. Desde o início, faz parte da CF a “Coleta da Solidariedade”. Esta tem duas dimensões. Primeiramente, é algo pessoal, isto é, o dinheiro ofertado é fruto das renúncias quaresmais. A importância economizada, o fiel a traz, com alegria (cf. 2Cor 9,7), na Coleta Solidária. Não é um simples colocar a “mão no bolso”, mas fruto do sacrifício que cada um faz, livre e espontaneamente. Uma coleta, feita com este espírito, é meritória e ajuda na conversão. É claro que, se alguém “sob o impulso de seu coração” (2Cor 9,7), fizer algum acréscimo, nada o impede e é louvável.

O outro aspecto é o seu destino. Ninguém pode “botar a mão” porque ela é aplicada, integralmente, nas pastorais e/ou trabalhos afins ao tema de cada ano. 60% das quase onze mil paróquias ficam na própria Diocese e 40% é enviado ao Fundo Nacional da Solidariedade (FNS).

Desta última, uma parte fica para subsidiar a própria Campanha e o restante é aplicado nos projetos que lhe são enviados de todo o Brasil. Cada ano, o FNS publica a prestação de contas. Em 2018, foram arrecadados R$6.844.022, 56, destinados a 179 projetos. Em 2017, por exemplo, sobre os biomas brasileiros, auxiliou 237 projetos, num total de R$ 6.815.265,38. Em 2016, foram 209 projetos, somando R$ 6.594.378,91 (cf. Texto-Base, pp. 102).

Vamos nos converter e “Crer com as Mãos”, como diz o lema CF/1968.

Cartaz

A arte escolhida para ilustrar o caminho fraterno de diálogo e comunhão foi elaborada pela agência Ateliê 15. O cartaz remete ao apelo de Cristo pela unidade. O secretário executivo para Campanhas da CNBB, padre Patriky Samuel Batista, destaca que “Cristo é a nossa paz e suas ações nos inspiram a concretiza-la por meio do nosso testemunho de vida”.

“Seu amor nos une, sua Palavra desperta em nossos corações o compromisso com a construção de uma sociedade que seja capaz de dialogar superando assim as polarizações que adiam a “cultura do encontro” e o desejo de Cristo de que todos sejamos um (Jo 17,21). Cultura capaz de iniciar processos de vida nova a partir de um coração que se converte e, como tal, jamais deixará de dialogar, viver a fraternidade e, em conjunto, trabalhar em favor da justiça e pela paz”, reforça padre Patriky.

Segundo os artistas do Ateliê 15, a base do desenho é uma ciranda, uma grande roda onde não há primeiro, nem último, onde todos formam uma unidade e precisam trabalhar na mesma sintonia e ritmo para não perderem o compasso. “A ciranda lembra uma canção muito comum em nossas comunidades, ‘baião das comunidades’ do cantor e compositor Zé Vicente. Todas e todos são convidados a participarem desta ciranda pela vida construindo a civilização do amor, da justiça, da igualdade e da paz. Na ciranda há uma criança com a mão estendida a espera de mais pessoas a fim de que o movimento de fraternidade não pare. Somos todos convidados!”.

A seleção da arte se deu por meio de um concurso. Em relação ao texto base, a previsão é de que no mês de julho ele esteja concluído. O hino também deve ser divulgado em breve.

São membros do CONIC as seguintes Igrejas: Igreja Católica Apostólica Romana, Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia, Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, Igreja Presbiteriana Unida, Aliança de Batistas do Brasil. Ainda participam da comissão de preparação representantes do Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização (CESEEP) e a Igreja Betesda como Igreja convidada.

CNBB / Portal Kairós

Hino e oração

Oração da Campanha da Fraternidade 2021

Deus da vida, da justiça e do amor,
Nós Te bendizemos pelo dom da fraternidade
e por concederes a graça de vivermos a comunhão na diversidade.

Através desta Campanha da Fraternidade Ecumênica,
ajuda-nos a testemunhar a beleza do diálogo
como compromisso de amor, criando pontes que unem
em vez de muros que separam e geram indiferença e ódio.

Torna-nos pessoas sensíveis e disponíveis para servir a toda a humanidade,
em especial, aos mais pobres e fragilizados,
a fim de que possamos testemunhar o Teu amor redentor e partilhar suas dores e angústias,
suas alegrias e esperanças, caminhando pelas veredas da amorosidade.

Por Jesus Cristo, nossa paz,
no Espírito Santo, sopro restaurador da vida.
Amém!

 

Letra do Hino da CF 2021

CF 2021 / CFE 2021
Tema: “Fraternidade e diálogo: compromisso de amor”
Lema: “Cristo é a nossa paz: do que era dividido fez uma unidade” (Ef 2, 14ª)

Letra: Frei Telles Ramon, O. de M.
Música: Adenor Leonardo Terra

01 – Venham todos, vocês, venham todos,
Reunidos num só coração, (cf. At 4, 32)
De mãos dadas formando a aliança,
Confirmados na mesma missão. (2x)

Refrão:
Em nome de Cristo, que é a nossa paz!
Em nome de Cristo, que a vida nos traz:
Do que estava dividido, unidade Ele faz!
Do que estava dividido, unidade Ele faz! (cf. Ef 2,14a)

02 – Venham todos, vocês, meus amigos,
Caminhar com o Mestre Jesus,
Ele vem revelar a Escritura
Como fez no caminho à Emaús. (cf. Lc 24) (2x)

03 – Venham todos, vocês, testemunhas,
Construamos a plena unidade
No diálogo comprometido
Com a paz e a fraternidade. (2x)

04 – Venham todos, mulheres e homens,
Superar toda polaridade,
Pois em Cristo nós somos um povo,
Reunidos na diversidade. (2x)

05 – Venham jovens, idosos, crianças
E vivamos o amor-compromisso
Na partilha, no dom da esperança
E na fé que se torna serviço. (2x)

Coleta da Solidaridade

O gesto concreto – Coleta da Solidariedade

A Campanha da Fraternidade se expressa concretamente pela oferta de doações em dinheiro na coleta da solidariedade, realizada no Domingo de Ramos. É um gesto concreto de fraternidade, partilha e solidariedade, feito em âmbito nacional, em todas as comunidades cristãs, paróquias e dioceses. A Coleta da Solidariedade é parte integrante da Campanha de Fraternidade.

DIA NACIONAL DA COLETA DA SOLIDARIEDADE
Domingos de Ramos, 28 de março de 2021
Bispo, padres, religiosos (as), lideranças leigas, agentes de pastoral, colégios católicos e movimentos eclesiais são os principais motivadores e animadores da Campanha da Fraternidade. A Igreja espera que com essa motivação todos participem, oferecendo sua solidariedade em favor das pessoas, grupos e comunidades, pois: ”Ao longo de uma história de solidariedade e compromisso com as incontáveis vítimas das inúmeras formas de destruição da vida, a Igreja se reconhece servidora do Deus da Vida” (DGAE 2011-2015, n. 66). O gesto fraterno da oferta tem um caráter de conversão quaresmal, condição para que advenha um novo tempo marcado pelo amor e pela valorização da vida.

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