Sefras participa de mobilização em defesa da população em situação de rua em SP e no RJ
21/08/2026

*acesse os materiais originais do Sefras aqui e aqui
O Sefras – Ação Social Franciscana participou, na última quarta-feira (19), das mobilizações do Dia Latino-Americano de Luta da População em Situação de Rua, realizadas em São Paulo e no Rio de Janeiro. A data é marcada pela memória das vítimas do Massacre da Sé e pela defesa de políticas públicas que garantam dignidade, moradia e direitos às pessoas que vivem em situação de rua.
Em São Paulo, participaram das atividades o Chá do Padre e a Recifran. No Rio de Janeiro, a Casa Franciscana esteve presente na mobilização. As unidades fazem parte da atuação do Sefras junto à população em situação de vulnerabilidade e desenvolvem ações voltadas à proteção social, alimentação, convivência, trabalho, geração de renda e acesso a direitos.
Para o Frei Vagner Sassi, diretor-presidente do Sefras, a presença da organização nas mobilizações reafirma um compromisso que também está presente no trabalho cotidiano das unidades.
“Para que a paz reine entre nós, precisamos reconhecer que a vida de cada pessoa tem o mesmo valor. A paz passa pela dignidade, pelo respeito e pelo compromisso de não aceitar que alguém seja tratado como invisível. Estar ao lado da população em situação de rua é parte do nosso compromisso com o Sefras, não apenas neste dia, mas em todos os dias, por meio de um trabalho que busca defender direitos e construir caminhos para uma vida com dignidade.”
Um dos participantes do Sefras que esteve na mobilização destacou a importância de dar visibilidade à população em situação de rua: “É importante estar aqui porque muitas vezes parece que ninguém enxerga a gente. Quem está na rua tem uma história, tem família, tem vontade de seguir em frente. A gente passa por muita coisa e, mesmo assim, continua lutando. Eu espero que as pessoas parem para olhar para nós de outra maneira, com mais respeito. Ninguém escolhe passar por tudo isso. Hoje eu estou aqui para lembrar quem perdeu a vida e também para dizer que quem está vivo precisa ter uma oportunidade.”
Uma realidade que exige políticas públicas

A mobilização ocorre diante de um cenário de crescimento da população em situação de rua no país. Dados do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua, da Universidade Federal de Minas Gerais (OBPopRua/UFMG), apontam que 388.855 pessoas estavam registradas como população em situação de rua no Cadastro Único em maio de 2026.
São Paulo registrava 159.290 pessoas e o Rio de Janeiro, 35.406, segundo o mesmo levantamento. Os dois estados estão entre os territórios de atuação do Sefras.
Nas capitais, os números também mostram a dimensão do desafio. Em São Paulo, o levantamento da UFMG registrava mais de 99 mil pessoas em situação de rua. No Rio de Janeiro, o Censo Municipal de População em Situação de Rua de 2024 identificou 8.195 pessoas, entre aquelas que estavam nas ruas e as acolhidas pela rede socioassistencial.
Os números, baseados em registros do Cadastro Único e levantamentos municipais, ajudam a dimensionar uma realidade que demanda ações permanentes do poder público e da sociedade civil.
Ato no Santuário do Cristo Redentor

Dando continuidade às atividades do Dia Nacional de Luta e Luto da População em Situação de Rua no mesmo dia, o monumento do Cristo Redentor foi iluminado em vermelho no período da noite. O momento marcou o encerramento das mobilizações pela defesa dos direitos dessa população no Rio de Janeiro e contou com a participação do Frei Tiago Elias, vice-presidente do Sefras, e de Thaysa Nascimento, assistente social e coordenadora da Casa Franciscana.
Ao longo do dia, também foram realizadas atividades na Catedral Metropolitana do Rio de Janeiro e um ato público na Cinelândia, reunindo organizações, movimentos sociais, trabalhadores, representantes da sociedade civil e pessoas em situação de rua em torno da defesa de direitos e do enfrentamento às violações vivenciadas por essa população.
Para Thaysa Nascimento, a mobilização foi fundamental para ampliar a visibilidade da pauta e sensibilizar a sociedade sobre a necessidade de políticas públicas que garantam direitos para todas as pessoas: “Junto com a Pastoral do Povo da Rua da Arquidiocese do Rio de Janeiro e com o Fórum Permanente de Defesa dos Direitos da População em Situação de Rua, tivemos um dia emblemático. As pautas de saúde, moradia, educação, trabalho e lazer não podem excluir justamente os que mais precisam dessas políticas”.
O Redentor e as “chagas” do povo carioca
O ato no Cristo Redentor ganhou um significado especial para Frei Tiago Elias. Para o vice-presidente do Sefras, a imagem do Cristo, símbolo da cidade do Rio de Janeiro, também convida a sociedade a voltar o olhar para as marcas de sofrimento presentes na vida de tantas pessoas, especialmente aquelas que vivem em situação de rua: “Justamente aqui, nesta cidade do Rio de Janeiro, onde contemplamos diariamente a imagem do Cristo Redentor, podemos também contemplar suas chagas, as marcas de sua redenção. As chagas do Cristo também nos lembram das chagas do povo carioca”.
Frei Tiago destacou que a simbologia do momento reforça a necessidade de olhar para além do cartão-postal e reconhecer as pessoas que vivem nas ruas e enfrentam diariamente situações de fome, abandono, falta de moradia, trabalho e acesso a direitos.
“Olhando para baixo, podemos ver ainda as marcas, as chagas na vida do nosso povo carioca, principalmente de quem está em situação de rua. É este dia que nos faz voltar o olhar para essas pessoas e questionar tanto o poder público quanto a própria população sobre a necessidade de observar quem está ao nosso redor” – ressaltou.
Segundo o vice-presidente do Sefras, mulheres, idosos e crianças em situação de vulnerabilidade carregam as marcas da fome, do abandono, da falta de moradia, de trabalho e de cuidado e, muitas vezes, também da perda da esperança.
“Que os braços do Cristo Redentor nos inspirem a abrir também os nossos para acolher, escutar, proteger e reconhecer a dignidade do nosso povo” – enfatizou. Para Frei Tiago, a reflexão proposta pela data ultrapassa a dimensão religiosa e convoca toda a sociedade à responsabilidade diante das desigualdades e violações de direitos: “Uma cidade verdadeiramente abençoada não é aquela que apenas contempla o Cristo no alto do morro, mas aquela que enxerga Cristo nas ruas, entre aqueles que mais precisam”.

A iluminação do Cristo Redentor em vermelho reforçou, de forma simbólica, a importância da data e da memória das pessoas que perderam suas vidas em decorrência da violência e da exclusão social. No Rio de Janeiro, as atividades realizadas ao longo do dia 19 reafirmaram que lembrar as vítimas da violência é também fortalecer a luta por uma sociedade em que todas as pessoas tenham seus direitos respeitados e possam viver com dignidade.
19 de agosto: memória, luta e defesa de direitos
Há 21 anos, em 19 de agosto de 2004, um episódio de extrema violência marcou a história da população em situação de rua no Brasil. Conhecida como Chacina da Sé, a série de ataques ocorrida na região da Praça da Sé, em São Paulo, resultou na morte de sete pessoas e deixou outras oito feridas.
A violência sofrida pelas vítimas tornou-se um símbolo da luta contra as violações de direitos enfrentadas pela população em situação de rua. Em memória das vítimas e como forma de fortalecer a mobilização por direitos, o dia 19 de agosto foi instituído como o Dia Nacional de Luta e Luto da População em Situação de Rua.
A data se consolidou como um momento de memória e mobilização em defesa da população em situação de rua. O lema deste ano, “Parem de nos sufocar. E se fosse você? Dignidade e moradia, já!”, chama atenção para a necessidade de reconhecer a situação de rua como uma questão relacionada às desigualdades sociais e à ausência ou insuficiência de políticas públicas.
Entre as reivindicações apresentadas nas mobilizações estão o fortalecimento da assistência social, a ampliação de políticas de moradia definitiva, a qualificação dos serviços destinados à população em situação de rua e a criação de oportunidades de trabalho e geração de renda.
O trabalho do Sefras

A participação nas mobilizações se conecta ao trabalho realizado diariamente pelo Sefras em seus territórios de atuação.
Em São Paulo, o Chá do Padre oferece atendimento e serviços voltados à população em situação de rua, enquanto a Recifran desenvolve ações de inclusão social e produtiva, com atividades relacionadas à reciclagem, formação e geração de renda.
No Rio de Janeiro, a Casa Franciscana atua junto a pessoas em situação de vulnerabilidade, fortalecendo o acesso à proteção social, aos direitos e à construção de novas possibilidades de vida.
Mais do que responder a necessidades imediatas, o trabalho desenvolvido pelas unidades busca fortalecer a autonomia e ampliar o acesso a direitos. A atuação está alinhada à missão do Sefras de enfrentar desigualdades, promover dignidade e construir respostas sociais para pessoas que vivem diferentes situações de vulnerabilidade.
*acesse os materiais originais do Sefras aqui e aqui
Melissa Galdino – Sefras











