Fotos erguidas, corações reunidos: famílias são abençoadas no quarto dia do Oitavário da Penha
08/04/2026

Vila Velha (ES) – O quarto dia do Oitavário da Festa da Penha, celebrado nesta quarta-feira, 8 de abril, foi vivido no Convento da Penha em Vila Velha (ES) com o tema “Onde houver erro que eu leve a verdade” e começou com a oração da Coroa Franciscana, seguido do costumeiro momento devocional, marcado pela bênção das fotos das famílias levadas pelos fiéis ao Campinho e Celebração Eucarística, e teve ainda, ao longo da manhã, a passagem da Penha Peregrina pela Capelania Militar, no Quartel da Polícia Militar do Espírito Santo, onde a imagem da Padroeira foi acolhida pelos irmãos que cuidam da ordem social e da paz. À noite, a programação também previu o lançamento de um filme gravado durante as festividades do ano passado em frente à Igreja do Rosário, ampliando as expressões de fé deste dia.
No Campinho, o momento devocional abriu a tarde ensolarada e quente. Com a inspiração da oração atribuída a São Francisco de Assis, o tema do dia foi anunciado por Frei Felipe Carretta e aprofundado por frei Evaldo Ludwig, que convidou os fiéis a refletirem sobre a verdade como caminho de reconciliação com Deus e consigo mesmos. “Onde houver erro, que eu leve a verdade”, recordou o frade, situando a meditação no coração da experiência cristã. Para ele, a Festa da Penha quer ser, em cada dia do Oitavário, um anúncio concreto da verdade maior da fé, que é a Ressurreição de Jesus Cristo.

A reflexão de Frei Evaldo partiu do Evangelho do filho pródigo para mostrar que a verdade não se encontra na aparência, mas no retorno humilde ao Pai. “Todo humano erra, mas todo humano tem a capacidade de reconhecer o erro e encontrar a verdade”, afirmou. Em seguida, ele lembrou que o ser humano vive cercado por discursos contraditórios e muitas vezes confusos. “Onde dentro do nosso mundo a mentira se torna verdade e a verdade se torna mentira. Uma mentira repetida muitas vezes se torna uma verdade”, disse, alertando para a necessidade de discernimento diante de tantas vozes. Segundo ele, a proposta do dia é muito clara: “A verdade de Jesus Cristo nós encontramos no Evangelho”.
Frei Evaldo insistiu ainda que a fé cristã não é fuga da realidade, mas caminho de reencontro com a própria humanidade. Ao comentar a parábola, ele observou que o filho mais novo só volta para casa quando reconhece sua própria situação. “O filho pródigo só voltou para casa porque ele conseguiu encontrar nele aquilo que ele tinha errado”, explicou. Para o frade, esse movimento interior é decisivo, porque a verdade não nasce do orgulho, mas da humildade. “Quem consegue reconhecer que erra, que não é perfeito, que não sabe tudo e que consegue ter essa abertura simples de voltar para casa, nós conseguimos encontrar o abraço do Pai”, afirmou.

A reflexão também abordou a importância dos laços familiares e da convivência verdadeira. Frei Evaldo destacou que o filho mais velho, embora estivesse perto do pai, não vivia com ele em comunhão. “Eles moravam debaixo do mesmo teto. Não faziam mais nada juntos. Não tinham laços”, disse, chamando atenção para a diferença entre proximidade física e comunhão real. Ao mesmo tempo, reforçou que o Evangelho ensina a reconhecer o valor da família, da fraternidade e do encontro. “A grande verdade que Jesus Cristo nos ensina não está fora de nós, ela está dentro de nós, é no encontro”, afirmou.
Em outro trecho da fala, o frade sublinhou que a verdade precisa ser vivida com coragem e simplicidade no cotidiano. “A gente abraça, a gente beija, a gente prepara a melhor festa, a gente usa a melhor roupa, a gente usa o melhor anel, penteia o cabelo da melhor forma, passa o melhor perfume, porque a gente está bem”, disse, relacionando a alegria do retorno à casa do Pai com os gestos concretos de cuidado e afeto. Para Frei Evaldo, a vida cristã é sempre esse movimento de retorno, de restauração da verdade interior e de reconciliação com Deus.

Um dos momentos mais emocionantes do dia foi a bênção das fotos das famílias, objeto escolhido para este quarto dia do Oitavário. Os fiéis ergueram no alto fotos reveladas ou imagens digitais nos celulares, confiando à intercessão de Nossa Senhora da Penha os rostos de pais, mães, filhos, irmãos, avós e amigos. “Hoje, através das fotos de vocês, tinha o mundo inteiro aqui”, brincou Frei Gabriel ao final da bênção, em um sinal de que o Convento se tornou, mais uma vez, um espaço acolhedor da realidade concreta de cada família. A oração rezada no momento pedia a Deus que a alegria da Ressurreição fortalecesse e animasse todos os familiares e amigos recordados naquelas fotografias, com saúde, proteção, paz e alegria.
PRECISAMOS APRENDER A FABRICAR A PAZ
A programação da tarde seguiu com a Santa Missa, presidida por Padre Anderson Teixeira e concelebrada pelos padres da área pastoral de Benevente, da Arquidiocese de Vitória. Na homilia, Padre Arthur Francisco Juliatti dos Santos, da Paróquia Nossa Senhora da Conceição, de Guarapari, meditou sobre a presença viva de Jesus no caminho da Igreja e na experiência pascal dos discípulos de Emaús. “A presença de Jesus na Eucaristia deve fazer arder os nossos corações como fez arder os corações dos discípulos de Emaús”, afirmou, destacando que o Senhor continua a se revelar no partir do pão e na caminhada com o seu povo.
O presbítero também recordou que a Festa da Penha acontece no coração da Páscoa e, por isso, não pode ser separada da força transformadora da Ressurreição. “O Senhor ressuscitou verdadeiramente, aleluia”, anunciou, lembrando que o tempo pascal é tempo de encontro com o Cristo vivo. Em sua homilia, o padre insistiu que a fé deve conduzir os cristãos ao serviço e à compaixão. “A Páscoa começa a acontecer quando nós vamos até aqueles lugares onde impera a morte”, disse, relacionando a vivência litúrgica com a realidade concreta das dores humanas, da violência e da exclusão.

A homilia também trouxe um apelo social. Padre Arthur falou dos “crucificados do nosso tempo” e pediu que os fiéis não tenham medo de se aproximar dos sofrimentos dos outros. Inspirado pela Virgem da Penha aos pés da cruz e por São Francisco diante dos mais pobres, ele afirmou: “Não tenhamos medo de estar diante dos crucificados do nosso tempo”. Em seguida, completou que o cristão é chamado a “aprender a fabricar a paz”, denunciando a violência, as armas, a fome e a injustiça como realidades que precisam ser enfrentadas pela fé e pela responsabilidade social. “Precisamos aprender a fabricar é a paz”, disse, em uma das frases mais fortes da homilia.
Ao meditar sobre Maria, recordou a ternura da Mãe de Deus e sua presença junto aos que sofrem. “Virgem da Penha, mãe de Cristo, nossa mãe, ensinai-nos a ter no nosso coração semelhante ao coração deste Jesus que trazes nos vossos braços”, rezou, pedindo que a fé mariana se traduza em misericórdia, acolhida e compromisso com os pequenos. Ele também chamou atenção para a necessidade de uma vida marcada pela comunhão. “Ensinai-nos, mãe, a ser pessoas de comunhão, sempre prontas a trabalhar pela unidade entre as pessoas”, concluiu.

Na manhã deste mesmo dia, a Penha Peregrina esteve na Capelania Militar, no Quartel da Polícia Militar do Espírito Santo, com o tema “Com a Virgem da Penha, junto aos irmãos que cuidam da ordem social e da paz”. A celebração reuniu militares, frades e representantes da Arquidiocese de Vitória em uma missa presidida por Dom Andherson Franklin, que também dirigiu uma homilia voltada ao compromisso com a paz e a missão de servir. Em sua reflexão, ele ressaltou que a Palavra de Deus ilumina os caminhos mais difíceis da vida e que o cristão é chamado a caminhar com Jesus mesmo nas noites mais longas.
Dom Andherson partiu do Evangelho de Lucas para lembrar a experiência dos discípulos de Emaús e sua súplica ao Ressuscitado: “Fica conosco, Senhor”. Segundo ele, essa oração expressa o desejo profundo de permanecer na presença de Deus diante dos desafios cotidianos. “A noite parece longa demais. Os desafios altos demais. E aquilo que nos foi colocado como missão em nossas mãos, muito grande, das pessoas além de nossas forças”, afirmou, referindo-se também à realidade dos militares que diariamente enfrentam situações de risco e violência.

Na homilia, o bispo destacou que a presença de Jesus aquece o coração e devolve sentido à missão. “Jesus lhes aquece o coração”, afirmou, chamando os agentes da segurança pública a responderem com generosidade, escuta e serviço. Em outro trecho, sublinhou que os discípulos de Emaús, depois de reconhecerem o Senhor, “se levantam e voltam para Jerusalém, para anunciar que o destino está vivo”, fazendo da fé um impulso missionário.
Ao final da celebração na Capelania Militar, Frei Gabriel Dellandrea falou aos presentes e deixou uma mensagem de paz e compromisso social. Ao receber as flores oferecidas pelos militares à imagem de Nossa Senhora da Penha, ele recordou que esse gesto deve se transformar em ação concreta de amor ao próximo. “Queremos dizer que aqui juntos firmamos um movimento de paz”, afirmou, completando que a paz precisa ser construída como uma obra artesanal, feita de pequenos gestos de serviço, doação e solidariedade. Para o guardião do Convento, as flores entregues à Mãe da Penha não devem ficar apenas no simbolismo, mas se transformar em entrega à sociedade.

MARIA, ESSA FÉ QUE ME LEVA
A pré-estreia do documentário “Maria, essa fé que me leva” foi realizada no período da noite, em frente à Igreja do Rosário, em Vila Velha, integrando a programação do oitavário da Festa da Penha. A produção capixaba, dirigida por Rodrigo Cerqueira e Roberta Fernandes, apresentou ao público um olhar sensível sobre a mais antiga celebração mariana do Brasil, destacando a profundidade da devoção à Nossa Senhora da Penha e a força dessa manifestação religiosa que mobiliza milhares de fiéis todos os anos.
A obra acompanha a vivência de três mulheres – Gabriela, Florinda e Leda – que se preparam para participar da festa, evidenciando como fé, cultura e tradição se entrelaçam na vida do povo capixaba. O filme ressalta a transmissão dessa devoção entre gerações e reforça o valor da Festa da Penha como patrimônio cultural e espiritual. Após a exibição especial no Espírito Santo, o documentário segue para estreia nacional no dia 12 de abril, na programação da TV Aparecida, ampliando o alcance da devoção à padroeira para todo o país.
O quarto dia do Oitavário da Festa da Penha 2026 foi vivido como um grande itinerário cristão de oração e missão. E assim, a festa segue apontando para Cristo como a verdade que liberta e para Maria como a mãe que conduz seus filhos à paz.
Equipe de Comunicação da Festa da Penha: Frei Augusto Luiz Gabriel, Frei Roger Strapazzon e Marcos Souza (Grupo Celinauta)











































