Vida Cristã - Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil - OFM

Saúde Religiosa

20/09/2001

Frei Hipólito Martendal

Vamos hoje dar uma guinada no assunto saúde e religião. Abordaremos diretamente o que seria uma saúde religiosa.

Podemos imaginar o ser humano um composto de quatro elementos básicos, ou quatro realidades.

1 – Somos uma realidade biológica, portanto, física, material. Hoje todos falam em genes, genética e até na engenharia genética. Isso quer nos dizer que o organismo pode ser trabalhado, planejado e montado por cientistas, como se fossem engenheiros a trabalhar em uma máquina. Enquanto um organismo somos em grande parte resultado dos genes herdados de nossos antepassados.

2 – Somos também uma realidade psíquica. Como tal constituímos um mundo de pensamentos, emoções, esperanças e frustrações, realizações, confiança, crenças, descrenças, amor, desejos, necessidades, medos… Fala-se do mundo psico-social próprio de cada pessoa, querendo acentuar a diversidade, a riqueza e a grandeza desta realidade humana.

3 – Não é possível negar que em nós existe uma estrutura relacional-social. Relações de amor, amizade, família, clube, profissionais e muitas outras são necessárias.

4 – Por fim, o ser humano é também espírito, independente de ter ou não ter religião. Um ateu continua sendo espiritual. Aliás, como percebem, prefiro dizer que somos corpo, somos espírito, ao invés de dizer que temos isto ou aquilo.

Ora, cada uma destas quatro dimensões do ser humano pode gozar de mais saúde, ou ser mais doente. É fácil falar de doenças, ou saúde física, ou orgânica, como também se generalizou a ideia de doenças psíquicas. Aos poucos começamos a admitir patologias em nosso ser relacional-social. Existem pessoas socialmente doentes. São as que não conseguem desenvolver sentimentos e noções de solidariedade básica pelo outro, de respeito pela vida e pelos direitos fundamentais de qualquer pessoa humana e de compaixão pelo sofrimento do irmão. Esses indivíduos são chamados sociopatas e a lista de seus males encheria livros.

É mais raro falar em saúde ou enfermidade espiritual. Os antigos referiam-se muito a doenças da alma. Mas em geral isso confundia-se com o que hoje classificamos como problemas psicológicos.

Considero uma pessoa espiritualmente saudável quando ela tem consciência de que é também um ser espiritual e consegue relacionar-se bem com os outros seres espirituais, principalmente com outros seres humanos e com Deus.

Fé é sem dúvida elemento-chave da saúde espiritual. É importante notar que a fé tem conteúdo que pode variar de pessoa para pessoa. Depende do tipo de Ser Superior no qual cremos. Há pessoas que acreditam apenas na existência de Deus mas não imaginam uma relação salvadora de Deus conosco, nem na vida além da morte. Tal crença tem pouca conseqüência sobre a vida que o indivíduo leva. Não chega ao que Jesus chama de fé.

Fé é crença e também engajamento nos projetos do Pai revelados em Jesus. Isto passa a ser um objetivo grandioso e preenche toda a nossa existência de significado, de razão-de-ser e de esperança. Todos temos necessidade de objetivos e sentido para nossa vida e esperança.

Quando o Deus no qual cremos é o Deus revelado por Jesus, o Deus que ama até à morte cada criatura humana, mesmo que seja a mais pecadora, então nossa vida chega à plenitude de seu sentido e torna-se realmente segura.

Ora, podemos definir saúde como a sensação de bem-estar geral de todo o nosso ser. E nada no mundo pode dar-nos uma sensação tão completa e duradoura de bem-estar e segurança como o Pai de Jesus e nosso Pai do céu.

Nos dias de hoje dá-se exagerado valor ao cultivo do corpo. Muitas são as pessoas de corpos perfeitos e saudáveis, mas tão vazias de espírito e de relacionamentos tão precários, assustadoramente egoístas e narcisistas. Também é certo que um grande desenvolvimento espiritual e a santidade não protege o organismo de uma infecção, do câncer, AIDS e outras doenças, como já vimos. Ao que tudo indica, o mais importante para se ter ou não ter bem-estar está na mente e no coração: o que pensamos e sentimos, queremos e amamos. Isso precisa ser alcançado.

Mas o diabo é que nem tudo o que desejamos muito, amamos e realizamos nos causa bem-estar durável. Santo Agostinho dizia que “nosso coração está inquieto (leia-se “infeliz”) até repousar em Deus. Muitas coisas são nos apresentadas como capazes de trazer felicidade: riqueza, títulos, segurança, poder, muita liberdade, diversão, muito sexo, sucesso e projeção na mídia. No entanto, o número de deprimidos aumenta mais a cada dia e justamente nas classes mais favorecidas, de sucesso, mais liberais no “amor” e sexo. Uma sábio chegou a dizer que “ o amor é o filho da ilusão e o pai da desilusão”.

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