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Trabalho como recomeço: como a Casa de Assis reconstrói vidas de pessoas migrantes em São Paulo

04/05/2026

Notícias

*confira o conteúdo original do Sefras

Em 2026, a Casa de Assis — serviço do Sefras – Ação Social Franciscana — completa 11 anos de atuação no acolhimento de pessoas migrantes em situação de vulnerabilidade na região central de São Paulo. Atualmente, cerca de 110 pessoas são acolhidas pelo serviço, que tem na empregabilidade um de seus principais eixos de trabalho.

Para que tudo isso aconteça, há também o trabalho de quem atua diariamente na construção dessas oportunidades. Grande parte das pessoas acolhidas atualmente vem de Angola e da República Democrática do Congo, muitas vezes com formação técnica, experiência profissional e disposição para recomeçar. 

A assistente social Gicelia Silvia, responsável pelo eixo de empregabilidade da Casa de Assis, explica que o processo começa pela base: regularização documental, acesso à vacinação e emissão dos documentos exigidos para o trabalho formal.

“O grande objetivo da Casa de Assis é dar a esse imigrante a oportunidade de trabalho por meio da regularização dos seus documentos migratórios. Depois disso, buscamos vagas para que ele consiga se inserir no mercado de trabalho.” — Gicelia

Só em abril de 2026, 24 pessoas foram inseridas no mercado formal de trabalho. Entre os parceiros empregadores estão empresas da construção civil, do setor alimentício, do comércio de frutas e hospitais. A Coca-Cola é um dos parceiros de longa data: trabalhadores migrantes acolhidos pelo serviço permanecem na empresa há mais de dois anos.

“Sabemos do potencial dessas pessoas. Quando recebem uma oportunidade, elas se dedicam e conseguem demonstrar tudo o que sabem fazer.” — Gicelia.

Além de ampliar oportunidades, a atuação da Casa de Assis ajuda a desconstruir estigmas. Em diferentes setores da economia, trabalhadores migrantes contribuem para o fortalecimento das equipes com experiências e qualificações adquiridas em seus países de origem.

Um dos focos da equipe é conscientizar sobre a importância do vínculo formal. Muitas pessoas, ao chegarem, recorrem ao trabalho informal por falta de opção — o que as deixa desprotegidas em casos de doença ou acidente.

“Nossa grande preocupação é conscientizar esse migrante de que o trabalho formal, com carteira assinada, é o que garante direitos e proteção.” — Gicelia.

Pensando no total de pessoas acolhidas pela Casa de Assis, mais de 70% deixam o serviço trabalhando e com autonomia para reconstruir suas trajetórias no Brasil. Para Gisele, cada contratação carrega um significado que vai além do emprego em si.

“Cada vez que um deles consegue o registro na carteira de trabalho, é como se eu também fizesse parte daquela conquista. Ver que voltou a ter dignidade e valorização no mercado de trabalho é muito gratificante.” — Gicelia.

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Melissa Galdino – Sefras