Campanha da Fraternidade 2026: Moradia e compromisso cristão
12/02/2026

Falar de moradia é falar de afetos e pertencimento. Na Campanha da Fraternidade 2026, a Igreja nos convida a olhar para esse tema não apenas como um desafio social, mas como uma questão profundamente espiritual. Afinal, habitar vai muito além de ocupar um espaço físico: é encontrar um lugar onde se pode ser e existir.
“A moradia é o espaço onde se constrói a humanidade das pessoas, é ali que se aprende a partilhar, a enfrentar as dores, a celebrar as alegrias e a criar força para seguir em frente. Quando esse espaço falta, toda a estrutura interior do ser humano é afetada. A pessoa se desorienta, perde referências, vê seus sonhos se fragmentarem e passa a viver uma experiência profunda de desenraizamento”, explica o Frei Tiago Gomes Elias, que atua no Serviço Franciscano de Solidariedade (Sefras).
Essa ruptura não atinge apenas a dimensão social, mas também a espiritual. “Se a casa é interrompida, a espiritualidade também é desmantelada”, reflete. Em contextos de violência, pobreza extrema e exclusão urbana, por exemplo, a imagem de Deus pode ser distorcida, associada ao medo, à troca de favores ou à indiferença. Como consequência, a fé muitas vezes é reduzida a uma busca utilitarista por soluções imediatas, perdendo seu caráter libertador.
“A Campanha da Fraternidade ajuda a despertar essa consciência de uma espiritualidade que gera compromisso. A experiência quaresmal não é um tempo de passividade, mas de indignação diante do sofrimento humano”, observa. Nesse cenário, seguir Jesus significa assumir o lado dos empobrecidos, questionar as estruturas excludentes e transformar a oração em compromisso com a vida.
“Assim como Moisés e os profetas, somos chamados a perceber o clamor do povo e agir para transformar a realidade. Esperança, nesse contexto, não é esperar sentado, mas ‘esperançar’: criar movimento e abrir caminhos”.
Ao convidar as comunidades a viverem intensamente a Campanha da Fraternidade 2026, o Frei complementa: “abrir o coração para essa experiência é permitir que o Evangelho nos converta e nos impulsione para frente. Só assim será possível experimentar, já no presente, os sinais da ressurreição: paz, equidade e justiça para todos.”
Por Guilherme Coutinho


