Notícias - Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil - OFM

“Os santos não são apenas intercessores, mas exemplos de vida”: abertura do Ano Jubilar Franciscano reúne fiéis em Pato Branco

20/03/2026

Notícias

 

Na noite da última quinta-feira, 19 de março de 2026, às 19h30, a fraternidade e comunidade da Paróquia São Pedro Apóstolo, em Pato Branco (PR), reuniu-se em clima de alegria e espiritualidade para a celebração de abertura do Ano Jubilar Franciscano. A data coincidiu com a Solenidade de São José, esposo da Virgem Maria e patrono da Igreja Universal, conferindo à celebração um significado ainda mais especial para toda a Igreja.

Instituído pelo Papa Leão XIV, por ocasião dos 800 anos do trânsito de São Francisco de Assis, ocorrido em 1226, o Ano Jubilar Franciscano vem sendo celebrado de 10 de janeiro de 2026 até 10 de janeiro de 2027. Este tempo de graça prolonga espiritualmente os frutos do Jubileu Ordinário de 2025, “Peregrinos da Esperança”, e convida toda a Igreja a um renovado caminho de conversão, santidade e vivência concreta do Evangelho, à luz do testemunho do Pobrezinho de Assis.

Sob essa inspiração, a celebração em Pato Branco marcou o início deste tempo jubilar na realidade local, reunindo frades, membros da Ordem Franciscana Secular, fiéis da comunidade e telespectadores que acompanharam a transmissão ao vivo pela TV Celinauta e pelas redes sociais da paróquia.

Acolhida e início da celebração

A celebração foi presidida por Frei Paulo Pereira, Ministro Provincial, e teve início com a acolhida conduzida pelo guardião da fraternidade, Frei Augusto Luiz Gabriel, que saudou os presentes com o tradicional “Paz e Bem”, destacando a alegria de dar início às celebrações jubilares na paróquia e na fraternidade.

Em sua saudação inicial, Frei Paulo ressaltou a graça do momento vivido pela Igreja e pela família franciscana: “O amor de Jesus Cristo nos trouxe até aqui. O amor de Jesus Cristo nos aproxima uns dos outros. E rezamos juntos neste dia especial para a Igreja, que celebra a solenidade de São José, e também especial para a família franciscana, que inaugura a graça do jubileu do ano franciscano”. Para ele, cada celebração é sempre uma oportunidade de recomeço, expressão concreta da bondade de Deus que continuamente renova a vida dos fiéis.

São José: silêncio e escuta em tempos barulhentos

Ao iniciar sua homilia, Frei Paulo dirigiu saudações à fraternidade local, à Ordem Franciscana Secular e a todos os fiéis presentes e que acompanhavam pelos meios de comunicação. Em seguida, aprofundou o significado da Solenidade de São José.

“José era um homem justo”. A partir dessa afirmação bíblica, ele explicou: “O homem justo é aquele que se ajusta ao projeto de Deus”. Segundo ele, essa “justiça” não deve ser entendida apenas como agir corretamente, mas como um constante alinhamento da própria vida à vontade de Deus, nas pequenas escolhas do cotidiano.

Para ele, a santidade de São José passa pela simplicidade de uma vida ajustada ao querer divino, desde os gestos mais simples até as decisões mais exigentes.

Ao refletir sobre o contexto atual, Frei Paulo fez um forte apelo à redescoberta do silêncio: “Vivemos tempos barulhentos”. E continuou: “O silêncio de José é um silêncio que acolhe, um silêncio que se torna criativo, um silêncio que nos aproxima das verdades de Deus”.

Segundo ele, não se trata de um silêncio de omissão ou desinteresse, mas de um silêncio que escuta, discerne e gera compromisso. Para ele, aprender a silenciar é uma urgência do tempo presente, especialmente diante de uma sociedade marcada por excessos de ruído e opiniões. “Deus nos deu dois ouvidos e uma boca. É preciso escutar em dobro”. Para ele, essa imagem revela um caminho concreto de espiritualidade: escutar mais, falar menos e agir com maior consciência.

São Francisco: mais que intercessor, modelo de vida

Ao introduzir o tema do jubileu, Frei Paulo destacou o dom concedido à Igreja com a celebração dos 800 anos de São Francisco de Assis. Para ele, trata-se de uma oportunidade única de redescobrir o essencial da vida cristã.

“Os santos não são apenas intercessores. São, antes de tudo, exemplos”. Segundo ele, muitas vezes os fiéis se limitam a recorrer aos santos em busca de ajuda, mas deixam de assumir o chamado fundamental de imitá-los.

Frei Paulo destacou que São Francisco é colocado diante da Igreja como um verdadeiro caminho de vida evangélica, que convida à conversão concreta e ao seguimento de Cristo. Também ressaltou o presente recebido pela Igreja com a instituição do Ano Jubilar Franciscano, com a iniciativa do Papa Leão XIV de proclamar para toda a Igreja este tempo jubilar. “É um gesto de grande sensibilidade espiritual, oferecendo a toda a Igreja a oportunidade de mergulhar no carisma franciscano”, disse.

Do conflito à harmonia: o verdadeiro espírito franciscano

Um dos pontos mais marcantes da homilia foi a reflexão sobre a oração atribuída a São Francisco. Frei Paulo chamou a atenção para a necessidade de compreender corretamente a espiritualidade franciscana.

Segundo ele, existe o risco de interpretar a vida a partir de “contrários”, de forma subjetiva, onde cada pessoa define o que é amor, paz ou perdão segundo seus próprios critérios.

“Podemos nos perder num mundo de contrários”. Para ele, essa lógica tem marcado a sociedade atual, gerando divisões, conflitos e interpretações distorcidas da realidade. Como contraponto, apresentou o verdadeiro espírito do santo de Assis, expresso no Cântico das Criaturas: “Louvado sejas, meu Senhor, por todas as suas criaturas”. “Essa oração revela não um mundo de oposição, mas de integração. São Francisco propõe uma visão harmoniosa da criação, onde todas as criaturas, cada uma em sua condição, participam de um grande louvor ao Criador. Essa espiritualidade é profundamente atual, especialmente diante das crises ambientais, sociais e humanas do mundo contemporâneo.

Ao concluir sua reflexão, Frei Paulo reforçou que o legado de São Francisco continua atual e necessário e que a proposta franciscana passa pela vivência da fraternidade, da minoridade e do serviço, especialmente aos mais necessitados. Assim, viver o jubileu significa assumir essas atitudes concretas, deixando de lado o orgulho, a vaidade e a autossuficiência. “Desejar viver como ele viveu, escolher as escolhas que ele fez. Este é o verdadeiro sentido do Ano Jubilar: não apenas recordar São Francisco, mas permitir que sua vida inspire novas escolhas”.

Antes da bênção final, Frei Paulo dirigiu um convite especial à comunidade para rezar pelas vocações: “Que da nossa comunidade surjam vocações franciscanas”. Segundo ele, a vocação à Ordem Franciscana Secular é um chamado importante, vivido no silêncio e na fidelidade ao Evangelho no cotidiano e a comunidade tem papel fundamental no surgimento e no acompanhamento dessas vocações, sustentando os chamados com a oração. E assim, a Santa Missa terminou com a oração da Ave-Maria e a bênção solene, invocando a intercessão de São José, São Francisco e Santa Clara.

TV Celinauta transmite celebração e entrevistas antes da missa

A TV Celinauta iniciou sua transmissão ao vivo ainda antes da celebração, diretamente da porta da Igreja São Pedro Apóstolo, preparando os fiéis para o início da Santa Missa. Durante a cobertura, Frei Mário Tagliari destacou que o jubileu atual é fruto de um caminho celebrado ao longo dos últimos anos: “Estamos culminando uma série de jubileus celebrando os 800 anos de momentos importantes da vida de São Francisco”. Este é o ano da “Páscoa de São Francisco”, momento central de toda essa caminhada espiritual.

Kelly, que atua na área da biologia, também partilhou sua experiência pessoal com a espiritualidade franciscana, destacando o impacto concreto em sua vida e vocação profissional: “São Francisco, desde o primeiro momento que eu conheci a espiritualidade franciscana, transformou a minha vida. Eu, como sou da área da biologia, sempre tive um olhar voltado para a natureza, mas a espiritualidade franciscana trouxe um sentido ainda mais profundo para isso. A ecologia, o cuidado com a criação, tudo isso passou a fazer muito mais sentido para mim”.

Segundo ela, o contato com o carisma de São Francisco não é apenas uma devoção, mas um verdadeiro estilo de vida: “Eu costumo dizer que é um estilo de vida mesmo. Não é só uma espiritualidade bonita, mas algo que a gente vive no dia a dia, na forma de olhar o mundo, de se relacionar com as pessoas e com toda a criação. É uma espiritualidade que toca profundamente e transforma”.

Para Kelly, o testemunho de São Francisco continua extremamente atual, especialmente diante dos desafios ambientais e humanos do mundo de hoje: “A gente vive um tempo em que falar de cuidado com a casa comum é urgente. E São Francisco já vivia isso há mais de 800 anos. Então eu sempre aconselho as pessoas a conhecerem melhor essa espiritualidade, porque ela é realmente maravilhosa e muito necessária para os nossos dias”.

Já Frei Paulo Pereira, em entrevista, reforçou a atualidade da mensagem franciscana. Para ele, São Francisco continua sendo a resposta para os desafios atuais, especialmente diante das tensões sociais e da necessidade de reconstrução da fraternidade.

A transmissão reforçou, de forma muito concreta, o papel da comunicação como instrumento de evangelização, ampliando o alcance da celebração para além dos limites da igreja. Ao final da Missa, Frei Paulo Pereira retomou esse ponto com ênfase, agradecendo à TV Celinauta pela cobertura e destacando a importância de fortalecer os meios de comunicação de inspiração franciscana.

Para ele, a emissora tem uma missão que vai além da transmissão: é chamada a ser presença evangelizadora na vida das famílias. Em tom de entusiasmo, incentivou a comunidade a valorizar e acompanhar a programação: “Queremos ser uma TV franciscana a partir de Pato Branco. É da nossa terra e é franciscana”.

Neste sentido, para os franciscanos, o crescimento da programação religiosa é motivo de alegria e sinal do compromisso com a evangelização. Ele também fez um apelo direto aos fiéis para que acompanhem e divulguem os conteúdos. Além disso, ressaltou que o apoio da comunidade é fundamental para o fortalecimento da missão, inclusive no incentivo aos patrocinadores e na continuidade dos projetos.

Assim, comunicação e evangelização se unem como extensão da própria celebração, fazendo com que a experiência vivida no altar chegue também às casas, às famílias e a tantos outros lugares onde a fé é alimentada através dos meios de comunicação.


Frei Augusto Luiz Gabriel (texto) PASCOM e Grupo Celinauta de Comunicação (imagens)