Frei Walter: O Batista preparou a vinda; Pedro consolidou a obra
25/06/2026

“A mão do Senhor estava com ele. E o menino crescia e se fortalecia em espírito” (Lc 1,66) foi o tema, em sintonia com a Solenidade de São João Batista, que Frei Walter de Carvalho Júnior, animador das Presenças na Frente da Educação, de Curitiba, desenvolveu neste quinto dia (24) da Novena preparatória para a Festa de São Pedro. Frei Mário Tagliari presidiu a Celebração Eucarística às 18 horas (a Missa foi adiantada por causa do jogo do Brasil na Copa do Mundo), tendo como concelebrantes os frades desta Fraternidade de Pato Branco e Frei Felipe Carretta, pregador da Novena deste sábado.
Frei Walter saudou os frades e paroquianos: “Com grande alegria, celebramos nesta noite o quinto dia da nossa Novena em preparação à festa do nosso venerável Padroeiro, o apóstolo Pedro. Avançamos juntos neste itinerário de fé, redescobrindo a beleza de sermos família paroquial e reafirmando o nosso sim ao chamado da Igreja”.
No entanto, explicou o pregador, ao abrirmos a liturgia deste dia 24 de junho, a Igreja, em sua sabedoria milenar, faz uma pausa no Tempo Comum e nos convida a celebrarmos uma solenidade grandiosa: a Natividade de São João Batista. Junto com o Natal de Jesus e o nascimento de Maria, esta é uma das raríssimas celebrações em que a liturgia comemora o nascimento de alguém, e não o seu martírio. Isso ocorre porque a vida de João Batista não pertence apenas a ele, mas é parte intrínseca e direta do mistério da nossa salvação.

CONFIRA NA ÍNTEGRA A PREGAÇÃO DE FREI WALTER
Olhando para o altar, podemos nos perguntar: Como conciliar a novena de São Pedro com a solenidade de São João Batista?
Meus irmãos e minhas irmãs, a resposta repousa no próprio plano de amor do Pai. Não há contradição nisso; há uma perfeita e harmoniosa continuidade. Se São João Batista é aquele que preparou a vinda do Senhor, São Pedro Apóstolo é quem deu continuidade à obra do Mestre, presidindo a Igreja nascente após a vinda do Espírito Santo em Pentecostes. João abre o caminho; Pedro caminha por ele e conduz o rebanho. Dois pilares, duas vozes. Um só Cristo.
“A mão do Senhor estava com ele”: o nascimento de João Batista
O Evangelho de São Lucas que acabamos de proclamar nos insere no ambiente do milagre. Isabel, outrora estéril e de idade avançada, dá à luz um filho. Zacarias, que havia emudecido por duvidar do anúncio do anjo, recupera a voz no instante em que escreve na tabuinha o nome revelado pelo próprio Deus: “Seu nome é João”.
João em hebraico Yohanan, significa “Deus fez graça”, ou “o Senhor é misericordioso”. O nascimento daquela criança já era o anúncio de que a escuridão do mundo estava prestes a ser dissipada pela Luz do Mundo, que é Jesus. Diante de tantos prodígios, os vizinhos e parentes se perguntavam, cheios de temor santo: “O que virá a ser este menino?” O evangelista nos dá a resposta teológica e vital: “Porque a mão do Senhor estava com ele”.
Que palavra poderosa essa para nós nesta noite! “A mão do Senhor estava com ele”. João Batista não cresceu por suas próprias forças. Ele se fortalecia em espírito porque estava sob a proteção, o amparo e a unção da mão de Deus. Desde o ventre materno, foi consagrado para uma missão radical.
E o texto sagrado conclui dizendo que “o menino crescia e se fortalecia em espírito e habitava nos desertos até o dia de sua manifestação a Israel”. No silêncio e na austeridade do deserto, João forjou sua intimidade com o Senhor. Ele não correu aos palácios, não buscou as honras humanas, não desejou os aplausos do mundo. Ele buscou a Deus simplesmente.

João Batista: o Precursor que diminui para que Cristo cresça
E qual foi a missão para a qual a mão do Senhor o preparou? A missão de ser o Precursor, a voz que clama no deserto. João Batista pregou com coragem e vigor um batismo de conversão para o arrependimento dos pecados. Não anunciou uma religiosidade superficial de aparências. mas exigiu uma transformação profunda do coração. Ele exortava o povo à justiça, à retidão e à partilha.
Mas a maior grandeza de João Batista não residia na força de sua pregação, nem no fato de arrastar multidões ao Rio Jordão. A sua verdadeira grandeza estava na sua profunda humildade.
Em nosso mundo sedento por status, poder e autoridade – tentações que também cercavam o palácio de Herodes Antipas, a quem João corajosamente confrontou -, o Batista nos dá uma das maiores lições de desapego espiritual da história da Igreja. Quando os discípulos começaram a notar que Jesus também batizava e atraía as multidões, João pronunciou aquela frase que deve ser o lema da vida de cada um de nós: “É necessário que Ele cresça e que eu diminua”.
João Batista compreendeu perfeitamente que ele era apenas o amigo do noivo, não o noivo. Ele era a lâmpada, mas Jesus era a luz; ele era a voz, mas Jesus era a Palavra encarnada. Soube recolher-se. Soube sair de cena para que o Cristo fosse o centro absoluto de tudo. Apontou para o Cordeiro de Deus e ensinou seus próprios discípulos a seguirem Jesus, esvaziando-se de todo egoísmo e vaidade.

São Pedro: A continuidade e a edificação da Igreja
E aqui, meus irmãos e irmãs, nós cruzamos o caminho de João com o caminho do padroeiro desta paróquia, São Pedro Apóstolo.
Enquanto João Batista preparou as veredas, purificando os corações no Jordão, Simão Pedro foi chamado por Jesus para ser pescador de homens e, posteriormente, a rocha visível sobre a qual o Senhor edificaria a sua Igreja.
O Batista preparou a vinda; Pedro consolidou a obra. Após a ressurreição de Cristo e a descida do Espírito Santo em Pentecostes, foi Pedro quem se levantou com coragem profética à frente dos doze apóstolos para anunciar que Aquele que João havia apontado no Jordão era verdadeiramente o Senhor e Salvador.
Se João Batista foi o modelo da preparação interior, Pedro é o exemplo da consolidação e da missão comunitária. Pedro presidiu a Igreja primitiva, viajou, pregou, confirmou os irmãos na fé e estabeleceu as bases da nossa hierarquia eclesial. Assumiu as responsabilidades das chaves do Reino dos Céus, exercendo o pastoreio com o mesmo amor incondicional que prometeu a Jesus após suas próprias fraquezas e quedas.
Ambos terminaram suas vidas com o supremo testemunho do martírio. João Batista foi decapitado na prisão por defender a verdade do matrimônio e da moral; Pedro foi crucificado de cabeça para baixo em Roma por não negar o nome de Jesus Cristo. Ambos doaram tudo. Não retiveram nada para si.

O apelo motivacional para a nossa Comunidade
Meus caros irmãos e irmãs, o que esse quinto dia da novena, iluminado por São João Batista, diz ao nosso coração hoje, no ano de 2026?
Diz que nós, como paróquia e como pedras vivas da Igreja, precisamos imitar essas duas grandes colunas.
À semelhança de São João Batista, somos chamados nesta noite à conversão do coração. Somos convidados a olhar para dentro de nós mesmos e perguntar: O que em mim precisa diminuir para que Cristo cresça? Precisa diminuir o meu orgulho? O meu egoísmo? A minha vaidade? As divisões na comunidade? É preciso que o Cristo seja o centro das nossas famílias, do nosso trabalho e da nossa paróquia. Que sejamos simples e humildes, entendendo que todo trabalho pastoral é para a glória de Deus, e não para a nossa promoção pessoal.
E, à semelhança de São Pedro, nosso padroeiro, somos chamados a ser firmes na fé, testemunhas corajosas do Evangelho aqui em Pato Branco. A nossa paróquia não pode se acomodar em uma fé sem vida e sem entusiasmo. Diante das dificuldades do secularismo e do relativismo do mundo atual, precisamos nos levantar com a audácia de Pedro e a integridade de João Batista para anunciar a verdade e promover a justiça.
Nesta novena, rezemos pedindo que a mesma “mão do Senhor” que estava com João Batista esteja sobre cada um de nós, sobre os nossos freis, sobre as nossas pastorais e movimentos. Que a festa que se aproxima seja um momento de feliz confraternização, e sobretudo, uma profunda experiência de Deus capaz de renovar nossa fé, estreitar nossa comunhão e acender em nós o fogo da missão.
Que São João Batista nos ensine a preparar o caminho no deserto do nosso coração e que São Pedro Apóstolo nos guie na fidelidade e no amor à nossa Igreja.

São João Batista, rogai por nós! São Pedro Apóstolo, rogai por nós! Amém.
Nesta quinta-feira, Frei Marx Rodrigues dos Reis, do Comitê Executivo da Frente Franciscana de Solidariedade (Sefras), da Província Franciscana da Imaculada Conceição, com sede em São Paulo, vai abordar o seguinte tema no sexto dia (25/6) da Novena: “Quem ouve estas minhas palavras e as põe em prática, é como um homem prudente, que construiu sua casa sobre a rocha” (Mt 7,24). A inspiração para este dia: A conversão verdadeira nos firma na rocha que é Jesus Cristo.
Pascom da Paróquia















