Casa Perfeita Alegria Peri destaca direito à moradia na Via Sacra da Criança e do Adolescente
27/03/2026

A Casa Perfeita Alegria Peri, projeto do Sefras – Ação Social Franciscana, foi um dos destaques da Via Sacra da Criança e do Adolescente, realizada nesta sexta-feira (27), no centro histórico de São Paulo. Inspirada pela Campanha da Fraternidade 2026, que traz como tema “Fraternidade e Moradia” e o lema “Ele veio morar entre nós”, a iniciativa reuniu centenas de participantes em um ato de fé e mobilização social.
Promovida pela Arquidiocese de São Paulo e pela Pastoral do Menor, a ação percorreu pontos simbólicos da cidade, como a Catedral da Sé, o Pateo do Collegio, a Praça do Patriarca e o Largo São Francisco. Ao longo do trajeto, crianças e adolescentes encenaram as estações da Paixão de Cristo, relacionando a narrativa bíblica com a realidade de vulnerabilidade vivida por muitas famílias. A proposta da Via Sacra une espiritualidade e realidade social, conectando a Paixão de Cristo às situações de vulnerabilidade enfrentadas na atualidade.
“Ensinar o amor para as nossas crianças desde a primeira idade é uma das nossas atribuições e preocupações da Igreja. Celebrar o caminho da cruz com as crianças é celebrar o caminho do amor e nos convida a sermos cada vez mais amorosos”, destacou o frei Gustavo Medella, Vigário Provincial da Província Franciscana da Imaculada Conceição.

A participação do Sefras na Via Sacra acontece desde 2009, por meio da Casa Perfeita Alegria Peri, que atualmente atende cerca de 130 crianças e adolescentes na região. Desde 2014, o grupo também passou a integrar a construção do evento, assumindo a responsabilidade por uma das estações no Largo São Francisco.
Neste ano, os atendidos foram responsáveis pela encenação da Quarta Estação, trazendo uma forte reflexão sobre a perda da moradia em contextos de vulnerabilidade. A apresentação abordou situações como incêndios e enchentes, comuns em territórios periféricos, representando o impacto direto dessas tragédias na vida das famílias. Durante a encenação, estruturas que simulavam moradias foram desfeitas, evidenciando a fragilidade dessas habitações e a realidade enfrentada por muitas pessoas.
“Quando eu convido os educadores e as crianças para participarem da Via Sacra, eu trago essa dimensão política que o ato carrega. É um momento de luta por direitos, de mostrar o que não está funcionando, como a falta de moradia. Muitas crianças ainda não têm esse direito garantido”, afirmou Angela Assis, coordenadora da Casa Perfeita Alegria Peri.
A encenação utilizou elementos simbólicos como fogo e água para representar, respectivamente, incêndios causados por explosões ou falhas elétricas e enchentes que destroem casas em áreas de risco. Durante a apresentação, casas cenográficas foram destruídas, simbolizando a perda total enfrentada por famílias em situação de vulnerabilidade. A cena chamou a atenção de quem acompanhava o percurso, reunindo olhares atentos e momentos de silêncio diante da força da representação.
“A gente quis trazer um pouco do que acontece no território do Peri. São muitos incêndios em barracos e enchentes em áreas de risco. Quando essas famílias perdem suas casas, elas perdem tudo”, completou a coordenadora.
A Via Sacra reafirma seu papel como espaço de anúncio e denúncia: anúncio da esperança no Cristo Ressuscitado e denúncia da realidade de milhões de brasileiros que vivem sem acesso à moradia digna. Ao trazer essa reflexão para o centro da cidade, o ato convida a sociedade a olhar com mais atenção para esse direito fundamental.
“Participar da Via Sacra foi uma experiência muito marcante. A gente consegue colocar um pouco da nossa história ali e também pensar no futuro com mais esperança”, relatou Luiz, atendido da Casa Perfeita Alegria Peri, que neste ano representou pela segunda vez Jesus sendo crucificado.
Realizada há mais de quatro décadas, a Via Sacra da Criança e do Adolescente é considerada o primeiro grande ato da Semana Santa. Com base na metodologia do “ver, julgar, agir e propor”, a atividade mobiliza comunidades, organizações e lideranças em torno da vivência da fé aliada à promoção da dignidade humana.
Melissa Galdino – Sefras





