Notícias - Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil - OFM

Peregrinação do Chá do Padre: um caminho de fé, fraternidade e louvor!

15/05/2026

Notícias

No dia 13 de maio, dia de Nossa Senhora de Fátima, uma parceria entre a Fraternidade São Francisco (SP) e o SEFRAS, patrocinada pelo Fundo de Solidariedade da Província, promoveu a Primeira Romaria do Projeto Chá do Padre.

A equipe foi composta por: Frei Gustavo Medella, guardião da fraternidade; Frei Vagner Sassi, Presidente do SEFRAS; Frei Tiago Elias, Vice-presidente do Sefras; Léia Lobo, coordenadora do projeto; Tatiana Aparecida, educadora do projeto; Ir. Joselma Santos, a serviço do projeto; e também pelos frades do pós-noviciado, Frei Felipe Z. Granusso, Frei Francisco Barbosa e Frei Paulo Henrique Souza (Custódia Sagrado Coração), e reuniu cerca de quarenta assistidos para uma jornada de fé a Aparecida e Guaratinguetá.

Ainda antes do amanhecer, por volta das cinco horas, já havia quem aguardasse, com entusiasmo e esperança, na porta do Chá do Padre. Como peregrinos, partiram rumo a Aparecida após o café partilhado, levando consigo não riquezas, mas corações abertos, em um trajeto marcado por cantos, muita alegria e integração — sinais de um povo que caminha junto, como irmãos.

Ao chegarem ao Santuário Nacional, os participantes foram introduzidos à mística do peregrino, que, diferentemente do andarilho, não caminha sem destino; mas tem um rumo certo, um fim último a alcançar. Ali, receberam uma camiseta da romaria, um alforge e um chapéu, sendo convidados a tornarem-se peregrinos não apenas rumo a Aparecida, mas também rumo ao mais profundo de si mesmos, com cada passo leve, ainda que cansado, e com cada silêncio preenchido de presença.

Em Aparecida, participaram da Celebração Eucarística, vivenciando a graça de serem parte da Igreja orante reunida. A Basílica, em sua grandiosidade, proporcionou uma experiência marcante aos peregrinos, que, em sua maioria, estavam ali pela primeira vez.

Dentro do templo, ao olharem para o alto, foram convidados a contemplar a grandeza do mistério de Deus diante de nossa pequenez humana. A riqueza artística chamou a atenção, especialmente nas representações da fauna brasileira, evocando a beleza da criação.

Um momento especial também se deu no encontro com a imagem de Nossa Senhora Aparecida, mãe dos pequenos e dos pobres, onde muitos silêncios se tornaram oração e muitas dores encontraram consolo.

Após a visita ao Santuário Nacional de Aparecida, o grupo seguiu para o Santuário Frei Galvão, em Guaratinguetá, em uma experiência que marcou profundamente a todos. A participante Débora descreveu o momento como o mais marcante: “Quando a gente entrou, havia pessoas que a gente nem conhecia, e fomos recebidos com muito amor e carinho. Acho que, independentemente dos presentes que nos deram, o que marca é o amor e o carinho, esse legado que Deus deixou para a gente amar o próximo como a si mesmo. Acho que isso foi o mais importante da minha vida.”

A calorosa acolhida fraterna, proporcionada pelos frades locais e seus paroquianos, foi expressão viva do Evangelho. Recordando as palavras de Dom Hélder Câmara, Frei Diego Atalino de Melo destacou uma verdade essencial: somos irmãos e irmãs, unidos pelo mesmo sangue de Cristo.

E como verdadeiros irmãos, os peregrinos foram convidados a partilhar a mesa com os frades e paroquianos, em um bonito momento em que o foco não era o alimento, mas a comunhão e o reconhecimento mútuo, tornando-se sinal do Reino: onde há lugar para todos, onde ninguém está sozinho, onde o pão é repartido.

Findado o almoço, Frei Thiago Soares conduziu os peregrinos pela Porta da Humildade, como expressão do caminho franciscano: entrar pequeno, reconhecer-se dependente de Deus para, então, encontrar a verdadeira grandeza. Assim, diante do Santíssimo, os peregrinos foram apresentados ao Senhor e, como filhos e filhas amados, puderam confiar suas vidas àquele que tudo conduz com amor.

A primeira romaria do Chá do Padre encontrou sua última etapa no Seminário Frei Galvão, em Guaratinguetá, onde a acolhida de Frei Gentil e da Irmã Tânia manteve vivo o forte sinal da presença de Deus, que os peregrinos puderam experimentar nos diversos espaços e elementos de espiritualidade, como as imagens marianas, a exposição de presépios e as representações de São Francisco.

Diante da gruta de Nossa Senhora de Lourdes, o coração transbordou em gratidão. À maneira de São Francisco, que oferecia a Deus tudo o que recebia, os peregrinos fizeram um gesto simples e profundo: entregaram ao seminário um presépio confeccionado no Chá do Padre. Um sinal pequeno, mas cheio de sentido, carregado de encanto, como partilhou o participante Joab: “O que eu mais gostei foi desta casa aqui. O sossego, a paz… Qualquer ser humano gostaria de ficar em um lugar desses. Amei essa romaria e, com fé em Deus, ano que vem estarei de novo.”

Ao retornarem para São Paulo, os peregrinos levaram consigo mais do que lembranças, como partilhou o participante Cláudio: “O que mais me marcou foi a confraternização, todo mundo junto, sem preconceito, sem nada, e sendo bem acolhido, de coração. Só isso. Então, hoje, pelo menos, está ficando um pouco de paz, e isso eu vou carregar comigo.”

A romaria revelou-se muito mais do que um simples deslocamento físico: foi uma experiência de encontro — com Deus, com a Igreja e entre os próprios participantes. Em cada etapa, destacou-se a dignidade dos assistidos, protagonistas de uma jornada marcada por espiritualidade, alegria e esperança.

E assim seguem pelo caminho, dizendo com a própria vida: “Louvado sejas, meu Senhor, por todos os teus filhos e filhas.”


Frei Felipe Zaros Granusso, OFM