Em Assis, Capítulo do Under Ten termina com um convite para relembrar a fraternidade
13/07/2026

*conteúdo reproduzido do portal ofm.org
No sábado, 11 de julho, os irmãos participantes do Sexto Capítulo do Under Ten OFM concluíram em Assis a jornada que empreenderam nos últimos dias, marcada pela oração, escuta, discernimento e pela experiência concreta da fraternidade internacional. O dia começou com uma visita à Basílica de São Francisco, onde o Frei Massimo Fusarelli, OFM, Ministro Geral, presidiu a Eucaristia votiva de São Francisco de Assis. Nesse lugar, memória viva da Páscoa de Francisco, os frades foram convidados a revisitar a jornada do Capítulo à luz do Evangelho dos pequeninos, da cruz e da alegria.
Em sua homilia, o Ministro Geral recordou que o Pai revela as suas coisas “àqueles que permanecem pequenos”. “Vocês são esses pequenos de hoje”, afirmou, convidando-os a preservar esse lugar interior onde a vocação não se apoia na força própria, mas na confiança em Deus. Inspirando-se na experiência de Francisco, que “não compreendeu o Evangelho por ser sábio”, mas porque “se fez pequeno”, Frei Massimo enfatizou que o caminho da Ordem não nasce da eficiência, mas de um modo de vida abraçado com humildade.
A celebração na Basílica uniu a jornada do Under Ten ao 8º centenário da Vigília Pascal de São Francisco. Em sua reflexão, o Ministro Geral recordou que Francisco “morreu pobre, sobre a terra nua, chamando a morte de irmã”, vivenciando a totalidade da Páscoa do Senhor. Portanto, celebrar a Eucaristia em seu túmulo ajudou a reconhecer que, ainda hoje, a cruz permanece como a forma de uma vida menor: “O jugo se torna mais leve não porque pesa menos, mas porque não o carregamos mais sozinhos”. Partindo dessa certeza, os irmãos foram chamados a recomeçar da pequenez, da cruz e da alegria.

Após a Eucaristia, os frades fizeram uma visita guiada à Basílica, organizados em grupos linguísticos. Os Frades Menores Conventuais conduziram a visita, ajudando os participantes a descobrir a riqueza espiritual, histórica e artística revelada em seu interior. Após retornarem à Domus Pacis, a manhã prosseguiu com a aprovação das propostas elaboradas na última sexta-feira (10) por meio de trabalhos em grupo e discussões em assembleia. O trabalho realizado nos grupos encontrou, assim, um formato comum para ser submetido às Entidades, às Conferências e ao próximo Capítulo Geral.
À tarde, os frades votaram na mensagem final e participaram do processo de avaliação; em seguida, reuniram-se novamente para o discurso de encerramento do Ministro Geral. Frei Massimo começou com uma simples palavra: “Obrigado”. Agradeceu a Deus, aos participantes dos cinco continentes, ao Definitório Geral, a todos que prepararam e facilitaram o encontro, aos tradutores e à Província Seráfica, que acolheu o Capítulo. No ano do oitavo centenário da Páscoa de São Francisco, reconheceu que os frades trouxeram a Assis “algo da frescura das origens: irmãos sentados em esteiras, protegidos pelo Evangelho e com a alegria de estarem juntos”.
O Ministro Geral sintetizou o que ouvira nos últimos dias, a começar pelas histórias vocacionais dos participantes. Observou que um fio condutor permeava muitas delas: o encontro com um frade autêntico e alegre, com uma fraternidade simples e unida. “Nenhum de vocês foi conquistado por um discurso. Foram atraídos por um modo de vida”, disse ele, enfatizando que não há ministério vocacional mais autêntico do que o de um frade feliz em sua vocação. Até mesmo as fragilidades, os medos e as buscas foram apresentados como espaços onde se pode aprender que Deus confia em cada irmão mais do que cada um de nós pode confiar em si mesmo.
Partindo do discernimento dos grupos, o Frei Massimo ofereceu três diretrizes para a jornada: proteger o centro, proteger os laços fraternos e proteger a humanidade. A oração foi apresentada como o lugar que purifica as motivações e nos reconecta com a realidade com uma nova perspectiva; a fraternidade foi apresentada como um lar onde podemos expressar nosso cansaço, nossas crises e nossas feridas sem medo de julgamento; e a humanidade foi apresentada como uma tarefa particularmente necessária na cultura digital. Diante da inteligência artificial e das novas linguagens tecnológicas, o Ministro Geral lembrou que “nenhum algoritmo pode substituir o tempo gasto diante do Senhor, nem a humanidade concreta de um encontro”.

Uma das palavras que ressoaram no discurso de encerramento foi a internacionalidade da Ordem. Ouvindo orações em tantas línguas, vendo os fradess buscando palavras para se entenderem e compartilhando canções de diferentes culturas, o Frei Massimo disse que contemplou “o rosto da Ordem que está emergindo: uma Ordem internacional, jovem e plural”. Essa realidade, disse ele, não é uma projeção para o futuro, mas um dom já presente, sentado em esteiras. Por isso, encorajou a todos a aprenderem línguas como forma de minoria e comunhão, a transcenderem os limites de suas próprias Províncias, a se vivenciarem como Ordem e a abraçarem as diversas nuances de seu carisma.
A jornada do Capítulo, portanto, abriu caminho para o retorno às fraternidades. O Ministro Geral pediu aos frades que não deixassem que esses dias fossem um mero interlúdio agradável, mas que retornassem como testemunhas: “Não tragam planos; tragam um estilo de vida”. Esse estilo de vida pode começar com pequenos gestos concretos: uma renovada aproximação à oração comunitária, uma palavra sincera no Capítulo local, a escuta atenta de um irmão mais velho, o estudo diário de uma língua. Cada um desses gestos expressa a possibilidade de tornar o Evangelho presente na vida cotidiana.
Na celebração de encerramento, a reflexão retornou à forma evangélica de partida: “sem pano de saco, sem pão, sem dinheiro”. Não como uma privação, mas como uma liberdade. Os frades foram convidados a retornar de mãos abertas e corações ardentes, levando consigo a alegria destes dias e um novo fogo para seguir a Cristo no espírito de Francisco e Clara.
Após a oração final pelos frades da Ordem, ocorreu a bênção do Tau, símbolo de salvação e memória de São Francisco. As cruzes em formato de Tau, confeccionadas por um carpinteiro local em madeira de Assis, foram oferecidas como um simples sinal de pertencimento e missão. Nesse mesmo espírito, foram expressos agradecimentos a todos que tornaram a experiência possível: facilitadores, secretários de grupo, tradutores, equipe de comunicação, comissão preparatória e todos aqueles que contribuíram para criar um ambiente familiar.
Com a declaração oficial de encerramento do Sexto Capítulo do Under Ten, a experiência vivida em Assis chegou ao fim, mas não à sua plenitude. “Embora nossas deliberações tenham terminado, nosso trabalho apenas começou”, recordou-se antes do retorno às Províncias, Custódias, Fundações e ministérios. As palavras inspiradas por São Francisco permaneceram como um mandamento final: “Irmãos, comecemos a fazer o bem, porque até agora pouco ou nada fizemos”. Sob o olhar do Pobrezinho, os frades foram chamados a prosseguir sua vocação na Igreja e no mundo com simplicidade, minoria e esperança.
Leia a homilia do Ministro Geral
Leia a mensagem final do Ministro Geral
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