Vida Cristã - Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil - OFM

O que realmente Jesus quis: o Pai Nosso e o Pão Nosso

08/04/2019

Depois de elaborar algumas reflexões teológicas cabe-nos perguntar: Finalmente, qual foi a intenção originária de Jesus? Para além de anunciar o Reino, podemos responder: Foi o Pai nosso.

Dizemos que o Pai nosso e o Pão nosso constituem a ipsissima vox Jesu, quer dizer: a própria voz de Jesus. Por que ousamos afirmar isso?

Porque no Pai nosso não encontramos nada daquilo que para a Igreja posterior é importante: Jesus mesmo como Salvador, sua morte e ressurreição, a Igreja, o credo, os sacramentos e os dogmas. Não se fala nada disso. Para Jesus, isso não é o mais importante. O importante e essencial é: o nosso Deus-Abba e seu Reino, e o Pão nosso de cada dia, que atende às necessidades dos humanos.

Esse é o mínimo do mínimo da mensagem de Jesus. Se alguém perguntar: O que Jesus quis, finalmente? Devemos responder: Ele quis trazer o Reino de Deus, que sentíssemos Deus como um Paizinho querido (Abba) com características de Mãe: portanto, o Pai nosso. E que buscássemos o Pão nosso. Observemos, ele não diz “o meu Pai”, mas o “Pai nosso”. Não diz “o meu Pão”, mas o “nosso Pão”. Com essa formulação Jesus supera todo intimismo e individualismo, colocando no centro a comunidade. Esta é a ipsissima intensio Jesu; traduzindo: esta é a intenção originária de Jesus. Tudo o mais é comentário.

Assim o Pai nosso vem ao encontro das três fomes fundamentais e inarredáveis do ser humano:

  1. Um encontro com Alguém bom que me acolha como num seio, que lhe significa aconchego e alegria de viver. Esta fome por Alguém é o nosso Paizinho de bondade (Abba).
  2. A outra é a fome infinita que nunca se sacia, o sonho de um sentido pleno para a vida, para a história e para o universo. Ela vem sob o nome de Reino de Deus, o sonho sonhado e pregado por Jesus de uma revolução absoluta e de um fim bom para todas as coisas.
  3. Ainda há uma outra fome, uma fome que se sacia, mas sem a qual não podemos viver; é o Pão nosso. Sem essa base material perde-se o sentido de falar do Pai nosso e do Reino, pois um cadáver não tem religião nem invoca o Pai nosso nem espera pelo Reino.

Como se depreende, Jesus formula sua mensagem baseada nas buscas e nos anseios mais profundos do ser humano. Dá-lhes uma resposta por todos compreensível, extremamente humanitária.

Se olharmos bem, a oração articula os dois impulsos radicais do ser humano: o impulso para cima, para o universo e para Aquela Fonte Originária que tudo criou, para o Pai nosso. Ao mesmo tempo, articula o impulso para baixo, para a Terra e para o Pão, sem o qual ninguém vive.

A causa do Pai – o Reino – e a causa humana – o Pão – se convergem. Só se encontra na herança de Jesus quem mantém sempre unido o Pai nosso ao Pão nosso. Então, pode-se dizer Amém.


NOTAS:

  1. Os grifos/negritos são meus.
  2. O texto acima foi retirado do livro Reflexões de um velho teólogo e pensador, Leonardo Boff, Editora Vozes, 2018.
  3. O livro mencionado é um balanço/síntese da vida e teologia deste grande mestre quando completou os seus 80 anos.
  4. Esse texto que eu copiei do livro pode ser compreendido (e aprofundado) num contexto maior onde ele trata de inúmeros temas essenciais da fé cristã. Destaco, sobretudo, o 9º e último capítulo do livro: Espiritualidade, o profundo do ser humano.

Frei Régis G. R. Daher

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