Vida Cristã - Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil - OFM

Abril 2019

Apresentação deste número

TIRANDO DO BAÚ COISAS NOVAS E VELHAS

Reinventado a vida a cada dia

 Abril, final do tempo da Quaresma e, na segunda quinzena,  a Semana Santa, a Semana das Semanas. Diante de nossos olhos, o Senhor, o Ressuscitado. Este número de nossa Revista Eletrônica tem tudo a ver com esses eventos que atualizam os mistérios pascais. Santo Astério de Amaseia, bispo, fala da ressurreição de maneira forte, original e plástica:  “Ó maravilha!  A mansão  dos mortos devorou o Cristo Senhor e não o digeriu. O leão engoliu o Cordeiro e não pôde conservá-lo em seu estômago. A morte sorveu a vida, mas tomada de náuseas, vomitou até os que anteriormente devorara. O gigante não conseguiu levar Cristo que morria; morto, ele tornou-se terrível para o gigante; lutou contra alguém que estava vivo e esse caiu, vencido pelo morto”.

Bom mês de abril, recolhida e contemplativa Semana Santa, alegre festa da Páscoa.

Frei Almir  Ribeiro Guimarães, OFM

freialmir@gmail.com

O Tempo Pascal

O tempo pascal da vida da Igreja tem múltiplos encantos.  Dispomos de cinquenta dias para acolher essa Boa Nova que sempre provoca admiração: a vida venceu a morte. Cinquenta dias para deixar que nosso rosto seja iluminado com a beleza do Ressuscitado. O Espírito de Pentecostes será ainda necessário para aprofundar as riquezas e consequências do mistério pascal em nossa vida pessoal, na Igreja e na história, sobretudo nesses tempos de busca do novo que seja conforme o desejo do Senhor.

Serão algumas semanas marcadas por “manifestações” do Cristo vivo a seus discípulos. Dias impregnados da imagem do Bom Pastor, do amor que vai até o fim, dos queridos e benditos discípulos da estalagem de Emaús. Todos os domingos do tempo pascal, no dizer de Santo Atanásio, é como se fossem um grande e único domingo. Somos  envolvidos pela claridade do círio pascal que permanece iluminando até a solenidade da Ascenção.

Aleluia. Louvai a Deus… canto de ação de graças por esse evento  altíssimo da história da salvação. Deus cumpriu seu desígnio. Tirou o seu Filho das garras da morte e, concomitantemente, nos vestiu de luz e nos conferiu a vida. A Ressurreição de Cristo nos atinge lá por dentro de nós mesmos.

O tempo pascal constitui uma celebração antecipada da felicidade de uma terra nova, já em gestação, pelas sementes do Espírito de Cristo da Páscoa.

Aleluia, canto do homem libertado de toda fatalidade e feito um alegre viajante que caminha rumo ao Reino que já está em gestação, homem que ainda não conhece todos os contornos desse Reino que ele ajuda a construir na qualidade de discípulo do Ressuscitado. O homem da Páscoa sabe que sua vida está escondida na vida do Cristo ressuscitado.  Tem consciência que Cristo com sua ressurreição abriu um facho de luz.  Santo Agostinho diz que “hoje cantamos o aleluia da estrada”, amanhã será o aleluia da pátria”.

Desde o segundo domingo da Páscoa estaremos sendo convidados a destrancar as portas de nossas comunidades e de nossos corações, a vencer nossos temores de anunciar, pela palavra e pela vida, que Jesus vive. Aprenderemos, nesse tempo pascal, que Jesus está sempre perto de nós, no “meio de nós”, para que possamos acolher todos os dons messiânicos de sua Páscoa: a alegria, o perdão no Espírito, a força de testemunhar sua presença atuante, sua paz. Como Tomé será preciso assumir nossas dúvidas e descobrir que a primeira bem-aventurança cristã é a da fé. Gostamos de ouvir a leitura dos Atos que fala da alegria das primeiras comunidades em viver na presença do Senhor.

Desenha-se diante de nós, no tempo pascal, a figura do Pastor, do Bom Pastor e somos também convidados a nos interessar pelas vocações de pastores do Povo de Deus.

No meio da crise, a coragem da aurora

No meio das normais transformações do mundo, a vida consagrada continua buscando caminhos novos. Novas trilhas já foram abertas. Há trilhas antigas que ainda permitem vislumbrar deslumbrantes paisagens.  Pina de Core, fma, escreveu um texto tonificante sobre a vida religiosa para além da adaptação. Extraímos de seu texto as reflexões  que apontam para uma aurora depois do tempo da neblina.

            A filósofa espanhola Maria Zambrano, a propósito da situação de crise que a cultura está atravessando, atreve-se a afirmar com confiança inquebrantável que é precisamente no interior da crise, aparentemente sinônimo de morte, onde se desenham cenários inéditos e luminosos, prelúdio de auroras reiteradas e nunca plenamente alcançadas, sempre apontando para o futuro. Pina cita literalmente Maria Zambrano: “A princípio poder-se-ia pensar que nossa cultura esteja morrendo, sobretudo no seu núcleo ocidental mais antigo, ou seja, a Europa. Poderia, quem sabe, ser bem outra coisa, ou seja, um amanhecer. Tentaremos verificar esta hipótese. As duas realidades unidas, a morte e a aurora, provocam uma crise. A aurora, no entanto, tem mais valor do que a morte na história humana, aurora da condição humana que se anuncia muitas vezes e torna a aparecer depois de cada derrota. Toda a história poderia se definir como um tipo de aurora repetida e nunca plenamente alcançada, “prótese” em vista do futuro”.

Diante dos desafios que a vida religiosa enfrenta, a globalização da cultura e a complexidade dos relacionamentos sociais  tornam  mais difícil  a escolha por vidas radicais e duradouras, nesse mundo que vive uma crescente experiência de sofrimento material e moral que minam a dignidade do ser  humano:  o que fazer  para continuar sendo  “profecia de vida” para toda a humanidade, para continuar presente na linha de frente da evangelização e abrir-se aos novos areópagos da missão?

Reboam ainda na memória do coração as palavras de Bento XVI  – quase como um testamento espiritual  – dirigidas aos religiosos e religiosas  por ocasião da Jornada Mundial para a Vida Consagrada  (2 de fevereiro de 2013): “Por sua própria natureza a vida consagrada é peregrinação do espírito em busca do Rosto que por vezes se manifesta e, em outros momentos, se oculta:  Faciem tuam, Domine, requiram (Sl 26,8).  Seja este o anseio constante de vosso coração, o critério fundamental que oriente o vosso caminho, tanto nos pequenos passos cotidianos, como  nas decisões mais importantes. Não vos associeis aos profetas da catástrofe que alardeiam o fim e o não sentido da vida consagrada na Igreja de nossos dias;  antes, revesti-vos de Jesus Cristo e revesti-vos  com as armas da luz  – como exorta São Paulo (cf. Rm 13,11-14) –  permanecendo  despertos e vigilantes”.

O Papa Francisco parece fazer eco a este convite quando em seu primeiro encontro com os Superiores Maiores, afirmou : “A vida religiosa deve possibilitar o crescimento da Igreja por via de atração. A Igreja precisa ser atraente. Despertai o mundo! Sede testemunhas de um modo diferente  de fazer, de agir, de viver (…). Os religiosos devem ser homens e mulheres capazes de despertar o mundo”.

Ante o aparente declínio da vida religiosa que “profetas da desgraça” tentam insinuar é necessário que as comunidades religiosas possam ir além do que meras “adaptações”, ou mudanças superficiais de estruturas, obras ou organização.

Todas as mudanças de opinião e as rupturas, inclusive crises e transformações culturais que parecem minar o significado da vida consagrada, não têm força para acelerar a decadência. Mesmo encontrando-se num estado de “fibrilação” este gênero de vida sempre  suscitou forte atração, mas também rejeição; altas expectativas, mas também decepções. Como todo organismo vivo, como toda organização humana, a vida religiosa apresenta  seus ciclos vitais, e sua evolução cíclica está sujeita à historicidade. A criatividade do Espírito, contudo, que suscita múltiplos carismas na Igreja é imprevisível.

“As auroras surgem depois do pôr do sol”, escreveu o grande teólogo Karl Ranher.  Em tempos difíceis e cruciais como os que estamos a atravessar, temos a impressão de haver mais sombra do que claridade, diante da crise cultural e moral que padece gravemente a educação das novas gerações e na vida consagrada, registram-se acontecimentos, situações ou problemas que nos deixam desorientados, sobretudo porque não se consegue resposta imediata e nem se percebe com suficiente claridade a delicada complexidade dos fenômenos, nem o alcance que tais transformações podem acarretar para as pessoas, as comunidades, a sociedade e também para a vida consagrada.

Não obstante, algo “novo” parece assomar no horizonte.  E o que é novo, como a aurora, tem sempre por detrás a noite e o ocaso. Estou convencida de que as palavras de Isaías – “Não recordeis os acontecimentos de outrora, nem presteis atenção aos eventos do passado. Eis que eu faço uma coisa nova. Já está despontando. Não percebeis?”(Is 43, 18-19) – devem  ser meditadas nesses nossos tempos se não quisermos nos entregar ao desalento ou a saudades sentimentais do passado, mas com a incerteza do que com a esperança. 

Por uma vida religiosa  “más allá de la adaptacion.
El coraje de renascer
Pina del Core, fma
Vida Religiosa
Monográfico  3/ 2014, p. 75-78

Fé em diálogo com outras religiões

É tempo de diálogo em todos níveis e no seio de todas as instituições.  Os oitocentos anos do encontro de Francisco de Assis com o sultão do Egito é ocasião para que todos sintamos a urgência do diálogo com e entre as religiões. O Poverello, atravessando o campo de batalha dos Cruzados, foi ter com o sultão, desarmado e tendo um discurso de aproximação. Somos convidados a banir de nossa cultura toda intolerância e toda sorte de fanatismo. Jose Arregui, frade menor, em artigo publicado em revista espanhola, fala da graça da fé em nossos tempos. Resumimos aqui o que o autor escreve a respeito da  graça de se crer hoje em diálogo com outras religiões.

Inegavelmente é uma graça crer hoje vivendo a fé em diálogo com outras religiões. Durante muitos séculos estávamos convencidos de que nossa fé era a única verdadeira ou, ao menos, a mais verdadeira. Há alguns decênios está se dando mudança radical de posicionamento nesse campo. Toda pretensão de exclusividade e de superioridade vai perdendo sentido. Não parece que tais pretensões de supremacia tenham fundamento teológico. Teologia e espiritualidade estão nos convidando a sermos cristãos em atitude de reciprocidade e de diálogo com outras religiões.  R. Panikkar escreve que o diálogo com as religiões é inevitável, importante, urgente, perigoso, desconcertante e purificador. O que, na realidade, comporta o diálogo com outras religiões?

Creio que há diferentes caminhos de fé e de espiritualidade, como há diversos bioclimas, culturas e línguas. A fé sempre brota de uma terra e de algumas raízes. Não existe fé em geral, como não existe amor em geral, nem arte em geral.  Simplesmente não existe a vida em geral, mas a vida concreta e com raízes.  O diálogo não faz com que eu renuncie à minha fé cristã, até mesmo é o contrário que acontece.  Preciso vivê-la a fundo e de maneira muito concreta. Tudo com muito cuidado: os ritos, os sinais, as instituições.

Em segundo lugar, creio que o caminho concreto de minha fé cristã não equivale à fé cristã como tal. Minha fé necessita de um corpo de mediações, mas nenhuma mediação é absolutamente indispensável para  minha fé. As mediações são caminho. O caminho é meio e não é a meta. Todas as mediações cristãs (dogmas, ritos, normas de conduta) constituem um caminho para acolher e viver a Boa Nova de Jesus, o  deleite da misericórdia de Deus, o anúncio de sua esperança para todos.

Em terceiro lugar, e como consequência do que foi dito anteriormente, meu caminho de crente cristão nunca é idêntico a si mesmo e nem está traçado de uma vez por todas. Avança e conhece variações, abre novas perspectivas, cruza com outros caminhos, desdobra-se, revisa-se e transforma-se. A institucionalização concreta de minha fé, nesse sentido de identidade visível de meu cristianismo, é algo flexível, móvel, moldável. A graça de crer em nosso tempo exige grande capacidade de transformação e de flexibilidade. Não se trata de abandonar ou negligenciar a identidade, mas de aprofundá-la. O que é rígido está morto ou pode morrer em pouco tempo.

Em quarto lugar, creio que nenhum caminho de fé, e, por conseguinte, nenhuma religião em si e por si seja melhor de outra qualquer, como nenhum bioclima é por si mesmo melhor que outro. Não sou cristão porque o cristianismo é a melhor religião em si mesma, mas porque creio que a Boa Nova é o melhor caminho para ser bom e feliz hoje, aqui, na Igreja concreta a que pertenço.

Em quinto lugar, creio que minha fé cristã será verdadeira na medida em que me permite entrar em contato com o outro. Creio que quanto mais viva a fundo minha fé cristã, minha adesão a Jesus e meu seguimento dele, mais facilmente posso encontrar-me com o outro e seu caminho. Aprofundando nos encontramos, e o mútuo encontro é a melhor garantia da verdade de nossa fé.

Creio que nosso tempo é graça para a fé. Creio que nossa fé cristã tem futuro a condição que não queiramos aferrar-nos a pormenores do  passado. Faz pensar muito esta frase de M.A. Ouaknin:  “Não te esqueças de teu futuro”.

José Saramago, no seu “Ensaio sobre a lucidez”, diz: “Seja bendita para sempre a fé. Além de apartar montanhas do caminho dos que se beneficiam de seu poder, é capaz de enfrentar águas torrenciais e sair com frescor”. 

José Arregi
La gracia de crer em nuestro tempo
Revista Lumen, enero-abril 2005, p. 146-148

 

Prece a Cristo no Jardim das Oliveiras

Abril, tempo da Quaresma que prepara  para a Páscoa e tempo  de júbilo com a Ressureição do Senhor. Belíssima esta oração dirigida ao Cristo da angústia, da agonia no horto. Quando reservamos um tempo para contemplar as dores do Amado é também ocasião de pedir por todos os que carregam uma cruz muito pesada, os que vivem com o peito sufocado.

Cristo da angústia, do abandono
e da solidão;
Cristo neste jardim noturno
onde já sopra o vento da traição;
Cristo cuja dor está em vigília
enquanto todas as tuas amizades dormem:
piedade dos agonizantes
naqueles momentos que precedem a morte
quando suas mãos empurram
o lençol que parece sufocá-los.
Dá-lhes consciência que seu sacrifício unido ao teu
contribui para redenção da humanidade.

Tem compaixão de todos
que vivem  horas de agonia:
agonia do fôlego contido como num lago de fantasmas;
esses escrupulosos
que carregam a pesada cruz de pecados imaginários;
os assustados terrificados  por fantasmas interiores;
os  perseguidos que procuram à direita e à esquerda
desarmar as emboscadas de seus inimigos;
os doentes tais
cuja enfermidade não é por ninguém é levada a sério;
por todos os  que percorrem os corredores
e ambulatórios dos hospitais psiquiátricos;
por todos os que  se chocam com a muralha de suas consciências
e cuja perpetua agonia os impede  viver a alegria.

Envia-lhes o anjo da consolação
para que ao menos eles possam
conhecer a alegria dolorosa de unir sua agonia à tua.

Inspirado em
Joseph  Folliet (1907-1972)
in  Prier
nov  1988

Ele verdadeiramente ressuscitou!

Encontramos este belo sermão sobre a ressurreição numa coletânea de textos dos Santos Padres.  Trata-se de um sermão de Santo Epifânio.  Traduzimos o texto francês ( C’est la Pâque du Seigner,  Éd. Cerf, Paris, p. 99-101)

            O Sol da justiça, que havia desaparecido por três dias, levanta-se e ilumina toda a criação. Cristo havia permanecido três dias no sepulcro, ele que na verdade existe antes de todos os séculos. Cresce como uma videira e enche de alegria toda a terra habitada. Fixemos nosso olhar nesta luz sem declínio e sintamo-nos  invadidos por sua  claridade.  Cristo arranca  as portas da região das sombras, os mortos se erguem como que levantando  do sono. A ressurreição de Cristo dos mortos despertou  Adão. O Cristo, ressurreição dos mortos, ressuscitou e libertou Eva da maldição. Cristo ressuscitou, ele a Ressurreição, transfigurou em beleza o que era sem beleza e sem brilho. O Senhor, como alguém que dormia, acorda  e frustra as armadilhas do inimigo.  Ressuscitou e dá alegria a toda a criação. Ressuscitou e esvaziou a prisão do inferno. Ressuscitou e transformou o corruptível em incorruptível. O Cristo ressuscitado restabeleceu  Adão em sua dignidade primordial de ser imortal.


A Igreja que está no Cristo transforma-se hoje num novo céu, céu mais esplendoroso do que esse que vemos com nossos olhos, céu novo que não necessita da luz de um sol que se deita cada noite, porque tal céu tem como luz o Sol que o sol da terra sente medo quando ele o viu suspenso na cruz. Sol do qual disse o profeta: “Levanta-se, o Sol da justiça, para os que temem o Senhor”.  Sol que confere sabedoria aos insensatos e que se firma para que firme seja nossa fé. Devido a este Sol, a Igreja torna-se um céu, céu que não abriga astros errantes, mas estrelas que  brotaram com nova luminosidade da pia batismal: “Este é o dia que o Senhor fez”. No Espírito, exultemos e rejubilemo-nos nele. Dia que recapitula toda festa. Festa a respeito da qual o Espirito Santo disse: “Celebrai a festa, ramos na mão, até junto do altar”. Festa do universo inteiro, sua salvação.  É uma festa que leva ao coração de todas as festas. Dia que o Senhor abençoou, que ele santificou no qual descansou de tudo o que havia realizado.


Nesse dia, o Senhor cumpriu todas as tipologias, sombras, profecias:  nossa Páscoa, a Páscoa verdadeira, o Cristo foi imolado, e nele existe uma nova criação, uma fé nova, uma nova lei, um novo povo de Deus;  não o antigo Israel, mas a Páscoa nova: uma circuncisão no Espírito, um sacrifício novo, não cruento, uma nova e divina aliança.  Renovai-vos hoje e renovai vosso interior para receberdes os sacramentos da festa nova e verdadeira, de usufruir da verdadeira alegria do céu, de começar nova caminhada à luz da nova Páscoa que não passa e à luz da páscoa antiga que nada mais era do que figura dela.  Vede a diferença entre as figuras e a realidade: na antiga Pascoa, Moisés lavou seu povo num batismo noturno e a nuvem cobria o povo: na Páscoa nova, a Força do Altíssimo cobre com sua sombra o Povo de Cristo. Maria, a irmã de Moisés, era como a maestrina dos cantos na hora da libertação, agora, devido à libertação dos povos pagãos, a Igreja de Cristo está em festa em todas as Igrejas. Nos tempos de antanho, Moisés se dirigia a um rochedo,  agora o povo confia no rochedo da fé. Nos tempos antigos havia um bezerro de ouro derretido no fogo, símbolo do castigo do povo, agora o Cordeiro de Deus é imolado. Na Páscoa antiga, Moisés tocava a pedra com seu bastão, agora Jesus é pedra com seu lado traspassado. Na Páscoa antiga, a água brotava da pedra,  agora do lado  aberto do Senhor brotam a água e o sangue. Antigamente, os hebreus comiam o maná que não podia ser conservado; nós comemos o pão da vida, para a vida eterna.