Vida Cristã - Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil - OFM

A Eucaristia na Mística Franciscana

A Eucaristia na mística franciscana

“Pasme o homem todo, estremeça a terra inteira, rejubile o céu em altas vozes quando, sobre o altar, estiver nas mãos do sacerdote o Cristo, Filho de Deus vivo! Ó grandeza maravilhosa, ó admirável condescendência! Ó humildade sublime, ó humilde sublimidade! O Senhor do universo, Deus e Filho de Deus, se humilha a ponto de se esconder, para nosso bem, na modesta aparência de pão … Nada de vós retenhais para vós mesmos, para que totalmente vos receba quem totalmente se vos dá” (Carta de São Francisco à Ordem).

Eucaristia é banquete, festa comunitária. Sinal visível da presença de Jesus e sinal de pertença à comunidade. “Quando falo da Eucaristia como Corpo do Senhor, penso no Corpo do Senhor que o pão e o vinho consagrados representam. A saber, são o sinal presente da comunhão viva e total do Cristo com o humano, desde a Encarnação até hoje e sempre. Sacramento do Senhor que não exclui ninguém, mas que se entrega para comungar com todos, e assim com todos formar um só Corpo. Por isso, podemos dizer que a Eucaristia, por ser sacramento da comunhão existente entre Cristo e nós, ela é o próprio Corpo de Cristo do qual nós somos membros”, afirma Frei José Ariovaldo.

A grande devoção do Santo de Assis pela Eucaristia perpassa a vida e missão de seus seguidores, como Santa Clara, Santo Antônio e Pascoal Bailão, como destacamos neste Especial.  A Legenda de Santa Clara conta vários milagres realizados por ela, mas entre os milagres que realizou, o mais famoso é o milagre ocorrido em 1240. Numa sexta-feira, Santa Clara afugentou alguns soldados sarracenos que invadiram o claustro do convento de São Damião mostrando-lhes a Hóstia Santa.

“Se olho para o Ostensório parece-me ver as maravilhas de Deus operadas em Santo Antônio; se olho para o andor do Santo, parece-me ver as maravilhas de Deus operadas no mistério Eucarístico”, recorda Frei Clarêncio Neotti as palavras de Padre Antônio Vieira sobre o santo paduano. O milagre eucarístico de Santo Antônio revela toda devoção do santo com Jesus Eucarístico.

Já o franciscano Pascoal Bailão se destaca por seus escritos e seu profundo amor à Eucaristia. Ele é conhecido como o “Teólogo da Eucaristia” e foi promulgado patrono das devoções eucarísticas dos congressos eucarísticos internacionais. O Papa Leão XIII afirmou: “Dotado de natureza por um delicado cuidado às coisas celestiais, depois de haver passado santamente a juventude cuidando do rebanho, abraçou uma vida mais severa na Ordem dos Frades Menores e mereceu, por suas meditações sobre o convite eucarístico, adquirir a ciência relativa a ela, até o momento em que aquele homem, desprovido de noções e aptidões literárias, foi capaz de responder às perguntas sobre as mais difíceis questões da fé e até escrever livros piedosos. Pública e abertamente professou a verdade da Eucaristia entre os hereges, e por eles teve que passar por graves provas”.

Acompanhe neste Especial alguns aspectos da Eucaristia dentro da mística e da espiritualidade franciscana.

A piedade eucarística de São Francisco

O ensinamento mais límpido e mais persuasivo a respeito da eucaristia encontra-se na piedade de São Francisco. Colocava em prática todos os dias aquilo que proporia como palavra e escrito. Podemos dizer que seu ensinamento não era fruto de elaborações teóricas, mas provinha de profunda convicção Interior e da experiência cotidiana. Encontramos, com efeito, plena correspondência entre palavras e aspectos doutrinais acima mencionados e as atitudes concretas testemunhadas pelos discípulos. Nisto se fundamenta uma peculiaridade do espírito de São Francisco transmitida a seus filhos, como aparecerá na tradição franciscana: fazer com que a palavra seja acompanhada do testemunho de vida, ensinar também com o exemplo.

Tomás de Celano apresenta um sugestivo retrato da piedade do santo em todos os aspectos: “Ardia com fervor que vinha do mais profundo de seu ser para com o sacramento do corpo do Senhor, pois ficava literalmente estupefato diante de tão amável condescendência e de tão digna caridade. Achava que era um desprezo multo grande não assistir pelo menos a uma missa cada dia, se pudesse. Comungava multas vezes, e com tamanha devoção que tomava devotos também os outros. Como tinha toda reverência para com tudo aquilo que se deve reverenciar, oferecia o sacrifício de todos os seus membros e, recebendo o cordeiro imolado, imolava o seu espírito com aquele fogo que sempre ardia no altar de seu coração. Amava a França por ser devota do corpo do Senhor e nela desejava morrer por amor dos sagrados mistérios. Certa ocasião quis mandar os frades pelo mundo com preciosas âmbulas para guardarem o preço de nossa redenção no melhor lugar, onde quer que o encontrassem guardado de maneira menos digna. Queria que tivessem a maior reverência para com as mãos sacerdotais pela autoridade divina que lhes tinha sido conferida para a confecção do santo sacramento. Dizia frequentemente: ‘Se me acontecesse de encontrar ao mesmo tempo um santo descido do céu e um sacerdote pobrezinho, saudaria primeiro o presbítero e me apressaria a beijar suas mãos.’ Até diria: Espera, São Lourenço, porque as mãos deste homem seguram a Palavra da vida e têm um poder mais que humano” (2Cel20 1).

Destacam-se os seguintes elementos ou aspectos: estupefação diante do mistério eucarístico, como expressão da benevolência divina; participação cotidiana na missa; comunhão frequente; oferta de si mesmo e união com o sacrifício de Cristo, a ponto de se tomar um altar vivo; amor e simpatia pela França (segundo os estudiosos, na região da Valônia que correspondia à província franciscana da Bélgica desenvolvia-se intenso movimento eucarístico que levaria à instituição da festa de Corpus Christi); envio dos frades com o intuito de fornecer às Igrejas cálices preciosos para guardar dignamente o sacramento; respeito pelos sacerdotes em razão de seu ministério eucarístico. A eucaristia, durante sua celebração, em sua realidade salvífica como nas pessoas, nos objetos e nos lugares que a circundam, é objeto de uma visão de fé viva, de amor intenso e de sincera devoção. Nada falta neste quadro traçado com tanta delicadeza.

Todos os outros testemunhos que dispomos fazem, com este, como que um coro unânime e concorrem para confirmar e sublinhar os traços descritos. Eco fiel das palavras de Tomás de Celano é o texto de São Boaventura: “O sacramento do corpo do Senhor, o inflamava de amor até ao fundo do coração: admirava, espantado, misericórdia tão amável e amor tão misericordioso. Comungava muitas vezes e com tanta devoção, que comunicava aos outros e sua devoção quando todo inebriado do Espírito e inteiramente absorto em saborear o Cordeiro imaculado era arrebatado em frequentes êxtases” (LM 9,2).

A respeito de suas exortações à escuta “fervorosa” da missa, da adoração “devota” do corpo do Senhor, da honra “particular” aos sacerdotes falam os Três companheiros (14) e o Anônimo perusino (98). Seu cuidado para com o modo de guardar a eucaristia e o respeito para com os sacerdotes são evocados pela Legenda perusina (80). A Legenda perusina (17) e o Espelho da perfeição (87) falam de seu desejo e empenho em participar da eucaristia. De seu amor para com a limpeza das Igrejas, dos altares, bem como “de todas as alfaias que servem para a celebração dos divinos mistérios” falam a Legenda perusina (18), etc.

Outro aspecto que merece reter nossa atenção é o de seu especial amor pela escuta da palavra evangélica durante ou após a missa. Trata-se da valorização da palavra de Deus e de sua ressonância na vida. Nas anotações feitas por Frei Leão no Breviário de São Francisco se pode ler: “Fez escrever também este Evangeliário e quando, devido à doença ou outro impedimento manifesto não podia ouvir missa, pedia que lhe lessem a passagem evangélica prescrita para a missa daquele dia. E assim o fez até sua morte. Argumentava desta maneira: ‘Quando não posso ouvir missa, adoro o corpo do Senhor na oração e com o olhar da mente, do mesmo modo que o adoro quando o contemplo durante a celebração eucarística.’ Depois de ouvir ou ler o trecho evangélico, o bem-aventurado Francisco devido a sua profunda reverência para com o Senhor, sempre beijava o livro dos Evangelhos” (Breviário de São Francisco).

Idêntico testemunho se encontra na Legenda perusina (50): “Quando não podia assistir à missa. Francisco queria que lhe lessem o Evangelho do dia. antes da refeição” [cf, também EP 117). Este fato demonstra não somente a coerência com o que ensinava com relação à veneração para com a palavra e o corpo do Senhor – diríamos hoje, a relação entre palavra e rito, entre liturgia da Palavra e liturgia eucarística, entre a mesa da Palavra e a mesa do Corpo de Cristo – mas revela também o lugar que a missa ocupa em sua jornada de todos os dias: enquanto ouve a Palavra do Evangelho, adora interiormente o corpo de Cristo, insere-se espiritualmente no ritmo da celebração eucarística de todos os dias, vencendo todo impedimento material e transcendendo o rito da celebração.

No episódio de sua conversão vemos que a palavra do Evangelho ouvida na missa provocava na consciência de Francisco imediata resposta: “Um dia enquanto assistia ele à missa dos Apóstolos devotamente ouviu o trecho do Evangelho onde Cristo envia os discípulos a pregar, ensinando-lhes a maneira evangélica de viver: não levar ouro nem prata, nem dinheiro no cinto, nem sacola para o caminho. nem duas túnicas … reteve estas palavras firmemente na memória e, cheio de Indizível alegria, exclamou: “É isso o que desejo ardentemente; é a isso que aspiro com todas as veras da alma” (LM 3, 1).

A Legenda dos três companheiros diz que “ele compreendeu isto melhor depois da explicação do sacerdote” (25).  O episódio, que lembra fato análogo ocorrido com Santo Antão abade, é altamente significativo porque nos permite conhecer o “lugar do nascimento” da vocação de Francisco, isto é, a celebração eucarística, e ilumina os seus sentimentos interiores de intensa participação no mistério da Palavra e do Corpo de Cristo.

Não podemos ignorar o que escreve em seu Testamento a respeito da visita às Igrejas e a oração que costumava fazer: “E o Senhor me deu tanta fé nas Igrejas que com simplicidade orava e dizia: ‘Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, aqui e em todas as vossas Igrejas que estão no mundo inteiro, e vos bendizemos porque por vossa santa cruz remistes o mundo” (Test 4-5).

Embora esta oração não tenha referência explícita à eucaristia, seu conteúdo e sobretudo a referência ao local (na Igreja: aqui se encontra em vários códices), além de sua interpretação e de seu uso na Ordem, não deixam dúvida alguma quanto a seu cunho eucarístico. Toda igreja que se visita ou se vê de longe é um convite a uma oração revestida de adoração e de bênção, a Cristo, cujo corpo está presente no sacramento conservado nos templos. A fé do santo vai para além de cada Igreja e se dilata com liberdade atingindo a Cristo nos sinais exteriores de sua presença, unindo, na oração, adoração e louvor, a eucaristia e a cruz. A base litúrgica da oração – uma antífona do oficio da festa da Santa Cruz – não tira a característica original impressa pela piedade de Francisco. Que esta oração lhe fosse particularmente cara e que desejava que fosse recitada pelos frades, aparece claramente em 1Cel 45, LM 4,3 e LTC 37.

A última citação (LTC 37), falando da fidelidade dos frades às exortações do santo, observa que “quando encontravam alguma igreja ou cruz, ajoelhavam-se para rezar e devotamente diziam: ‘Nós vos adoramos … “‘.

Esta oração não está, pois, ligada à visita a uma Igreja, nem tampouco tem relação com a forma devocional da visita ao Santíssimo que estava nascendo. Esta restrição não deve surpreender: antes de tudo isso demonstra que São Francisco não corre atrás das novas formas de piedade, mas permanece apoiado na fé que adora, na atitude de oração, em sua sobriedade e substância, mais do que em suas modalidades exteriores. Mais uma vez emerge seu equilíbrio e sua interioridade, o desejo de encontrar-se com seu Senhor onde se encontram sinais que apontam para a cruz e para a eucaristia.

Dicionário Franciscano – Editora Vozes

A vitalidade da Eucaristia em São Francisco

Frei Atílio Abati

Francisco de Assis alimentava uma profunda fé nas palavras do Cristo: “Eu sou o pão vivo descido do céu.” Quem comer deste pão tem a vida eterna” (Jo 6,51a). “… E eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6,54b). Na Eucaristia buscava ele a força, a vitalidade e o vigor para a dimensão espiritual, fraterna e vivencial de sua fé.

O filho se rejubila e se orgulha em poder alimentar-se do pão, fruto do suor e do trabalho paterno. Assim, Francisco sentia, um sabor todo especial por este alimento, a Eucaristia, deixado a nós pelo Cristo.

Eucaristia e conversão

Este amor à Eucaristia é parte integrante de seu processo de conversão, como ele mesmo o afirma: “Então o Senhor me deu uma tão grande fé … ” (Test. 4). Este “então” significa depois de servir os leprosos, depois de abandonar o mundo, depois de fazer a ruptura com o pai. “Então”, vai estabelecer-se na igrejinha de São Damião, onde trabalhou por dois anos. Aqui conviveu com o capelão que, diariamente celebrava a missa. Continua ele: “Então o Senhor me deu uma tão grande fé nas suas igrejas, que nelas, com simplicidade o adorava. dizendo: “Nós vos adoramos, Santíssimo Senhor Jesus Cristo, aqui e em todas as vossas igrejas que estão no mundo inteiro e vos bendizemos. porque pela vossa santa cruz remistes o mundo” (Test 5).

Francisco e os ministros do Altar

E descobre também que nesta igreja estão os ministros do altar que nos trazem o Corpo e o Sangue do Senhor. Eles são investidos do poder de trazer o Cristo e torná-lo presente na comunidade e partilhá-lo com os homens. Daí sua profunda reverência, respeito e veneração  pelos sacerdotes, mesmo que fossem pecadores.

Francisco tem convicção que o sacramento eucarístico é vital em nossa peregrinação, porque nos alimenta, nos fortalece, nos revigora, nos preserva e nos garante a vida da fé.

E no seu Testamento, não se cansa de enaltecer a figura do sacerdote: “Depois disto, deu-me o Senhor e me dá tal fé nos sacerdotes que vivem segundo as normas da santa Igreja romana (Test 6) que quero temê-los, amá-los e honrá-los como os meus senhores. E não quero considerar neles pecado, porque neles vejo o Filho de Deus e são meus senhores” (Test 8-9).

A fé no Corpo do Senhor

Esta presença real do Cristo direciona o peregrinar do homem e dá o sentido à existência. Este é o conteúdo da fé de Francisco, que o leva a confessar: “Não vejo coisa alguma corporalmente, neste mundo, do Altíssimo Filho de Deus, senão seu Santíssimo Corpo e Sangue” (2CFi 22).

Descortina-se, aqui, o anseio de Francisco de ver o Senhor. Mas como vê-lo, se é invisível! “A Deus nunca ninguém viu” (Jo 1,18). Por isso, seu tom doloroso: “Neste mundo não vejo coisa alguma, corporalmente, do Altíssimo Filho de Deus”. Mas continua: “A não ser o seu Santíssimo Corpo e Sangue” (Test. 10).

Naturalmente, pelos olhos corporais, jamais seremos capazes de ver, mais do que o pão e o vinho. Todavia, pelos olhos da fé, iluminados pelo Espírito, reconhecemos no pão e no vinho o Corpo e o Sangue do Senhor. Conclui ele: “Por detrás da modesta aparência do pão, esconde-se o Senhor” (COrd 27), ou seja, para além do sinal existe uma realidade, uma presença.

Eucaristia e vida

Portanto, o Cristo, o pão partido e repartido entra em nossa vida. Mais: transforma nossa maneira de ser e de agir, levando-nos à unidade e garantindo a comunhão. Comungar o Cristo, pois, supõe vivenciarmos uma atitude pessoal de comprometimento, com repercussão externa e social, levando-nos a pensar no outro. Sem o outro, não há felicidade, não há vida, não há comunhão.

A eucaristia obriga a nos enraizarmos na fonte da vida, Deus, para formarmos um só corpo e sermos comunidade. A união ou comunhão com o Cristo, deve passar pela união ou comunhão com os irmãos e irmãs. A Eucaristia, a exemplo de Francisco, concita-nos a viver a fraternidade, a solidariedade, a partilha e um relacionamento amoroso com nossos semelhantes.

Francisco faz um paralelo entre o Cristo que veio à terra e o Cristo da Eucaristia. Existe aqui um duplo encontro: o Cristo que se apresentou sob a fragilidade humana pela ação do Espírito Santo e o Cristo glorificado que vem a nós sob o sinal do pão e do vinho para encontrar-se com cada um de nós. Hoje, pois, este Cristo é acolhido pela Igreja no pão e no vinho, pela ação do Espírito Santo, toma-se o Corpo e o Sangue do Senhor.

O pão e o vinho

É mister salientar que Francisco reconhece, sob as aparências do pão e do vinho, o memorial da humildade e da pobreza da Encarnação. Daí sua oração: “Ó humildade sublime, ó sublimidade humilde, que o Senhor de todo universo, se humilha, a ponto de se esconder, para a nossa salvação, sob as aparências do pão e do vinho” (COrd 27).

O sacramento do memorial do Senhor nos é oferecido como alimento, refeição, sempre sob os sinais do pão e do vinho. Francisco enternecido com este dom do céu, exclama: “O Senhor se entrega em nossas mãos, permitindo que o toquemos e o recebamos em nossa boca” (CCler 8).

Eucaristia, para Francisco, é elo de reconciliação, pacificação e vida nova com o Cristo. Ele atrai a si todas as coisas. “Reconcilia todos os seres, tanto na terra quanto nos céus e estabelece a paz pelo sangue de sua cruz” (Caol 1, 20).

Eucaristia e realidade

O conceito deste santo, relativo ao Corpo do Senhor, faz-nos refletir que Eucaristia e realidade se interligam, se completam e formam um todo. Assim, acolher o Cristo é acolher o irmão. Tomar o Cristo, sem provocar mudanças, sem conduzir à conversão e sem levar à comunhão, é trair nossa essência, que é amar. Comungar, sem romper com nosso egoísmo e sem sermos ponte entre o eu e o tu, é separar o que Deus uniu.

A gratidão ao Pai

A Legenda Maior, comentando sobre a vida de Francisco de Assis, assegura: “Atravessando o deserto deste mundo, como peregrino e estrangeiro, Francisco nunca deixou de celebrar em pobreza, mas de todo o coração, a Páscoa do Senhor” (LegM 7,9).

Francisco esconde-se atrás desta grandeza do Corpo e Sangue do Senhor, para elevar sua gratidão ao Pai: “E porque todos nós, míseros, não somos dignos de te nomear. .. , por nosso Senhor Jesus Cristo, teu amado Filho, te rendemos graças com o Espírito Santo … ” (RegNB 23, 9-10).

Vamos encerrar esta nossa reflexão, lembrando que Francisco, deixou-se envolver e possuir por este Mistério de amor. Ele, em vida, fez da Eucaristia a força, a mola propulsora deste seu peregrinar. A Eucaristia confirmou seu encontro e esta sua total integração com o Cristo, a ponto de identificar-se com Ele, externamente, pela impressão dos estigmas em seu corpo.

Francisco, um encanto de vida – Editora Vozes

São Francisco e a Eucaristia

Francicarla da Silva Barros Lima, ofs

A compreensão de que através da Eucaristia nos sentimos na presença de Cristo nos conduz a percebermos quão grande é o Seu amor por nós. Em nossa pequenez não conseguimos sentir plenamente a presença viva de Jesus em nosso ser através da Eucaristia, mas com os olhos da fé sentimos que Cristo nos permite a graça de estarmos n’Ele e com Ele através da comunhão.

Falar de São Francisco e a Eucaristia nos leva a querer adentrar um pouco mais no grande significado que a Eucaristia deve ter na vida de cada cristão. São Francisco foi considerado o homem eucarístico não porque tinha “devoção” pela Eucaristia mas sim, porque em sua santidade, compreendeu o real sentido da Eucaristia como doação total de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Para abordarmos o tema São Francisco e a Eucaristia, pensamos primeiramente em destacarmos pontos referentes à Eucaristia, tendo por base o Evangelho e o Catecismo da Igreja Católica.

Compreendemos a intimidade perfeita que acontece entre nós quando recebemos Cristo na Eucaristia, quando ouvimos do próprio Jesus que nos diz: “Eu garanto a vocês: se vocês não comem a carne do Filho do homem e não bebem o seu sangue, não terão a vida em vocês. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem vida eterna e eu o ressuscitarei no último dia.” (Jo 6, 53-54)

Jesus Cristo se deu por inteiro a nós. Ao instituir a Eucaristia, Ele nos dá a certeza de que permanece sempre conosco. Assim nos afirma o Catecismo da Igreja Católica “para deixar-lhes uma garantia deste amor, para nunca afastar-se dos seus e fazê-los participantes de sua Páscoa, instituiu a Eucaristia como memória de sua morte e de sua ressurreição, e ordenou a seus apóstolos que a celebrassem até a sua volta, “constituindo-os sacerdotes do Novo Testamento”. (CIC, 1337).

Quando acreditamos verdadeiramente que Cristo está no pequeno pedaço de pão, nos permitimos ser sacrários vivos, assim como Maria. Ao recebermos Cristo na comunhão, devemos confiar que nos unimos a Ele de corpo e alma.

Além disso, devemos compreender ainda que a Eucaristia nos purifica e nos renova, entendendo que “a comunhão separa-nos do pecado. O Corpo de Cristo que recebemos na comunhão é “ entregue por nós”, e o Sangue que bebemos é ‘derramado por muitos para remissão dos pecados’. Por isso a Eucaristia não pode unir-nos a Cristo sem purificar-nos ao mesmo tempo dos pecados cometidos e preservar-nos dos pecados futuros”. (CIC, 1393).

Compreender a Eucaristia é compreender o Mistério, pois “encontram-se no cerne da celebração da Eucaristia o pão e o vinho, os quais, pela palavra de Cristo e pela invocação do Espírito Santo, se tornam o Corpo e o Sangue de Cristo”. (CIC, 1333).

Como cristãos, não podemos simplificar o significado da Eucaristia no sentido de que a recebemos na missa e ai se encerra. Não. Entender que “a Eucaristia é ‘fonte e ápice de toda vida cristã’ (CIC, 1324) nos permite afirmar que a Eucaristia nos fortifica em nossa missão evangelizadora, nos transforma interiormente e nos dá a graça de permanecermos unidos a Jesus não só na missa mas, em toda a vida.

Numa perspectiva franciscana, reflitamos sobre atitude de São Francisco diante do Mistério Eucarístico. Nosso pai seráfico compreendeu radicalmente o amor do Cristo Eucarístico. Ele mesmo nos indica a atitude que devemos ter diante de tão grande Mistério, quando afirma na Carta a toda Ordem (21-22): “Ouvi, irmãos meus: se a bem-aventurada Virgem é tão honrada – como convém -, porque trouxe em seu santíssimo útero; se o bem-aventurado Batista estremeceu e não ousou tocar a santa cabeça de Deus; se se venera o sepulcro em que ele jazeu por algum tempo, quão santo, justo e digno não deve ser quem traz nas mãos (I Jo 1,1), recebe na boca e no coração e oferece aos outros para receberem aquele que já não mais morrerá, mas há de viver eternamente glorificado, a quem os anjos desejam contemplar (1 Pd1,12)!

É verdade que São Francisco dirigiu estas palavras aos sacerdotes, mas por que não as dirigir a nós enquanto irmãos e irmãs franciscanos(as)? Ainda na Carta a toda Ordem, São Francisco nos aponta a nossa pequenez diante do Mistério Eucarístico, quando diz: “Pasme o homem todo, estremeça o mundo inteiro, e exulte o céu, quando sobre o altar, nas mãos do sacerdote, está o Cristo, o Filho de Deus vivo (Jo 11,27)! Ó admirável grandeza e estupenda dignidade! Ó sublime humildade! Ó humilde sublimidade: o Senhor do universo, Deus e Filho de Deus, tanto se humilha a ponto de esconder-se , pela nossa salvação, sob a módica forma de pão! Vede, irmãos, a humildade de Deus e derramai diante dele os vossos corações. (Sl 61,9); humilhai-vos também vós, para serdes exaltados (cf. 1 Pd 5,6; Tg 4,10) por ele. Portanto, nada de vós retenhais para vós, a fim de que totalmente vos receba aquele que totalmente se vos oferece”. (CTO 26-29)

São Francisco compreendeu que se Jesus Cristo, que é Deus humilhou-se e doou-se todo inteiro a nós, porque então nós, não devemos fazer do mesmo modo para com o nosso próximo. Doar-se inteiramente ao serviço no Reino de Deus, almejando levar Cristo a todos aqueles que anseiam por palavras e atitudes verdadeiramente cristãs no mundo.

Fonte: ecosdemistica.wordpress.com

Francisco de Assis: modelo de amor eucarístico

*L’Osservatore Romano

Francisco de Assis – narra o seu primeiro biógrafo, Tomás de Celano – «ardia de amor com todas as fibras do seu ser pelo sacramento do Corpo do Senhor». E «considerava grave sinal de desprezo não participar em pelo menos uma missa por dia, se o tempo o permitia. Comungava com muita frequência e com tanta devoção que tornava devotos também os outros». Depois, um dia quis enviar os frades pelo mundo «com píxides preciosas, para que alcançassem do modo mais digno possível o preço da redenção, onde quer que o vissem conservado com pouco decoro». E queria também que se demonstrasse grande respeito pelas mãos do sacerdote, porque lhes foi conferido o poder divino de consagrar este sacramento. «Se me acontecesse – dizia com frequência – encontrar juntos um santo que vem do céu e um sacerdote pobrezinho, saudaria primeiro o sacerdote e correria a beijar-lhe as mãos». De facto, diria: «Ei! Espera, São Lourenço, porque as mãos deste tocam o Verbo da vida e possuem um poder sobre-humano!».

Está resumido nesta página todo o sentido da vida eucarística de São Francisco. Nada falta: a missa, a comunhão, a adoração, o decoro do altar e das igrejas, a veneração pelos sacerdotes. Em tudo isto Francisco é mestre e modelo quer para os sacerdotes quer para os simples fiéis.

E entre os seus filhos espirituais não faltarão figuras admiráveis de serafins da eucaristia, como António de Pádua e Boaventura que escreveram páginas de doutrina sublime; como Pascoal Baylon, que se tornou protetor dos congressos eucarísticos; como José de Cupertino que se elevava com a face estática em direção aos ostensórios e aos tabernáculos; como Pio de Pietrelcina que durante várias horas por dia e de noite se detinha em oração junto do altar eucarístico.

A missa era para Francisco um mistério tão sublime que na carta ao capítulo geral e a todos os frades escreveu estas exclamações ardentes: «Trepide a humanidade, o universo inteiro trema, o céu exulte, quando no altar, nas mãos do sacerdote, estiver Cristo filho de Deus vivo». O que perturba o santo de Assis é o amor de Jesus levado até à humildade inconcebível: «Ó admirável altura, ó dignidade maravilhosa! Ó humildade sublime! Ó sublimidade humilde, que o Senhor do universo, Deus e Filho de Deus, se humilhe a ponto de se esconder, pela nossa salvação, no pequeno pedaço de pão!».

Por isso ele considerava grande falta de amor a ausência da missa quotidiana. Portanto, não só participava pelo menos numa missa, mas quando estava enfermo, na medida do possível, pedia para que celebrassem a missa na sua cela, ou pelo menos pedia que lhe lessem a página do Evangelho do dia.

Francisco ensina como receber a sagrada comunhão: «Comungava muitas vezes – diz Tomás de Celano – e com tanta devoção que tornava devotos também os outros». É suficiente pensar que logo depois da comunhão «muitas vezes entrava em êxtase». E Tomás de Celano revela-nos o ânimo de Francisco escrevendo que «quando recebia o Cordeiro imolado, imolava o espírito naquele fogo, que ardia sempre no altar do seu coração».

Francisco preparava-se para a sagrada comunhão com um cuidado muito atento: não só a sua vida santa, rica de heroísmos quotidianos, mas também a confissão sacramental devia preparar todas as vezes a sua alma para receber Jesus eucarístico com o máximo candor de graça. Naquela época não podia comungar mais do que três vezes por semana: pois bem, Francisco confessava-se três vezes por semana. Quando se ama, quer-se agradar à pessoa amada, doando-lhe tudo o que a possa rejubilar. A alma purificada pelo sacramento da confissão torna-se uma habitação cheia de candor e de perfume para Jesus, hóstia imaculada. Francisco não só o sabia e o fazia, mas recomendava-o a todos com fervor seráfico. Dirigindo-se aos fiéis Francisco escrevia que Jesus «quer que todos sejam salvos por Ele, e que Ele seja recebido com coração puro e corpo casto. Mas são poucos os que o querem receber…». E dirigindo-se aos governantes do povo: «Aconselho-vos, senhores, a pôr de lado qualquer cura e preocupação e a receber devotamente a comunhão do Santíssimo Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo».

Além disso, quando se ama vê-se com olhos de amor não só a pessoa amada, mas também tudo o que lhe diz respeito. Neste sentido, São Francisco cultivou a tensão altíssima de amor quer à adoração da eucaristia, quer à veneração por tudo o que se refere à eucaristia, isto é, às igrejas e aos sacerdotes.

A paixão de amor pela adoração eucarística era tão fervorosa em Francisco, que não foram poucas as noites inteiras por ele transcorridas aos pés do tabernáculo. E se por vezes o sono se apoderava dele, adormecia por alguns minutos nos degraus do altar, e depois recomeçava incansável e fervoroso.

Para Francisco, a fé na Eucaristia é um todo com a fé na Santíssima Trindade e no Verbo encarnado. E queria que fosse assim para todos. Por isso, escrevia com vigor e ardor: «O Filho, enquanto Deus como o Pai, em nada difere do Pai e do Espírito Santo. E então quantos se detiveram unicamente na humanidade do Senhor Jesus Cristo e não viram nem acreditaram no Espírito de Deus, que Ele é verdadeiro Filho de Deus, foram condenados; de modo semelhante agora todos os que vêem o sacramento do corpo de Cristo, o qual é sacrificado no altar mediante as palavras do Senhor, mas para o ministério do Sacerdote, sob as espécies do pão e do vinho, e não vêem nem crêem, segundo o Espírito de Deus que Ele é deveras o Santíssimo Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, são condenados». E mais adiante continua a sua admoestação com uma comparação eficaz: «Assim como apareceu aos santos apóstolos em verdadeira carne, assim agora se mostra a nós no pão consagrado; e assim como eles com o olhar físico só viam a sua carne mas, contemplando com o olhar da fé, acreditavam que Ele é Deus, é também nós, vendo o pão e o vinho com o olhar do corpo, vemos e firmemente cremos que o seu Santíssimo Corpo e Sangue são vivos e verdadeiros».

Esta fé e este amor chegarão ao ponto de lhe fazer exclamar várias vezes que «do altíssimo Filho de Deus não vejo nada mais corporalmente, neste mundo, do que o Santíssimo Corpo e o Sangue (…) E quero que estes Santíssimos mistérios sejam honrados, venerados e colocados em lugares preciosos antes de todas as coisas».

O amor à Eucaristia é inseparável do amor à casa do Senhor. Não se pode amar Jesus e descuidar a sua habitação. Também sobre isto Francisco deixou uma lição maravilhosa em fervor e prática. Pessoalmente ele preocupava-se com a limpeza das igrejas, dos cálices e das píxides, das toalhas e das hóstias, dos vasos de flores e das lâmpadas.

Exortava os ministros do altar a serem fervorosos e fiéis ao circundar o Santíssimo Sacramento com todas as decorações e reverências. Dirigindo-se aos guardiães afirmava: «Peço-vos, mais do que se o fizesse a mim mesmo, que quando for conveniente e virdes que é necessário, supliqueis humildemente aos sacerdotes para que venerem acima de tudo o Santíssimo Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo (…) Os cálices, os corporais, os ornamentos dos altares e tudo o que diz respeito ao Sacrifício devem ser preciosos. E se o Santíssimo Corpo do Senhor for colocado de modo mísero num lugar qualquer, segundo o preceito da Igreja, seja por ele colocado num lugar precioso, conservado e levado com grande veneração e seja dado devidamente aos outros (…) E quando é consagrado pelo sacerdote no altar e levado a qualquer lugar, todos, de joelhos, prestem louvor, glória e honra ao Senhor Deus, vivo e verdadeiro».

Quando chegava a uma cidade, depois de ter pregado ao povo, normalmente reunia a parte do clero e falava destes problemas com fervor apaixonado, recorrendo até à ameaça das penas eternas: «Não se comove o nosso ânimo – exclamava – sabendo que o Senhor, tão bom, se confia nas nossas mãos e nós podemos tocá-lo e recebê-lo?». Ou ignoramos que cairemos nas suas mãos? Corrijamo-nos decididamente, portanto, destas e de outras coisas, e onde quer que se encontre o Santíssimo Corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo, colocado e deixado indignamente, retiremo-lo daquele lugar e coloquemo-lo e encerremo-lo num lugar precioso».

Ainda mais corretamente, o próprio Francisco indo pregar pelas cidades e aldeias «levava consigo uma vassoura para limpar as igrejas», como refere a Legenda perusina, porque «sofria muito se entrasse numa igreja e a visse suja», o que fazia com que recomendasse aos sacerdotes «de ter o máximo cuidado em manter limpas as igrejas, os altares e todas as alfaias que servem para a celebração dos mistérios divinos».

Se a isto acrescentarmos que Francisco pedia a Clara que preparasse os corporais para doar às igrejas pobres e que ele mesmo por vezes preparava os vasos de flores para o altar, podemos ter uma ideia mais completa do seu fervor eucarístico.

Por fim, o que dizer da veneração de Francisco pelos sacerdotes? É suficiente voltar às palavras do seu testamento: «O Senhor deu-me e continua a dar-me tanta fé nos sacerdotes que vivem segundo a forma da Santa Igreja romana, devido à sua ordem, que se me perseguissem desejo recorrer a eles e não quero considerar o seu pecado, porque neles vejo o Filho de Deus».

Aos mesmos sacerdotes ele diz com amor: «Cuidai da vossa dignidade, irmãos sacerdotes, e sede santos porque Ele é Santo. E assim como o Senhor Deus vos honrou acima de todos os homens, por este mistério, assim vós mais do que qualquer outro homem amai-O e honrai-O». É deveras inefável a dignidade daquele que «personaliza Cristo» e está chamado a ser em toda a parte «presença de Cristo» e a pensar, falar e agir em tudo «como Cristo».

Por isso Francisco preocupa-se com que os sacerdotes possam celebrar sempre «a missa puros e, cheios de pureza, cumpram com reverência o verdadeiro sacrifício do Santíssimo Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, com intenção santa e pura». Que eles tenham sempre a máxima devoção e o máximo candor da alma, com a perfeita obediência a todas as normas da Igreja e com toda a delicadeza ao levá-lo nas mãos e ao distribuí-lo aos outros, fazendo assim admirar até os anjos que os assistem.

Francisco não se cansa de recomendar aos sacerdotes sobretudo a humildade, referindo o exemplo do próprio Jesus que «todos os dias se humilha, como quando desceu da sede real ao seio da Virgem: de facto, todos os dias Ele mesmo vem a nós sob aparência humilde, todos os dias desce do seio do Pai ao altar nas mãos do sacerdote».

E as mãos do sacerdote deveriam ser puras como as de Nossa Senhora, recomenda o padre seráfico, exprimindo-se com estas palavras sublimes: «Ouvi, meus irmãos. Se a Bem-Aventurada Virgem é tão honrada, como é justo, porque o levou no seu santíssimo seio (…) quanto mais deve ser santo, justo e digno aquele que o toca com as suas mãos, recebe no coração e nos seus lábios e oferece aos outros, para que o comam, Ele já não morredouro, mas eternamente vivo e glorificado, sobre o qual os anjos desejam fixar o olhar».

Manifestação do amor divino

Frei Almir Ribeiro Guimarães

Nunca acabaremos de meditar nas riquezas da Eucaristia. Trata-se do grande dom do Senhor, do memorial de sua paixão, morte e ressurreição. Francisco, em seu Testamento, assim se exprime: “Do Altíssimo Filho de Deus nada enxergo corporalmente neste mundo senão o seu santíssimo Corpo e Sangue que eles (os sacerdotes) consagram e somente eles administram aos outros” (Test 10). Deve-se dizer que Francisco não tem propriamente uma doutrina própria a respeito da Eucaristia. Notamos, no entanto, uma atenção doutrinal e devocional muito grande de Francisco pelo mistério da piedade ou unidade e, consequentemente, pelos sacerdotes, ministros da Eucaristia.

A situação no tempo de Francisco

No final do século XII e inícios do século XIII constatamos que a Eucaristia, quanto ao seu aspecto celebrativo, conhece uma certa decadência: o povo não compreende a missa, não participa da comunhão e esta vai se tornando mais rara. Ao mesmo tempo a autoridade eclesial se empenha em restaurar a prática da Eucaristia e, sobretudo em ambientes místicos, vai surgindo uma devoção ao Santíssimo Sacramento. As determinações novas de incentivo à participação na Eucaristia estão registradas nas decisões do Concílio do Latrão IV, em 1215. Há também a questão das heresias da época que atacavam a doutrina ortodoxa da Eucaristia. Diziam que a Eucaristia celebrada por sacerdotes indignos era inválida. Formulavam elas também teorias errôneas a respeito da presença real de Cristo. Francisco adotará a fé da Igreja. Cercará a Eucaristia de todo respeito e adoração.

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Eucaristia, como dom e expressão de amor/entrega

Ninguém atinge a finalidade de sua vida sem uma profunda vivência do amor. Belo corpo, recursos financeiros, sucessos e relacionamentos não enchem o homem de plenitude. Somos incompletos quando não chegamos a viver o amor que é dom das entranhas. Todos nós que vivemos nesta sociedade de consumo, de interesse, sabemos quanto é difícil o dar-se totalmente no jogo do amor. Há uma avidez de posse, de bens, de gozo. Tudo é calculado em vista do lucro e do beneficio. Ora, o amor é exatamente o contrário. É esforço de saída de si mesmo, de morte a seus próprios interesses para que outros possam ser mais profundamente eles mesmos e assim felizes. O egoísmo mata e o amor dá vida. O amor esconde em si misteriosa força.

O homem tem necessidade de alimento, lazer, descanso, bens e posses. Precisa de condições mínimas vitais para viver e tem direito de conseguir o necessário para uma vida digna. Mas não pode contentar-se com bens materiais. Necessita de toda Palavra que sai da boca de Deus. Precisa de alimento e fortaleza que vêm do Senhor. Em todos os bens o homem vê um presente e um dom do Supremo Doador. O amor é a única coisa necessária para o homem.

A Eucaristia como dom

Tudo na tarde da Ceia era dom. Tudo se revestia de profundo amor. O Mestre lavava os pés dos seus, antecipando o momento em que haveria de ser o Servo suspenso no alto da cruz, purificando o homem de toda mancha com a água e o sangue de seu peito rasgado e aberto. Não se podia detectar interesses particulares e busca de si próprio. Tudo é abertura, dom, serviço, amor. Jesus servia, era empregado. Colocava-se à disposição. Sendo de condição divina não hesitara em tomar a condição humana, tomando-se obediente até à morte e morte de cruz. Tomara o último lugar no banquete da vida.

Cristo inaugurou o tempo do amor, do dom, da partilha. Não tinha tempo para si mesmo. Através de parábolas, encontros e confrontos, inculcou a necessidade da criação de uma terra de fraternidade. Veio trazer um amor divino, não mera filantropia. O episódio do bom samaritano, a compreensão amorosa para com a mulher adúltera, o ensinamento e o exemplo a respeito do perdão, o empenho em exaltar os pequenos, a compaixão para com a viúva de Naim, o mandamento do amor e sua paixão e morte por amor atestam claramente que Jesus é o mensageiro e encarnação do dom/ amor.

No momento de sua passagem, de sua páscoa, na ceia derradeira, toma o pão. Diz que esse pão é seu corpo e sua vida, é dom de si para a vida de muitos. Diz que o cálice é seu sangue vertido para o bem de todos. Junta o pão e o cálice a seu corpo e à sua vida. Mandou que os seus repetissem essa ceia de amor que estava para sempre vinculada ao sacrifício amoroso da cruz. Fazemos hoje a memória de Jesus na Missa e ele se torna realmente presente.

Os que são de Cristo, os discípulos do Senhor vivem cotidianamente vida de partilha, dom, entrega para a vida de muitos. As celebrações eucarísticas de que participam exprimem sua vida-para-os-outros e para Deus. Na Eucaristia os cristãos se encontram juntos com o Senhor que se toma pão e sacrifício amoroso. Renovam seu compromisso de amor, alimentam-se da força de Cristo, rendem graças ao Deus Altíssimo pelo dom de Jesus, unem-se ao Mestre no momento em que renova seu sacrifício de modo incruento. Na Eucaristia tudo é dom. Esse mesmo Cristo que se oferece na missa continua presente entre os seus em suas capelinhas e igrejinhas oferecendo-se constantemente ao Pai e esperando a homenagem do coração de
seus fiéis.

São Francisco e a Eucaristia

Já dissemos anteriormente que São Francisco teve especial carinho para com a Eucaristia. Francisco traça um paralelo entre a Encarnação do Verbo no seio de Maria e sua vinda sobre os altares: “Ele se humilha todos os dias, tal como na hora em que descendo do seu trono real para o seio da Virgem vem diariamente a nós sob aparência humilde; todos os dias desce do seio do Pai sobre o altar, nas mãos do sacerdote” (Adm 1,16-18). Nestes versículos Francisco realça o aspecto da humildade, do abaixamento.

Francisco tem consciência de que, do Altíssimo, nada se pode ter na terra a não ser seu Corpo e Sangue. Podemos “ver” o Senhor. E os sacerdotes é que são ministros dessa presença. Por isso, o Poverello tinha especial carinho e respeito pelos sacerdotes, mesmo pelos pecadores. Contra as heresias Francisco afirmava, com a Igreja, que a presença de Cristo na Eucaristia não depende da santidade do ministro. O Santo tem uma visão de fé.

Evidentemente Francisco quer que os clérigos tenham santidade de vida ao celebrarem a Eucaristia e cuidem delicadamente de tudo o que serve ao altar. Limitemo-nos aqui a uma citação da Carta a todos os clérigos: “Todos aqueles que administram tão sacrossantos mistérios e especialmente aqueles que os ministram sem a reta discrição, considerem no seu íntimo como são vulgares os cálices, corporais e panos de linho sobre os quais é oferecido em sacrifício o corpo e o sangue de Nosso Senhor. E muitos o guardam em lugares bem comuns e o levam de modo lamentável (pela rua) e o recebem indignamente e o ministram indiscriminadamente” (Carta aos Clérigos 4-5). Na Carta aos Custódios (7) Francisco lembra: “E
quando o sacerdote o oferecer em sacrifício sobre o altar, e aonde quer que o leve, todo o povo dobre os joelhos e renda louvor, honra e glória ao Senhor Deus”.

Celano descreve a devoção de Francisco pela Eucaristia na linha da manifestação do amor divino. “Ficava estupefato diante de tão amável condescendência e de tão digna caridade… achava que era um desprezo muito grande não assistir pelo menos a uma missa cada dia, se pudesse… comungava muitas vezes ….. (cf. 2Cel201).

Curiosamente Francisco solicita que os frades participem de uma mesma missa, mesmo sendo sacerdotes. Parece mostrar o caráter comunitário da Eucaristia: “Advirto ainda os meus irmãos e exorto-os que, nos lugares onde moram, seja celebrada uma só missa por dia, segundo a forma da santa Igreja. E se houver vários sacerdotes no lugar, contente-se um sacerdote, por amor à caridade, com ouvir a missa do outro” (Carta a toda Ordem 30-31).

É também neste escrito que encontramos palavras cheias de força e de respeito pela Eucaristia. Francisco mostra-se extasiado: “Pasme o homem todo, estremeça a terra inteira, rejubile o céu em altas vozes quando, sobre o altar, estiver nas mãos do sacerdote o Cristo, Filho de Deus vivo! Ó grandeza maravilhosa, ó admirável condescendência! Ó humildade sublime, ó humilde sublimidade! O Senhor do universo, Deus e Filho de Deus, se humilha a ponto de se esconder, para nosso bem, na modesta aparência de pão … Nada de vós retenhais para vós mesmos, para que totalmente vos receba quem totalmente se vos dá”! (Carta à Ordem 26-29).

Dentro da ótica da pobreza de Francisco entende-se esta sua última afirmação: dar tudo a Cristo já que ele se dá inteiramente a nós. Somos agraciados de todos os dons e bens do Senhor. Estamos cobertos dos favores do Senhor. E que favor maior do que este que é Cristo? Ele se entregou totalmente no gesto da paixão e morte que é atualizado e vivenciado novamente na Eucaristia. Por isso a atitude do cristão diante do mistério da presença do Senhor é de entrega amorosa. Não pode o homem nada reter para si diante daquele que se entregou totalmente. Estamos em pleno coração do mistério do dom e do amor. Realmente a Eucaristia é mistério de amor infinito!

Encontros com Francisco de Assis, Roteiros para círculos de estudos – Editora Vozes

O milagre eucarístico de Santa Clara

A Legenda de Santa Clara conta vários milagres realizados pela santa: multiplicação de pães, aparição de garrafas de óleo que não existiam no convento, etc. Mas entre os milagres que realizou, o mais famoso é o milagre ocorrido em 1240. Numa sexta-feira, Santa Clara afugentou alguns soldados sarracenos que invadiram o claustro do convento de São Damião mostrando-lhes a Hóstia Santa.

Durante a tormenta que a Igreja sofreu em diversas partes do mundo sob o imperador Frederico, o vale de Espoleto teve que beber muitas vezes o cálice da ira. Por ordem do imperador, aí se estabeleceram, como enxames de abelhas, esquadrões de cavalaria e arqueiros sarracenos, despovoando castelos e aniquilando cidades. Quando o furor inimigo se dirigiu uma vez contra Assis, cidade predileta do Senhor, o exército já estava chegando perto das portas, e os sarracenos, gente péssima, sedenta de sangue cristão e desavergonhadamente capaz de qualquer crime, entraram no terreno de São Damião e chegaram até dentro do próprio claustro das Irmãs.

clara_250518O coração das senhoras derretia-se de terror. Tremendo para falar, levaram seus prantos à madre. Corajosa, ela mandou que a levassem, doente, para a porta, diante dos inimigos, colocando à sua frente uma caixinha de prata revestida de marfim, onde guardavam com suma devoção o Corpo do Santo dos Santos.

Toda prostrada em oração ao Senhor, disse a Cristo entre lágrimas: “Meu Senhor, será que quereis entregar inermes nas mãos dos pagãos as vossas servas, que criei no vosso amor? Guardai Senhor, vos rogo, estas vossas servas a quem não posso defender neste transe”.

Logo soou em seus ouvidos, do propiciatório da nova graça, uma voz de menininho: “Eu sempre vos defenderei”. Ela disse: “Meu Senhor, protegei também, se vos apraz, a cidade que nos sustenta por vosso amor”. E Cristo: “Suportará padecimentos, mas será defendida por minha força”.

Então a virgem ergueu o rosto em lágrimas, confortando as que choravam: “Garanto, filhinhas, que não vão sofrer mal nenhum. É só confiar em Cristo”. Não demorou. De repente, a audácia daqueles cães se retraiu e assustou. Saíram rápidos pelos muros que tinham pulado, derrotados pela força da sua oração.

Logo em seguida, Clara determinou com seriedade às que tinham ouvido a voz: “Tenham todo o cuidado, filhas, queridas, de não revelar essa voz a quem quer que seja, enquanto eu viver”.

Santo Antônio e a Eucaristia

Frei Clarêncio Neotti

Em junho de 1653, a festa de Santo Antônio coincidiu com oitava da festa do Corpo de Deus que, naquele tempo, se celebrava durante oito dias e as Missas eram ditas diante do Santíssimo Sacramento exposto no Ostensório. O Padre Antônio Vieira devia fazer o sermão do Santo, que estava num belíssimo andor, mas não podia fugir dos textos litúrgicos da festa maior que era a de Corpus Christi. O Padre Vieira começou seu sermão, dizendo que lhe era mais difícil separar Santo Antônio do Santíssimo Sacramento do que unir os dois num só panegírico, num só elogio solene, numa só solenidade. “Se olho para o Ostensório – disse Vieira – parece-me ver as maravilhas de Deus operadas em Santo Antônio; se olho para o andor do Santo, parece-me ver as maravilhas de Deus operadas no mistério Eucarístico”.

Vieira desenvolve seu comprido sermão para afirmar que Santo Antônio é um Santo sacramentado. Nem a mim é difícil falar de Santo Antônio na festa do Corpo e do Sangue de Cristo. Se não o chamo de Santo Sacramentado, chamo-o de Santo Eucarístico, porque pregou continuamente sobre a Eucaristia, porque a celebrou diariamente com notória piedade, porque encontrou nela o alimento e a razão de sua vida santa.[…]

A verdade sobre a Eucaristia que Santo Antônio mais martelou foi justamente a presença real do Cristo no pão e no vinho consagrados. Escutemos a palavra do próprio Santo, em seu sermão sobre a Última Ceia: “Em Jerusalém, naquele cenáculo amplo e bem preparado, onde os Apóstolos no dia de Pentecostes receberiam o Espírito Santo, (Jesus) preparou para todos os povos que acreditam nele, um banquete de comida deliciosa. Sim, comida deliciosa, porque temos para comer o Cordeiro que tira o pecado e nos reconcilia com Deus. A mesma coisa faz hoje a Igreja no mundo inteiro. Devemos crer firmemente e professar de todo o coração que o corpo que nasceu da Virgem, pendeu da Cruz, esteve sepultado, ressuscitou ao terceiro dia, subiu ao céu e assentou-se à direita do Pai é o mesmo verdadeiro corpo que hoje Jesus deu aos Apóstolos e que diariamente a Igreja o refaz e o distribui aos fiéis. Ao dizer as palavras ‘isto é o meu corpo’, o pão transubstancia-se no corpo de Cristo”. (cf Sermão para a Ceia do Senhor, III, pp. 422-423)

O Cristo Eucarístico não existe apenas para ser adorado, mas é também alimento e sustentáculo dos cristãos. Num de seus sermões pascais, ensina Santo Antônio: “A Igreja pode ser chamada de Belém, porque Belém significa a ‘casa do pão’. Ora, é na Igreja que o Cristo nos restaura com o pão do seu corpo: ‘O pão que eu darei – disse aos Apóstolos – é a minha carne para a vida do mundo’ (Jo 6, 51). É na Igreja – continua o santo – que Deus nos dará o pão da eterna bem-aventurança, quando seremos plenamente saciados, vendo a Deus face a face. O Pai do céu, doador de todas os bens, deu-nos a nós pobres, na Eucaristia, não só do bom e do melhor, mas do excelente?”.

Ainda no sermão da Ceia, Santo Antônio elogia dois grandes efeitos da Eucaristia na pessoa de quem a recebe: aumenta-lhe a devoção e diminui-lhe as tentações. E acrescenta logo: “Ai de quem entrar no banquete sem a veste nupcial da caridade (Mt 22,11) e da penitência! Porque não se podem unir as trevas e a luz (cf. 2Cor 6,14-15); porque não podem conviver Judas traidor e Jesus Salvador”.

Em todos os tempos, a Igreja ensinou que a Eucaristia nos purifica dos pecados, sim. É medicina e terapia para a nossa fraqueza, sim. Mas ao recebê-la devemos ter ou um coração sem pecado como o da Virgem Maria ao receber o Filho de Deus na Anunciação, ou o coração de um Pedro, pecador arrependido.

Vocês sabem que ‘eucaristia’ é uma palavra grega e significa ‘ação de graças’, ‘agradecimento’. A Eucaristia é a nossa permanente, repetida e eterna ação de graças ao Pai pelo dom da vida, vida nossa e Vida (com V maiúsculo), que é o Cristo que, com sua encarnação, morte e ressurreição nos trouxe garantida a imortalidade. Se o Cristo Eucarístico é um constante e perfeito ‘obrigado’ ao Pai, dele deveríamos aprender a sermos agradecidos sempre, em todos os momentos da vida, como agradecido sempre foi Santo Antônio, um Santo eucarístico. Normalmente temos um coração mais propenso a pedir e ganhar do que um coração dedicado ao louvor e agradecimento. Entramos na igreja mais para procurar uma solução rápida para as nossas angústias e necessidades do que para agradecer pelo fato de existirmos, de sermos um raio encarnado da bondade de Deus.

Comecei o sermão lembrando o Padre Vieira, termino também citando o Padre Vieira e justamente num trecho em que ele, em 1653, advertia os devotos sobre o mau costume que temos de só pedir e tornar a pedir a Santo Antônio, em vez de principalmente agradecer. Cito textualmente, no português daquele tempo: “Muitos pensam que honram Santo Antônio, invocando-o como remédio das coisas temporais. Se vos adoece o filho, Santo Antônio; se vos foge o escravo, Santo Antônio; se mandais a encomenda, Santo Antônio; se esperais o retorno, Santo Antônio; se requereis o despacho, Santo Antônio; se aguardais a sentença, Santo Antônio; se perdeis a menor miudeza de vossa casa, Santo Antônio; e, talvez, se quereis os bens da casa alheia, Santo Antônio?”.

Santo Antônio: simpatia de Deus e do povo – Editora Marques Saraiva

O milagre eucarístico de Santo Antônio

Eugéne Couet

Na praça lotada de espectadores, o animal faminto despreza seu alimento preferido e vai prostrar-se diante de Jesus Sacramentado…

Em todos os lugares por onde passava, Santo Antônio de Pádua era o flagelo dos hereges, em virtude do maravilhoso dom que possuía de refutar suas objeções e desmascarar suas calúnias contra a Fé Católica. Encontrando-se ele certo dia em Toulouse (França) para combater os erros dos inimigos da Santa Igreja, viu-se em luta contra um dos mais tenazes albigenses. A longa discussão acabou recaindo sobre o tema do augusto Sacramento da Eucaristia. Após grandes dificuldades, o defensor do erro ficou reduzido ao silêncio. Por fim, derrotado, mas não convertido, ele recorreu a um argumento extremo, desafiando o Santo:

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– Deixemos de palavras e vamos aos fatos. Se, por algum milagre, podeis provar diante de todo o povo que o corpo de Cristo está de fato presente na Hóstia consagrada, eu abjuro a heresia e me submeto ao jugo da Fé.

– Aceito o desafio – replicou logo Santo Antonio, cheio de confiança na onipotência e na misericórdia do Divino Mestre.

 

– Eis, pois, o que proponho: tenho em minha casa uma mula; depois de deixá-la fechada durante três dias sem qualquer alimento, eu a trarei para esta praça. Então, em presença de todos, oferecerei a ela uma abundante quantidade de aveia para comer. E vós lhe apresentareis isso que dizeis ser o corpo de Jesus Cristo. Se o animal faminto abandonar a comida a fim de correr para esse Deus que, segundo vossa doutrina, deve ser adorado por todas as criaturas, eu crerei de todo coração no ensinamento da Igreja Católica.

No dia marcado, acorreu gente de todas as partes, enchendo a praça onde se realizaria a grande prova. Católicos e hereges, todos estavam numa expectativa fácil de imaginar. Perto dali, numa capela, Frei Antônio celebrava a Santa Missa com um fervor angelical.

Chega então o albigense, puxando sua mula, enquanto um comparsa traz o alimento preferido do animal. Uma multidão de hereges o escolta, pressagiando sua vitória.

Nesse momento, sai da capela Santo Antônio, tendo nas mãos o cibório com o Santíssimo Sacramento. Faz-se um profundo silêncio. Dirigindo-se à mula, ele brada com forte voz:

– Em nome e pelo poder de teu Criador, o qual, apesar de minha indignidade, aqui seguro realmente presente em minhas mãos, eu te ordeno, pobre animal: vem sem demora inclinar- te com humildade diante d’Ele. Devem os hereges reconhecer que toda criatura presta submissão a Jesus Cristo, Deus Criador, que o padre católico tem a honra de fazer descer sobre o altar!

Ao mesmo tempo, o albigense põe o monte de aveia debaixo da boca da mula esfomeada, incitando-a a comer.

Oh, prodígio! Sem prestar qualquer atenção no alimento que lhe é oferecido, não escutando senão a voz de Frei Antônio, o animal se inclina ao ouvir o nome de Jesus Cristo e depois se prostra de joelhos diante do Sacramento de Vida, como para adorá-lo.

À vista disto, os católicos explodem em manifestações de entusiasmo, enquanto os albigenses ficam esmagados de estupor e confusão.

O dono da mula, porém, mantendo a palavra de honra dada a Santo Antônio, abjura a heresia e torna-se um fiel filho da Igreja. ?

Miracles Historiques du Saint Sacrément, 3ª ed., pp. 170-172

São Pascoal Bailão, teólogo da Eucaristia

Religioso da Primeira Ordem (1540-1592). Canonizado por Alexandre VIII no dia 16 de outubro de 1690.

Nasceu em Torre Hermosa, no reino de Aragão, na Espanha, filho de Martinho Bailão e Isabel Jubera, a 16 de maio de 1540, festa de Pentecostes, chamada de Páscoa cor de rosa, daí chamar-se Pascoal. Provinha de uma família numerosa, pobre e humilde, na qual se vivia, no entanto, profundo espírito religioso, devido à mãe que era devotíssima da Eucaristia. Biógrafos dizem também que era muito generosa em dar esmolas aos pobres.

Quando completou 18 anos, em Monteforte del Cid, veio a conhecer os franciscanos do convento de Santa Maria de Loreto. Pensava em poder realizar seu sonho de se tornar religioso. Como isso ainda não lhe era possível aceitou de realizar o trabalho de pastor junto a um rico proprietário de ovelhas, Martino Garcia, que lhe dava a permissão de frequentar o Santuário Mariano e residir junto ao convento franciscano. Enquanto pastoreava não muito distante do convento caía em êxtase ao som do sino que anunciava a elevação no momento da consagração . Por fim, a 2 de fevereiro de 1564, já com fama de santidade, pode vestir o hábito franciscano e, no ano seguinte, fazer sua profissão religiosa no convento dos frades alcantarinos de Orito, onde permaneceu até 1573, dedicando-se a tarefas muito humildes, de modo particular ao mister de porteiro.

bailao_250518Muito estimado pela vida de austeridade que levava e favorecido por dons do Espírito Santo, entre os quais do dom da sabedoria infusa, o iletrado Pascoal – que tinha aprendido a ler enquanto pastoreava o rebanho e depois conseguiu apenas escrever alguma coisa, era procurado por pessoas eruditas que vinham se aconselhar com ele. De 1573 até 1589, sua vida transcorreu em diferentes conventos da província de Alicante, passando depois para a Província de Castellon, no convento de Vila Real.

Mereceu ele receber o codinome de “teólogo da eucaristia”, não somente por ter resolvido as questões dos adversários na França, mas também pela coletânea de escritos que deixou a respeito do Sacramento da Eucaristia que foi sempre o centro de sua intensa vida espiritual e a marca mais evidente de sua vida. Estando sempre à disposição dos confrades e dos que batiam à porta do convento, Pascoal, além disso, continuava a infligir-se penitências e com isto debilitou sua saúde até o limite de capacidade de resistência.

Sua santidade foi confirmada por muitos milagres que espalharam sua fama por todo o mundo católico. Vinte e seis anos depois, no dia 29 de outubro de 1618, era proclamado bem-aventurado (beato) por Paulo V e a 16 de outubro de 1690, canonizado por Alexandre VIII.

O Papa Leão XIII, no dia 26 de novembro de 1897, proclamou-o patrono das devoções eucarísticas e, pouco depois, também dos congressos eucarísticos internacionais. Na ocasião ele afirmou:

Para animar os católicos a professar valentemente sua fé e a praticar as virtudes cristãs, nenhum meio mais eficaz que o que consiste em alimentar e aumentar a piedade do povo até aquela admirável prova de amor, laço de paz e de unidade, que é o sacramento da Eucaristia.

Entre aqueles cuja piedade para com este sublime mistério da fé se manifestou visivelmente com mais vívido fervor, Pascoal Bailão ocupa o primeiro lugar. Dotado de natureza por um delicado cuidado às coisas celestiais, depois de haver passado santamente a juventude cuidando do rebanho, abraçou uma vida mais severa na Ordem dos Frades Menores e mereceu, por suas meditações sobre o convite eucarístico, adquirir a ciência relativa a ela, até o momento em que aquele homem, desprovido de noções e aptidões literárias, foi capaz de responder as perguntas sobre as mais difíceis questões da fé e até escrever livros piedosos. Pública e abertamente professou a verdade da Eucaristia entre os hereges, e por eles teve que passar por graves provas.

Cremos, pois, que as Associações Eucarísticas não podem ser confiadas a um melhor patrono. Cheios de confiança, fazemos votos de que os exemplos deste santo deem por fruto o aumento daqueles que, no povo cristão, dirigem cada dia seu cuidado, suas intenções e seu amor a Cristo Salvador, princípio mais alto e mais majestoso de toda salvação.

O sentido do banquete, jantar ou ceia fraterna

Frei Alberto Beckhaüser

A ceia ou banquete é o sinal mais imediato, mais fácil de se perceber. A Eucaristia celebra-se em forma de ceia, como o fez Cristo antes de ser entregue. Esta forma ele a transmitiu à Igreja para que repetisse em memória de sua morte e ressurreição. A Constituição Litúrgica do Concílio Vaticano II diz: “A Eucaristia é o memorial de sua Morte e Ressurreição, sacramento de piedade, sinal de unidade, vínculo de caridade, banquete pascal, em que Cristo nos é comunicado em alimento, o espírito é repleto de graça e nos é comunicado o penhor da futura glória” (SC, nº 47).

Vários são os elementos que lembram esta ceia. Temos o altar, a mesa do Sacrifício cristão, em torno da qual se congrega a assembleia dos fiéis. Os elementos mais significativos são, sem dúvida, o pão e o vinho – comida e bebida – apresentados em bandejas e cálices. Durante a Oração Eucarística repetem-se os gestos de Cristo na última Ceia. O sacerdote toma o pão e depois o cálice. Cristo declara que seu Corpo e Sangue seriam verdadeira comida e bebida (Cf. Jo 6) e São Paulo, interpretando o significado do Banquete Eucarístico, distinguindo-o de uma ceia comum, afirma: “Pois todas as vezes que comerdes este pão e beberdes deste cálice, anunciareis a morte do Senhor até que Ele venha” (1 Cor 11,26). Pelo fim das Orações Eucarísticas rezamos: “… para que, ao participarmos deste altar, recebendo o corpo e sangue de vosso Filho…” (I Or. Euc.). “E nós vos suplicamos, que, participando do corpo e sangue de Cristo, sejamos reunidos pelo Espírito Santo, num só corpo…” (II Or. Euc.). “…Alimentando-nos com o corpo e o sangue de vosso Filho …” (III Or. Euc.). “… e concedei aos que vamos participar do mesmo pão e do mesmo cálice… » (IV Or. Euc.).

Isso significa que o sacrifício cristão, como a maioria dos sacrifícios pagãos e do Antigo Testamento, inclui a manducação da vítima. Isto se realiza plenamente na hora da Comunhão, precedida da fração do pão, significando Cristo distribuindo o pão aos homens.

Na forma atual da Celebração da Eucaristia a expressão externa da ceia se apresenta bastante pobre. Em vez da ceia em torno da mesa da sala doméstica, temos a grande igreja, a nave, onde se realça mais a expressão da festa da comunidade. Hoje se verifica uma tendência de se voltar mais à expressão fraterna em torno da mesa eucarística.

Mais importante, porém, do que descobrir materialmente os elementos de ceia que contém a Eucaristia, é descobrirmos o símbolo do banquete na sociedade humana, para assim enriquecermos o sentido do Banquete Eucarístico.

banquete_250518As pessoas oferecem banquete, ou vão participar de um banquete ou jantar por muitos motivos. O banquete, desde o grande banquete até o simples cafezinho tão brasileiro, acompanhado de bolachinhas, oferecido ao visitante, ultrapassa em muito a necessidade biológica de o homem se alimentar. A motivação de um banquete costuma ser um acontecimento importante que comemoramos. À base de um banquete está em geral um fato, como por exemplo o nascimento, bodas, casamento ou amizade entre pessoas. O banquete ou jantar tem por objetivo exprimir uma atitude de festa. É uma comemoração. Pode ser uma homenagem, um agradecimento, uma oferta, um serviço. Somos invadidos por sentimentos de união, intimidade, amizade, amor, fraternidade, alegria, apreço, paz. Através do banquete, do jantar ou de uma refeição fraterna realiza-se uma união, uma aliança, um encontro, um intercâmbio, uma permuta, um serviço. No fundo, realiza-se um convívio, um intercâmbio de vida, uma comutação de vida. Em última análise, temos uma ceia amigável, um intercâmbio de vida. Quem convida alguém para comer, quer partilhar a vida com ele; deseja fazê-lo conviver. Isso se percebe de modo admirável no cafezinho que o mais pobre oferece ao visitante, acompanhado em geral pela bolachinha. Aqui o que recebe não pretende matar a fome ou a sede do visitante, mas exprimir a sua alegria, sua amizade. Quer partilhar com ele o que há de mais precioso, a vida.

Mais uma observação. O jantar ou banquete pode expressar a reconciliação. Supõe mesmo que os convivas estejam reconciliados, pois a paz e a intimidade da ceia fraterna o exigem.

Se aplicarmos agora toda a riqueza de sentido do banquete ou da ceia à Eucaristia, descobriremos que a Celebração Eucarística é uma festa por excelência, em que celebramos o fato por excelência: o mistério de Cristo. Comemoramos a Morte e a Ressurreição de Cristo com tudo o que significam para nós. Realizamos a maior homenagem que podemos prestar a Deus por Cristo. A Eucaristia é um agradecimento por excelência; constitui uma oferta, uma aliança. Realizamo-la em atitude de alegria, de união com Deus em Cristo e com os irmãos; na intimidade da vida divina, em que ele mesmo se nos dá em alimento; realiza-se a maior amizade, pois Cristo reconciliou a todos com o Pai e entre si, tornando a todos irmãos; renova-se a aliança com Deus e com os homens em Cristo; realiza-se um verdadeiro intercâmbio, uma permuta entre o céu e a terra, entre Deus e os homens, convidando-os à intimidade do banquete, onde Ele os faz participar de sua vida, da vida verdadeira. A Eucaristia é o convívio de Deus com os homens em Cristo e dos homens entre si.

Vemos, então, que no banquete estão presentes, não na linguagem falada, mas na ação simbólica, todos os elementos da ação de graças. E comparativamente podemos dizer que assim como o discurso dá o sentido de um banquete, a Oração Eucarística coloca o verdadeiro sentido da Ceia do Senhor, que a distingue essencialmente de uma ceia comum.

Assim, a experiência da salvação se faz na linguagem do banquete, na linguagem do comer e beber juntos. Tudo quanto podemos dizer do sentido do banquete podemos dizê-lo também da Celebração Eucarística em plano muito superior entre nós e Deus e entre nós e os nossos irmãos no plano da fé.

Celebrar a vida cristã – Formação litúrgica para agentes de pastoral, equipes de liturgia e grupos de reflexão – Editora Vozes.

Eucaristia, sacramento de comunhão

Frei José Ariovaldo da Silva

“Isto é o meu corpo … Este é o sangue da nova e eterna aliança… Façam isto em memória de mim” (cf. Mt 26,26-27; Mc 14,22-4; Lc 22,19-20; 1 Cor 11 ,24-25). O pão e o vinho consagrados, na Eucaristia que celebramos em memória do Senhor, são Corpo e Sangue vivo e verdadeiro, Corpo e Sangue do Senhor, feito pão e feito vinho. Especialmente deste jeito o Senhor está presente hoje em sua Igreja .

Sacramento tem a ver com sinal. E quando falo da Eucaristia como Corpo do Senhor, penso no Corpo do Senhor que o pão e o vinho consagrados representam. A saber, são o sinal presente da comunhão viva e total do Cristo com o humano, desde a Encarnação até hoje e sempre. Sacramento do Senhor que não exclui ninguém, mas que se entrega para comungar com todos, e assim com todos formar um só Corpo. Por isso, podemos dizer que a Eucaristia, por ser sacramento da comunhão existente entre Cristo e nós, ela é o próprio Corpo de Cristo do qual nós somos membros. Como diz o apóstolo Paulo: “O cálice de bênção que abençoamos não é comunhão com o Sangue de Cristo? O pão que partimos não é comunhão com o Corpo de Cristo? Já que há um único pão, nós, embora muitos, somos um só corpo, visto que todos participamos desse único pão” (1 Cor 10,16-17).

E S. Agostinho explicita esta doutrina com estas belíssimas palavras: “Se vocês são o corpo e os membros de Cristo, é o sacramento de vocês que é colocado sobre a mesa do Senhor. É o sacramento de vocês mesmos que vocês recebem. Vocês respondem ‘Amém’ (‘sim, é verdade’) àquilo que recebem, e subscrevem ao responder. Vocês ouvem esta palavra: ‘o Corpo de Cristo’, e respondem: ‘Amém’. Vivam, pois, como um membro de Cristo, para que o Amém de vocês seja verdadeiro” .

Portanto, comungar o Corpo e Sangue do Senhor na Eucaristia, é o mesmo que comungar também os membros deste Corpo, as pessoas, os pobres. Por isso, diante da grandeza deste mistério, S. Agostinho exclama: “Ó sacramento da piedade! Ó sacramento da unidade! Ó vínculo da caridade!” … Sinal de comunhão e não de exclusão!


[1] Concílio Vaticano II, Constituição “Sacrosanctum Concilium” sobre a Liturgia, n. 07

[1] Hom. in 1Cor 27,4.

[1] Ev. Jo 26, 6.13, cf. SC 47.

Grande sinal – Revista de Espiritualidade, maio-junho de 2000, ano 54

Um pão que robustece o existir

Frei Almir Ribeiro Guimarães

Desde nossa infância ouvimos falar da comunhão, de “fazer a primeira comunhão”, do pão, do vinho. Havia a recomendação de não se mastigar, de não quebrar o jejum desde a meia-noite. Não usávamos tanto o termo eucaristia. Falávamos mais de missa. Ficávamos com o substantivo abstrato “comunhão”, mas pensávamos mais materialidade da hóstia feita de farinha de trigo e água. Aprendemos que se tratava do corpo de Cristo nas aparências do pão (também do vinho). Até que ponto tudo isso teve e tem repercussões profundas em nossa vida de discípulos do Senhor e em nossos dias, nesse novo milênio? Tema vasto e amplo! Belo momento de adoração e de demonstração de carinho para com o Senhor feito pão, feito vinho é a Solenidade de Corpus Christi!

Pão, alimento, vinho bebida revigorante. Faziam parte da mesa dos orientais. Alimentamo-nos. Há o alimento para o corpo. Há também o alimento do bem querer, da estima, da atenção, das deferências, da bondade com que somos tratados e tratamos os outros, alimento da vida humana em sua profundidade verdadeiramente humana e não apenas animal. Mesa do corpo e mesa do interior das pessoas.

Mesa, lugar de estreitamento dos laços de bem querer, alimentar-se juntos. Não comer sofregamente. Comer e conviver. O mesmo alimento do comensal ao nosso lado é nosso nutrimento. Cria-se comunhão de vida na partilha em torno à mesa. São dignos de comungar os que vivem comunhão com os outros.

Era a véspera de sua Paixão, era a preparação da Páscoa dos judeus. Comer a Páscoa, lembrar as maravilhas do Senhor numa refeição religiosa. Jesus parece repetir a cena e seus gestos. Mas tudo diferente. “Este é meu corpo, este o cálice do meu sangue. Sou eu sob a aparência do pão cozido e o vinho espremido. Tomai e comei, tomai e bebei e entraremos em comunhão. Meu corpo é dado e meu sangue versado. Os que comem deste pão e bebem desse cálice entram em comunhão comigo. Estamos unidos. Vivemos uma densa união. Quem come deste pão e vive o dom da vida como eu vivi tem a vida e não conhecerá a morte. Já carrega germes de eternidade. No dia a dia da existência, vivendo comigo, são robustecidos com meu corpo e meu sangue no pão e no vinho da mesa mais bela do mundo”.

Corpus Christi…dia em que o Santíssimo Corpo do Senhor é levado pelas ruas numa bela demonstração de fé, numa procissão que é uma declaração pública de amor ao Senhor que deu a vida para que o mundo tivesse vida.

Eucaristia, celebrar as maravilhas do Senhor. Os discípulos de Jesus experimentam particular alegria em renovar a ceia do Senhor. Chegam de suas casas, com sua história, seus acertos e desacertos. Querem estar perto do Senhor cuja presença se adensa na celebração. Sabem que nas palavras e gestos da missa se atualiza o amor do Senhor. Entram em comunhão com seu corpo glorioso. Fazem uma só realidade com ele. Assumem em sua vida o belo destino do Senhor, destino de amor, esperança, serviço. Como são belas as eucaristias dominicais!

“Comer a Cristo é muito mais do que adiantar-nos distraidamente a cumprir o rito sacramental de receber o pão consagrado. Comungar com Cristo exige um ato de fé de especial intensidade, que se pode viver somente no momento da comunhão sacramental, mas também em outras experiências de contato vital com Jesus. O decisivo é ter fome de Jesus. Busca-lo a partir do mais íntimo de nós mesmos. Abrir-nos à sua verdade para que nos marque com seu Espírito e potencie o melhor que há em nós, Deixar que ele ilumine e transforme as zonas de vida que ainda não foram evangelizada” (Pagola, João, p. 110).

Reflexão em vídeo de Frei Gustavo Medella