
Este jocoso título veio depois que um frade afirmou: “pregar retiro para confrades é como dar banho no porco”. A partir disto, Frei Gustava Medella, Vigário Provincial, escreve uma ‘pertinente reflexão’ que está em Comunicações abril/2026, pp. 131-133. Inicia, citando a Dupla Sá e Guarabyra quando cantam: “O pó da estrada gruda no meu rosto como a distância, matando as palavras na minha boca sempre o mesmo assunto: o pó da estrada”. O pó faz parte da caminhada de todo o ser humano, inclusive, do frade menor.
O articulista cita cinco (05) tipos de pó que ‘podem nos levar a um distanciamento do chamado que ressoou em nossos corações no início de tudo’. Todo este ‘pó’ pode ser lavado, por mais incrustado que esteja. Cita-os, nominalmente.
O pó da ‘murmuração e o da indiferença’. O primeiro azeda a vida e não “sabemos fazer do limão a uma limonada”. O outro faz barulho e nos torna insensíveis diante do ‘sofrimento do outro’.
Depois vem a dupla ‘pó da superficialidade e da distração digital’. O primeiro ‘acomoda o frade e, o apelo para vivenciar o Reino de Deus, vira uma espécie de estorvo para seu eu’. O outro, marcado de ‘muitos estímulos simultâneos, ficamos horas a fio como se fossem poucos minutos’.
Por fim, o ‘pó do legalismo’. Este nos torna mais “fiscais que irmãos, mais agentes de alfândega do que pastores”. E agora?! O que fazer?! O articulista afirma que a ‘grande vantagem do pó é que ele pode ser removido’. Aponta cinco (05) ‘formas de lavá-lo’.
O primeiro é o ‘constante retorno às origens’, o exercício de revisitar a fonte de água cristalina, quando tinha uma vida simples no meio da família e comunidade, nos primeiros sinais de vocação e o ‘sim’ entusiasmado que proferimos na Profissão. A seguir, cita o ‘saudável desapego que nos convida a deixar cargos, serviços, títulos ou privilégios que se acumularam na vida de menor para colocarmo-nos na alegria de quem segue o caminho’.
O outro apelo é o do ‘bom humor diante dos desafios’, reconhecendo que somos limitados. É rir das próprias falhas e contrariedades da vida comunitária. ‘O riso fraterno ajuda a limpar o ar pesado de nossas casas, permitindo que a luz de Cristo entre pelas frestas do nosso ser humano’.
De mãos dadas de rir de si mesmo vem a ‘vivência da jovialidade’, não vista como cronologia, mas ‘uma abertura à ação do Espírito Santo’. Por fim a ‘Páscoa diária da reconciliação’. Rezar o Pai-nosso, pedindo alívio das mágoas e ressentimentos, é ‘tarefa pascal’.
O que foi descrito acima, são apenas alguns elementos que Frei Gustavo nos deixou. Podem nortear nosso Projeto de Vida e Missão. À exemplo das bem-aventuranças, são um ideal em ‘constante perfazer o caminho’.
Gostaria, também, de deixar minha contribuição através do pedido explícito que o Papa Francisco faz ao clero: não sejamos ‘funcionários do sagrado’.
Funcionário é aquele que, no final do expediente, bate o ponto, vai para casa e aguarda o salário. É o pastor que, nas palavras do profeta Ezequiel, apascenta-se a si mesmo e não lhe interessa as ovelhas, senão sua lã e carne saborosa (cf. Ez 34,1-10).
O evangelista Marcos, por duas (02) vezes, mostra um Jesus tão zeloso pelo rebanho que não tinha tempo suficiente para fazer as refeições (cf. Mc 3,20; 631).
Façamos a Lectio Divina destes textos e deixemo-nos conduzir por eles.
Frei Luiz Iakovacz


