Vida Cristã - Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil - OFM

Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos

01/11/2021

                                                                           Imagem ilustrativa: Canva (www.canva.com/pt_br/modelos)

Frei Luiz Iakovacz

No dia 1.o de novembro, celebra-se a festa de Todos os Santos, canonizados ou não. É a recordação daquela “multidão que ninguém podia contar: gente de todas as nações, tribos, povos e línguas. Estavam diante do trono do Cordeiro, com vestes brancas e palmas nas mãos” (Apoc 7,9). No dia 02, mais conhecido como Finados, a Igreja comemora Todos os Fiéis Defuntos – não como um fim (Finados), mas como uma reafirmação do “creio na Ressurreição da carne”.

Em todas as Missas, as 14 Orações Eucarísticas fazem menção especial aos falecidos em geral e aos lembrados, nominalmente, por solicitação de pessoas vivas.

Os cristãos de Roma costumavam reunir-se nas catacumbas e, diante dos túmulos dos mártires, rezavam e, às vezes, celebravam a Eucaristia, porque esta era feita, preferencialmente, nas casas (At 3,46).

Porém, um dia próprio para lembrar “Todos os Fiéis Defuntos” e seu sufrágio, começou no século X, mais exatamente em 998, quando o abade Odilon, do Mosteiro de Cluny (França), pediu que os monges deste mosteiro, e aos demais a ele pertencentes, rezassem o Ofício dos Defuntos, no dia 02, um dia depois da celebração de Todos os Santos. Faz sentido esta aproximação de datas entre a Igreja padecente e triunfante.

A partir do século XIII, este costume foi sendo assumido pela Igreja Católica. Se a Igreja Triunfante tem seu fundamento na Ressurreição de Cristo, amplamente, testificada no NT, o mesmo não acontece com os Fiéis Defuntos e seu sufrágio.

Ou melhor, há um relato explícito no segundo livro de Macabeus (2Mc 12,38-45). Os sete livros deutorocanônicos (Br, Jt, Tb, Eclo, Sb 1 e 2 Mc), considerados inspirados pela Igreja Católica, não o são para a Bíblia Hebraica e, consequentemente, aos evangélicos. São apócrifos.

Independentemente desta questão, este texto faz bem aos que o meditam e nos une aos que já partiram.

O seu contexto está relacionado com uma batalha onde morrem soldados judeus. Ao recolherem os corpos para dar-lhes sepultura junto “aos seus antepassados”, encontraram, debaixo das vestes, “objetos consagrados aos ídolos de Jamnia”. Ficou claro para todos que “este foi o motivo de sua morte”. Puseram-se em oração e pediram que o Senhor Deus “esquecesse esse pecado”. Além disso, Judas Macabeus fez uma coleta em dinheiro e enviou-a a Jerusalém para que se oferecesse holocaustos pelo pecado: “Obra bela e santa, inspirado pela crença da Ressurreição”, caso contrário seria “supérfluo e vão rezar pelos falecidos; é salutar rezar pelos mortos” (cf. 2 Mc 12,38-45).

Por fim, o relato – se verídico ou não, pouco importa – dos três pedidos que o rei macedônio Alexandre Magno (365 – 323 aC) fez antes de morrer.

Viveu, apenas, 42 anos, 22 deles como rei. Sempre teve sucesso nas muitas campanhas militares realizadas, formando um dos maiores impérios da antiguidade. Era tão “poderoso e carismático que chegou a ser considerado um sem-deus”. Teria sido discípulo de Aristóteles e o motivo de sua morte foi ou por malária ou envenenamento.

Os três pedidos foram estes: que seu caixão fosse transportado pelas mãos dos médicos; que fossem espalhados os seus tesouros conquistados no percurso do velório até o túmulo; e que suas duas mãos fossem deixadas balançando no ar, fora do caixão.

Um de seus generais, admirado com esses desejos insólitos, perguntou quais a razões. Alexandre explicou: quero que os médicos carreguem meu caixão para mostrar que eles não têm poder de cura perante a morte; quero que o chão seja coberto pelos meus tesouros para que as pessoas possam ver que os bens materiais aqui conquistados, aqui permanece; quero que minhas mãos balancem ao vento para que as pessoas possam ver que de mãos vazias viemos e de mãos vazias partimos.

Assim diz um provérbio popular: “A morte é uma vitória com aparência de derrota”. O Prefácio da Missa dos Defuntos faz eco a estas palavras quando professa esta fé: “Os que creem em Deus a vida não é tirada, mas transformada e, desfeito nosso corpo mortal, nos é dado um corpo imortal”.


Frei Luiz Iakovacz, OFM, frade desta Província da Imaculada, reside na Paróquia Nossa Senhora do Rosário, em Concórdia, SC.

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