Casa de Clara celebra 30 anos de história, gratidão e defesa da vida
25/08/2026

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Com o tema “30 anos de História, Gratidão e Defesa da Vida”, a Casa de Clara Belém celebrou três décadas de atuação junto à população idosa em uma festa realizada no último sábado (22). O encontro reuniu participantes, familiares, trabalhadores, voluntários, oficineiros, frades, religiosas, parceiros e integrantes da comunidade em um momento de celebração da trajetória da casa e de reafirmação do compromisso com a dignidade e os direitos da pessoa idosa.
A comemoração aconteceu em um espaço cedido pelo Sindicato dos Metroviários, próximo à Casa de Clara, por meio de uma parceria que possibilitou a realização da festa. A celebração encerrou uma programação especial pelos 30 anos da casa, iniciada em junho com uma formação política, seguida por uma tarde cultural em julho e, em agosto, pela festa de aniversário, que contou com música, mística e momentos de confraternização.

Para Frei Marcos de Melo, integrante do Conselho Diretor do Sefras – Ação Social Franciscana, celebrar a história da Casa de Clara é também reconhecer a dimensão social assumida pela Província da Imaculada Conceição do Brasil ao longo dos anos:
“A Casa de Clara foi ganhando essa dimensão muito próxima da sua padroeira. Santa Clara tem dois momentos que eu gostaria de destacar: o primeiro é quando ela diz que a gente nunca deve perder o seu ponto de partida, a sua referência. E o segundo é quando ela, já às portas do seu passamento, diz: ‘Graças eu te dou, meu Deus’.”
Ao Frei, a trajetória da casa reafirma que o valor das pessoas não diminui com o passar dos anos. Pelo contrário, a experiência e a história acumuladas fazem das pessoas idosas referências para as novas gerações. “São nossos pontos de referência”, destacou.
Uma história que começou em 1996
A Casa de Clara iniciou suas atividades em agosto de 1996, por iniciativa de Frei Walter Ferreira Junior, vinculada às pastorais do Santuário São Francisco de Assis, na região central de São Paulo. Inicialmente, as atividades aconteciam no salão São Francisco, na Rua Riachuelo.
A iniciativa nasceu como parte da ação evangelizadora dos Frades Menores da Província da Imaculada Conceição do Brasil e, em seus primeiros anos, acolheu diferentes públicos, como pessoas idosas, famílias, gestantes e crianças. O trabalho incluía momentos de convivência, oficinas e, ao final de cada mês, distribuição de cestas básicas conforme as necessidades apresentadas pela comunidade.
Em 2006, a Casa de Clara passou a atender exclusivamente pessoas com 60 anos ou mais, consolidando sua missão de acolhimento, cuidado e promoção da dignidade da pessoa idosa. Nesse período, a Província da Imaculada Conceição também ampliou sua atuação social com a criação do Sefras, fortalecendo uma perspectiva de assistência social e defesa de direitos.
A Casa de Clara passou a funcionar na Rua Japurá, no bairro da Bela Vista, e ampliou sua participação em espaços de discussão e luta pela garantia de direitos, contribuindo para a construção de políticas e ações voltadas à população idosa.
Um espaço para envelhecer com dignidade
A mudança da Casa de Clara para o Belém ocorreu a partir da compreensão da importância estratégica do território para o atendimento à população idosa. A região da Mooca, que inclui o Belém, apresenta significativa concentração de pessoas com 60 anos ou mais.
Embora esteja localizada no território, a Casa de Clara não atende apenas moradores da região. Seu trabalho alcança pessoas idosas de diferentes territórios de São Paulo e da Grande São Paulo, ampliando sua atuação na promoção e defesa de direitos.

Atualmente, 200 pessoas idosas estão inscritas e participam ativamente das atividades da Casa de Clara. Em 2025, a capacidade de atendimento foi ampliada de 100 para 200 vagas, permitindo que mais pessoas tivessem acesso às ações desenvolvidas pelo espaço.
O trabalho da casa busca contribuir para um envelhecimento saudável, ativo e digno, fortalecendo a autonomia, convivência e acesso aos direitos. Para isso, são desenvolvidos espaços de participação, convivência e formação, além da atuação na defesa e efetivação das políticas públicas voltadas à população idosa. A Casa de Clara também sedia o Fórum da Cidadania da Pessoa Idosa Neide Duque/Mooca, espaço aberto à comunidade que promove diálogo, participação e construção coletiva em torno de pautas relevantes para a população 60+.
Esse trabalho ganha ainda mais relevância diante do envelhecimento da população brasileira: dados do Censo Demográfico 2022 mostram um contingente cada vez maior de pessoas idosas no país, reforçando a necessidade de políticas públicas e iniciativas que garantam não apenas longevidade, mas qualidade de vida, autonomia, convivência e participação social. Mais do que oferecer atividades, a Casa de Clara busca fortalecer vínculos e criar possibilidades para que a pessoa idosa permaneça como sujeito ativo de sua própria história e da sociedade.
História, defesa e gratidão
A mística que celebrou os 30 anos foi construída a partir de três momentos: História, Defesa e Gratidão. A mística retomou diferentes períodos da trajetória da casa, representados por estandartes que marcaram os anos de 1996 a 2006, 2006 a 2016 e 2016 a 2026.
No primeiro momento, foram lembradas as origens da Casa de Clara e sua atuação junto a diferentes públicos. Entre os símbolos apresentados estavam trabalhos manuais, que representavam a convivência e a troca de experiências; o Estatuto da Pessoa Idosa, como símbolo da proteção e defesa de direitos; e uma vela, em memória das pessoas que já participaram da história da casa e hoje não estão mais presentes.
O segundo momento foi dedicado à defesa. A trajetória da Casa de Clara passou a ser apresentada também como parte da atuação social da Província e do Sefras, destacando o compromisso com a participação social e a luta pela garantia de direitos da população idosa.
Já o terceiro momento foi marcado pela gratidão: gratidão às pessoas que passaram pela casa, às que permanecem construindo seu cotidiano e a todos que, de diferentes formas, contribuíram para que a iniciativa chegasse aos 30 anos.
A mística contou com a participação de Frei Patryck Ribeiro da Silva Dutra, Frei Luis Naldo Rodrigues da Conceição, Frei Cristian dos Santos Lopes, Frei Marcos de Melo, Irmã Fátima Oliveira e da coordenadora da Casa de Clara, Joseane Carneiro, que destacou a presença de participantes, famílias, voluntários, oficineiros, trabalhadores, frades, religiosas e da comunidade no momento de celebração.

Para ela, a data representa a força de uma história construída coletivamente: “Estamos celebrando com muita alegria os 30 anos da Casa de Clara. 30 anos fortalecendo vínculos, 30 anos transformando vidas. Parabéns ao Sefras, parabéns Casa de Clara pelos seus 30 anos de história e de fortalecimento de vínculos, defendendo sempre a pessoa idosa. Parabéns a todos nós que fazemos parte dessa linda história.”
Ao completar 30 anos, a Casa de Clara segue escrevendo sua história a partir do encontro entre gerações, da valorização da pessoa idosa e da defesa de seus direitos, uma trajetória que nasceu de uma ação pastoral, se transformou em uma frente de atuação social e continua inspirada pelo carisma franciscano. Acolher, cuidar e defender permanecem como compromissos que atravessam essa caminhada. E, ao celebrar 30 anos de história, gratidão e defesa da vida, a Casa de Clara reafirma que envelhecer também é continuar participando, criando vínculos, compartilhando saberes e ocupando espaços de cidadania.

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Melissa Galdino – Sefras





