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JMJ – A primeira da América Central

15/01/2019

Notícias

O Panamá, país da América Central com pouco mais de 4 milhões de habitantes, se prepara para receber a 15ª edição da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), que acontece de 22 a 27 de janeiro. O tema escolhido para esta edição é: “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra (Lc 1, 38)”.

A JMJ é um grande evento religioso e cultural, que acontece a cada três anos. É um encontro de jovens de todo o mundo com o Papa, em um ambiente festivo, religioso e cultural, que mostra o dinamismo da Igreja e dá testemunho da atualidade da mensagem de Jesus. “É muito mais do que um acontecimento. É um tempo de profunda renovação espiritual, de cujos frutos se beneficia toda a sociedade” (Bento XVI). Trata-se de um meio extraordinário de evangelização para fortalecer a pastoral juvenil.

Agenda do Papa

O Pontífice chega no dia 23 de janeiro, às 16h30 (horário local), no Aeroporto Internacional de Tocumen. No dia seguinte, o Pontífice encontra-se com o presidente Juan Carlos Varela. Em seguida, tem um encontro com mais de 70 bispos da América Central. Neste mesmo dia, às 17h30, o Papa fará a cerimônia de boas-vindas na Cinta Costera, local dos atos principais da JMJ.
No dia 25, às 10h, o Pontífice irá ao Centro de Reabilitação de Menores Las Garzas de Pacora, onde fará uma celebração penitencial com os jovens reclusos. Neste mesmo dia, às 18h, o Papa participará da Via-Sacra na Cinta Costera.

No sábado, dia 26, o Papa fará a consagração do altar da Catedral Santa Maria de La Antigua, que passou por um longo processo de restauração para acolher os peregrinos. A Catedral possui mais de 400 anos e tem capacidade para 600 pessoas. Neste mesmo dia, às 18h, o Papa participa da Vigília com os jovens no campo São João Paulo II, no Metropark.

No último dia da JMJ, 27, às 7h30, o Papa preside a Eucaristia no Metropark, de onde faz o envio dos jovens peregrinos. Às 10h30, o Papa visitará a Casa Hogar Buen Samaritano, um centro de acolhida para portadores do vírus HIV. Neste local, o Papa Francisco rezará a oração mariana do Angelus e conversará com os acolhidos.

Presidiários constroem confessionários para JMJ

Além da visita do Papa Francisco ao Centro de Reabilitação de Menores Las Garzas de Pacora, os detentos de La Joya e Nueva Joya, Centros de Detenção do Panamá, participarão à sua maneira da JMJ. Trinta e cinco reclusos são os responsáveis pela construção de 250 confessionários que estarão no Parque Omar, que se chamará Parque do Perdão durante os dias do encontro.
“Embora nós não possamos estar lá (na JMJ), já sentimos que estamos fazendo algo importante e dou graças a Deus pela oportunidade que nos deu, como privados de liberdade, de colaborar com uma missão tão importante como é a JMJ”, explicou Luis Domínguez, que é encarregado por pintar e supervisionar o lixamento dos confessionários, em entrevista ao ACI Digital.

Jovens da Província se preparam para a JMJ

Em todo país, diversos grupos se organizam para participar da JMJ. Junto ao grupo da Arquidiocese de Niterói (RJ), irão duas jovens paroquianas da Paróquia Porciúncula de Santana, Kaury Miranda, de 27 anos e Larissa Rodrigues, de 25 anos. Para Kaury, a expectativa maior é o encontro com jovens de diversos locais do mundo. “Espero muito sentir a Igreja jovem e viva durante o encontro. Acho que é isso que torna a JMJ tão especial. Ver a juventude de todo mundo junta em oração. Ver diferentes povos e ouvir o Pai-Nosso em todas línguas. Acho que vai ser emocionante”, confessa.

Sobre a preparação, Larissa conta que além do lado financeiro, as jovens também se cuidaram do lado espiritual. “Nossa preparação desde o início tem sido de muita oração e buscando as respostas em Deus. Por outro lado, para ajudar financeiramente, estamos vendendo bolos no final das missas e fizemos uma rifa”, afirma.

Já em São Paulo, na cidade de Campos do Jordão, o aspirante à vida religiosa franciscana Arthur Vinícius de Faria Ferreira, de 16 anos, se prepara também para sua primeira JMJ. Ele participou das Missões Franciscanas da Juventude, em janeiro de 2018 nas cidades de Agudos e Bauru (SP) e da Caminhada Franciscana da Juventude, em abril de 2018, em sua cidade natal. A partir destes encontros, ele sentiu o desejo de discernir sua vocação junto aos frades. “O que mais me chamou a atenção nos franciscanos foi a fraternidade com que vivem entre si e com o povo. A harmonia com as criaturas de Deus e a felicidade transmitida, não somente por risos e momentos de alegria, mas também no silêncio pacificador, em que se pode sentir grandemente a presença de Deus”, afirma.

Sobre o Pontificado do Papa Francisco, Arthur manifesta admiração: “Penso que o Papa Francisco cumpre fielmente com o papel na Igreja. Ele tem sido um bom Pastor e exemplo de como ser um católico verdadeiro. Admiro o nome que escolheu: Francisco, tendo como exemplo o modo com que São Francisco viveu sua fé”, explica.


TODAS AS JORNADAS

Criação de João Paulo II

A JMJ foi instituída em 20 de dezembro de 1985. Durante um encontro por ocasião do Natal, São João Paulo II disse aos cardeais e membros da Cúria Romana que queria que a JMJ acontecesse todos os anos no Domingo de Ramos, como um encontro de dioceses, e também a cada dois ou três anos, como um encontro internacional, em um lugar estabelecido por ele.

A ideia do evento foi concebida com o objetivo de favorecer o encontro pessoal com Cristo, que muda a vida, e promover a paz, a unidade e a fraternidade dos povos e das nações através da juventude como embaixadora; além de desenvolver processos de nova evangelização destinada aos jovens.

Além de momentos de oração, os jovens participam de catequeses, momentos de formação, apresentações musicais, etc. Os momentos mais esperados da JMJ são os encontros com o Papa. Esta será a terceira JMJ do Papa Francisco. Ele esteve no Rio de Janeiro, em 2013; em Cracóvia, em 2016 e confirmou presença no Panamá.

JMJ em números

>> São esperados entre 250 mil e 350 mil visitantes no Panamá, entre peregrinos, voluntários, meios de comunicação e bispos de 187 países.
>> São necessários 180 mil locais de acolhida para os peregrinos.
>> Até julho, 34 centros educativos foram aprovados para acolher peregrinos.
>> São necessários 1500 restaurantes para alimentação dos peregrinos durante os dias da JMJ.
>> O investimento estimado para o evento é de 54 milhões de dólares, segundo estimativas do Comitê Organizador Local (COL).
>> 172 mil peregrinos se inscreveram na primeira fase e 70 mil na segunda fase das inscrições.
>> 62% dos peregrinos são do continente americano: a maioria de países como México, Colômbia, Brasil, Argentina e Costa Rica.
>> Aproximadamente 2 mil voluntários se inscreveram, dos quais 77% são do continente americano.
>> Cerca de 30 empresas panamenhas tornaram-se benfeitoras da JMJ.
>> “Os Dias na Diocese”, a pré-JMJ acontecerá em 8 Dioceses do Panamá e 8 da Costa Rica, incluindo 1 Prelazia, 1 Vicariato e 2 Arquidioceses.
>> 20 mil voluntários residentes no Panamá e 5 mil, provenientes do exterior, serão distribuídos nas 95 tarefas já estabelecidas pelo COL.
>> Serão disponibilizados 250 confessionários, divididos nos 5 idiomas oficiais para os jovens.
>> Haverá 150 expositores na Feira Vocacional, incluindo Conferências Episcopais, Movimentos de Família, Comunidades Leigas e de Vida Consagrada.
>> Serão construídos 6 palcos ao ar livre ao longo de toda a costa, para o Festival da Juventude, que também contará com 2 teatros e salas para conferência.

Fonte: TNV Notícias


Como surgiu a JMJ?

Pe. Eric Jacquinet

Segundo a opinião de muitas pessoas, a Jornada Mundial da Juventude foi a invenção mais bonita do Papa São João Paulo II. Mas ele afirmava: “Foram os jovens que inventaram a JMJ”. Vejamos como começou esta bonita aventura. Nos anos 1983-1984, era celebrado o Ano Santo da Redenção: 1950 anos da Paixão de Cristo. Entre as diversas atividades, São João Paulo II quis promover um encontro jovem para o Domingo de Ramos. O comitê organizador previa cerca de 60 mil participantes. Foram 250 mil!

Em 1985, a ONU proclamou o Ano Internacional da Juventude. O Papa, desejando manifestar a atenção da Igreja pelas novas gerações, convocou novamente os jovens de Roma para celebrar o Domingo de Ramos. Também nesta ocasião a resposta foi positiva: 300 mil jovens se dividiram entre as igrejas da cidade para os diferentes momentos de oração e catequese, reunindo-se depois na Praça de São Pedro para participar da celebração com o Santo Padre.

Depois destes encontros, muitos se perguntavam: “Por que esta resposta generosa? O que buscam os jovens hoje? O que eles querem?”. Mas São João Paulo II já havia intuído: os jovens sentiam o desejo de encontrar-se entre eles, compartilhar sua experiência, escutar uma Palavra de fé, olhar juntos para o futuro, renovar e confirmar seu próprio compromisso. É assim que, no fim de 1985, o Papa anunciou a instituição da Jornada Mundial da Juventude.


Ícones da JMJ

Cruz peregrina
A cruz de madeira, hoje conhecida como “Cruz da Jornada Mundial da Juventude” foi feita em 1983 por ocasião do início do Ano Santo da Redenção (25 de março de 1983 a 22 de abril de 1984). Durante a celebração de abertura do Ano Santo, os jovens entraram com a cruz na Basílica de São Pedro, onde permaneceu durante todo o jubileu. Foi colocada junto ao sepulcro de São Pedro e esteve presente nas celebrações, acompanhando os grupos de peregrinos que visitavam o Vaticano. Entre eles não faltaram os jovens: representantes dos movimentos e comunidades que, juntos, responderam ao convite do Santo Padre. Foram eles quem pediram ao Papa que, depois de finalizadas as celebrações, lhes entregasse a cruz. O Santo Padre atendeu ao pedido e, no Domingo da Ressurreição, entregou aos jovens a Cruz do Jubileu.

A cruz já esteve em todos os continentes, inclusive em países em guerra e conflito. Junto a ela, rezou-se no lugar do ataque ao World Trade Center, em Nova Iorque. Ela também passou por Ruanda, que sofria com os efeitos da sangrenta guerra civil. A cruz já visitou a sede da ONU, mas também escolas pequenas, hospitais e prisões.

 

Nossa Senhora Salus Populi Romani

O ícone de Nossa Senhora Salus Populi Romani é a imagem da Virgem de maior devoção na Itália. O nome “Protetora do povo romano” remonta sua origem aos acontecimentos do final do século VI, quando os habitantes de Roma sofriam por causa de uma peste.

Nossa Senhora Salus Populi Romani apareceu na Jornada Mundial da Juventude pela primeira vez no ano 2000, quando a réplica do ícone tinha lugar junto ao altar papal instalado em Tor Vergata.

Três anos depois, durante a Jornada Mundial da Juventude celebrada em nível diocesano, o Papa animava os jovens para que se aproximassem mais de Jesus por meio de sua mãe. Em sua homilia da Jornada Mundial da Juventude de 2003, disse: “A Virgem Maria nos é dada para ajudar-nos a entrar em um contato mais sincero e pessoal com Jesus. Com seu exemplo, ela nos ensina a olhar com amor a Ele, que nos amou primeiro”.

 

Oração

Pai Misericordioso, Tu nos chamas a viver nossa vida como um caminho de salvação. Ajuda-nos a contemplar o passado com gratidão, a assumir o presente com coragem, a construir o futuro com esperança.

Senhor Jesus, amigo e irmão, agradeço por teu olhar de amor; faze que escutemos tua voz, que ressoa no coração de cada um com a força e a luz do Espírito Santo.

Concede-nos a graça de ser Igreja em saída, anunciando com fé viva e com rosto jovem a alegria do Evangelho, para trabalhar na construção da sociedade mais justa e fraterna que sonhamos.
Pedimos-te pelo Papa e pelos bispos; pelos sacerdotes e diáconos; pela vida consagrada e pelos voluntários; pelos jovens, por todos que participarão da próxima Jornada Mundial da Juventude no Panamá e por todos que se preparam para acolhê-los.

Santa Maria la Antigua, Padroeira do Panamá, faze que possamos orar e viver com tua mesma generosidade: “Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1,38).
Amém.