
Ato de graça e amor
O Filho gerado do Pai antes de todos os séculos nasce para nós e se faz humano no seio da Virgem Maria, vivendo nossa história e revelando o segredo de um Deus que quis ser um de nós para nos levar à plenitude divina.
Nasce o Salvador em um ato de graça e amor. Ato de um Deus-Emanuel. Como diz o povo nordestino: “Deus mais nós”. No seio de Maria, sua mãe, por obra do Espírito Santo, Ele irá viver e aprender na humilde oficina do carpinteiro José. É isto que celebramos: a salvação que Deus nos oferece pela encarnação de seu Filho. E rezamos na liturgia da Igreja: “Esta é a comemoração do nascimento do Senhor, em que celebramos a troca de dons entre o céu e a Terra, pedindo que possamos participar da divindade daquele que uniu ao Pai a nossa humanidade (Oração sobre as oferendas na missa da noite de Natal)”.
A noite é símbolo de gestação, e o dia revela o Sol que é Jesus nascido pobre na manjedoura dos bois: “Quando o Sol aparecer no horizonte, contemplareis o Rei dos reis sair do Pai como o esposo de seu quarto nupcial”. Nesse parto pouco asséptico, comparecem boi e jumento, anjos e serafins, pastores e pastoras, crianças e idosos, sábios e magos, estrelas e cometas, árvores e frutos silvestres, além do arcanjo Gabriel, de Ana e Joaquim, de José, o justo, e da bem-aventurada entre todas as mulheres, a Virgem Maria de Nazaré, escolhida para ser a Mãe de Deus.
Fernando Altemeyer Junior, “O mistério do tempo”, Vozes