Notícias - Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil - OFM

“A Copa é uma oportunidade de chamar a atenção para temas caros à missão evangelizadora”

05/06/2026

Entrevistas, Notícias

ENTREVISTA COM FREI GUSTAVO MEDELLA:


De volta a São Paulo, onde residiu por seis anos no Convento São Francisco, Frei Gustavo Wayand Medella, aos 47 anos, assumiu neste ano as funções de pároco e guardião da fraternidade deste Convento centenário da Província Franciscana da Imaculada Conceição, no Largo São Francisco, em São Paulo. Natural da cidade serrana de Petrópolis, no estado do Rio de Janeiro, Frei Gustavo nasceu no dia 19 de setembro de 1978. Formado em Jornalismo, ele deu outro rumo à sua vida quando ingressou na Ordem Franciscana, em 2004.

No Largo São Francisco, a Festa de Santo Antônio rivaliza, no bom sentido, com a Festa do Padroeiro. Neste ano, coincidindo com toda a expectativa e ansiedade pela estreia do Brasil na Copa do Mundo, Frei Medella e a Comissão da Festa tiveram a ideia de unir a devoção a esse querido santo franciscano em todo país com o esporte mais popular dos brasileiros. Partimos do princípio, segundo o frade, de que esta modalidade esportiva “também pode nos ensinar muito sobre os valores evangélicos, como a importância da equipe, o empenho pessoal em prol do coletivo, o saber caminhar juntos”.

“Com Santo Antônio, vestindo a camisa da fé” é o tema geral da Festa, mas, diariamente, as celebrações terão um subtema para refletir: no dia 6, “Com Maria e os anjos na torcida, celebremos Santo Antônio”; no dia 7, “Com Santo Antônio, caminhemos rumo à vitória”; no dia 8, “Família: a base do nosso time”; no dia 9, “As regras do jogo: Santo Antônio, Defensor da Justiça e do Direito”; no dia 10, “O Santo de todas as torcidas” (Dia de Portugal); no dia 11, “Jesus Cristo é o técnico e Francisco, o capitão”; no dia 12, Dia dos Namorados, “O gol de placa do Amor”; e, no dia 13, exatamente no dia em que a Seleção Brasileira estreia na Copa do Mundo, acontece a grande Festa de Santo Antônio. Destaque, neste dia, para a Missa das Torcidas, às 10h30.

Acompanhe a entrevista

1. Frei Medella, como se sente ao estar de volta a São Paulo?

Confesso que foi um desafio que assumi com certo temor. A nova missão do Convento enquanto casa de formação, as expectativas da Província em relação a este novo tempo da Fraternidade, as demais responsabilidades que possuo diante da Fraternidade Provincial, enquanto Vigário Provincial e Secretário para a Evangelização, os próprios desafios inerentes de um grande centro, como São Paulo, todos os fatores me causaram certa inquietação. No entanto, também foi oportunidade de renovar a confiança na Providência Divina e na vontade de Deus, também certo de que não estaria sozinho em nenhuma destas empreitadas. Em síntese, entre sonhos, expectativas, alegrias e temores, posso dizer que me sinto feliz em voltar ao Convento São Francisco.

2. Como nasceu a ideia de unir a devoção a Santo Antônio com a “devoção” ao futebol que o
brasileiro tem?

O fato do Dia de Santo Antônio coincidir com a estreia do Brasil na Copa do Mundo, a princípio, pareceu-nos um problema. No entanto, não se tinha muito o que fazer. Aí, com a fraternidade e a comissão de Festas, achamos por bem tentar unir estas duas paixões que moram no coração de muitos brasileiros: Santo Antônio e o futebol. Partindo do princípio de que esta modalidade esportiva também pode nos ensinar muito sobre os valores evangélicos, como a importância da equipe, o empenho pessoal em prol do coletivo, o saber caminhar juntos, percebemos que a coincidência de datas, a princípio vista como um problema, poderia ser uma oportunidade de chamara atenção para temas caros à missão evangelizadora. E aí decidimos lançar o convite para todos que, com Santo Antônio, pudéssemos “vestir a camisa da fé”.

3. Você concorda que a fé e o futebol caminham lado a lado?

São duas realidades impregnadas no coração do brasileiro. Seja como torcedor ou atleta de fim de semana, de uma maneira ou de outra, acabamos envolvidos neste “Universo da bola”, especialmente em tempos de Copa do Mundo. Para além de toda a sofisticação no mundo do Futebol profissional, com salários e cifras multimilionárias e o controle rígido das táticas e técnicas a partir da alta ciência, a alma e a essência popular do futebol, nascidas no coração do povo simples, lá onde também brota a fé devota e pura, continuam vivas no imaginário de nossa gente.

4. Como o sr. define essa manifestação de fé no campo e no meio das torcidas?

É comum ver atletas rezando antes de entrar em campo, ajoelhando-se após um gol ou se apegando a símbolos religiosos. Em times grandes, como o São Paulo e Corinthians, o Apóstolo Paulo e São Jorge são padroeiros. É muito interessante o quanto no esporte, especialmente no futebol, o elemento da fé que indica o senso de parceria entre Deus e o ser humano se faz muito presente. Os atletas treinam, se preparam, buscam dar o melhor de si, mas, no fundo, sabem que para além de todo empenho humano, existe uma força superior da qual depende o bom êxito de nossos sonhos. E aqui entra, então, o espaço para as manifestações de fé n’Aquele que conduz os nossos passos, na vitória ou na derrota, mas sempre junto e presente.

5. A própria Igreja reconhece e apoia essa união de fé e esporte, tanto que, em 2018, o Vaticano lançou o “Dar o melhor de si”, documento do Dicastério para os Leigos, Família e Vida, que tem o intuito de ajudar atletas e suas equipes a compreenderem a relação entre esporte e fé.

De fato, o documento reconhece que o esporte pode ser uma via de santificação, à medida que impulsiona o ser humano a desenvolver com excelência suas melhores habilidades. O importante é que seja praticado com ética e de forma honesta, dando o devido valor à vitória, sem encará-la na lógica da sujeição do outro nem da superioridade. A inspiração dos atletas que dão o melhor de si no campo pode e deve nos inspirar a darmos o nosso melhor em todos os âmbitos da vida e, de maneira especial, em nossa comunidade de fé.

6. Na Missa das Torcidas, haverá “fair play” se os fiéis devotos usarem as camisas de seus times?

No dia 13 de junho, especialmente na missa das 10h30, vamos convidar os fiéis e devotos a virem com a Camisa de seu time de coração para mostrar que a disputa no campo não tem nada a ver com o senso de fraternidade que nos une. O verdadeiro torcedor tem profundo respeito pelas outras equipes e sabe que faz parte da vida esporte perder ou ganhar. Para além destas diferenças, o mais importante é que todos somos irmãos, filhos e filhas do mesmo Pai que nos ama, flamenguistas, vascaínos, palmeirenses e corintianos. Tenho certeza de que nossa Missa das Torcidas será uma grande celebração da paz e da concórdia.

7. Concluindo, dá para ter fé na Seleção Brasileira?

É preciso ter muita fé! A realidade mostra que não será fácil para nossa Seleção. No entanto, precisamos acreditar que o sonho do Hexa continua presente e segue sendo uma possibilidade. Santo Antônio interceda pela nossa “Seleção Canarinho”.

Equipe de Comunicação do Convento e Santuário São Francisco

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