Vida Cristã - Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil - OFM

Caminhando com Jesus neste início de Semana Santa

30/03/2021

                                                                                                           Imagem ilustrativa: (Giotto – domínio público)

Robson Ribeiro de Oliveira Castro

O caminho de Jesus é permeado de provações e desconfortos. Ele se encontra com pessoas que o desejam e o colocam à prova a cada instante. Depois de subir a Jerusalém e ser aclamado com mantos e palmas, agora ele passa algumas situações. A liturgia nos mostra o caminho que ele vai trilhando ao longo da Semana Santa. Sua permanência na cidade incomoda, pois ele faz duras críticas a todos que ali estão acomodados e certos de fazerem o bem.

Ao longo da Semana, Jesus vai mostrando o que acontecerá com ele e os discípulos ficam assustados. Assim, ele fala sobre a traição que sofrerá e todos ficam escandalizados. Padre Adroaldo Palaoro, SJ, nos mostra uma realidade importante ao falar sobre a traição – termo de grande impacto na vida de todo ser humano. “O ato de trair implica romper uma aliança que uma pessoa fez com outra. Trair é uma ação que implica consequências, e, quando se fala de relacionamento humano, envolve sofrimento e sensação de abandono, gerando um estado de desconfiança generalizada naquele que foi traído.”

De fato, hoje, a atual situação que vivemos da pandemia da Covid-19 e o descaso do governo em buscar melhores condições para as vacinas, mostra-nos o que é uma traição frente à população que sofre e morre a cada dia. Esta realidade evidencia que não há um perfil ou um rosto para a traição; ela está em qualquer realidade. Jesus vivenciou isso com a traição de Judas, um dos seus amigos. “Foram anos de convivência nas mesmas caminhadas, nas noites ao relento, nas pregações, nas refeições simples do dia a dia e nas festas. Jesus e Judas viviam elos de amizade, de confiança, de esperança entre si.”

A traição de Judas para nós é algo inadmissível, impensável, mas é também uma realidade das nossas vidas e nas relações que temos com o outro. Papa Francisco, em sua homilia do dia 8 de abril de 2020, nos mostra algo intrigante: “Pensemos nos muitos Judas institucionalizados neste mundo, que exploram as pessoas. E pensemos também no pequeno Judas que cada um de nós tem dentro de si na hora de escolher: entre lealdade ou interesse. Cada um de nós tem a capacidade de trair, de vender, de escolher pelo próprio interesse. Cada um de nós tem a possibilidade de se deixar atrair pelo amor ao dinheiro, aos bens ou pelo bem-estar futuro. ‘Judas, onde estás?’ Mas  faço esta pergunta a cada um de nós: ‘Tu, Judas, o pequeno Judas dentro de mim: onde estás?’.”

Esta pergunta ressoa em nosso ser e em nossa consciência. Será que, neste período de pandemia, em que as pessoas têm passado dificuldade e necessidades,  têm tido apoio e em quem elas confiam? Será que somos membros de uma sociedade e uma Igreja que crescem e amadurecem frente aos desafios do dia a dia?

As respostas são inúmeras. Papa Francisco manifestou o desejo de que a Igreja fosse um “Hospital de campanha”, local que aceita todos os feridos, sem distinção, comprometendo-se na prevenção, fazendo observar os diagnósticos e procurando agir com misericórdia diante dos ameaçados de morte e seus familiares. Reforço aqui a prudência frente à pandemia que estamos vivendo; temos que saber levar cada situação. Jesus deseja que saibamos acolher o outro e viver com ele a realidade e todos os problemas inerentes a esta pandemia.

Vivenciar este período, olhando para a realidade, é um convite à conversão. Diante dos desafios, somos chamados a nos colocar no processo de reinvenção do cotidiano. Recriar atitudes e novo jeito de ser e viver. Algo ainda difícil para uma sociedade que vive com pressa e sem tempo, voltada para dentro de seus pequenos mundos, cavernas que levam a fugir da realidade.

Devemos ter cuidado com o excesso de informação; a tecnologia veio a nosso favor, mas também nos faz adoecer. Devemos priorizar o nosso tempo, as nossas relações e, sem medo de errar, priorizar a nossa espiritualidade. Para tanto, frente aos desafios atuais, que possamos buscar e alimentar a nossa espiritualidade nestes tempos de isolamento social, na nossa casa, na nossa família. Acima de tudo, que sejamos atentos às condições em que estamos vivendo.


Robson Ribeiro de Oliveira Castro  é leigo. Mestre em Teologia pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (FAJE). Atualmente leciona no Instituto Teológico Franciscano (ITF). E-mail: robsonrcastro@yahoo.com.br.

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