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Como surgiu a Campanha da Fraternidade?

18/02/2026

Notícias

 

A Campanha da Fraternidade (CF), uma das principais iniciativas da Igreja durante o período da Quaresma, mobiliza comunidades em todo o país em torno de temas sociais urgentes, propondo reflexões e ações concretas. Em 2026, a CF aborda o tema “Fraternidade e Moradia”, com o lema “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14), colocando em evidência o direito à moradia digna e a necessidade de enfrentar as desigualdades que marcam a realidade brasileira.

Para compreender a relevância e o alcance dessa proposta, é importante retomar a trajetória histórica da Campanha da Fraternidade e entender como ela surgiu e se consolidou ao longo das décadas. Esse compromisso tem raízes profundas na história recente da Igreja no país, nascendo justamente para responder, à luz do Evangelho, aos desafios dos tempos atuais. Confira abaixo um pouco dessa trajetória inspiradora.

Início da Campanha da Fraternidade

A Campanha da Fraternidade nasceu no início da década de 1960 no país. A primeira experiência aconteceu na Quaresma de 1962, na cidade de Nísia Floresta (RN), por iniciativa de dom Eugênio de Araújo Sales. Desde a sua concepção, a proposta assumiu o caráter de mobilização ampla, com duração definida e arrecadação solidária, tendo como objetivo despertar a consciência fraterna e promover gestos concretos de partilha em favor dos mais necessitados.

No ano seguinte, em 1963, a iniciativa foi ampliada para as três dioceses do Rio Grande do Norte e, posteriormente, para outras treze dioceses do Nordeste. A adesão foi expressiva, especialmente em Fortaleza (CE), sob o impulso pastoral de dom José de Medeiros Delgado, consolidando a Campanha como um movimento de fé e compromisso social.

No mesmo ano, o contexto do Concílio Vaticano II favoreceu ainda mais esse processo de expansão. Em meio às reflexões conciliares, os bispos brasileiros reconheceram a importância de levar a Campanha da Fraternidade a todo o território nacional. A decisão foi comunicada por dom Helder Camara, então secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Assim, a partir de 1964, a Campanha passou a ser realizada em âmbito nacional, sob a coordenação da CNBB e da Cáritas, inserindo-se de forma definitiva na vida pastoral da Igreja no Brasil.

Esse período foi também marcado pela estruturação do Plano Pastoral de Emergência e do Plano de Pastoral de Conjunto, iniciativas que impulsionaram uma renovação eclesial profunda, fundamentada na pastoral orgânica, na corresponsabilidade e na atenção às realidades sociais do país. Nesse horizonte, a Campanha da Fraternidade consolidou-se como um instrumento privilegiado de evangelização e ação social.

Marcos decisivos

Com o passar dos anos, alguns marcos foram decisivos para fortalecer a identidade e a organização da Campanha. Em dezembro de 1964, os bispos brasileiros aprovaram o documento que estabelecia seus fundamentos, intitulado Campanha da Fraternidade – Pontos Fundamentais, que foram apreciados pelo episcopado em Roma. Já em 1965, a Campanha passou a integrar diretamente a estrutura do Secretariado Geral da CNBB, assegurando maior articulação e continuidade pastoral.

A partir de 1967, a CNBB passou a elaborar, anualmente, subsídios mais completos para orientar as reflexões e ações da Campanha, além de promover encontros nacionais e regionais de coordenação. 

Em 1970, a iniciativa recebeu o reconhecimento e o apoio do Pontificado Romano, passando a contar, todos os anos, com uma mensagem do Papa, fortalecendo sua dimensão eclesial e universal. 

No ano seguinte, em 1971, a presidência e a Comissão Episcopal de Pastoral da CNBB passaram a participar ativamente dos encontros nacionais, consolidando ainda mais o caráter orgânico e participativo da Campanha.

Campanha da Fraternidade 2026

Todos os anos, somos chamados a viver a Quaresma como um tempo de conversão pessoal e comunitária através da Campanha da Fraternidade (CF). Mais do que uma ação pontual, a CF é expressão viva da missão evangelizadora da Igreja, comprometendo-se com a transformação social, especialmente em favor dos mais vulneráveis.

Em 2026, a Campanha da Fraternidade traz como tema “Fraternidade e Moradia” e como lema “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14). Inspirada no mistério da Encarnação, a campanha convida toda a sociedade a refletir sobre a realidade da moradia no Brasil, marcada por profundas desigualdades. A falta de um teto digno não é apenas uma carência material, mas um sinal da exclusão social que atinge milhões de pessoas.

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Por Guilherme Coutinho