No ritmo do coração de Jesus, no ritmo do amor
13/06/2026

Na Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, na última sexta-feira (12), também o Dia dos Namorados, o guardião Frei Gustavo Medella presidiu a Missa das 15 horas, tendo como concelebrante Frei Edvaldo Batista Soares. Lembrando o lema “Com Santo Antônio, vestindo a camisa da fé”, as festividades em honra ao Santo franciscano chegam ao auge neste sábado (13/6) para o fieis devotos e também em clima esportivo pela estreia do Brasil na Copa do Mundo de Futebol. Frei Medella pediu: “Que o coração de Jesus inspire o nosso coração e que tenhamos um coração de atleta ao modo do coração de Jesus, campeão no amor, na disponibilidade para se doar, no desejo de ressignificar cada acontecimento da vida, colocando-se na ótica da ressurreição e da esperança”.
Na sua homilia, o frade se deteve sobre o Sagrado Coração de Jesus: “Eu vou dizer uma coisa para vocês, eu vou dizer de coração! Quando nós usamos uma expressão dessa recorrendo ao termo coração, parece que os sentidos se tornam mais aguçados. Nós logo pesamos: vem algo sério, vem algo profundo, importante para a vida dessa pessoa que ao me abordar já apelou para o coração’. Eu quero falar com você, eu quero abrir meu coração. Parece que já há uma disposição para uma escuta diferente. Pera aí, tem algo que vem de dentro, que é fundamental para essa pessoa. Ou, então, quando numa preparação para uma festa, como esta de Santo Antônio, senhoras, senhores, pessoas que já sentem um pouco o peso do tempo, desdobrando-se em torno de panelas imensas, mexendo pra cá pra lá, carregando mais peso do que seria recomendável. E nós dizemos a esta pessoa: muito obrigado pelo que tem feito! E ouvimos: ‘Frei, eu faço de coração!'”, contextualizou Frei Medella.
“E quando a gente percebe essa disponibilidade de uma pessoa, que diz ‘eu faço de coração’, um esforço que fisicamente, emocionalmente, pode ser cansativo, nos parece que conseguimos entender o que significa o “jugo suave e o fardo leve”. Cansado, mas realizado, feliz porque fez com o coração, colocou amor, entregou-se por inteiro. Sente os efeitos da exigência física? Sente, mas dá um significado amoroso que faz aquele peso parecer leve, aquele jugo parecer suave. É a mãe que cuida da criança e toca fralda a hora que necessário for. Acorda na madrugada, a hora que necessário for. O filho grato, a filha que cuida do pai, já dependente, e não fica pensando nas privações que está passando, mas o amor que está conseguindo expressar. Tudo isso revela um coração que se deixa impregnar pelo amor que o coração de Cristo quer nos inspirar”, detalhou.
Segundo ele, olhando para a imagem do Sagrado Coração de Jesus, se fôssemos lançar um olhar a partir dos conceitos da anatomia humana, parece até uma anomalia: “Como é que o coração que deve ficar dentro, aparece do lado de fora. Deve ser algum problema. No entanto, fazendo uma leitura teológica, existencial, vendo o testemunho e a proposta de Jesus, nós percebemos que o coração dele não poderia estar em outro lugar. A não ser ali à mostra, aberto, rasgado, transparente, disponível para todos nós a todo tempo. Esse é o modo que Deus escolheu pra estar conosco, sem nada para esconder, sem nada para reter, sem medo nenhum de se entregar. E essa inspiração que queremos ter do Sagrado Coração de Jesus”, ensinou.
‘Quando rezamos ‘Jesus manso e humilde, fazei do nosso coração semelhante ao vosso’, para que essa semelhança aconteça, nós precisamos cultivar a proximidade com aquele que tem esse coração aberto. Esse coração exposto, esse coração que se faz vulnerável por amor. O amor nos torna vulneráveis. Mas é o amor que nos liberta e dá sentido à nossa vida, o quanto somos necessitados desses encontros verdadeiros, nos quais nós oferecemos ao outro nosso coração e acolhemos também em nós o coração do outro. Penso que o abraço possa ser uma expressão desse desejo. Eu lhe quero tão bem que por mim o seu coração seria o meu e o meu seria o seu. Que os nossos corações se encontrem e que possamos viver nessa intensidade que o amor nos proporciona”, disse, lembrando que é muito também representativa a imagem de Santo Antônio com o Menino. “O coração de Antônio e o coração de Jesus são quase como um só coração, batendo no mesmo ritmo, o ritmo do amor”.
E para encerrar, um brevíssimo ensinamento de um dos Sermões de Santo Antônio, quando ele fala por que o coração de Cristo foi aberto sobre a cruz pela lança do soldado. Ele diz assim: O coração aberto pela lança abriu para nós as portas do paraíso, que Adão e Eva haviam fechado. E o sangue que brotou do lado de Cristo afastou para longe da entrada do paraíso, aquele que querubim de espada flamejante, que o Senhor havia colocado como guarda depois de expulsar Adão e Eva. E aí diz Santo Antônio: a virtude do sangue brotado do lado de Cristo afastou o anjo e tornou inofensiva a sua espada e água que também brotou do lado de Cristo apagou o fogo da espada. O coração aberto de Jesus nos ensina o caminho do reencontro do paraíso e esse caminho passa, necessariamente, pela estrada do amor. A Missa terminou com a bênção de Santo Antônio com sua Relíquia e a aspersão da água benta.

Bênçãos e desafios da vida de casado
O Momento Devocional, neste dia dos Namorados, reuniu o casal Ana Cristina e José Roberto, da Pastoral Familiar da Região Sé, casados há trinta anos e pais de dois filhos. Eles abordaram o tema “Bênçãos e desafios da vida de casado”.
Na saudação inicial, o comentarista lembrou-se que Santo Antônio nos recorda que o amor verdadeiro não se sustenta apenas nos sentimentos, mas na paciência, no perdão e na decisão diária de caminhar juntos. O casamento floresce quando há escuta, respeito e confiança em Deus, especialmente nos momentos em que faltam forças humanas.
Primeiro, o casal falou das dificuldades, especialmente relacionadas aos jovens diante do matrimônio. “Vemos na geração dos nossos filhos, individualismo, foco no eu, os jovens têm medo de tomar decisões, medo de uma rotina. Entram com uma ideia romântica e na rotina se decepcionam; falta de preparo; eles têm ideia que não é necessária uma preparação. Além disso, faltam maturidade e estabilidade emocional. Eles se surpreendem quando falamos que o casamento é um sacramento de serviço”, explicaram.
“Quando casamos, a gente também era um pouco imaturo. A gente brigava. E nós melhoramos quando fizemos encontro de casais. Não é tão automático assim”, revelou o casal, dando um dado preocupante: os casamentos terminam até cinco anos. Para Ana e Roberto, a Igreja tem muito a contribuir. “Não fizemos a preparação antes, mas fizemos depois quando nossos filhos eram pequenos. Estamos aqui por causa dessa preparação”, disse Ana Elisa.
E completaram: “Esses jovens precisam descobrir a beleza do sacramento. No casamento, eu e ele temos um monte de defeitos. Mas usamos para a nossa santificação. Temos a nossas qualidades e as juntamos para o nosso crescimento. E tudo fica mais fácil unidos em Cristo. Sem a família não tem Igreja. E a família precisa da Igreja”, completou.
Equipe de Comunicação do Santuário e Convento São Francisco












