Na Assembleia da CNBB, cardeal Jaime Spengler destaca fé, comunhão e missão da Igreja
16/04/2026

A celebração da Eucaristia com Vésperas marcou o encerramento do primeiro dia de atividades da 62ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). A missa foi presidida pelo arcebispo de Porto Alegre (RS) e presidente da CNBB, cardeal Jaime Spengler, e contou com a concelebração de dom Armando Bucciol, dom João Justino de Medeiros Silva, dom Paulo Jackson Nóbrega de Sousa, dom Ricardo Hoepers, dom Orlando Brandes, dom Mário Antônio da Silva e do padre Carlos Eduardo Catalfo, CSsR.
A celebração, vivida em clima de oração e comunhão, coroou uma jornada marcada por reflexões, escuta e fraternidade entre os bispos. Durante a homilia, dom Jaime Spengler destacou que a experiência cristã nasce de uma relação de amor que exige resposta concreta: “há uma exigência para que esta relação de amor gere vida: crer e seguir Aquele que nos amou primeiro”, disse.

O cardeal ressaltou que crer não é apenas um ato intelectual, mas um movimento de entrega total a Deus. “Crer significa confiar-se, lançar-se sem reservas, entregar-se a quem nos amou primeiro”, afirmou, sublinhando que esse seguimento deve ser continuamente renovado, fruto de um encontro pessoal com Jesus Cristo que transforma a existência e abre novos horizontes.
Ao refletir sobre o contexto da Assembleia, dom Jaime evidenciou o significado do encontro do episcopado como expressão de comunhão e colegialidade. Segundo ele, trata-se de um momento privilegiado em que os pastores, unidos ao Sucessor de Pedro, se reúnem para discernir os caminhos da missão da Igreja diante dos desafios do tempo presente, marcados por rápidas transformações.
Igreja sustentada pela graça de Deus
O presidente da CNBB também destacou a importância da oração como centro da vida cristã e da ação evangelizadora da Igreja. Para ele, é necessário “recuperar sempre de novo — e de forma sempre nova — a oração como centro da experiência cristã”, compreendida como encontro pessoal com Cristo.
Ao abordar a missão da Igreja, dom Jaime reforçou que anunciar, ensinar e testemunhar o amor é a essência da ação apostólica. “É esse amor que liberta, que nos tira de toda prisão e nos envia em missão”, afirmou, recordando que a Igreja é chamada a estar a serviço da justiça, da paz e da vida, especialmente dos mais necessitados.
O cardeal também chamou atenção para os desafios contemporâneos, que exigem da Igreja revisão de estruturas, métodos e linguagens, a fim de tornar o anúncio do Evangelho mais eficaz em contextos complexos. Nesse sentido, lembrou que, embora não seja perfeita, a Igreja é sustentada pela graça de Deus, que se manifesta na fragilidade humana.
Ao concluir a homilia, Dom Jaime expressou o desejo de que a Assembleia seja um tempo fecundo de discernimento e renovação missionária. “Que esta assembleia seja uma oportunidade para discernir caminhos que respondam aos desafios atuais, fortalecer a comunhão, favorecer a participação e impulsionar ainda mais a missão”, disse.
A Celebração Eucarística foi encerrada com a consagração à Nossa Senhora Aparecida, confiando à sua intercessão os trabalhos da Assembleia, a vida da Igreja no Brasil e das comunidades espalhadas por todo o país.
*acesse a matéria original de Sara Gomes no site da CNBB
Bispos destacaram sinodalidade, desafios sociais e diretrizes evangelizadoras na primeira coletiva da 62ª Assembleia da CNBB
A primeira coletiva de imprensa da 62ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (AG CNBB) foi realizada ontem (15) no Centro de Eventos Padre Víctor Coelho de Almeida, no Santuário Nacional de Aparecida, em Aparecida, São Paulo. Participaram da atividade o presidente da CNBB, dom Jaime Spengler; o secretário-geral do Conselho Episcopal Latino-Americano, dom Lizardo Herrera; e o bispo emérito da diocese de Livramento de Nossa Senhora, na Bahia, e diretor espiritual do Colégio Pio Brasileiro, em Roma, dom Armando Bucciol.
Ao abrir a coletiva, dom Jaime Spengler agradeceu aos profissionais presentes e destacou o papel essencial da comunicação na missão da Igreja, ressaltando que “Deus é comunicação” e que, diante da disseminação de desinformação, o compromisso com a verdade torna-se ainda mais urgente. dom Jaime também sublinhou o significado do reencontro presencial dos bispos, após a suspensão da AG anterior em razão do falecimento do Papa Francisco.

Entre os principais pontos da pauta está a discussão e possível aprovação das novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE), que, tradicionalmente atualizadas a cada quatro anos, podem ter seu período ampliado.
Ao serem aprovadas, as DGAE passarão pelo processo de recepção e implementação nas comunidades, o que exige tempo, além de estar diretamente ligado à dinâmica do Sínodo sobre a Sinodalidade, que pede mudanças graduais e profundas na vida eclesial.
Memória do Papa Francisco e desafios da Igreja
Ainda durante a fala, dom Jaime recordou o legado do Papa Francisco, destacando o caráter de alegria presente em seus documentos e ensinamentos. Ele ressaltou que a vivência cristã deve ser marcada pelo júbilo e pela esperança, em contraste com posturas negativas ou desanimadas.
O presidente da CNBB ainda comentou a atual situação internacional, especialmente os conflitos no Oriente Médio, manifestando preocupação com a escalada da violência e defendendo a necessidade de reconciliação e superação de ciclos de ódio.

No âmbito nacional, dom Jaime destacou a importância do momento sociopolítico brasileiro, reforçando que a política deve ser compreendida como serviço ao bem comum. O prelado alertou para as desigualdades sociais no país e apontou a necessidade de uma conversão social que promova justiça e equidade.
Outro ponto enfatizado foi a forte participação das comunidades na construção das novas Diretrizes. De acordo com dom Jaime, houve ampla escuta, envolvendo tanto lideranças quanto fiéis que, mesmo sem vínculo direto com estruturas eclesiais, contribuíram com reflexões e propostas. Essa dinâmica, segundo o arcebispo, está em sintonia com o caminho sinodal vivido pela Igreja, especialmente na América Latina, cuja tradição de escuta e participação já se expressava desde documentos como, por exemplo, o de Aparecida.
Unidade, desafios sociais e missão do CELAM
O secretário-geral do Conselho Episcopal Latino-Americano e Caribenho (CELAM), dom Lizardo Herrera, destacou a importância da unidade entre os episcopados, especialmente diante de desafios comuns como migração, desigualdade social, corrupção, violência e polarização.
Na oportunidade, dom Lizardo ressaltou que o organismo continental acompanha de perto o processo sinodal e busca fortalecer a comunhão entre as conferências episcopais. Segundo o prelado, a missão da Igreja passa pela escuta, pelo discernimento e pela ação conjunta, sempre orientada pelo Evangelho.
Dom Lizardo também enfatizou a necessidade de formação das novas gerações, sobretudo no campo da Doutrina Social da Igreja, para promover uma cultura política voltada ao bem comum. Ele alertou para os riscos de interesses individuais na política e defendeu a formação de lideranças comprometidas com a justiça social e o cuidado com os mais pobres.

Espiritualidade, missão e coragem evangélica
Dom Armando Bucciol, por sua vez, apresentou a proposta espiritual que norteará o retiro dos bispos nos dois primeiros dias de assembléia. Com foco no seguimento de Jesus Cristo crucificado e ressuscitado, o bispo destacou temas como zelo pastoral, evangelização, parresia (coragem evangélica) e serviço, enfatizando que, na lógica cristã, autoridade significa serviço, inspirada no gesto de Jesus que lava os pés dos discípulos. Também ressaltou a importância de uma vivência autêntica da liturgia, profundamente enraizada no Evangelho.
Ao dirigir-se aos profissionais da imprensa, dom Armando destacou o papel fundamental da comunicação na formação da consciência crítica da sociedade, alertando para os riscos da manipulação da informação e incentivando os jornalistas a ajudarem o público a compreender melhor a realidade social.

A Assembleia Geral segue até o dia 24 de abril, reunindo todo o episcopado brasileiro em um espaço de discernimento, comunhão e definição de rumos para a ação evangelizadora no Brasil.
*acesse a matéria original de Sara Gomes no site da CNBB
Sara Gomes – Comunicação 62ª AG CNBB (texto); Adielson Agrelos e Jaison Alves (fotos)





