Vida Cristã - Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil - OFM

Maio 2011

I. LEITURA ESPIRITUAL

Reflexões descosturadas a respeito da vida espiritual (II)

 

Na precedente edição desta revista eletrônica fizemos já algumas reflexões muito descosturadas a respeito da vida espiritual. Neste número de maio continuamos a elencar aspectos, particularidades, ângulos do mesmo tema. Se de um lado dizemos que nosso tempo anda buscando o espiritual também é verdade que muitos de nós nos achamos completamente perdidos. Não sabemos o mapa do caminho. Talvez, quem sabe, muitos perdemos a motivação de atingir as estrelas. Em quase todos os ambiente há uma desmotivação. Há uma pergunta que volta sempre: Para que serve isso? Para que tanto esforço por nada?

 

1. Sim, são reflexões descosturadas. Bem descosturadas. Cabe a cada leitor arrumar as coisas em sua mente e ordenar os tópicos no interior de seu coração. Em nossa caminhada espiritual, de partida em partida, vamos sempre em frente. As pessoas de coração sincero, mesmo que por vezes demonstrem cansaço, estão sempre desejando recomeçar. O que estamos fazendo de nossas vidas? Será que está valendo a pena viver? Sem pretensões a heroísmos o que deixaremos depois de nossa passagem pela terra dos homens? Queremos, ou deveríamos querer realizar a vontade do Pai e viver em coerência, apesar de todos os sobressaltos e turbulências. São Cipriano (II século) coloca num texto curto e denso algumas balizas que nos permitem ver se estamos no bom caminho: “A vida humilde, a fidelidade inabalável, a modéstia nas palavras, a justiça nas ações, a misericórdia nas obras, a disciplina nos costumes; o não fazer injúrias; o tolerar as recebidas; o manter a paz com os irmãos; amar a Deus de todo o coração; o amá-lo por ser Pai; o temê-lo por ser Deus; o nada absolutamente antepor a Cristo, pois também ele não antepôs coisa alguma a nós; o aderir inseparavelmente à sua caridade; o estar ao pé da cruz com coragem e confiança quando se tratar de luta por seu nome e sua honra, o mostrar firmeza ao confessá-lo por palavras, e, no interrogatório, o manter a confiança naquele por quem combatemos, o conservar a paciência que nos coroará, tudo isso é querer ser co-herdeiro de Cristo, é cumprir o preceito de Deus, é realizar a vontade do Pai” (Liturgia das Horas, III, p. 329-330). Que programa! Somente soldados atentos e vigilantes conseguem cumpri-lo com o bafejo da graça do Senhor. Ao longo do tempo da vida, das estações da existência será preciso ver se estamos construindo sobre o sólido ou se tudo não passa da “vontade da carne”. Ou seja, deixamos de ser seres espirituais.

2. Os que precisamos viver espiritualmente são as metas das Constituições Gerais: “Seguidores de São Francisco, os irmãos são obrigados a levar uma vida radicalmente evangélica, isto é, viver o espírito de oração e devoção e em comunhão fraterna; dar um testemunho de penitência e minoridade; anunciar o Evangelho ao mundo inteiro em espírito de caridade para com os homens; pregar por obras a reconciliação, a paz e a justiça; e mostrar o respeito pela criação” (CCGG OFM, Art. 1, n 2). Que programa! O instrumental dos retiros, capítulos, encontros tem ajudado a que vivamos esse maravilhoso programa de vida?

3. Não dá para viver a vida cristã e franciscana sem mais nem menos. Há um empenho a ser feito. Urge ter os fios da história em mãos, nem que seja para colocá-los logo em seguida nas mãos do Senhor. As transformações do mundo são de muita monta. Os que fizemos a profissão franciscana na década de sessenta sabemos que tudo mudou. Mas não pode ter mudado a vontade de acertar e o desejo de que o primeiro amor não venha a morrer. Não se trata de fazer teorias a respeito da espiritualidade. Trata-se, isto sim, de ter as rédeas na mão e não ser joguete do acaso, dos modismos e desse eu teimoso que não quer morrer… “Se o grão de trigo não morrer, não poderá dar fruto…” Não se trata apenas de um ofício divino recitado aqui e ali, de uma missa celebrada com certo brilho. Trata-se de gente, de frades que precisamos reescrever a história de Francisco em nossas vidas. Esse tempo tão rico da Páscoa nos coloca diante de uma realidade belíssima: “Se ressuscitastes com Cristo, esforçai-vos por alcançar as coisas do alto, onde está Cristo, sentado à direita de Deus; aspirai às coisas celestes e não às coisas terrestres. Pois vós morrestes e vossa vida está escondida, com Cristo em Deus” (Colossenses 3, 1-3). Não, nada de intimismo, nada de alienação, nada de sair da realidade. Trata-se, isto sim, de viver as coisas do alto na terra. Do contrário, tudo é banal, tudo é sem valor. Trata-se de viver em profundidade.

4. Não nos cansamos de refletir sobre as palavras atribuídas a Ignatios Lataquié da Síria sobre o Espírito Santo: “Sem o Espírito Santo, Deus está distante; o Cristo permanece no passado; o Evangelho é letra morta; a Igreja uma simples organização, a autoridade uma dominação, a missão uma propaganda, o culto uma evocação, o agir cristão uma moral de escravo”. Ora, viver espiritualmente, levar uma vida espiritual é deixar-se guiar pelo Espírito. A fragilidade de tantas coisas que vemos pode vir da inexistência de seres inflamados pelo Espírito também nas nossas fraternidades franciscanas. Sem pessoas espirituais, capítulos, reuniões de fraternidade, retiros mesmo quando realizados materialmente não conseguem a finalidade para as quais existem, ou seja, fazer com que tenhamos consciência de que nossa vida está escondida com Cristo em Deus. Uma atividade pastoral que não parta desta convicção de que nossa vida está escondida em Cristo, é simples tocar de uma empresa sem alma. Onde fica a paixão do pastor pelas ovelhas?

5. Já tive ocasião , em outros lugares, de transcrever estas linhas de Michel Hubaut falando dos começos de Francisco: “Francisco descobre que a fé é uma chama muito frágil no meio da noite. Ele vai penetrar na fé como alguém que procura abrir um poço no deserto, como alguém que remexe num campo para encontrar ali um tesouro. Nunca se esquecerá desta primeira etapa na qual descobriu que a aventura evangélica começa sempre um rasgão. O “homem velho” dobrado sobre si mesmo ouve ranger seus ossos quando aprende a ficar de pé e abrir seus braços livres à luz de Deus. Como acolher a gratuidade dos dons do Senhor, sem deixar cair de nossas mãos nossas pseudo-riquezas? Aqueles primeiros anos foram decisivos para o porvir do Poverello. O evangelho lhe feriu como se fosse o bisturi de um cirurgião. A pacífica homilia que mantinha adormecida a assembleia dominical se converteu para ele num evangelho de fogo. O contrário da fé é o medo. Ter a coragem de arriscar tudo. Renunciar ao desejo de manipular sua vida, seus dons, seus bens, de seguir cada um em solitário seu caminho, para entregar-se à vontade de Deus, para entrar em seu projeto amoroso sobre cada um de nós… esse é todo o mistério da fé. Francisco é um bom exemplo dessa aposta na fé. Não é possível compreender nada de sua vida, se se esquece deste fundamento inicial. Sua conversão é o desejo do homem que se abre ao desejo de Deus” ( M. Hubaut, El caminho franciscano, p.19). Ora, esse desejo de abrir-se ao projeto de Deus a nosso respeito se realiza até nosso último suspiro. Por isso, trabalhando na pastoral, comprando pão, administrando coisas caóticas, dando aulas, carregando nossas limitações precisaremos nos lembrar que nossa vida está escondida em Cristo Jesus. Para tanto teremos que ser seres de interioridade. Não podemos nos derramar nas coisas e nos esvaziar de tudo. Se o grão de trigo não morrer…Temos muito medo de escolher e de morrer e, assim, querendo tudo temos pouco ou nada….

6. Parece importante habitar o coração. Isso é capital. Entrar em si mesmo significa entrar na sua verdade, penetrar na solidão e no silêncio. Não somos personagens fantasmagóricos tentando viver custe o custar. Temos que ser nós mesmos. No meio das transformações do mundo, das transferências devido ao voto de obediência levamos de um lado para o outro esse ser que foi “picado” pelo Evangelho. Difícil esta viagem ao fundo do coração. Estamos imersos no barulho, barulho dos carros, dos telefones celulares. Nossas refeições são barulhentas, nossas sacristias são barulhentas, nosso interior é barulhento. Não temos gosto de estar com nós mesmos. Falando sobre o tema, Enzo Bianchi, um dos homens mais espirituais de nossos tempos, escreve assim, num gênero literário de carta a um amigo. “O silêncio e a solidão são essenciais para se colocar ordem dentro de si mesmo. Estas duas realidades têm o maravilhoso poder de simplificação, de redução ao essencial, de clarificação, de concentração”….”Corremos o risco de esquecer a arte de nos ocupar de nós mesmos e de nossa interioridade que é essencial para reconhecer quem somos e porque fazemos o que fazemos. Um pouco de pé no freio, de mais tempo passado em teu quarto sem fazer nada, simplesmente presente a ti mesmo, deixando surgir as emoções que se sedimentam em ti, talvez isso te ajude a encontrar a unidade, a dar nome aos sentimentos que tomam conta de ti e ajuda tua memória a se lembrar”. A solidão e o silêncio constituem um tempo de enraizamento, tempo de profundidade. Ali recebemos a força de sermos nós mesmos, de forjar uma palavra que saia de nós mesmos e que não seja apenas a opinião deste ou daquele, o último grito em matéria de pastoral ou de não sei o quê. Silêncio e solidão são modalidades privilegiadas de vida interior que permitem às pessoas terem coragem de serem elas mesmas. Deixamos de seguir com o rebanho. Sem excentricidades, nosso viver constitui uma diferença. Não dá mais para adotar essa postura de achatamento, de um doentia uniformização. Não se trata de brincar de chocar, mas de conseguirmos ser o que somos, de continuar a sermos “picados” pelo evangelho e não viver por viver. Literalmente, Enzo Bianchi: o silêncio e a solidão “são realidades que permitem sair da superficialidade, dar profundidade às tuas palavras e sentido aos teus relacionamentos. A solidão purifica o olhar que projetas nos outros: pensando nos outros quando está sozinho, descobres um rosto que não imaginavas, que te escapa quando estás o tempo todo ao lado do outro. Não é verdade que são aqueles que falam muito, ou sempre, que são os melhores comunicadores, nem que para ser uma pessoa capaz de relacionamentos será preciso viver no meio dos outros, sem um momento de trégua, de face a face consigo mesmo. Isso seria confundir quantidade e qualidade. O contrário é verdade: a capacidade de comunicar e de relacionamento é proporcional à capacidade de silêncio e de solidão. Estes nos levam para a vida interior e nos permitem que sejam os mestres de nós mesmos”.

7. Não basta a oração litúrgica: necessário que ela brote do silêncio e da verdade de cada um. Não basta fazer uma nova folha de cantos para a missa dominical: os que presidem a celebração e os que chegam para participar serão pessoas que têm alguma coisa a dizer ou sabem concretamente o que vieram buscar . Os religiosos, os leigos serão pessoas de leitura, de espírito crítico, de formação permanente. A vida espiritual será alimentada no silêncio da cela, nos momentos que precedem a recitação do ofício em fraternidade. O capítulo local não pode ser apenas de achismos e nunca improvisado, mas de partilha de textos densos de nossa aventura espiritual. A introdução do salutar hábito da leitura orante da Bíblia não será uma “mera novidade”, mas tempo em que os participantes querem ouvir no hoje de sua história aquilo que é importante para levar adiante seu projeto evangélico. Nada de extraordinário: voltar à meditação, saborear os salmos em particular ou em comum, ler e refletir, voltar aos Padres e às fontes, recriar em nossas casas um clima de vida consagrada a Deus, não uma simples residência sem alma de criaturas que, como Francisco, se lançaram na aventura do Evangelho.

8. O Documento da Ordem sobre a Formação Permanente lembra: “Acompanhar o Frade Menor rumo a uma experiência de fé profunda e personalizada, que favoreça o encontro pessoal com Jesus Cristo nas Escrituras, nos diversos acontecimentos, no irmão, nos pobres, na Eucaristia e em toda a criação, por meio de um contínuo discernimento, para reconhecer a ação do Espírito, animados por um profundo sentido eclesial. / Valorizar a celebração do ano litúrgico, e portanto, dos sacramentos, de modo particular a Eucaristia e a Reconciliação. / Formar para uma leitura orante da Bíblia, na escola da Virgem Maria, nossa irmã na fé, primeira discípula de Cristo e verdadeira mestra segundo o Espírito. / Educar nas diversas idades da vida a receber os tempos pessoais de solidão e de contemplação como um dom e uma exigência para crescer na experiência do encontro vivo com o Senhor, juntamente com tempos sabáticos…” (Sois chamados à liberdade, p. 52). Será preciso inventar outros expedientes para alimentar a vida espiritual? Nas orientações acima não encontramos a chave para não perder o primeiro amor?

9. André Louf, antigo abade cistercisense, é hoje um dos grandes nomes espirituais. Ele fala de uma necessidade de reconhecimento de nossa fragilidade e de nos deixar ”seduzir” por Deus. Transcrevemos estas linhas tão profundas que nos ajudam nesse tema da vida espiritual. “Deus quer a felicidade daqueles que criou. Sua pedagogia é a da felicidade. O desejo humano de se realizar, de alguém se tornar ele mesmo, é positivo. O homem foi criado à imagem de Deus, para tornar-se Deus, como ousam dizer os Padres da Igreja. O homem, no entanto, encontra em si resistências, consequências de uma primeira recusa de Deus. Parece ser importante falar novamente do pecado original hoje: a Bíblia usa a imagem do homem velho do qual será preciso se resvestir para chegar ao homem novo que é Cristo. Trata-se bem de libertar-se de uma resistência. Para tanto, o essencial consiste em se descobrir pobre, fraco e fazer a experiência da necessidade absoluta da graça de Deus. Poder-se-ia dizer que tal postura estaria em oposição à realização de si. A procura de si, no entanto, leva-nos a nos reconhecer fracos. E não há outro caminho senão o da Páscoa que passa por uma morte e uma ressurreição. O momento em que tomamos consciência de nossa radical fraqueza é de importância fundamental. O que não se deve fazer é fugir, sob o pretexto de que é preciso ser forte, generoso, resistente. Propósitos moralizantes não servem para nada. Necessário se faz atravessar aquilo que os antigos chamaram de “rutura” do coração, uma crise que sacode em profundidade. Lá a graça se torna sensível. A força de Deus se manifesta na fraqueza. E o único caminho do cristão é o Cristo. A atitude fundamental nesse percurso espiritual é se deixar prender pelo Mistério. Mais importante do que dizer o fato é fazer a sua experiência. Somente os testemunhos convencem: Eis o que me aconteceu da parte de Jesus Cristo” (Revista francesa Panorama, março de 2004, p. 53 ).

Concluindo:

Viver espiritualmente não é viver uma vida desencarnada. É esta vida de todos os dias embebida pelo Espirito. É essa vida imersa no mistério pascal.
Para os franciscanos, viver espiritualmente é identificar-se com o Cristo pobre, servo, irmão.
Será necessário cultivar uma delicadeza de consciência e sempre comparar o nosso presente com as promessas que fizemos ao Altíssimo e Bom Senhor que renova nossa vida.
No meio das agitações necessárias e nas fugas desnecessárias será preciso sempre observar para não perdemos o norte.
Retomar os ensinamentos de nossos mestres vivos e falecidos na rica espiritualidade franciscana.
Em nossa vida espiritual e pastoral, por vezes penosa, não devemos dizer: “De que adianta tudo isso?” Cristo no alto da cruz talvez tivesse tido a mesma tentação. Para responder com o dom tanta ingratidão. Nunca esqueceremos que não existe vida espiritual sem aceitação da cruz. Somos discípulos de Francisco da perfeita alegria.

Obs.: As citações de Enzo Bianchi foram tiraras da revista Panorama, outubro de 2004, p. 40-41)

II. PÁGINAS FRANCISCANAS

A vida precisa ser reinventada

 

Julien Green, sem ser francês escreve em francês. Green nasceu em 1900. E escreve bem. Aprecia Francisco de Assis a mais não poder. Queria mesmo ser São Francisco. De seu livroFrère François transcrevemos poucas linhas a respeito dessa premente necessidade de reinventar a vida que experimentavam os primeiros frades.

O ideal franciscano brilhava com uma luminosidade semelhante à da aurora, dissipando pouco a pouco as trevas das seitas que iam surgindo aqui e ali. A fraternidade ia se espalhando por toda a Úmbria. Em todos cantos, nas aldeias e vilarejos, iam pipocando esses companheiros alegres vestidos de grosseiro burel, cantando a plenos pulmões ou reunindo as pessoas à sua volta para poderem lhes anunciar a Boa Nova. Podia-se dizer que eram como os membros do Exército da Salvação! Francisco os denominava de malabaristas de Deus tendo nas almas um mistério colocado por Deus. Mendigando o pão, ofereciam em troca seus braços. Trabalhavam: cuidavam do feno, varriam, lavavam e, se soubessem, faziam utensílios de madeira. Nunca aceitavam dinheiro e se acomodavam como podiam, algumas vezes na casa do padre, atrás de um quebra-vento, num sótão ou num barracão-celeiro. Muitas vezes dormiam ao relento…

Eles chamavam atenção. Bem ou mal recebidos, eles pregavam sem perder o fervor de neófitos com uma fé que nascia no mais íntimo deles mesmos. Constituam-se em profetas de um mundo novo em que o desprezo pelas riquezas e a paixão pelo Evangelho transformavam a vida e davam a todos alegria. De que servia escutar os valdenses e esses estrangeiros perfeitos se sua linguagem era incompreensível? A simplicidade franciscana “deletava” a heresia. Ao longo dos caminhos, os novos irmãos iam dois a dois, um seguindo o outro, como aqueles dos quais Francisco havia ouvido os passos numa visão profética.

Esses começos do franciscanismo com suas aparências de doce anarquia deveria dar lugar a uma ordem. A cada ano dobrava o número dos frades provindos de todos os cantos, sendo que entre eles estavam aqueles que haviam de desempenhar um papel importante numa das maiores aventuras das ideias cristãs que foi a aventura franciscana. Mais sensíveis ainda a do que os homens ao apelo místico, as mulheres procuravam em São Damião a paz interior que era ameaçada pela turbulência de um mundo que parecia votado à violência. A luz de Francisco se estendia aos primeiros conventos de mulheres amorosas de Cristo. Um canto novo subia aos céus. Depois nunca mais se encontrou coisa igual. Não se repete esse tipo de “amor à primeira vista…”.

Frère François
Julien Green, Ed. Seuil, p. 189-190

III. ORAÇÕES

Teu olhar

 

Mês após mês, queremos oferecer aos nossos estimados
leitores eletrônicos preces, orações para o dia-a-dia da vida.

 

TEU OLHAR

Deus santo, Deus belo, Deus de toda profundidade,
busco teu semblante, procuro teu rosto
espreito tua chegada.
Tu vens de mansinho, tu te ocultas por detrás de minha soberba,
tu chegas revestido de silêncio.
Tu sopras como o vento suave,
crepitas como o fogo na palha.
Falas ao coração do despojamento,
do abandono, da solidão, da fragilidade.
Vem, Senhor, para que eu possa continuar a viver.
Tenho sede de entrega, de comunhão.
Sei que tu vens para estabelecer comunhão,
receber o presente de minha fragilidade,
aceitar a oferenda do meu tempo que é presente teu.
Não quero ouvir os gritos de meu interior,
esses brados de interesse, de medo, de insegurança.
Não suporto mais esta agitação
que não me deixa ficar no meu lugar.
Busco, corro, agito-me,
esqueço que antes de tudo será preciso
acolher serenamente tua presença,
perceber tua chegada, olhar teu semblante.
As coisas da vida são importantes,
as tarefas fraternas precisam ser realizadas,
o mundo precisa de minhas pobres e frágeis mãos
e da energia que pulsa dentro de meu coração.
Mas antes de tudo, Deus santo, Deus belo,
Deus de toda profundidade, preciso abrir espaços
no vazio de meu interior, para que Tu venhas
banhar de luz, impregnar com tua presença
esta terra sequiosa e ardente de sede de Plenitude.
Vem, habitante do silêncio.
Estou espreitando tua chegada
e aguardando teu olhar.
Vem aquietar esse meu louco e irrequieto coração.
Vem, habitante do silêncio,
voz que fala na quietude de mim mesmo.
Tu és o Deus santo, o Deus belo, o Deus de toda profundidade.
O silêncio me avisa que estás chegando.
Preciso imediatamente tirar a sandália dos pés.
A terra em que piso é terra santa.

JESUS, AMIGO DOS HOMENS

Jesus, amigo dos homens, meu amigo,
eis-me aqui como Simão de Cirene
carregando a cruz de meu irmão.

Jesus, amigo dos homens, meu amigo,
Eis-me aqui como Verônica
Enxugando o rosto desfigurado de minha irmã

Jesus, amigo dos homens, meu amigo,
Eis-me aqui como Marta e Maria
Te pedindo por Lázaro, eu amigo.

Jesus, amigo dos homens, meu amigo
Faze em mnim tua morada,
Cubra-me com o teu Espírito.

Que não seja mais eu
Mas tu que vives em mim.

Em teu nome, peço ao Pai.
Manifesta a glória de teu Filho,
Nosso salvador e nosso Deus.

Etienne Garin, sj
Revista Prier, junho de 1977, p. 9

PRECE DOS ESPOSOS

Senhor,
ensina-nos
a tecer o agasalho de nosso amor
com as malhas da fidelidade,
do perdão e da paciência
da verdade, da alegria e do sofrimento.

Ajuda-nos a fazer com que não
se rompa malha alguma
para que não se venha a perder a veste toda.

Senhor,
quando vierem as horas da tempestade
dá-nos a força de lançar em tua direção
a âncora da oração
a fim de que juntos possamos atingir
as praias da eternidade.

Senhor
que a gratidão e a fecundidade de nosso amor
cantem tua aliança com a terra
e celebrem as núpcias do Cristo do povo de Deus.

Oração publicada pela revista
Croire aujourd’hui, Numero especial 2008, encarte

IV. E A FAMÍLIA, COMO VAI

Em torno do tema das mães

 

Uma das figuras mais importantes na vida de uma pessoa é, sem dúvida, a de nossa mãe. Costuma-se fazer muito enfeite literário e sonoro em torno do tema das mães no segundo domingo de maio. Cuidado com os exageros!

Recentemente, as grandes telas de cinema exibiram um instigante filme sobre o relacionamento de um filho com sua mãe. O título do filme era Je suis heureux que ma mère soit vivante (Feliz que minha mãe esteja viva). Não vou contar todos os pormenores do filme, sobretudo seu surpreendente desfecho.

Trata-se da historia de um menino adotado chamado Thomas. Sim, um casal adota dois garotos seguindo todos os procedimentos legais. Desde a adolescência, o mais velho, Thomas, quer encontrar a verdadeira mãe. O mais novo vive sua vida. É indiferente ao fato. Sente-se filho do casal que o adotara. Thomas agride violentamente os pais e idealiza sua mãe biológica. Chega mesmo a se tornar violento em casa e seus pais adotivos precisam colocá-lo num internato. Thomas, tenaz e persistente, procura a mãe… Dirige-se a cartórios de registros e coisa parecida. Conta com a simpatia de uma funcionária que facilita as coisas. Ele encontra a mãe. Quando chega à casa dela esta não o reconhece. Thomas sofre e sofrerá até o fim da película. Depois toma coragem e há o reencontro com a verdadeira mãe, encontro e encontros marcados com traços de incesto. Thomas não admite que sua mãe o tenha deixado. Esse pouco afeto da mãe marcará sua vida para sempre. Tem ciúmes da mãe que teve um filho com outro homem. Sente-se mais pai do que irmão do menininho que a mãe teve com outro homem… e assim. Quem puder veja o filme.

A figura da mãe é importantíssima na vida de uma criança. Não podemos defender uma espécie de “moda” de se ter filho fora do casamento porque a criança crescerá na insegurança. Não se pode simplesmente entregar o filho à avó da criança. Uma criança que se dá conta que ela ocupa um lugar muito pequeno na vida da mãe cresce com insegurança. Mesmo com o trabalho fora de casa, a mãe será forte presença na vida do filhos.

Na medida do possível ( e do impossível), as mães precisam ficar com seus filhos. Claro, que o pai também. Quero dizer: não entregar seus filhos à assistência pública.

Compreende-se que uma criança tenha a curiosidade, e mesmo o direito, de conhecer seus pais biológicos. O tema da adoção é extremamente complexo. Temos um mundo de crianças soltas por ai, sem família, sem pai, sem mãe, sem lençóis passados e cheirosos, sem brinquedo, sem natal. A generosidade de um casal que adota uma criança será inscrita no coração de Deus. Mas, para que tal se dê com todo acerto será preciso prudência, cautela e adultos capazes de desculpar agressões e investidas violentas.

O filme em questão mostra este aspecto de forma cruel. Mostra também, com o evoluir psicológico de Thomas, como ele aprendeu a ser adulto, sobretudo com a mãe adotiva. Encanta-nos ver os dois comendo à mesa. O pai adotivo é internando numa clínica de repouso. Esse homem que havia comido o pão que o diabo amassou na adolescência do menino é tratado por Thomas com carinho e todo respeito. Os pais adotivos conquistaram o coração do filho que veio um outro ventre. Assim, é a vida.

A mãe é presença importante em todas as existências. Ela se faz proteção, olha no fundo dos olhos do filho, adivinha seus sentimentos, pressente violência e dor em seu interior, é capaz de amar até o fim. Sem querer que as mães sejam figuras acabadas de dedicação, espera-se que o coração da mãe seja mais generoso do que outros corações.

A arte é saber amar, sem prender. É acolher, para enviar. É saber que o filho tem que voar com asas próprias. É facilitar todos os ensaios do ir pelo mundo, do deixar pai e mãe… Amar até o fim e respeitar até o fim a autonomia do outro. A mãe é mãe até o fim… sobretudo quanto sabe que está morrendo e aperta pela última vez a mão do filho…

Parece-me importante que os filhos possam ver em sua mãe uma amiga de Deus. A mãe não será carola, piegas. O filho gosta de ver que sua mãe saboreia os salmos, que ela se coloca em oração serena desfiando as contas do rosário ou passando instantes diante do Santíssimo. As mães, com a habilidade de mãe, convidam os filhos a estarem junto dela num momento de oração singela, breve, densa e verdadeira. Os filhos não querem mães embonecadas e empetecadas, mas mulheres fortes capazes de abrir as portas de sua vida aos que mais precisam. Quem ver nas mães traços da Mãe de Jesus.

O filho espera que a mãe seja muito companheira do pai. Gosta de vê-los juntos, de vê-los conversando, planejando, sendo profundamente unidos. Gostam também quando os dois são de Deus. Repito, não com carolice e devocionalismo não sadio.

Muitos mais se poderia dizer sobre o tema. Há mães que hoje carregam a pesada cruz de filhos nas drogas, no narcotráfico, nas penitenciárias.

O tema das mães é sempre um belo tema. Mas não basta apenas festejá-lo com musiquinhas e palavras gastas. Somos profundamente gratos a nossas mães, rezamos por aquelas que partiram. Os que ainda têm a ventura de terem perto deles sua mãe que a tratem com fineza, cortesia, gratidão.

V. PASTORAL

Em torno da realidade da paróquia (II)

 

Em nosso número anterior fizemos umas poucas e singelas reflexões sobre o tema da paróquia. Continuamos a examinar o tema sem nenhuma pretensão de esgotá-lo nem de dizer a última palavra.

 

1. Escutamos dizer que a paróquia é uma estrutura superada e que a evangelização se faz ou se fará em outros espaços. Estamos convencidos de que uma paróquia situada no centro velho de São Paulo ou nas proximidades do Convento de Santo Antônio, no Rio, são lugares de passagem, são procuradas para a missa dominical e para os sacramentos. Nada mais. Ou pouco mais. Mesmo certas paroquias dos frades em cidades médias e grandes desconhecem expressões de sólida vida cristã. As pessoas chegam, estacionam o seu carro, participam da missa, escutam um pedaço dos avisos e depois retomam seus carros, voltam à casa, num domingo à noitinha por exemplo, para comer uma pizza diante da televisão, diante do fantástico show da vida. Os ditos “paroquianos” satisfazem suas necessidades religiosas imediatas e pronto.

2. Mesmo nos últimos decênios, muitos de nós, frades, com dedicação e garra, temos a consciência alegre de termos sido úteis ao povo de Deus e de termos feito experiências pastorais que nos encheram o coração. Não queiramos ser cegos. Não podemos, é claro, querer eternizar alguma coisa que precisa mudar. Não podemos colocar jovens frades sacerdotes ou não em esquemas inférteis. Que paróquias em nossa Província, neste momento, são espaços que podem entusiasmar os frades que estão sendo ordenados este ano?

3. O documento da Ordem sobre o tema da paróquia, retomando o ensinamento do magistério sobre o assunto, assim se exprime: “Segundo a exortação apostólica de 1988, Christifideles laici, a paróquia não é principalmente uma estrutura, um território…, é antes a “família de Deus como uma fraternidade animada pela espírito de unidade… está fundamentada sobre uma realidade teológica, porque é uma comunidade eucarística, uma comunidade de fé e uma comunidade orgânica… na qual o pároco – que representa o bispo diocesano – é o vinculo hierárquico com toda a Igreja particular…. portanto a paróquia é localização da Igreja.. é a própria Igreja que vive em meio à casa de seus filhos “ (Enviados a evangelizar em fraternidade e minoridade na paróquia, Roma 2009, p. 13). E não nos esquecemos que uma presença especialíssima do Ressuscitado se faz na Igreja, no Corpo Místico e em concretização desse mistério tão grande.

4. Teoricamente estamos de acordo. A paróquia não pode desaparecer. Ela não pode ser substituída por movimentos, grupos isolados. A paróquia é concretização Igreja local que é a diocese. Esta quer que suas características estejam presentes na pequena Igreja que é a paróquia. Com toda a sua precariedade, ela é uma estrutura ainda necessária. Três grandes atividades aí se desenrolam: a escuta e o aprofundamento da Palavra, a celebração do mistério cristão e o serviço da caridade (justiça, paz, caridade, etc). A realidade nos diz que a Palavra não consegue atingir a pessoa toda e todas as pessoas, que a celebração do culto estaria desvinculada da oferenda pessoal de cada um com Cristo, o serviço da caridade é, vezes muitas, alguma coisa na linha do assistencialismo para algumas pessoas que durante décadas recebem uma cesta básica e de se ter uma farmácia com amostras… grátis… Tudo isso não satisfaz…. Será fundamental que a paróquia tenha suas comunidades e consiga belamente ser comunidade de fé, de sacramentos, da Palavra e da caridade.

5. A dificuldade da vivificação das paróquias vem do fato de que não se tem condições de se fazer uma experiência de fraternidade, não se vive o famoso “vede como eles se amam”. Num tempo de acentuado individualismo, numa época em que alguns remediados fogem da cidade desde a sexta-feira buscando a praia e a montanha, faz com que não consigamos ver na paróquia a casa dos filhos de Deus que se estimam. Nos últimos anos, sem querer ou por querer, nossas paróquias se burocratizaram. As pessoas chegam, conversam com uma secretária fazem cursos de batismo ou de casamento, recebem diplomas e não são evangelizadas e acompanhadas. Insisto no acompanhamento. Não se concebe pastoral feita de cursos obrigatórios da data de validade. O assunto é polêmico. Uma equipe de sacerdotes e um conselho de pastoral maduros poderão e deverão, sem protelação, refletir sobre tudo isso, e não se satisfazer com remendos novos colocados em panos velhos. Os serviços paroquiais existentes não serão supressos. Ao contrario: palestras, acolhida, contacto, celebrações serão verdadeiros e prenhes da mentalidade do evangelho. A alma de uma paróquia não é a burocracia nem a questão do dízimo, não pode sempre ser a prioridades das prioriades. A fé é mais importante, é a única coisa importante.

6. Gilles Routhier, sacerdote canadense, professor de pastoral, refletindo sobre o tema do “fazer Igreja” hoje assim se exprime: “Atualmente, nossas paróquias são antes de tudo espaços, ao menos em sua finalidade, destinados aos cuidados pastorais do que já começaram a seguir a Cristo. Em nossos dias, quando a situação de cristandade ficou para trás, dispomos de muitas paróquias, mas nos faltam enormemente lugares para estabelecer um primeiro contato com as pessoas de longe e não temos atividades “móveis” que nos permitam estar nos diferentes espaços e terrenos. A nova evangelização reclama a renovação do dispositivo pastoral de nossas dioceses e não são somente das paróquias que precisam de adaptação. Necessário repensar no seu conjunto os dispositivos pastorais da diocese. O somatório de todas as adaptações paroquiais não nos dará os espaços de que hoje necessitamos para propor o Evangelho num mundo sensivelmente diferente daquele de ontem no momento em que se desenvolveu a rede paroquial que herdamos” (Esprit et Vie, nov. 2001, p.9.

7. Sempre na linha da reconfiguração da diocese, Gilles Routhier, escreve: “Da remodelagem paroquial, passa-se à necessidade de reconfigurar o conjunto da diocese de maneira a imaginar para nossos tempos lugares de proposição e de atestação evangélica. Trata-se de um tríplice desafio: imaginar o anúncio do Evangelho e uma forma de vida cristã em contexto de modernidade; imaginar lugares de encontro com o Evangelho para pessoas que estão situadas diversamente no plano religioso; imaginar uma outra forma de presença da Igreja na sociedade num momento em que se observa uma dissociação entre cultura e fé e num momento em que a sociedade se constrói fora da Igreja. O levar a sério estes desafios não nos levará apenas a reorganizar o serviço paroquial em função da escassez de padres ainda em serviço. A Igreja diocesana local não pode fazer como vinha fazendo anteriormente, se ela quiser, num determinado lugar, servir o Evangelho e dar o testemunho do Reino que vem” (Idem, ibidem). Tudo foi dito e nada foi dito. Ao lado da paróquia, ponto de referência ainda essencial em nossos tempos, há outros “lugares” de Igreja: os centros de peregrinações, as capelanias, as casas dos religiosos, sem falar dos movimentos.

8. Terminando estas reflexões talvez se pudesse assinalar algumas características de uma paróquia confiada aos franciscanos (remetemos a todo o documento da Ordem já mencionado)

os frades evangelizam e pastoreiam em fraternidade de irmãos que se estimam e dividem as tarefas tendo o irmão pároco como maestro;

primaremos pela acolhida e atendimento em todo o tempo não nos atendo ao mínimo e ao prescrito;

promover celebrações densas em que as pessoas possam rezar em profundidade e como dizia Adélia Prado não precisem depois de uma missa buscar um lugar para rezar;

uma das missas de domingo poderia e deveria ser melhor cuidada: qualidade de silêncio, oração, cantos; normal que um frade assuma esta celebração regularmente; a ideia do constante rodízio de celebrantes pode e não deve ser um dogma;

uma paróquia franciscana é sempre um espaço de formação permanente: cursos regulares, com hora de começar e de acabar, nos dias e tempos que convêm aos leigos;

a organização de mesas redondas sobre os grandes temas da atualidade: família e seus percalços, respeito à vida, ecologia, drogas, etc.

promover celebrações de caráter ecumênico;

criar grupos de fieis que gostem da espiritualidade franciscana, grupos de solteiros e casados, jovens e menos jovens que, no futuro, eventualmente, se quiserem poderiam optar pela Ordem Franciscana Secular; os cuidados de tais grupos poderiam ser confiados ao Conselho da OFS e ao Assistente Espiritual da mesma OFS;

o Documento da Ordem vai mais longe: que a fraternidade paroquial saiba colaborar com a Família franciscana; com particular atenção, os frades promoverão na paróquia a presença da OFS e da JUFRA, respeitando sua autonomia e, ao mesmo tempo, oferecendo-lhes a necessária formação e as orientações para uma inserção eficaz na ação pastoral da paróquia, de forma que possam difundir a espiritualidade franciscana secular e empenhar-se em favor dos valores do reino nas realidades propriamente seculares. A presença da JUFRA representa uma oferta a mais aos jovens em busca de sentido de vida, de sólidas experiências espirituais, de encontro com o Evangelho, de inserção na vida da Igreja (p. 51);

fomentar uma mentalidade na comunidade no sentido da busca de todos os leprosos do pedaço;

uma paróquia/comunidade franciscana será marcada pela beleza da musica, da arte de verdade, do cultivo do belo: afinal de contas somos filhos daquele que soube escrever uma das peças mais belas de toda a literatura: o Cântico do Irmão Sol. A música encanta e leva a Deus. A verdadeira música.

Concluindo

Fora deste elenco, mas de alguma forma dentro dele, transcrevo uma sugestão do Documento da Ordem acima mencionado: “Preparar lugares adaptados para a meditação, como oásis de silêncio e de paz. Nos espaços paroquiais, junto aos lugares escolhidos para os encontros, seria bom reservar algum cantinho para a oração pessoal e, onde for possível, um ambiente onde a natureza possa ajudar o espírito a se regenerar e a se reencontrar na harmonia com a criação e o Criador. Afinal, somente na intimidade com Ele pode-se compreender o significado da vida experimentando alegria que, com Pedro no Tabor, faz exclamar: “Senhor, é bom estarmos aqui” ( p. 46-47).

Espero que os frades que estão sendo ordenados nestes tempos tenham muito gosto pelo trabalho de pastoral paroquial e levam o fogo franciscano para estruturas por vezes esclerosadas de muitas de nossas paróquias.

Frei Almir Ribeiro Guimarães, OFM
freialmir@gmail.com