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Devoção ao Sagrado Coração de Jesus ensina confiança no Senhor e proximidade ao Evangelho

12/06/2026

Notícias

Devoção ao Sagrado Coração de Jesus ensina confiança no Senhor e proximidade ao Evangelho

*texto publicado originalmente no site da CNBB

A Igreja celebra nesta sexta-feira, 12 de junho, a Solenidade do Sagrado Coração de Jesus. E o convite da liturgia desta celebração propõe aos fiéis a reflexão sobre o amor misericordioso de Deus por seu povo escolhido, convidando a descansar Nele. Em 2024, o Papa Francisco ofereceu à Igreja a Carta Encíclica Dilexit nos, sobre o amor humano e divino do Coração de Jesus e indicou que a devoção ao Sagrado Coração reúne confiança no Senhor e proximidade ao Evangelho.

Além de fazer memória das reflexões oferecidas pelo Papa Francisco, este post também visita alguns artigos oferecidos pelos bispos sobre esta celebração e a devoção que dela surge nutrida nos corações de tantos fiéis brasileiros.

Amou primeiro

Assim como na liturgia da Solenidade desta segunda sexta-feira após Corpus Christi, o Papa Francisco recorda já no início da Dilexit nos que Deus nos amou primeiro, conforme a segunda leitura da Carta de São João (Jo 4, 10).

“O seu coração aberto precede-nos e espera-nos incondicionalmente, sem exigir qualquer pré-requisito para nos amar e oferecer a sua amizade: Ele amou-nos primeiro”, escreveu o Papa Francisco.

Em artigo publicado no portal da CNBB, o bispo de Registro (SP), dom Manoel Ferreira Júnior, ensina que celebrar o Sagrado Coração “é estar envolvido por este amor de Deus”, um “amor sem limites de Deus por nós”, encontrado no coração de Jesus.

Para o arcebispo do Rio de Janeiro (RJ), cardeal Orani João Tempesta, “saber-se amado assim devolve a dignidade a qualquer coração ferido”.

Confiança

E a confiança também está presente de forma intensa na celebração desta solenidade e na devoção ao Sagrado Coração de Jesus. Na Dilexit nos, o Papa Francisco deixou a imagem do Coração de Jesus como o melhor lugar onde “onde podemos recuperar a força e a paz”, assim como Jesus afirma no Evangelho desta sexta: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, que Eu hei de aliviar-vos” (Mt 11, 28).

Recordando Santa Teresinha do Menino Jesus, o Papa Francisco pontuou sobre a atitude de depositar a confiança do coração “na infinita misericórdia de um Deus que ama sem limites e que deu tudo na Cruz de Jesus”. Na Misericórdia infinita, Teresinha contemplou e adorou as demais perfeições divinas e assim tornou popular a simples e essencial oração “Eu confio em Vós”.

Em artigo publicado nesta sexta-feira com o texto de sua homilia, dom Orani Tempesta recorda o cansaço que marca o tempo atual e a realidade das metrópoles, como o cansaço físico das longas jornadas de trabalho, do tempo perdido nos transportes públicos lotados; o cansaço psicológico gerado pelas preocupações financeiras, pelo medo do dia de amanhã, pelas demandas irreais das redes sociais; e o profundo cansaço espiritual, o esgotamento da alma diante das feridas do pecado, dos vícios, dos relacionamentos rompidos e das decepções com aqueles em quem confiávamos.

O cardeal recorda das pessoas que caminham carregando fardos pesados e silenciosos de depressão, de luto não curado, de abandono.

“A todas essas dores humanas, Jesus não oferece uma fórmula mágica de autoajuda. Ele não promete que os problemas vão desaparecer num passe de mágica. O que Ele nos oferece é muito maior: Ele nos oferece o Seu próprio Coração. “Vinde a mim!”, é o grito de amor do Mestre”.

Contemplar e mergulhar no Evangelho

Neste exercício de confiança, no qual Jesus convida a ir até Ele, a mensagem do Evangelho transparece na contemplação do Sagrado Coração, conforme motivou São João Paulo II em viagem á Polônia, em 1999.

“Contemplemos o Sagrado Coração de Jesus, que é fonte de vida, porque por seu intermédio se realizou a vitória sobre a morte. Ele é também fonte de santidade, porque nele é derrotado o pecado, que é inimigo da santidade, inimigo do progresso espiritual do homem”.

Essa contemplação que recorda a vitória de Jesus sobre a morte está no centro da devoção da Igreja ao Sagrado Coração de Jesus, desde o Papa Pio XII, o qual ensinou que ali não se encontra “só um símbolo, mas também como que um compêndio de todo o mistério da nossa redenção”.

O Papa Francisco renovou este convite na Dilexit nos:

“A devoção ao Coração de Cristo é essencial para a nossa vida cristã, na medida em que significa a nossa abertura, cheia de fé e de adoração, ao mistério do amor divino e humano do Senhor, até ao ponto de podermos voltar a afirmar que o Sagrado Coração é um compêndio do Evangelho. […] Aí encontramos todo o Evangelho, aí está sintetizada a verdade em que acreditamos, aí está tudo o que adoramos e procuramos na fé, aí está o que mais precisamos”.

Tornar o amor presente no mundo

O Papa Leão, no ano passado, durante celebração de ordenação de novos sacerdotes durante o Jubileu, no dia desta solenidade, afirmou que falar do Coração de Cristo, naquele contexto, era “falar de todo o mistério da encarnação, morte e ressurreição do Senhor, confiado a nós de modo especial para que o tornemos presente no mundo”.

Tornar esse amor presente no mundo, segundo o Papa Leão, passa pelo seu desejo apresentado para a Igreja no início do pontificado:

“[..] reconciliados, unidos e transformados pelo amor que jorra copiosamente do Coração de Cristo, caminhemos juntos nas suas pegadas, humildes e decididos, firmes na fé e abertos a todos na caridade, levemos ao mundo a paz do Ressuscitado, com aquela liberdade que nasce da consciência de nos sabermos amados, escolhidos e enviados pelo Pai”.

Ainda revisitando a Dilexit nos, é possível encontrar o que o Papa Francisco apresentou à humanidade, a partir da imagem da água que jorra do lado aberto de Jesus. Ao beber desse amor, escreveu o saudoso pontífice, “tornamo-nos capazes de tecer laços fraternos, de reconhecer a dignidade de cada ser humano e de cuidar juntos da nossa casa comum”.

E a Igreja também precisa desse “amor gratuito de Deus que liberta, vivifica, alegra o coração e alimenta as comunidades”.

“Da ferida do lado de Cristo continua a correr aquele rio que nunca se esgota, que não passa, que se oferece sempre de novo a quem quer amar. Só o seu amor tornará possível uma nova humanidade”.

*confira o conteúdo original no site da CNBB


Luiz Lopes Jr. – CNBB