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Um dia marcado pelas festividades a Santo Antônio e Maria

14/06/2026

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Um dia marcado pelas festividades a Santo Antônio e Maria

Santo Antônio teve a companhia de Maria, a Mãe de Jesus, durante as festividades deste 13 de junho. Por coincidência do Calendário Litúrgico 2026, o dia do Imaculado Coração de Maria caiu na mesma data festiva de Santo Antônio, juntando o santo mais querido do mundo com a Mãe mais amada do mundo. Não foi diferente no Santuário e Convento São Francisco, onde todos os celebrantes enfatizaram a devoção do franciscano à Mãe de Deus.

Um dia nublado e frio durante a manhã deu lugar ao sol a partir do meio-dia, animando os devotos a participarem da festa. Logo às 7 horas, teve início a programação litúrgica com a Oração da Manhã, as Laudes, seguindo depois as Missas. Mas como já é tradicional, os fiéis puderam receber bênçãos individuais dos frades, comprar itens devocionais, deliciar-se com as comidas típicas, preparadas pelas equipes de voluntários do Santuário, ganhar o famoso pãozinho de Santo Antônio e não ir embora sem um pedaço do bolo do santo franciscano.

A Missa das 10h30 foi presidida por Dom Fernando Antônio Figueiredo, OFM, bispo emérito de Santo Amaro, que destacou: “Festejamos hoje Santo Antônio e também é festa de Nossa Senhora. Vejam que beleza, que coincidência. E quando olhamos para Santo Antônio, vemos a sua devoção, o seu carinho, o seu amor por Maria Santíssima, a mãe de Jesus”.

“Palavras de Jesus a sua mãe, palavras de Jesus ao seu discípulo João – ‘Eis tua mãe’ – até hoje, diz Santo Antônio, Jesus está dizendo a cada um de nós. Se somos seguidores de Jesus, Ele está dizendo a você meu irmão, minha irmã, ‘eis tua mãe’. Olha como Santo Antônio fazia isso com ênfase, tocando a cada um para que abrisse o coração a Jesus, mas que compreendesse também o que se passava no coração do Senhor para que vivesse o seu amor à sua mãe”, disse Dom Fernando.

“Portanto, ela é a Mãe de todos, a Mãe de cada um de nós. E Jesus diz ao apóstolo: ‘eis o teu filho’. Portanto, Maria, aí está como Mãe de cada um. Santo Antônio diz explicitamente: Maria jamais excluiu alguém. Maria jamais excluiu um pecador que fosse. Portanto, ela está olhando todos os seus filhos, todas as suas filhas. E qual esse olhar de Nossa Senhora para você?”, perguntou. 

“Santo Antônio diz que a Mãe de Deus é misericordiosa. Ela é misericordiosa para com os pobres, para os desvalidos, para os míseros, para todos. Assim é Maria. E mais ainda, Santo Antônio dizia: Maria Santíssima, a Mãe de Jesus, ela é misericordiosa, ela é toda cheia de esperança. Por isso, ela olha para cada um que está caído. Para todos, ela está intercedendo como mãe. Ela ama profundamente seu filho, sua filha. O coração dela é muito maior do que possamos imaginar. E ela ama você!’, animou.

“Santo Antônio e São Francisco diziam Santa Virgem Maria, tabernáculo vivo de Jesus. E Santo Agostinho dizia: Antes de conceber Jesus, Maria já O tinha no coração. No dia de hoje, pedimos a Santo Antônio que interceda por nós, e que este amor que ele tinha por Maria Santíssima esteja presente em cada coração”, pediu.

FREI MEDELLA: OS GALHOS DA HUMILDADE E POBREZA

O pároco e guardião do Convento e Santuário São Francisco encerrou as festividades a Santo Antônio na Missa das 15 horas, para que o povo pudesse acompanhar o jogo da Seleção Brasileira de Futebol. Ele também destacou o amor do santo franciscano por Maria.   

Nós iniciamos o percurso preparatório para a festa de Santo Antônio deste ano exatamente há uma semana, recordando a ligação entre Antônio e Nossa Senhora. 

É muito significativo emoldurar a celebração de Santo Antônio recordando Nossa Senhora e hoje pela coincidência do Calendário litúrgico é a recordação do Imaculado Coração de Maria.

Ele lembrou que na abertura das festividades a Santo Antônio, recordou a devoção que o franciscano nutria pela Mãe de Deus, já ensinada pelos próprios pais. “Eu dizia que ele tem sete sermões dedicados a Nossa Senhora, que ele a cita em outros 19 sermões e também que ele tinha especial devoção, que quando morreu pediu que lhe fosse cantada uma antífona de Nossa Senhora”, observou.

Segundo ele, na homilia de hoje, destacou uma ideia brilhante que Santo Antônio apresenta no sermão de Domingo de Ramos, onde ele também inclui a figura de Maria. “Todo mundo se recorda a cena do Domingo de Ramos. Jesus entra em Jerusalém e o povo aclama-o com galhos tirados de oliveiras e palmeiras. Aí diz Santo Antônio: o povo aclamava Jesus com galhos retirados de árvores e, no jardim de Deus, uma das árvores mais bonita e mais acessível ao povo é Nossa Senhora. Então, dessa árvore peguemos os galhos da humildade e da pobreza. E com eles aclamemos Nosso Senhor Jesus Cristo”, citou.

Para o celebrante, humildade e pobreza, duas virtudes que são irmãs e que caminham juntas, de maneira que quem busca cultivar uma, quase que automaticamente cultiva a outra. A pobreza naquilo que diz respeito à nossa relação especialmente com as coisas e os bens materiais. A consciência de que os bens existem para nos servir e não nós para servi-los, ou viver em função de acumulá-los e guardá-los, achando que no acúmulo de bens estão nossa segurança e a nossa felicidade. Ter a sabedoria, como descrita e mencionada na primeira leitura, como tesouro mais valioso que existe, de saber discernir do que de fato precisamos para viver com dignidade. Para viver de maneira tranquila sem acumular.  

“E para que saibamos dentro das nossas possibilidades colocar em comum aquilo que podemos colocar em comum, repartindo os nossos bens para que todos possam ter acesso a uma vida minimamente digna. A pobreza real é esse posicionamento crítico e consciente diante dos bens. A pobreza produzida e não desejada é essa da miséria, da falta de comida, da falta de moradia, da falta de vida digna. Essa pobreza deve ser superada quando nós, pobremente como sociedade, aprendemos a lidar com as coisas de forma mais generosa, solidária”, explicou.

“A humildade é equivalente à pobreza, mas com relação especialmente às pessoas. Dom Fernando, num sermão aqui, ensinou-me: Ser humilde é ser aquilo que sou. Nem mais e nem menos. Na medida do que sou, com minhas qualidades e defeitos. Ter uma autoconsciência e um desprendimento que vá nos tornando, aos poucos, independente daquilo que os outros pensam ou julgam de nós. Humildade é saber que tudo passa. Por mais que vivamos mais de 80 ou 90 anos num universo que tem bilhões de anos, a nossa vida é um grão de areia, mas é um grão de areia que Deus escolheu amar. Então, o que podemos fazer é tentar retribuir generosamente esse amor na alegria, na leveza”, completou Frei Medella.

FREI JOAQUIM; MARIA ASSUMIU TUDO O QUE É HUMANO

Frei Antônio Joaquim Pinto, na Missa das 9 horas, também lembrou das duas festividades. “Santo Antônio ao falar de Maria, nos revela que nela realiza-se a situação final. Situação prometida a toda a humanidade. Ser um dia de Deus e para Deus. Em Maria, Santo Antônio vê e proclama que podemos ser plenamente cristãos através de uma fidelidade de toda a nossa vida. Santo Antônio e seus irmãos enaltecem Maria como aquela que se levantou apressadamente em direção ao serviço. Revela que Maria assumiu tudo o que é humano porque desceu e se comprometeu com os pequenos e marginalizados. Santo Antônio afirma que Maria foi glorificada porque se fez radicalmente humana. Foi assunta ao céu, porque sempre olhada por Deus, que a engrandeceu plenamente. Santo Antônio nos ensina que Maria, porque se sentiu olhada amorosamente por Deus, se revela como alguém com olhos contemplativos”, destacou. 

Segundo o frade, ao falar de Maria, Santo Antônio lança mão de um adágio latino, que diz: ‘onde há amor, ali está o olhar’. “O amor direciona o olhar, a atenção e o cuidado para aquilo que se ama. E onde está o olhar, o amor passa do coração aos pés e às mãos. O amor vê o que os olhos não veem”, disse.


Equipe de Comunicação do Convento e Santuário São Francisco.