“Quanto mais Francisco amava Jesus Cristo, mais sua vida se tornava semelhante à de Cristo”, exorta Frei Jean Ajluni
18/09/2026

Foi a partir dessa reflexão que a Paróquia Santa Clara de Assis celebrou, na noite de 17 de setembro, a Festa da Impressão das Chagas de São Francisco de Assis. A celebração aconteceu na Comunidade São Francisco, localizada na Rua A, Lote 3, Quadra 43, no bairro Jardim Anhangá, em Duque de Caxias.
A Santa Missa foi presidida pelo pároco, Frei Jean Carlos Ajluni Oliveira, OFM, e concelebrada pelo vigário paroquial, Frei Jeferson Palandi Broca, OFM, reunindo a comunidade em um momento de oração, louvor e ação de graças pelo testemunho de São Francisco.
Durante a homilia, Frei Jean conduziu os fiéis a contemplarem a profunda relação de São Francisco com Jesus Cristo crucificado, destacando que sua conversão foi uma transformação profunda de toda a sua existência a partir do encontro com o Evangelho.
O celebrante recordou que Francisco viveu em um período em que os leprosos eram afastados e marginalizados pela sociedade. O encontro com essas pessoas tornou-se também um momento decisivo em seu caminho de conversão. Ao aproximar-se daqueles que eram rejeitados, Francisco descobriu no irmão sofredor a presença de Cristo e aprendeu a amar aqueles que antes lhe causavam medo e repulsa.
Uma vida configurada a Cristo
Segundo a tradição franciscana, Francisco era profundamente tocado pela Paixão do Senhor. O amor por Cristo crucificado foi crescendo em seu coração e passou a orientar suas escolhas, sua missão e sua maneira de relacionar-se com os irmãos.
Frei Jean utilizou uma comparação para explicar essa transformação: assim como pessoas que convivem durante muitos anos acabam adquirindo gestos e características semelhantes, Francisco, por permanecer profundamente unido a Jesus, foi se tornando cada vez mais semelhante àquele que amava.
É nesse sentido que a tradição cristã passou a utilizar para São Francisco a expressão “Alter Christus”, ou seja, “outro Cristo”, ressaltando o modo como sua vida procurou tornar visível o Evangelho e o amor de Jesus.
A homilia recordou ainda o acontecimento vivido por Francisco em 1224, no Monte Alverne, quando, segundo a tradição, contemplou Cristo crucificado acompanhado de um serafim e recebeu em seu corpo os sinais da Paixão do Senhor, as chagas de Cristo.
Mais do que um acontecimento extraordinário, as chagas foram apresentadas como sinal de uma vida inteiramente entregue ao amor de Jesus. Francisco havia colocado no centro de sua existência o Cristo crucificado, reconhecendo-o na Eucaristia, nos pobres, nos sofredores e na Igreja.
Um chamado também para nós
A celebração das Chagas de São Francisco tornou-se, assim, um convite à própria comunidade. Ao recordar o testemunho do santo de Assis, os fiéis foram chamados não apenas a admirá-lo, mas a buscar também uma vida mais próxima de Jesus.
Frei Jean destacou que pedir a intercessão de São Francisco significa pedir a graça de amar Jesus Cristo e configurar a própria vida ao Evangelho, cada pessoa dentro de sua própria vocação e missão.
A celebração foi também marcada por um sentimento de louvor e ação de graças, reconhecendo em São Francisco um grande exemplo de amor a Cristo e de entrega ao Evangelho.
Ao recordar os 800 anos da passagem de São Francisco para a vida eterna, a comunidade também foi convidada a contemplar a maneira como o santo encarava a morte. Para Francisco, a morte não era simplesmente o fim da existência, mas a passagem para o encontro definitivo com Deus.
Dessa forma, a Festa da Impressão das Chagas recordou à comunidade que as marcas deixadas por Cristo na vida de Francisco começaram muito antes dos estigmas: estavam presentes em sua conversão, em seu amor pelos pobres, na fraternidade, na simplicidade e na entrega total ao Evangelho.
“Renovar o nosso desejo de amar Jesus”
Por fim, Frei Jean deixou na celebração um convite concreto para toda a Paróquia Santa Clara de Assis: permitir que o amor de Cristo transforme também a nossa vida.
Que o testemunho de São Francisco ajude cada comunidade, pastoral e movimento a colocar Jesus no centro de sua missão e a reconhecer sua presença nos irmãos, especialmente naqueles que mais necessitam de acolhida, cuidado e fraternidade.
A Comunidade São Francisco encerrou a celebração com o coração agradecido, renovando sua caminhada de fé e confiando à intercessão do santo de Assis a missão de viver e anunciar o Evangelho.
São Francisco de Assis, que contemplastes o Cristo crucificado e fizestes do Evangelho o caminho de vossa vida, rogai por nós e ajudai-nos a amar Jesus com um coração semelhante ao vosso.
Frei Franklin Matheus, Ofm (texto); Pascom Paroquial (fotos)













