Frei Luis Naldo assume a “graça do testemunho” na Primeira Profissão Religiosa em Rodeio
19/01/2026

Imerso na espiritualidade franciscana e com o firme propósito de reafirmar com radicalidade sua vocação batismal, Frei Luís Naldo Rodrigues da Conceição concluiu o período do noviciado. Diante dos confrades e da comunidade reunida, ele reafirmou com convicção o desejo de manter-se nos trilhos da caminhada franciscana por meio da Primeira Profissão Religiosa na Ordem dos Frades Menores.
O “tempo da graça” e da imersão profunda às raízes do carisma franciscano chegou ao seu cume no dia 16 de janeiro. Ao professar pela primeira vez, o jovem frade propôs-se a assumir, com sinceridade e disponibilidade, a vivência dos conselhos evangélicos de pobreza, castidade e obediência. Consequentemente, assumiu a fidelidade à vida e à Regra dos Frades Menores, professada por aqueles que, seguindo os passos de Francisco, buscam o caminho da conformação a Cristo pobre e crucificado.
O momento de extrema importância para a Província da Imaculada e para toda a família franciscana, responsável por concluir o “ano da graça” do noviciado, foi realizado tradicionalmente na Igreja Matriz São Francisco de Assis, na cidade de Rodeio (SC), durante a celebração eucarística das 9 horas. O presidente da celebração, Frei Paulo Roberto Pereira, Ministro Provincial, teve como concelebrantes Frei João Francisco da Silva, Frei João Miguel Silva da Cruz e Frei Luiz Flávio Cappio, contando ainda com a presença de Frei Nicolas Aguilar, Ministro Provincial da Província San Francisco Solano (Argentina), e demais frades.
Após a Liturgia da Palavra, o noviço foi chamado para apresentar-se ao Ministro Provincial. Após as solicitações e preces silenciosas, os presentes entoaram, em tom de ação de graças pela vida deste irmão: “Dou graças, Senhor, por teu grande amor!”.
A liturgia celebrada e o tema da homilia aplicaram-se de forma simbólica ao momento da Primeira Profissão Religiosa, pois, no dia 16 de janeiro, a família franciscana recorda a Festa de São Berardo e seus companheiros protomártires, que foram enviados por São Francisco para o anúncio do Evangelho no Reino de Marrocos e, posteriormente, martirizados.
No início da homilia, Frei Paulo ressaltou que o dom da vocação “nasce sempre a partir do testemunho martirial de tantos irmãos que entregaram suas vidas em prol da edificação do Reino de Deus”. Afirmou ainda que o momento da primeira profissão religiosa não deve ser resumido à sintetização dos conselhos evangélicos, mas deve ser o selo que constrói a consciência e o compromisso profético do ser cristão e discípulo de Jesus.
Frei Paulo reforçou que, nas fontes franciscanas, uma das palavras mais mencionadas é “martírio”, o que causa certa estranheza, pois, no senso comum, o carisma franciscano possui outros sinônimos que, por vezes, apresentam apenas elementos secundários, enquanto a dimensão primária torna-se pouco conhecida. Portanto, Frei Paulo recordou a Frei Luis que a vida cristã, e sobretudo a do frade menor, não poderia ser “açucarada” ou acomodada no espaço da autorreferência, mas deveria assumir os riscos e a coragem do anúncio. Segundo Frei Paulo, “nosso batismo exige sacrifício e nosso testemunho chama-se martírio. Devemos ter o desejo de nos fazermos totalmente entregues, sem guardar nada para si.”
Depois da homilia, o professo aproximou-se do Ministro Provincial e foi questionado se estava disposto e preparado para consagrar-se a Deus e buscar a perfeição evangélica, segundo a Regra e as Constituições da Ordem Seráfica. Em seguida, ajoelhou-se e, depositando com confiança as próprias mãos no seio da fraternidade, representada pelo Ministro, recitou a fórmula da profissão, na qual prometeu viver os votos de castidade, obediência e “sem nada de próprio”, elementos fundamentais de todo religioso. Em seguida, o frade recebeu a Regra da Ordem dos Frades Menores, reafirmando sua identidade e pertença a esta grande família religiosa da Província da Imaculada Conceição do Brasil e prometendo fidelidade ao carisma professado.
Ao final da celebração, Frei Luis Naldo e seu confrade Frei Fermiñ José Delettieres – que irá professar no dia 25 de janeiro na Província San Francisco de Solano (Argentina) – colocaram-se diante da comunidade para serem acolhidos e para agradecer pelo ano vivenciado, bem como ao povo de Rodeio pela acolhida e carinho. Frei Luis preparou um breve discurso para agradecer à Província, aos confrades e a tantos outros que fizeram parte de sua trajetória vocacional. Parafraseando o Frade Guardião da fraternidade, Frei Josemberg Cardozo Aranha, afirmou que “almejava ser o mesmo frade que foi durante todo o tempo de noviciado”, mantendo a essência e a identidade de sua vocação.
A celebração foi encerrada com o hino “Virgem da Penha, minha alegria!”, recordando a devoção que Frei Luis Naldo, como fiel capixaba, cultiva em seu coração, como verdadeiro peregrino nos caminhos de Francisco.
Pedimos ao Senhor que cultive o desejo ardente e a vitalidade deste irmão na vida franciscana, e que o torne cada vez mais um real e concreto testemunho em nossa sociedade — talvez não pelo martírio da espada, mas pela doação e entrega de si mesmo!
Por Frei Cauã Bertolaccini Sampaio




























