Missa de abertura dos 800 anos do trânsito de São Francisco na Paróquia Santo Antônio
04/03/2026

Em Sorocaba (SP), na homilia do 2º domingo da quaresma (01/03), celebrada pelo pároco Frei José e pelo diácono Eduardo dos Santos, o Frei iniciou nos convidando a fazer memória do contexto em que ocorre a Transfiguração. Jesus estava encerrando sua missão na Galileia e anunciou aos discípulos que o desfecho de seu ministério seria em Jerusalém, onde enfrentaria a cruz e a morte.
Essa revelação gerou uma profunda crise e frustração entre os apóstolos. Eles esperavam um Messias libertador que quebrasse o jugo do Império Romano, mas encontravam um mestre que falava em morrer e em carregar a própria cruz.
Para sustentar a fé dos seus, Jesus leva três discípulos ao alto de um monte, onde ocorre uma teofania – uma manifestação do Divino.
Em meio à luz e nuvens, o Pai dá testemunho sobre Jesus, chamando-o de “Filho Amado”. Deus não faz apenas uma sugestão, mas emite uma ordem direta: “Escutai-o” e escutar Jesus significa acolher sua proposta.
Frei José destacou que a Transfiguração é um “desvelamento” que aponta para a ressurreição. Ela mostra que, embora a morte esteja no meio do caminho como o ciclo máximo da entrega, ela não é o fim, é apenas o caminho.
Na ocasião, o Frei estabeleceu um paralelo direto entre a experiência de Jesus no monte e a vida de São Francisco, especialmente ao celebrarmos o oitavo centenário de sua páscoa.
Dois anos antes de sua morte – ou seu “trânsito”, Francisco também viveu uma teofania no Monte Alverne.
No alto do monte, Francisco foi marcado com os estigmas de Cristo e as marcas em suas mãos, pés e lado foram o selo de Deus dizendo: “Este é o meu discípulo amado”.
O convite ao discípulo de hoje
Encerrando a homilia, Frei José nos lembrou que somos chamados à mesma conformação com Cristo através do amor. As chagas são, fundamentalmente, marcas de amor que devem pautar nossas relações, onde, mesmo em meio ao sofrimento, nossa vida deve ser de entrega à vontade de Deus.
Como Francisco, que na iminência da morte compôs louvores à “Irmã Morte”, somos convidados a ver o fim da vida não como um encerramento, mas como o encontro mais desejado com o Amado.
Christian Amaro (Pastoral da Comunicação – Paróquia Santo Antônio)




