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D. Gregório a Frei Alan: “Tudo deve ser feito para os irmãos, com aquela Paz e aquele Bem que você assumiu na sua vida”

04/06/2022

Notícias

Petrópolis (RJ) – Frei Alan Leal de Mattos recebeu neste sábado (4/6), às 10 horas, o segundo grau do Sacramento da Ordem, pela imposição das mãos do bispo diocesano de Petrópolis, Dom Gregório Paixão, OSB, durante a Celebração Eucarística na Catedral São Pedro de Alcântara, Padroeiro da Cidade Imperial e do Brasil. Ele também recebeu de Dom Gregório um detalhado itinerário para o seu ministério presbiteral durante a homilia: “Tudo deve ser feito para os irmãos, com aquela Paz e aquele Bem que você assumiu na sua vida e que deve ser transmitido a todas as pessoas”.

Frades de toda a Província da Imaculada Conceição, especialmente das Fraternidades do Regional do Rio de Janeiro, marcaram presença neste momento importante na vida religiosa de Frei Alan. Entre eles, o Ministro Provincial Frei Paulo Roberto Pereira. Sacerdotes, religiosos, religiosas e seminaristas também se uniram ao povo de Deus para render graças ao Altíssimo Deus nesta celebração. As vozes dos Canarinhos de Petrópolis se fizeram presentes deixando a liturgia mais solene e bela.

O rito da ordenação obedeceu à seguinte ordem: a eleição do candidato; homilia, propósito do eleito; ladainha; imposição das mãos e prece de ordenação; unção das mãos e entrega da patena e do cálice. Após a liturgia da Palavra, Frei Alan se apresentou como candidato à ordenação e o Ministro Provincial Frei Paulo Pereira o apresentou ao Bispo, que diante dos presentes, o acolheu.

Em sua homilia, o bispo recordou como o jovem Alan, do bairro Mosela, fez o seu discernimento vocacional e foi apresentado a São Francisco de Assis.

Depois deste resumo, Dom Gregório definiu todos os serviços que Frei Alan vai ter no seu ministério presbiteral: “A primeira coisa que gostaria de dizer para você neste momento é: não esqueça de onde você partiu. Quem não sabe de onde vem, não sabe para onde vai. Portanto, uma história precisa ser mantida porque foi ela que serviu de alicerce para o edifício que depois foi constituído”, indicou o bispo.

Dom Gregório pediu para Frei Alan não esquecer de seus primeiros compromissos como religioso. “Você amou a Deus pelo testemunho de São Francisco e, através desta grande graça, você fez votos. Seja fiel àquilo que foi a primeira lembrança de uma aliança sua com Deus e, principalmente, da fidelidade de Deus em sua aliança para com você”, acrescentou.

Depois, Dom Gregório disse que Frei Alan tinha diante dos seus olhos, uma estola diaconal. “Lembre-se sempre: quando você usar uma casula como sacerdote, coloque no seu coração o tempo todo a estola que você ainda carrega até esse momento. O sacerdote é, antes de mais nada, um servidor. Não nega, pela etapa nova, o seu diaconato, mas a sua vida será sempre a beleza de um testemunho, que deve chegar a todos, principalmente aos pobres, e a sua consagração se deu principalmente por amor a eles”, exortou.

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“Por outro lado, como nós ouvimos nos Atos dos Apóstolos e na segunda carta que São Paulo escreveu aos Coríntios, existe um ponto fundamental da nossa vida como ministros do Senhor. E o que é que eu acho principal naquilo que o Apóstolo disse? Nós precisamos pregar a Jesus Cristo e a sua obra, porque podemos sempre correr o risco de arrumar discípulos para nós, sejam aqueles que estão do nosso lado, sejam pelas redes sociais. E as pessoas correm o risco de buscar, de admirar e de adorar a nós do que Aquele que é o único que deve ser adorado”, alertou.

Para o bispo, ao assumir o sacerdócio de Jesus Cristo, pela força da sua palavra, Frei Alan deve apresentar às pessoas aquele que é o Senhor. “Você deve fazer com que aqueles que chegam perto de você sejam discípulos de Jesus Cristo. Nenhum Evangelho pode ser pregado, nenhuma doutrina pode ser passada, senão aquela que Ele entregou aos apóstolos, que nos deixou através de sua Palavra, que ele, com alegria tão grande, resolveu repartir do tesouro do seu coração para que a gente possa inundar o coração dos outros e fazer com que eles fiquem com Aquele que deve ser realmente a presença viva dentro do coração e, ao mesmo tempo, digo para você: Em todo o seu serviço como sacerdote coloque a alma feliz, alegre, como ensinou São Francisco de Assis através das suas atitudes”, indicou.

E prosseguiu: “Tudo deve ser feito para a glória de Deus. Tudo deve ser feito com a perfeição daquele que na terra já consegue enxergar a glória do céu. Tudo deve ser feito para os irmãos, com aquela Paz e aquele Bem que você assumiu na sua vida e que deve ser transmitido a todas as pessoas”.

Para o bispo, assim o altar será a mesa da partilha, o altar será a mesa da presença. “O altar será a mesa da contemplação e, diante dos olhos de todos, o altar deve ser sempre para os outros e para você fundamentalmente o lugar da adoração. Sirva ao altar de Deus e faça com que o povo de Deus se alimente da graça desse novo tempo”, sublinhou.

p”Ao mesmo tempo, observando a fragilidade da sua vida, seja capaz de ser misericordioso para com todos aqueles que se aproximam de você pedindo que, em nome do Pai, do Filho e do Espírito, o perdão lhe seja concedido. Dê a boa Palavra. Ensine o que a Igreja nos ensinou e, fundamentalmente, experimentando em você mesmo essa misericórdia e que ela chegue ao coração de todos”, continuou.

Dom Gregório prosseguiu definindo os sacramentos do batismo, do matrimônio e a santa unção: “Alegre-se pelo crescimento da Igreja, pelos filhos que nos procuram desejando a água santa do batismo e, ao mesmo tempo, como marca da sua presença, alegre-se também por aqueles, que acreditando no amor, desejam constituir família, e daqueles, que pedindo a sua presença, choram e lamentam a partida porque amaram tanto, mas ao mesmo tempo sabem da glória da ressurreição onde nós todos desejamos chegar e nela partir para a glória de Deus definitivamente”.

“Ora, Frei Alan, o que posso dizer para você, o que repito para mim muitas vezes, a nossa vida deve ser um constante hino de louvor à glória do céu, mas ao mesmo tempo deve ser uma profunda vigilância porque nós somos as primeiras testemunhas de Jesus Cristo, morto e ressuscitado, para que esse mundo creia e se liberte, tenha vida e possa ser transformado no projeto que ele nos deixou”, aconselhou.

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Para o bispo, esse testemunho será muito exigido de Frei Alan e nunca deverá esquecer de uma coisa que pode ser muito dura: “Você perdoará ao longo de sua vida como sacerdote milhares de pessoas, entretanto, entenda, que se um erro grave for cometido, nem sempre nós, sacerdotes, somos perdoados por uma falta que cometemos. Portanto, é preciso acreditando na misericórdia do Senhor, perceber todos os atos da nossa vida para que sejamos testemunhas vivas desta presença na vida de todos os irmãos”, orientou.

“Cabe, portanto, meus irmãos e minhas irmãs, ao Frei Alan rezar, dobrar o joelho, se colocar diante do Senhor, porque assim que deve viver um sacerdote. E, ao mesmo tempo, eu peço que toda a assembleia se una numa oração constante por ele e por todos aqueles que se colocam à disposição do serviço do Senhor porque nunca nos faltará profunda alegria, mas momentos de tristeza. Nunca nos faltará um desejo imenso de ir adiante, mas de vez em quando a preguiça que nos isola e nos entristece. Nunca faltará a alegria da santidade que inebria a nossa vida, mas sempre uma tentação que nos persegue pela força do inimigo para que a gente pare, para que a gente caia, e para que a gente se entristeça. Portanto, somos sustentados por vocês, pela oração de vocês, pelo testemunho de vocês”, disse.

“Vejam neste frade, que agora será ordenado, o irmão que lhes indicará o caminho da vida, mas ao mesmo tempo vejam nele um filho que precisa de acalento, um filho que precisa de profundo  cuidado, um filho que precisa de oração para que não desista mas para que entregue a vocês aquilo que ele mesmo recebeu e, com vocês pelo serviço a todos, principalmente aos pobres, realizar a obra que agora vemos realizada como primeiro momento, para que ele possa entregar no último a vida que Deus lhe deu e, ao mesmo tempo, o ministério que Deus lhe confiou”, pediu.

O bispo, então, concluiu: “Seja feliz meu irmão, porque um padre triste é um triste padre. Alegre a vida dos outros. Não perca tempo com pseudoproblemas, mas olhando o que é essencial e, vendo a graça de Deus em sua vida, a transmita a todos irmãos e irmãs pela força, pela graça, pelos dons que nos vêm pelo Espírito Santo”.

Na continuidade do rito, durante o propósito do eleito, diante da Igreja e no diálogo com o bispo, Frei Alan disse sim ao ministério presbiteral, suas funções e seu modo de vida. Então, ele se prostrou ao chão, como sinal de total entrega a Deus, enquanto Frei Felipe Carreta iniciou a Ladainha de Todos os Santos.

O momento central da ordenação aconteceu com a imposição das mãos, um gesto de tradição bíblica e apostólica, e a prece da ordenação. O bispo e todos os presbíteros impuseram as mãos sobre Frei Alan, a fim de que o Espírito Santo possa iluminar e renovar o seu coração no serviço a Deus em favor de todo o povo de Deus.

Acolhido entre os presbíteros, Frei Alan foi revestido com as vestes litúrgicas, trazidas pela Tia Laurita e o tio Carlinhos. Frei Ivo Müller e Frei Edrian Pasini ajudaram o neopresbítero a retirar as vestes de diácono e a colocar a estola, sinal de seu serviço, e a casula, a veste própria do pastor.

A Tia Laurita e o tio Carlinhos receberem a primeira bênção do neopresbítero, que foi acolhido, então, com um abraço pelos presbíteros, com quem dividirá o ministério, e pelos confrades presentes, com quem ele faz a sua caminhada no seguimento de Jesus Cristo, nos passos de Francisco.

Ordenado, Frei Alan concelebrou no altar, quando teve início a Liturgia Eucarística. As oferendas do Pão e Vinho, sobre o altar, foram apresentadas juntamente com a oferenda da vida e vocação de Frei Alan, que celebrou pela primeira vez como presbítero.

Na sua fala, Frei Alan disse que agradecia a Deus “por ter me concedido, pela força do seu Espírito, a graça de poder servir a Ele e a Igreja de Jesus Cristo”. Depois, agradeceu a Dom Gregório, ao Ministro Provincial, a Frei Fidêncio Vanboemmel, que o batizou, e aos familiares. “Gostaria de mencionar aqui meus avós, em particular minha avó Minervina, que me criou como um filho, minha tia avó Augusta, duas mulheres de grande fé. E meu pai, que nos deixou no Natal do ano passado. Sei que do céu eles se alegram comigo e intercedem por mim”, emocionou-se.

Agradeceu os leigos das paróquias onde trabalhou e a todos que vieram “de longe e de perto”. Agradeceu aos Pe. Lucas e ao Frei Jorge Schiavini e aos paroquianos das Paróquias São Judas Tadeu da Mosela e Sagrado Coração de Jesus. Agradeceu a Frei Marcos Andrade e ao maestro Lischt e o Coral dos Carinhos, os frades, seminaristas e o Serviço de Animação Vocacional da Província.

“Escolhi por lema ‘Santifica-o pela verdade’. Que minha vida e meu ministério sejam de tal modo verdadeiros que possam agradar a Deus e que, cada vez mais, eu tenha largueza de coração e seja um sacerdote como nas palavras de nosso Pai São Francisco: ‘Que vive retamente segundo a forma da Igreja Romana’. Que pela intercessão de Maria Santíssima, Rainha dos Menores, nosso Pai São Francisco, nossa Mãe Santa Clara e de São Pedro Alcântara, padroeiro desta Catedral, a minha vida possa ser um sacrifício de louvor agradável ao Deus Altíssimo, em Jesus Cristo”, pediu.

Atualmente, Frei Alan reside em Curitibanos (SC), onde é guardião da Fraternidade e auxilia na Paróquia Imaculada Conceição e nas rádios pertencentes à Fundação Frei Rogerio.

Frei Alan vai celebrar a Primeira Missa neste domingo, às 11 horas, na Paróquia São Judas Tadeu, na Mosela, em Petrópolis.


Frei Roger Strapazzon (fotos) e Moacir Beggo