
No Oriente, temos vários calendários como o chinês, egípcio, maia e outros. No Ocidente, predomina o romano cujo início está ligado ao lendário Rômulo, fundador e primeiro rei de Roma, em torno do ano 750 aC. Formulou um calendário de dez (10) meses, tendo seu início em Março. A base do ano era o sistema lunar. Pouco mais tarde, o rei Numa Pompílio (713 aC) acrescentou-lhe os meses Janeiro e Fevereiro.
Muitos anos depois, o Imperador Júlio César (100 a 44 aC) adotou o calendário ao sistema solar de 365 dias, fixando seu início em Janeiro, pois o deus Jano era o “deus das portas e dos inícios”.
Bem posteriormente, o Papa Gregório XIII (1582) instituiu o calendário gregoriano, alinhando o ano civil ao solar e às festas religiosas. Este continha 365 dias e 06 horas. Criou, então, o ano bissexto que, a cada quatro (04) anos, perfaz mais um dia. Agregou-se esse dia ao mês de fevereiro, que passou a ter 29 dias nessas situações.
É curioso notar que, no sistema lunar, o ano tinha, apenas, 10 meses. Quatro deles lembram números: Setembro (07), Outubro (08), Novembro (09) e Dezembro (10). Os demais meses, eram dedicados aos deuses. O deus Jano era o protetor das entradas e saídas. Fevereiro recorda a festa romana Februália na qual oferecia-se sacrifícios de animais para “apaziguar os mortos”. Março é dedicado a Marte, deus da guerra, enquanto abril lembra Afrodite, deusa do amor e o início da primavera (no Hemisfério Norte). Maio pertence à deusa Maia, responsável pelo crescimento das plantas e, em junho, impera Juno, esposa de Júpiter, e deusa do casamento e do parto.
Como vemos, quatro meses se referem a números e seis, a divindades. Como explicar os meses de julho e agosto que, no início, se chamavam de Quinctilis e Sextilis?! São palavras latinas que significam 05 e 06, respectivamente.
Por quê esta mudança?! O que se sabe, é o seguinte: o grande e imortal imperador romano Júlio César (100 – 46 aC), entre tantos feitos históricos, também fez uma reforma do calendário vigente, introduzindo o sistema solar com 12 meses e 365 dias. Por ele se chamar ´Júlio`, fizeram-lhe a homenagem, substituindo Quintilis por Julho. É bom notar que, até julho, os meses ímpares têm 31 dias e que, a partir de agosto, são os meses pares que têm 31 dias!
O que houve?! Sabe-se que o imperador César Augusto (63 aC – 14 dC) sucedeu a Júlio César. Invejoso porque seu antecessor recebeu o nome de um mês com 31 dias, fez valer o seu poder, suprimiu Sextilis por “agosto” (seu nome Augusto), também com 31 dias, tirando-o do mês de fevereiro que, de 29 dias, passou para 28.
Isto nos faz refletir: o poder, quando sobe à cabeça e – quando se junta ao dinheiro – é mais forte que este. Jesus tem razão: “Sabeis que os reis das nações imperam sobre elas e os que nelas exercem a autoridade são chamados de benfeitores. Entre vós, porém, não deve ser assim” (Lc 22,25).
Frei Luiz Iakovacz


