Uma experiência para guardar e discernir: vocacionados adolescentes vivem Tempos Fortes franciscanos
31/07/2026

Durante o mês de julho, os vocacionados adolescentes da Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil participaram de duas experiências intensivas de convivência, formação e discernimento. Os encontros aconteceram no Seminário Frei Galvão, em Guaratinguetá (SP), entre os dias 7 e 17 de julho, e no Seminário São Francisco de Assis, em Ituporanga (SC), de 20 de julho a 1º de agosto.
As experiências fazem parte do novo itinerário de acompanhamento vocacional destinado aos adolescentes que ainda cursam o Ensino Médio. Diferentemente das etapas formativas posteriores, os jovens permanecem junto de suas famílias, seguem seus estudos e participam, ao longo do ano, de encontros e momentos de acompanhamento. Durante as férias, porém, são convidados a viver um período mais prolongado de convivência, que lhes permite conhecer de forma mais concreta o cotidiano, a espiritualidade e a fraternidade franciscana.
Os chamados Tempos Fortes de Convivência não têm como objetivo antecipar decisões ou oferecer respostas prontas sobre o futuro. Trata-se de uma oportunidade para que os adolescentes possam se conhecer melhor, amadurecer suas perguntas e aproximar-se da vida franciscana com liberdade, serenidade e responsabilidade.
Durante os encontros, os vocacionados participaram dos diferentes momentos que compõem o cotidiano de uma fraternidade: oração, celebração eucarística, formação, estudo pessoal, trabalho, convivência, esporte e lazer. Mais do que acompanhar uma programação, os jovens foram convidados a experimentar um modo de viver no qual as diferentes dimensões da pessoa e da vocação se encontram e se complementam.
As formações abordaram temas como a vocação na Bíblia, a introdução aos Evangelhos, o conhecimento da vida de São Francisco e de Santa Clara, a história e a espiritualidade franciscana, a formação humana, a música e a liturgia. Também houve momentos dedicados ao conhecimento de Frei Galvão, às atividades culturais e recreativas, aos filmes formativos e às partilhas pessoais.
A convivência ocupou um lugar central durante todo o percurso. Nas refeições, nos trabalhos realizados em conjunto, nas atividades esportivas, nos momentos de descontração e nas celebrações, os jovens puderam construir vínculos e aprender a acolher as diferenças. A experiência mostrou que o discernimento vocacional não acontece somente nos momentos de silêncio ou de oração pessoal, mas também na capacidade de caminhar com os outros, escutar, colaborar e descobrir a alegria de pertencer a uma fraternidade.
Para Marcos Paulo, de Indaial (SC), a convivência foi um dos aspectos mais marcantes do encontro: “Foi a melhor experiência que já tive, tanto por causa da convivência quanto pelo aprendizado e pelos bons momentos que compartilhei com todos. Foram momentos de dar risada, de reflexão e de aprendermos juntos. Se eu pudesse, voltaria no tempo para viver tudo isso de novo.”
A experiência vivida em Ituporanga adquiriu ainda um significado especial pela convivência com os frades idosos da Província. Atualmente, a Fraternidade São Francisco de Assis acolhe e cuida de confrades que, depois de muitos anos dedicados à missão, à evangelização e aos diversos serviços da Ordem, vivem nessa casa uma etapa marcada pelo cuidado e pela presença fraterna.
Para os adolescentes, o encontro entre gerações permitiu conhecer histórias que ultrapassam os limites da própria experiência e perceber a riqueza de uma vida construída ao longo dos anos. As conversas e partilhas abriram uma janela para diferentes tempos da Província, para experiências missionárias vividas em outros estados e países e para acontecimentos importantes da caminhada franciscana.
José Antonio, de Concórdia (SC), destacou o impacto desse contato: “Foi uma experiência muito marcante pela convivência e pela história que ouvimos dos frades idosos, onde descobrimos várias realidades de vida em outros países e estados.”
Ao escutarem os frades idosos, os vocacionados puderam perceber que a vocação franciscana não se resume a uma escolha feita em determinado momento da vida. Ela se constrói e se renova no tempo, por meio da oração, da fraternidade, do trabalho, da missão e da disponibilidade para servir. A presença desses confrades ajudou os jovens a compreender que a história da Província continua viva nas pessoas que a construíram e que ainda hoje oferecem seu testemunho.
As experiências também proporcionaram momentos de integração com outras realidades franciscanas. Em Guaratinguetá, os vocacionados participaram do Encontro dos Religiosos da CRB, visitaram Aparecida e celebraram no Santuário Nacional. Em Ituporanga, visitaram a Gruta e o Complexo de Nossa Senhora de Lourdes e participaram da celebração dos 100 anos da presença franciscana na Paróquia Santo Estêvão.
Esses momentos ajudaram a ampliar a compreensão dos jovens sobre a presença da Ordem na Igreja e na sociedade. A vocação franciscana foi apresentada não apenas como uma possibilidade de vida dentro de uma casa de formação, mas como um caminho que se realiza na fraternidade, na evangelização, no serviço e na proximidade com as diferentes realidades humanas.
Ao final dos encontros, os momentos de avaliação e partilha permitiram que cada vocacionado reconhecesse os aprendizados, expressasse as experiências que mais o marcaram e refletisse sobre a continuidade do próprio caminho. O retorno para casa não representa o encerramento do processo, mas a retomada do acompanhamento vocacional no cotidiano, junto à família, à escola e à comunidade de origem.
A realização dos Tempos Fortes também expressa o compromisso da Província com um acompanhamento vocacional próximo e atento à realidade dos adolescentes. Por meio da colaboração dos frades, das fraternidades que acolhem e das diversas iniciativas do Serviço de Animação Vocacional, busca-se oferecer aos jovens espaços de escuta, formação e convivência que favoreçam um discernimento livre e progressivo.
Mais do que transmitir conteúdos sobre a vida franciscana, os encontros procuraram proporcionar uma experiência. Durante esses dias, os adolescentes puderam rezar, trabalhar, estudar, celebrar, conviver e partilhar a vida com outros jovens e com os frades. Nesse caminho, descobriram que a vocação também se revela nos gestos simples, nas amizades construídas, na escuta das histórias e na alegria de caminhar juntos.
Ao retornarem às suas cidades, os vocacionados levam consigo novas experiências, amizades e perguntas. E, para outros adolescentes que sentem o desejo de conhecer melhor a vida franciscana, permanece o convite para se aproximar, participar dos encontros e descobrir, com liberdade e serenidade, os caminhos que Deus pode estar indicando.
Frei Jeâ Paulo Andrade, OFM












