Dom Jaime alerta para urgência da crise climática e defende compromisso coletivo com a criação
01/09/2026

*acesso o conteúdo original no site da CNBB
Por ocasião do 11º Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, celebrado nesta terça-feira, 1º de setembro, o presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), cardeal Jaime Spengler, chama a atenção para a urgência dos desafios provocados pelas mudanças climáticas e defende uma mobilização de toda a sociedade em favor da proteção da vida e da casa comum.
Em artigo dedicado à data, dom Jaime afirma que a crise climática não pode mais ser enfrentada apenas com medidas paliativas. Para o presidente da CNBB, a questão ultrapassa o debate estritamente ambiental e suas implicações políticas e econômicas, pois diz respeito às próprias condições necessárias para a sobrevivência do planeta e da humanidade.
“As mudanças climáticas apresentam desafios que dizem respeito a toda a sociedade. Já não é possível limitar-se a administrar a crise por meio de medidas paliativas”, afirma. Segundo o cardeal, diante da gravidade da situação, “não há mais tempo a perder”.
Repensar o modelo de desenvolvimento
No artigo, dom Jaime destaca consequências já perceptíveis da degradação ambiental, como a destruição de ecossistemas, a contaminação de recursos essenciais, as ameaças à biodiversidade e os riscos à segurança alimentar.
Diante desse cenário, ele considera necessária uma revisão do modelo de desenvolvimento predominante na sociedade. O cardeal também questiona uma visão de modernidade que deposita confiança absoluta na técnica, na ciência e na razão, sem considerar de forma integral outras dimensões do ser humano, entre elas a fé e a transcendência.
“O acelerado desequilíbrio ambiental e climático produz inquietação, sofrimento e insegurança. Não se pode negar que estamos ferindo, e, em muitos casos, destruindo as próprias condições que sustentam a vida”, ressalta.
Conversão pessoal e social
Para dom Jaime, o enfrentamento da crise ecológica não depende somente de transformações econômicas, políticas e estruturais. É necessário também um processo de conversão pessoal e social, capaz de modificar comportamentos e a relação das pessoas com a criação.
Ao citar a Constituição Pastoral Gaudium et Spes, o presidente da CNBB recorda que a degradação ecológica e as mudanças climáticas estão relacionadas ao “desequilíbrio fundamental que se radica no coração do ser humano”.
Por isso, segundo ele, mudanças nas estruturas sociais e nos modos de produção e consumo precisam caminhar juntamente com uma transformação “das mentes e dos corações”. Esse processo, afirma, deve favorecer atitudes de respeito, responsabilidade e gratidão diante da criação.
Oração e compromisso com a casa comum
Celebrado em 1º de setembro, o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação é apresentado por dom Jaime como uma oportunidade para contemplar o dom da vida, agradecer pelo planeta e renovar o compromisso individual e coletivo com a casa comum.
“Promover o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação significa cooperar para o despertar de uma consciência mais atenta e responsável diante do planeta que nos permite viver”, afirma.
O cardeal destaca ainda que a criação não deve ser compreendida apenas como um acontecimento situado no passado. Para ele, trata-se de “um dom que continua a acontecer e a se renovar no presente, diante de nossos olhos e sob nossa responsabilidade”.
Responsabilidade comum
Na avaliação de dom Jaime, a emergência ecológica já interfere diretamente na vida de milhões de pessoas e ameaça as condições de vida das próximas gerações. Por isso, a resposta à crise precisa envolver diferentes setores da sociedade.
O presidente da CNBB defende a união entre ciência, educação, política, economia, comunidades de fé e sociedade civil na busca de respostas para a atual situação. Para ele, essa articulação “não é apenas uma possibilidade: é um imperativo ético e uma responsabilidade comum”.
Ao concluir o artigo, dom Jaime reforça a relação direta entre o cuidado ambiental e a defesa da vida e recorda que a humanidade não possui domínio absoluto sobre o planeta.
“Cuidar da criação é, portanto, cuidar da vida. É reconhecer que a terra não nos pertence de modo absoluto, mas nos foi confiada. E essa confiança exige de cada um de nós uma resposta concreta de responsabilidade, solidariedade e compromisso com o presente e com o futuro”, conclui.
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