Vida Cristã - Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil - OFM

A Semana Santa

O Domingo de Ramos

O Domingo que precede a Páscoa é chamado de Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor. Neste domingo proclamam-se uma das narrações da Paixão de Jesus, segundo os evangelistas sinóticos: Mateus, Marcos e Lucas.

No fundo temos a narração do martírio de Jesus Cristo, com características diferentes conforme o evangelista. Em Mateus, Jesus apresenta-se como o Senhor, como quem tem poder, mas renuncia ao seu uso. Escolhe o caminho da humildade (cf. Mt 26,14-27,66). Em Marcos aparecem de modo especial as testemunhas. Em sua morte ele se revela Filho de Deus, a grande mensagem do Evangelho segundo Marcos (cf. Mc 14,1-15,47). Lucas, por sua vez, apresenta Jesus como o tipo perfeito do mártir. Jesus luta contra Satanás, ora por si e pelos inimigos, pratica o que ele mesmo ensinou. O discípulo é aquele que segue e permanece com o Mestre na tentação, aquele que carrega a cruz atrás de Jesus, aquele que, tendo falhado no seu seguimento, arrepende-se e volta a segui-lo (cf. Lc 22,14-23,56).

O martírio consiste fundamentalmente em dar testemunho de Deus. Possuímos dois termos para expressar esse testemunho. Do latim, temos a palavra confissão, confessar. “Confessio” é denominado o lugar onde um mártir deu sua vida por Cristo. Temos o confessor. É aquele que professa a sua fé, especialmente sofrendo perseguições, prisão e torturas por causa de Deus, ou por causa de Cristo, inclusive pelo Cristo presente no próximo. Com o tempo, o termo confessor foi reservado para os que davam testemunho de Deus e de Cristo, sem passar pela paixão, ou o derramamento de sangue.

O outro termo, que vem do grego, é mártir. Também significa testemunha. A palavra martírio, com o tempo, foi reservada para o testemunho de Deus, de Cristo, da dignidade da pessoa humana através de morte violenta, ou seja, normalmente, por derramamento de sangue. O conjunto dos sofrimentos, que culminam com o derramamento de sangue e a morte, chama-se de paixão.

Esta paixão não é buscada pelo prazer de sofrer, mas para testemunhar a verdade em relação a Deus e em relação à pessoa humana. Foi isso que Jesus fez através de sua paixão.

É isso que se espera de cada discípulo seu: testemunhar a Deus, testemunhar a Jesus Cristo, testemunhar o valor da pessoa humana. Ele o realizará pela palavra, pela ação e, se necessário, pela paixão. Sempre somos chamados a sermos mártires, seja pelo derramamento do sangue, seja pelo testemunho do amor.

“Viver o Ano Litúrgico”, textos de Frei Alberto Beckhäuser, Editora Vozes.

Celebração Popular da Semana Santa

Em muitas regiões do Brasil, com especial destaque para Minas Gerais, encontramos expressões populares na celebração da Semana Santa. Vários foram os motivos que levaram a isso. Entre eles estão certamente a língua, a clericalização da liturgia e seu caráter muito intelectual. Criou-se, assim, um certo paralelismo entre a Liturgia romana e a expressão popular. Importa, no entanto, compreender e valorizar essas formas populares, para, a partir delas, se chegar a uma vivência maior dos mistérios de Cristo pelo Rito romano e realizar uma possível integração das expressões populares.

A celebração popular da Semana Santa comemora essencialmente o mesmo Tríduo pascal da Paixão-Morte, Sepultura e Ressurreição do Senhor. Ela o faz ao ar livre através de procissões.

Assim, os Passos da Paixão são vividos na Procissão do Encontro. Podemos valorizar todo um conteúdo ligado ao encontro entre Deus e a humanidade, depois do desencontro por causa do pecado. O encontro de Jesus com sua Santíssima Mãe no caminho do Calvário representa o encontro da humanidade com seu Deus, encontro que passa pelo mistério da cruz. Esta procissão é realizada no Domingo de Ramos, na Terça ou na Quarta-feira da Semana Santa. Isso tem seu motivo. Na Liturgia anterior à reforma da Semana Santa, nesses dias se proclamava a Paixão de Jesus conforme os sinóticos. A agonia e a morte de Jesus recebem um destaque especial através do Sermão das Sete Palavras. Trata-se de uma celebração da Palavra de Deus, com proclamação da Palavra, o canto, a homilia e a oração, em sete etapas.

A Sepultura do Senhor é comemorada pelo Descendimento da Cruz, com pregação, a Procissão do Senhor morto e o sermão da Soledade. Tendo sido a semente lançada à terra, o Senhor repousa na esperança da ressurreição.

Finalmente, temos a Procissão do Senhor ressuscitado, realizada, em geral, após a Missa da Vigília. Em outros lugares, na madrugada ou na manhã da Páscoa. É a procissão do triunfo de Jesus Cristo sobre a morte, vivo e presente na Igreja, sobretudo no mistério da Eucaristia.

Às vezes, temos uma quarta procissão, sem contar outras procissões de menor importância: a do Triunfo de Nossa Senhora. Em certas cidades é realizada na tarde do Domingo da Páscoa. A humanidade triunfante com Cristo é representada por Maria. Outras vezes ela é solenemente coroada após a Procissão da Ressurreição do Senhor.

A participação popular caracteriza as celebrações: os leigos são os agentes, enquanto o clero acompanha. Sobressaem a linguagem visual e a ação, sobretudo pelo andar.

“Viver o Ano Litúrgico”, textos de Frei Alberto Beckhäuser, Editora Vozes.

Domingos de Ramos e da Paixão do Senhor

No próximo domingo, tem início aquela semana que a Igreja chama de Semana Santa. Neste domingo evocam-se dois mistérios: a Entrada de Jesus em Jerusalém e sua Paixão. Por isso, este dia litúrgico é chamado de Domingo de Ramos e da Paixão. Na abertura da assembleia dominical, comemora-se de modo mais solene, com procissão ou de maneira simples, em cada Missa, a entrada de Jesus em Jerusalém.

No ciclo do Ano litúrgico B a Liturgia proclama no Domingo de Ramos e da Paixão a narração da Paixão de Jesus segundo Marcos. Ela distingue-se pelas testemunhas oculares da Paixão. São cinco vezes três testemunhas (cf. Mc 14,1-15,47). A narração da Paixão como tal é precedida, na forma mais longa, pela unção na casa de Simão, a última Ceia, a agonia no Getsêmani, a prisão de Jesus e a negação de Pedro.

A história da Paixão e Morte de Jesus Cristo não é algo distante ou sem interesse. Toda a humanidade e cada indivíduo estão envolvidos nela, dela participam de alguma maneira e dela são chamados a darem testemunho.

Cada pessoa humana pode representar a mulher que tinge o corpo de Jesus, praticando uma obra boa, merecendo sua ação ser recordada onde se proclame o Evangelho (cf. Mc 14,9). Poderá exercer o papel de Judas que se desespera ou o de Pedro que nega o Mestre, mas se deixa atingir pelo olhar misericordioso de Cristo (cf. 14,72). Pode acontecer que façamos o papel de Pedro, Tiago e João. Em vez de vigiarem, adormecem enquanto o Mestre sofre a agonia da sua hora. Seremos talvez, em certas circunstâncias da vida, as testemunhas falsas, os sumos sacerdotes, os anciãos e os escribas, que não reconhecem nele o Filho de Deus bendito nem o Filho do Homem que verão sentado à direita do Poderoso. Quantas vezes, em vez de ungir o corpo do Senhor, n’Ele cuspimos, cobrimos-lhe o rosto e o esbofeteamos como se não o conhecêssemos.

De repente se manifesta em nós a figura de Pilatos. Ficamos impressionados com a figura de Jesus Cristo, mas, por covardia, acabamos por condená-lo. Seremos ainda o povo, preferindo Barrabás a Cristo. Quantas vezes a humanidade cobre o Filho do Homem de zombarias como os carrascos no interior do pátio do Pretório, não reconhecendo n’Ele o Filho de Deus. Por vezes, talvez contra a vontade, fazemos o papel de Simão Cireneu, ajudando a carregar a cruz de Cristo, pesando nos ombros da humanidade injustiçada e sofrida hoje. Em vez de água, oferecemos-lhe vinho com mirra.

Cada pessoa já terá sentido em si o conflito entre o personagem que faz o Cristo sofrer mais e aquele que se solidariza e procura aliviar os seus sofrimentos. Importa que no Filho do Homem, em cada pessoa humana, reconheçamos como o Centurião: “De fato, este homem era Filho de Deus”. Importa que permaneçamos com o Cristo mesmo no alto da cruz como aquelas mulheres fiéis e corajosas, que prestemos o serviço ao corpo morto de Cristo, como José de Arimatéia, para que, ungido, possa nascer nova vida da terra.

“Viver o Ano Litúrgico”, textos de Frei Alberto Beckhäuser, Editora Vozes.

Quinta-feira Santa

Celebração Profética da Páscoa

 

Nos séculos IV e V, quando se formou o Rito romano, a Quinta-feira era o dia da reconciliação dos penitentes públicos para que pudessem celebrar com o fruto o Tríduo Pascal.Também na Liturgia renovada atual, a Quinta-feira Santa tem dois momentos bem distintos. É simplesmente um Dia de semana da Semana Santa com Ofício do Dia de semana na Quaresma, e marca o início do Tríduo pascal com a Missa Vespertina da Ceia do Senhor. Temos ainda, na parte da manhã, a Missa do Crisma.

Mas se quisermos caracterizar a Quinta-feira Santa no seu mistério mais profundo, podemos dizer que celebra profeticamente a Páscoa de Jesus Cristo prolongada na Igreja. Esta Igreja que nasce, como esposa, do lado aberto de Cristo, esta Igreja gerada como Corpo místico de Cristo pela celebração dos Sacramentos e a prática do novo mandamento. Em outras palavras, podemos dizer que na Quinta-feira Santa sela-se o Testamento da Nova Aliança, em torno dos Sacramentos, especialmente da Eucaristia, e do novo Mandamento, significado pelo lava-pés. Jesus continua o seu serviço de salvação através da Igreja. A seu serviço estão os diversos ministérios, especialmente os ministérios ordenados.Assim, podemos seguir uma linha unitária. Na Missa do Crisma reúne-se a Igreja local. Não só o clero, mas toda a Igreja como povo sacerdotal, profético e real. Realiza-se a bênção e a consagração dos óleos para a celebração dos Sacramentos pelo Povo de Deus animado pelo Espírito Santo. Os óleos são usados na maioria dos Sacramentos: Batismo, Crisma, Unção dos Enfermos e Ordem. É o Espírito que forma o Corpo místico de Cristo.

Na Missa vespertina da Ceia do Senhor dá-se especial realce ao mistério da Eucaristia. Também aqui os mistérios celebrados podem ser vistos numa linha unitária. No centro de tudo está o Mandamento da Caridade, significado pelo lava-pés (cL Ev., Jo 13,1-15). Mas ele se realiza de maneira forte na Eucaristia, no Corpo dado e no Sangue derramado. Para que, através da Eucaristia, a Igreja se torne sacramento de unidade na caridade, eis o sacerdócio ministerial.

A Igreja, Comunidade de amor, alimentada e expressa pela Eucaristia e animada pelos ministros ordenados, nasce do mistério pascal de Cristo. Nesta noite ele é entregue e entrega-se aos discípulos como Corpo dado e Sangue derramado, antecipação de sua total entrega ao Pai.

Poderíamos dizer que na Quinta-feira Santa a Comunidade eclesial celebra o mistério da Igreja nascida do mistério pascal de Cristo.

“Viver o Ano Litúrgico”, textos de Frei Alberto Beckhäuser, Editora Vozes.

Sexta-feira Santa

Celebração da Paixão do Senhor

 

Enquanto o Esposo dorme, a esposa se cala. Assim, na Sexta-feira Santa e no Sábado Santo, a igreja não celebra os Sacramentos. Debruça-se totalmente sobre o sacrifício da Cruz por meio de uma Celebração da Palavra de Deus. Neste dia, a Liturgia deseja beber diretamente da fonte. Abre a celebração num gesto de humildade. Os ministros prostram-se em silêncio diante do altar e, em seguida, o Presidente, sem mais, diz a oração do dia.

Segue-se a Liturgia da Palavra, onde se destaca a proclamação da Paixão de Jesus Cristo segundo João (Jo 18,1-19,42). Nela aparece o Cristo Senhor, o Cristo Rei, o Cristo vitorioso que vai comandando os diversos passos da Paixão. Entrega-se livremente, faz os guardas caírem por terra e, depois de tudo consumado, entrega o espírito ao Pai. Na morte ele é glorificado. Submete-se à morte para deixar-nos o exemplo de reconhecimento de nossa condição humana de criaturas mortais. Na Liturgia da Palavra, a Igreja curva-se sobre o mistério da Cruz.

A resposta é dada em três momentos. Temos, primeiramente, a Oração universal, realmente ecumênica. A Igreja pede que a fonte de graças que jorra da Cruz atinja a todos, Vai, então, alargando suas intenções. Reza pelo Papa, os bispos e todo o clero, os leigos e os catecúmenos; pela unidade dos cristãos, pelos judeus, pelos que não creem em Cristo, pelos que não creem em Deus, mas manifestam boa vontade, pelos poderes públicos, por todos que sofrem provações.

Tendo acolhido a todos no amor reconciliador de Cristo, a Igreja enaltece a árvore da vida, que floriu e deu fruto, restituindo o paraíso à humanidade. É o rito da glorificação e adoração da Cruz, seguido do ósculo.

Finalmente, ela se atreve a comer do fruto da árvore, o Pão vivo descido do céu, a sagrada Comunhão como prolongamento da Missa da Ceia do Senhor.

Neste dia não há rito de bênção e envio. Cada participante é convidado a permanecer com Maria junto ao sepulcro, meditando a Paixão e Morte do Senhor até que, após a solene Vigília em que espera a ressurreição, se entregue às alegrias da Páscoa, que transbordarão por cinqüenta dias.

Na Liturgia das Horas e na piedade popular tem início a comemoração da Sepultura do Senhor. Temos o Descendimento da Cruz, seguido da Procissão do Senhor morto, na esperança da ressurreição. Na Liturgia das Horas, merece especial atenção a leitura patrística, em que se narra o enternecedor diálogo entre Cristo, que desceu à mansão dos mortos, e Adão.

“Viver o Ano Litúrgico”, textos de Frei Alberto Beckhäuser, Editora Vozes.

A Páscoa de Cristo e dos Cristãos

Páscoa é a passagem da morte para a vida por obra de Deus. Na solenidade da Páscoa, que se estende por 50 dias, a Igreja celebra a Páscoa de Cristo e dos cristãos, ou a páscoa dos cristãos na páscoa de Cristo. A compreensão disso é de máxima importância para a vida em Cristo, para toda a dimensão pascal da vida dos cristãos. Por sua morte e ressurreição, Jesus vence o pecado e a morte: aquele que os ímpios fizeram perecer, suspendendo-o ao madeiro, Deus o ressuscitou ao terceiro dia (cf. 1ª leit., At 10,34a.37-43). “Ele nos ordenou que anunciássemos ao Povo e atestássemos ser ele o juiz dos vivos e dos mortos estabelecido por Deus.

A ele todos os profetas dão testemunho de que todo aquele que nele crer receberá, por seu nome, a remissão dos pecados” (At 10, 42-43).

Os cristãos já ressuscitaram com Cristo. Já morreram e sua vida está escondida com Cristo em Deus: “Ouando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então vós também sereis manifestados com ele em glória” (cf. 2ª leit., Cl 3,1-4).

Por Cristo morto e ressuscitado os cristãos também já morreram ao pecado e vivem uma vida nova. Isso se manifesta na forma em que eram e podem ser batizados. Mergulhados na água, pela fé e a ação do Espírito Santo, são sepultados na morte redentora de Cristo e, saindo novamente da água, ressuscitam para uma vida nova em Cristo ressuscitado.

Esta participação do cristão na morte e ressurreição de Cristo chamamos mistério pascal. Eis a sublimidade da vida cristã: viver permanentemente este mistério pascal, procurando as coisas do alto, onde Cristo está assentado à direita de Deus. A celebração da Páscoa anual comemora e assim torna presente a páscoa de Cristo acontecida uma vez na história e a páscoa dos cristãos, que tem seu início na fé em Cristo celebrada no batismo.

Esta páscoa dos cristãos em Cristo morto e ressuscitado torna-se novamente presente e se renova em cada festa da Páscoa. Por isso, ela constitui uma comemoração do batismo, como o Pentecostes é uma comemoração da Crisma. Na festa da Páscoa são lançadas na páscoa de Cristo todos os fatos pascais da vida dos cristãos, incluindo as passagens de situações menos humanas para situações mais humanas, as vitórias contra o mal, o testemunho do Cristo ressuscitado, ações de serviço ao corpo de Cristo, presente nas pessoas humanas. Assim, realiza-se o mistério da Páscoa, fonte e manifestação de vida da humanidade por Cristo morto e ressuscitado.

“Viver o Ano Litúrgico”, textos de Frei Alberto Beckhäuser, Editora Vozes.

A Vigília Pascal

A vigília pascal constitui o âmago de todo o Ano Litúrgico. É considerada a mãe de todas as Vigílias. Aliás, toda a Ação pastoral da Quaresma deveria ter como meta a participação na Vigília pascal. Não basta dizê-lo aos fiéis. Será preciso os Pastores irem mostrando sua grande riqueza.

Nesta noite santa, a Igreja não celebra apenas a Páscoa de Jesus Cristo. Celebra também a páscoa dos cristãos, seus membros.

A festa pascal é festa batismal. A Igreja dá à luz novos filhos pela fé e pelo Batismo e, após a penitência quaresmal, renova a própria Aliança batismal, para participar mais intensamente da Ceia pascal do Cordeiro imolado e glorioso. Entre nós, a páscoa é enriquecida pela Campanha da Fraternidade. Por ela se realizou uma experiência pascal da Comunidade eclesial.

Fundamentalmente se trata da celebração da vida renovada em Cristo ressuscitado. Tudo fala de vida e de felicidade. As diversas etapas da vigília fazem com que a vida divina penetre a Comunidade celebrante.

A abertura é feita pela celebração da luz, que brota da pedra virgem, simbolizando Jesus Cristo, Luz do mundo. Ela vai dissipando as trevas para iluminar a todos os presentes. Eleva-se, então, o grande louvor à luz no canto do Exultet.

A Liturgia da Palavra torna presente a Palavra criadora de Deus na criação, na formação de um povo, no Cristo ressuscitado, na Igreja hoje, renovando a Aliança de Deus com a humanidade.

Segue a Liturgia sacramental. Nesta noite, ela abrange os três sacramentos da Iniciação cristã: Batismo, Crisma e Eucaristia.

Cada sacramento é significado por um símbolo de vida, animado pela ação do Espírito Santo.

A ação de graças sobre a água batismal comemora a ação criadora e libertadora de Deus através da história da Salvação, evocada na celebração da Palavra. O óleo do Crisma, consagrado na Missa da manhã, é usado no sacramento da Confirmação, simbolizando a presença e a ação do Espírito Santo na nova criação, inaugurada na vida da Igreja.

E o ponto alto da celebração é a Eucaristia, ação de graças por excelência, celebração da nova Páscoa de Cristo participada pela Igreja. A vida que nasce no Batismo e é animada pelo Espírito alimenta-se na mesa do Cordeiro pascal. Os cristãos dão testemunho da Morte e Ressurreição do Senhor Jesus e comprometem-se a ser vida, corpo dado e sangue derramado numa vida de ação de graças a Deus e ao próximo. Assim, inaugura-se um novo céu e uma nova terra.

“Viver o Ano Litúrgico”, textos de Frei Alberto Beckhäuser, Editora Vozes.

Páscoa

Os Sacramentos Pascais

 

Muito cedo, na Liturgia cristã, a Páscoa, e de modo particular a Vigília pascal, foi marcada pelos sacramentos da Iniciação Cristã, ou seja, o Batismo, a Crisma e a Eucaristia. A Liturgia renovada da Vigília pascal prevê que nas catedrais e comunidades paroquiais haja sempre a celebração do Batismo, de preferência de adultos, que tenham feito a caminhada de preparação próxima com a Comunidade paroquial durante a Quaresma. E sendo eles batizados, serão igualmente crismados, mesmo pelo presbítero que batiza, na ausência do Bispo, e participarão pela primeira vez da Eucaristia.

A Páscoa é fundamentalmente uma festa batismal no seu sentido pleno, isto é, incluindo o mistério de Pentecostes, vivenciado na Crisma, e a vivência da comunidade cristã pela Eucaristia, atualização do mistério pascal de Cristo. É festa batismal da Igreja que gera e dá à luz novos filhos pelo batismo e a Crisma; e é festa batismal porque, renovada pela penitência quaresmal, toda a comunidade revive sua aliança batismal pela ação do Espírito de Pentecostes e participa do Pão da Vida, produzido pelo memorial da Morte e Ressurreição do Senhor.

Em nossos dias não tem sentido fazer rápidas preparações para o batismo como condição para o casamento. Está na hora de se introduzir o catecumenato de adultos, conforme prevê o Ritual de Iniciação Cristã de Adultos. Então, dentro do espírito da Campanha da Fraternidade entre nós, a Comunidade paroquial vai tornar-se catecúmena com os catecúmenos.

Assim, preparando-se com eles, acolhendo-os, tornando-se mais Comunidade, ela sairá renovada das celebrações pascais. Toda a pastoral quaresmal deve convergir para a Vigília pascal. Neste caso, os grandes símbolos pascais calarão fundo no coração da Comunidade cristã. Todos serão iluminados (a liturgia da luz). Todos serão recriados pela Palavra eficaz (as leituras bíblicas). O símbolo da água tornar-se-á algo não distante, mas muito presente no batismo dos novos filhos e na renovação da aliança batismal. Os óleos abençoados e consagrados na Quinta-feira Santa renovarão a unção do Espírito recebido na Crisma. O pão e o vinho realizarão a participação no banquete do Reino.

A Páscoa do Senhor acolherá em si a vida nova dos cristãos, que assim estão participando da Páscoa de Cristo. São os Sacramentos pascais!

“Viver o Ano Litúrgico”, textos de Frei Alberto Beckhäuser, Editora Vozes.

O Domingo de Páscoa

O Domingo da Páscoa da Ressurreição constitui uma ressonância da Vigília pascal, centro de todo o Ano Litúrgico.

A partir da Ressurreição de Cristo, a terra transformou-se em céu, pois a pessoa humana, mesmo neste mundo, pode viver em Deus (cf. 2ª leit., Cl 3,1-4). A Páscoa é a festa da vida; da vida de Cristo e da vida nova dos cristãos. Na mensagem da Páscoa podemos realçar três aspectos:

PrimeiroO sepulcro vazio. Maria Madalena vai ao sepulcro de madrugada e vê que a pedra fora retirada do sepulcro (cf. Ev., Jo 20,1-9). Desde que a pedra foi retirada do sepulcro de Jesus, a terra produziu o seu fruto, a vida brotou da terra; todo sepulcro transformou-se em lugar de esperança, de vida.

Segundo:Os gestos de amor. Jesus dá-se a conhecer ressuscitado sobretudo lá onde se realizam gestos concretos de amor, de serviço ao corpo de Cristo. Basta pensarmos nas mulheres que vão ao sepulcro com aromas para ungir Jesus (cf. Mc 16,1). Lembremos Maria Madalena e a outra Maria. Ao raiar do sol do primeiro dia, vão ver o sepulcro (cf. Mt 28,1). João chegou antes, mas, em deferência a Pedro, mais velho, espera por ele. João, o discípulo amado, vê os sinais e acredita. O amor é que faz reconhecer a Jesus Cristo no mistério pascal. O mesmo podemos perceber no evangelho dos discípulos de Emaús, proclamado na Missa vespertina do Domingo da Páscoa (cf. 24,13-35). Jesus dá-se a conhecer na fração do pão.

Terceiro: O testemunho do Cristo ressuscitado. Maria Madalena toma-se a primeira mensageira do sepulcro vazio e do Cristo ressuscitado. Os discípulos de Emaús voltam a Jerusalém, anunciando que Cristo ressuscitou. Os discípulos que experimentaram o convívio de Cristo desde o batismo no Jordão, como Pedro e João, encontraram o sepulcro vazio e tornaram-se testemunhas do Cristo ressuscitado: “E nós somos testemunhas de tudo o que ele fez na região dos judeus e em Jerusalém: Deus o ressuscitou ao terceiro dia, e fez que se manifestasse a testemunha. E nos ordenou que anunciássemos ao Povo e atestássemos ser ele o juiz dos vivos e dos mortos estabelecido por Deus (cf. 1ª leit., Atos 10,34a.37-43).

Portanto, faz-se Páscoa, surge a vida, onde as pedras são retiradas dos sepulcros, onde se vive a caridade no serviço do próximo. Estes são os sinais de que Jesus Cristo continua ressuscitando hoje. Eles anunciam a sua ressurreição e suscitam nova vida, pois retiram todas as barreiras que atentam contra a vida.

“Viver o Ano Litúrgico”, textos de Frei Alberto Beckhäuser, Editora Vozes.

Os últimos momentos de Jesus no alto da cruz

Por Frei Ludovico Garmus

Introdução

Durante a Semana Santa a liturgia prevê, no Domingo de Ramos, a leitura da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo Mateus e na Sexta-Feira Santa a de João. As narrativas da Paixão têm basicamente o mesmo esquema e conteúdo nos quatro evangelhos, embora cada evangelista tenha algo de próprio no conteúdo, na disposição do material e nos acentos teológicos próprios. No presente estudo, “Os últimos momentos de Jesus no alto da cruz”, vamos analisar apenas uma pequena parte da narrativa da Paixão:

– a crucifixão de Jesus:
Mc 15,22-32; Mt 27,33-44; Lc 23,33-43; Jo 19,17-24;
– a morte de Jesus:
Mc 15,33-41; Mt 27,45-55; Lc 23,44-49; Jo 19,29-37;

Alguns pesquisadores pensam que o primeiro evangelho, o de Marcos, tenha começado a ser escrito pela parte final, isto é, pela última semana de Jesus em Jerusalém. Marcos seria um relato da paixão com uma ampla introdução. Em outras palavras, o evangelho se desenvolveu a partir da narrativa da paixão de Cristo, já existente, ao menos em forma oral. A pregação inicial feita pelos apóstolos aos poucos deve ter criado esquemas fixos. Tais esquemas serviam para fazer o querigma, ou anúncio ao povo, isto é, aos judeus que ainda não criam em Jesus e, depois, aos pagãos. O esquema destas pregações corresponde basicamente aos futuros evangelhos. Destacamos apenas dois textos:

– 1Cor 15,3-5: “Eu vos transmiti, em primeiro lugar, o que eu mesmo recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras; que foi sepultado; que ressuscitou ao terceiro dia, segundo as escrituras; que apareceu a Cefas e depois aos Doze”.
– At 10,36-38: “Vós sabeis o que aconteceu em toda a Judéia, começando pela Galiléia, depois do batismo pregado por João. Como Deus ungiu Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com poder. Como ele andou fazendo o bem e curando todos os oprimidos pelo diabo, porque Deus estava com ele”.

Como se vê, tanto a anúncio de Paulo como o do discurso de Pedro começam pela recordação da morte de Jesus. No discurso de Pedro, se o v. 36 for invertido em sua seqüência, temos o esquema geográfico do evangelho de Marcos: “o que aconteceu na Judeia” (Mc 11,1-16,8), “começando pela Galileia” (Mc 1,14-10,52), “depois do batismo pregado por João” (Mc 1,1-13). Tanto o querigma primitivo como a celebração da ceia nas casas pode ter contribuído para a formulação das narrativas da paixão/ressurreição de Jesus. A obediência à ordem de Jesus, “fazei isto em memória de mim” (cf. 1Cor 11,23-24: Lc 22,19), foi a situação vital que favoreceu a elaboração, inicialmente, do relato da paixão/ressurreição e depois do restante do evangelho. Não é de estranhar que o relato da ceia tenha se tornado uma introdução ao relato da paixão propriamente dita.

Com o querigma, feito aos de fora, os cristãos precisavam justificar por que anunciavam e seguiam um Messias crucificado, “escândalo para os judeus, loucura para os gregos” (1Cor 1,23). Dentro da comunidade reunida para celebrar a ceia ou para a catequese precisavam entender, à luz das Escrituras, este “escândalo da cruz”; precisavam entender, à luz dos profetas, “que era necessário que o Cristo sofresse tudo isso para entrar na sua glória” (Lc 24,25-26). Daí a centralidade que as narrativas da paixão/ressurreição ocupam nos Evangelhos.

Marcos parece ter sido o primeiro a reunir e ordenar o material da história da paixão, antes contado oralmente. Depois de Marcos, Mateus e Lucas refundiram seu relato da paixão segundo suas perspectivas teológicas próprias. De fato, em nenhuma outra parte dos evangelhos há tanta coincidência dos evangelistas como nas narrativas da paixão, sobretudo, a partir da prisão de Jesus (cf. Mc 14,43 e paralelos) e, particularmente, da história da crucifixão.

Apresentamos um quadro do esquema básico da narrativa da crucifixão e da morte de Jesus na cruz, nos quatro evangelistas:

Mc 15,22-41
Mt 27,33-56
Lc 23,33-49
Jo 19,17-30
A crucifixão
v. 22-27(28)
v. 33-38
v. 33-34
v. 18-24
Os insultos e os dois bandidos
v. 29-32
v. 39-44
v. 35-43
Maria junto à cruz e palavras de Jesus
v. 25-27
Sinais precursores da morte de Jesus
v. 33
v. 45
v. 44-45
Palavra de Jesus e intervenção do soldado
v. 34-36
v. 46-49
v. 28-29
Último grito e morte de Jesus
v. 37
v. 50
v. 46
v. 30
Ocorrências após a morte de Jesus
v. 38-39
v. 51-54
v. 47-48
Mulheres e outros que estavam presentes
v. 40-41
v. 55
v. 49

 

1. A crucifixão

Marcos, na cena da crucifixão menciona o local (Gólgota), a oferta de vinho com mirra, a repartição das vestes por sorteio, a inscrição sobre a cruz e, por fim, os dois bandidos que com Jesus foram crucificados 1 . Mateus menciona os mesmos fatos, precisando que o vinho foi misturado com fel e que havia ali guardas sentados, vigiando Jesus. Algumas mulheres, que seguiram Jesus desde a Galileia (cf. Mc 15,41), provavelmente, prepararam uma bebida que causava torpor, como era costume oferecer aos condenados. Em Pr 31,4-6 se aconselha que os governantes se abstenham de vinho e licores, “para não esquecer as leis e descuidar do direito de todos os pobres”, mas recomenda: “Que se dê licor ao que vai morrer e vinho aos amargurados”. Jesus, porém, se nega a beber, para enfrentar o sofrimento e a morte conscientemente. No Getsêmani, Jesus estava disposto a beber o cálice do sofrimento até o fim (Mc 14,36).

A repartição das vestes dos condenados à morte entre os que executavam a sentença estava prevista nas leis romanas. Mas a Igreja primitiva, que lia o Sl 22 para expressar a paixão de Jesus, viu no sorteio das vestes o cumprimento de uma profecia: “Repartem entre si minhas vestes e sobre minha túnica lançam a sorte” (Sl 22,19). João diz que as vestes foram divididas em quatro partes pelos soldados e somente a túnica sem costura foi sorteada.

Lucas omite na cena da crucifixão a oferta da bebida e a inscrição sobre a cruz, definindo o motivo da condenação. Lembra, porém, que junto com Jesus foram crucificados dois “criminosos” (em vez de bandidos de Mt e Mc), talvez relendo Is 53,12: “entregou sua vida à morte e se deixou contar entre os criminosos”. Lucas é o único a citar, no contexto da crucifixão, uma oração de Jesus pedindo perdão: “Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem” (23,34). “A primeira palavra de Jesus na cruz foi uma palavra de perdão” (Lagrange). Este pedido de perdão poderia se referir aos soldados romanos. Mas, à luz de At 3,17.19 e da oração de Santo Estevão (At 7,59-60), é mais provável que Jesus estivesse pensando nas autoridades judaicas que causaram sua condenação. No momento supremo de sua vida e missão, Jesus dá o exemplo do perdão do qual falava (Lc 6,27-36; 17,3; cf. Is 53,12) e incluiu na oração do Pai Nosso (11,4).

João cita a oferta da bebida só mais tarde (19,29), mas insiste na inscrição “Jesus Nazareno, o rei dos judeus”, escrita em hebraico, grego e latim. Os sumos sacerdotes reclamaram com Pilatos e queriam que a inscrição fosse modificada: em vez de “Jesus Nazareno, rei dos judeus” para “eu sou o rei dos judeus”. Mas Pilatos respondeu com a famosa frase: “O que escrevi, está escrito”. Jesus foi acusado de pretender ser um messias, rei dos judeus. Mas já no processo João rebate esta acusação: o reino de Jesus não é deste mundo (Jo 18,33-38; cf. Mc 15,2 e paralelos)].

2. Os insultos e os dois bandidos

Marcos e Mateus dividem os que insultam Jesus na cruz em três grupos: os que passavam perto do Gólgota, os sumos sacerdotes, escribas e anciãos e, finalmente, os dois bandidos crucificados. Em Marcos, os insultos giram em torno do título Messias-Rei. Os passantes retomam a falsa acusação feita contra Jesus de que Jesus prometeu destruir o Templo e desafiam-no a descer da cruz, salvando-se a si mesmo (Mc 14,58; 15,19), já que é tão poderoso; ao dizer isso eles “movem a cabeça”, como no Sl 22,8 e em Lm 2,15. De fato, Jesus havia salvado muitas pessoas, curando-as. Mas também havia dito: “Quem quiser salvar sua vida vai perdê-la…” (Mc 8,35). Os escribas e sumos sacerdotes repetem o insulto e acrescentam que, se o “Cristo, rei de Israel”, descesse da cruz, até eles haveriam de crer nele (Mc 15,32; Mt 27,42b). Lucas afirma que os soldados, ao oferecerem vinagre a Jesus, diziam: “Se és o rei dos judeus, salva-te a ti mesmo”, lembrando que acima da cabeça de Jesus estava escrito: “Este é o rei dos judeus” (Lc 23,36-38).

Os insultos dirigidos a Jesus na cruz lembram Sb 2,17-20 e Sl 22,7-9. Mesmo desafiado, Jesus nega-se a usar de seu poder para descer da cruz. Já na tentação do deserto (Lc 4,3.9) “Jesus havia feito sua opção definitiva entre demonstrar seu poder e entregar-se totalmente em obediência ao Pai” (Hendrickx: 1986, p. 155).
Marcos e Mateus dizem que também os dois bandidos crucificados participavam dos insultos. Lucas distingue: Apenas um dos criminosos blasfemava, dizendo: “Não és tu o Cristo? Salva-te a ti mesmo e a nós” (Lc 23,39). O outro, porém, o repreendeu, dizendo que, se eles mereceram o castigo, Jesus era inocente e lhe fez um pedido: “Jesus, lembra-te de mim quando vieres como rei”. E Jesus respondeu: “Ainda hoje estarás comigo no paraíso”. O criminoso pensa, como os judeus em geral, na felicidade futura. Para Jesus, porém, a esperança da salvação futura é uma salvação que já se experimenta hoje (cf. Lc 2,11; 4,21; 19,9). No Antigo e no Novo Testamento, a essência da felicidade é estar com Deus.

3. Os sinais precursores da morte de Jesus

Marcos e Mateus citam dois sinais precursores: as trevas e o véu do Templo que se rasga. As trevas teriam coberto sobre toda a terra desde a hora sexta, meio-dia, até a hora nona, três da tarde. Não se trata de procurar uma explicação natural, como um eclipse ou o vento siroco, que pode trazer tanta poeira do deserto a ponto de fazer escurecer o céu. O fenômeno sugere um efeito cósmico da morte de Jesus e faz parte da linguagem escatológica do dia do Senhor e do julgamento divino, por ocasião da vinda do Filho do Homem: “Naqueles dias… o sol escurecerá” (Mc 13,24). Ou como diz Amós: “Acontecerá naquele dia que farei o sol se pôr em pleno meio-dia e escurecerei a terra em um dia de luz” (Am 8,9). Em João a paixão é também entendida como um julgamento divino: “Agora é o julgamento do mundo” (Jo 12,31).

4. Palavras de Jesus e intervenção do soldado

Apenas Marcos e Mateus dizem que Jesus, com voz forte gritou: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” O grito de Jesus, citando o Sl 22,1, expressa a radical solidão do sofrimento e morte de Jesus. Não se trata de um grito de desespero de um moribundo, mas inclui também uma expressão radical de entrega a Deus, como se expressa na ação de graças e certeza da proteção divina da parte final do Sl 22,22-31. Neste sentido, alguns pensam que Jesus estivesse rezando o Salmo 22. Talvez para ressaltar o aspecto positivo e confiante Lucas, omite este grito. O grito de Jesus chamou a atenção dos soldados e um deles, entendo mal a expressão “meu Deus” (Eli ou Eloí), disse: “Vede! Ele está chamando Elias”. Elias era considerado o precursor do Messias (cf. Ml 3,23; Mc 9,11-13). Foi arrebatado ao céu num carro de fogo (2Rs 2,11-14) e se acreditava que, ao ser invocado, viria resgatar o justo necessitado.

Com Lucas, João omite o grito de abandono do Sl 22,1; em vez disso, mostra que nem todos abandonaram o Mestre: Junto à cruz “estavam de pé, sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria de Cléofas e Maria Madalena”, além do discípulo amado (Jo 19,25-27). João, em vez de um Jesus abandonado pelo Pai, mostra um Jesus preocupado com o possível abandono de sua mãe, após sua morte. Por isso, com as palavras “mulher, aí está o teu filho” e “aí está tua mãe”, confia-a aos cuidados do discípulo amado.

5. A morte de Jesus e repercussões

Depois desta cena, Marcos e Mateus lembram que Jesus deu mais um forte grito e expirou. Em Lucas, que omitiu o Sl 22,1 (“meu Deus, meu Deus por que me abandonaste?”), antes de expirar, Jesus diz: “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito”, citando o Sl 31,6. Como nos salmos, Jesus aparece como o justo que sofre, mas se entrega confiante a Deus e é reabilitado. João mostra um Jesus consciente até o fim; por isso, “para cumprir plenamente a Escritura”, diz: “Tenho sede”. Neste momento, um dos soldados, molha em vinagre a esponja presa numa vara e a aproxima da boca de Jesus. Ao contrário de Mc 15,23 e Mt 27,34, Jesus provou o vinagre: “Depois de provar o vinagre, Jesus disse: ‘tudo está consumado’. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito” (Jo 19,28-30).

A expressão “tenho sede”, no contexto do vinagre servido, lembra o lamento do justo sofredor do Sl 69,22: “Puseram veneno no meu alimento, em minha sede deram-me a beber vinagre”. A palavra “tudo está consumado” expressa o desejo profundo de Jesus de cumprir a vontade do Pai. A cena de Jesus e a samaritana junto ao poço de Jacó já expressava muito bem este desejo. De fato, embora Jesus tenha pedido água para a samaritana acabou não bebendo água; e, quando os discípulos lhe oferecem pão, Jesus diz: “Meu alimento é completar é fazer a vontade daquele que me enviou e completar a sua obra” (Jo 4,34). Do mesmo modo, na hora da prisão, Jesus manda Pedro recolher a sua espada e diz: “Será que não devo beber o cálice que o Pai me deu?” (Jo 18,11). Por outro lado, como em Lc 23,46, em João ninguém tira a vida de Jesus. É ele que “entrega” o seu espírito: “O Pai me ama porque dou minha vida para de novo a retomar. Ninguém a tira de mim. Sou eu mesmo que a dou” (Jo 10,17-18).

6. Ocorrências após a morte de Jesus

Marcos mostra um duplo significado da morte de Jesus. A ruptura do véu (v. 38) tem um significado em relação ao povo judeu e a confissão do oficial romano (v. 39) se relaciona com os gentios. Em Mateus e Marcos o véu do Templo se rompe após a morte de Jesus, enquanto em Lucas, antes da morte. No Templo havia dois véus. Um véu exterior, que separava o Santo do pátio exterior (Ex 26,37; 38,18) e um véu interior, que separava o Santo do Santíssimo2 . Em qualquer caso, se os evangelhos sinóticos mencionam a ruptura do véu (interior ou exterior) no contexto do momento da morte de Jesus é porque isso tinha um significado simbólico mais profundo. Poderia significar que, com a morte de Jesus, o serviço do Templo fica abolido e sua destruição está próxima. Outros vêem na ruptura o fim da barreira entre Deus e o homem (cf. Hb 9,1-12.24-28; 10,19-25). Outra possibilidade seria que, com a morte de Jesus, acaba a separação entre judeus e gentios (cf. Ef 2,11-22). Em suma, a morte de Jesus marca o fim da economia do Antigo Testamento e abre o caminho da salvação para todos os povos.

Segundo Mateus, a ruptura do véu foi acompanhada de outros fenômenos cósmicos: “A terra tremeu e fenderam-se as rochas. Os túmulos se abriram e muitos corpos de santos ressuscitaram. Eles saíram dos túmulos, depois da ressurreição d’Ele, entraram na Cidade Santa e apareceram a muitos” (27,51b-3). A descrição se inspira no motivo apocalíptico da ressurreição, prevista para a era messiânica (cf. Ez 37,1-14). Na linguagem apocalíptica o terremoto acompanha a descrição de teofanias, ou manifestações divinas, como sinal de uma nova ação salvífica (cf. Jl 2,10; Ag 2,6.21).

Por outro lado, a ruptura de rochas também acompanha a própria ação divina (Is 48,21; Na 1,5-6). Tumbas que se abrem marcam a descrição da ressurreição do povo em Ez 37,12s. “Santos” no Sl 34,9 é sinônimo de fiéis. Os rabinos chamam “santos” os que observam os mandamentos divinos. Em Mt 27,52 talvez se refira a personagens importantes do Antigo Testamento. A ressurreição dos mortos é o ato salvífico escatológico de Deus por excelência. Jerusalém com seu templo era o lugar da presença de Deus. Aqui, a expressão “Cidade Santa” indica a Jerusalém celeste (Hb 11,10.16; 12,22; Ap 21,2.10; 22,19. Enfim, todos estes sinais não devem ser entendidos literalmente, mas são afirmações teológicas para expor o significado da morte de Jesus. “Depois da ressurreição d’Ele”, talvez seja um acréscimo para deixar claro que “Cristo ressuscitou dos mortos como o primeiro dos que morreram” (1Cor 15,20) e na sua ressurreição se baseia a fé na ressurreição dos mortos (1Cor 15,12-19).

À vista destes fenômenos cósmicos, Marcos e Mateus trazem a confissão do centurião romano: “Verdadeiramente, este homem era Filho de Deus”. Marcos põe na boca do centurião aquilo que mais tarde faria parte da confissão cristã a respeito de Jesus. Com esta frase o centurião caracteriza a vida inteira de Jesus, até sua morte, como a de filho de Deus (cf.Mc 1,1 e 15,39). A expressão “filho de Deus” ainda não é o que entendemos por ” segunda pessoa da Trindade”, definição que foi feita apenas em 325 dC, no Concílio de Nicéia. No Antigo Testamento o povo de Israel era chamado filho de Deus: “Quando Israel era menino, eu o amei e do Egito chamei o meu filho” (Os 11,1). O rei, como representante do povo, era também chamado “filho” de Deus (2Sm 7,12-16). À luz do Sl 2,7, ‘filho de Deus” pode ser entendido mais em sentido messiânico. A confissão do centurião, de qualquer forma, vai mais longe que a de Pedro, que reconhece em Jesus apenas o Cristo (Mc 8,29) e afirma o que o sumo sacerdote considerou como blasfêmia (Mc 14,64). Em João, o próprio Jesus, ao discutir com os judeus, diz: “Se a Lei chama deuses àqueles a quem se dirigiu a palavra de Deus – e a Escritura não pode falhar – como podeis dizer que blasfema aquele que o Pai santificou e enviou ao mundo só porque eu disse: ‘Sou Filho de Deus’” (Jo 10,35-36). Marcos quer deixar claro à comunidade cristã que somente quando Jesus é visto como aquele que sofreu, morreu, ressuscitou e há de vir de novo, é que pode ser chamado filho de Deus em sentido próprio (Hendrickx: 1986, p. 130-131).

Mateus coloca o reconhecimento de que Jesus era filho de Deus na boca do centurião e dos guardas que com ele estavam. Esta confissão é acompanhada pelo temor diante de uma manifestação divina: “ficaram com muito medo” (27,54: 9,8; 17,6). Em Mateus Jesus é reconhecido como “filho de Deus” já antes pelos discípulos, quando Jesus caminha sobre as águas ao encontro dos discípulos em meio ao mar agitado (Mt 14,33). Em Cesaréia de Filipe, Pedro também confessa que Jesus é “o Cristo, o Filho do Deus vivo” (16,16). E agora, junto à cruz, ao reconhecer que Jesus era filho de Deus, enquanto os chefes do povo o rejeitavam, o centurião romano torna-se um exemplo de profissão de fé para a comunidade cristã de Mateus. Jesus já havia elogiado esta fé num centurião romano que pedia a cura de seu servo: “Em ninguém de Israel encontrei tanta fé” (Mt 8,10-12).

Em Lucas o centurião diz: “Realmente, este homem era um justo”. Pilatos e o criminoso declararam que Jesus era inocente. O texto de Lucas parece sugerir que o centurião, tendo acompanhado todo o processo diante de Pilatos (23,2-25) e vendo a acontecido, reconhece que Jesus não tinha ambições políticas de que era acusado, mas era um justo. Em Lucas, o centurião reconhece que Jesus era um justo enquanto “glorificava” a Deus. Em outras ocasiões, em Lucas, o “louvor” ou a “glorificação” é a resposta cristã diante de palavras e gestos de Jesus. A glorificação é a resposta de quem crê que Deus interveio de modo decisivo na história da salvação (Lc 1,42.64; 2,20.28; 17,15, etc.). O título “justo” lembra o sofredor que é reabilitado como justo (Sl 31,19). Para Lucas “justo” é um título messiânico (At 3,14-15; 3,14; 7,52; 22,14) e lembra o servo sofredor de Isaías: “O justo, meu servo, justificará a muitos e tomará sobre si as suas iniqüidades” (Is 53,11). Além das palavras do centurião, Lucas acrescenta que a multidão, testemunha do que aconteceu, volta arrependida, “batendo no peito”. Pode ser uma alusão a Zc 12,1.10 onde, diante do “transpassado” que morre, o povo se arrepende e faz lamentação. Pode-se também ver uma antecipação do dom do Espírito e do perdão, conforme At 2,38: “Arrependei-vos e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para o perdão dos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo”.

7. Mulheres e outros que estavam presentes

No jardim de Getsêmani, quando Jesus é preso, todos os discípulos o abandonam. Um discípulo jovem tentou segui-lo, mas também acaba fugindo (Mc 14,50-51). Pedro, que jurara permanecer fiel, acompanha Jesus, junto com outro discípulo, até a casa do sumo sacerdote, mas acaba negando que conhece o Nazareno. João é o único que fala de um discípulo, o discípulo amado, presente junto à cruz. Marcos e Mateus, com algumas variantes, dizem que as mulheres presentes eram muitas, seguiam Jesus e o serviam desde a Galiléia, e mencionam Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago e de José, a mãe dos filhos de Zebedeu (Mt) e Salomé (Mc).Lucas não cita nomes, mas, em outro lugar, identifica pelo nome estas mulheres que seguiam e serviam a Jesus desde a Galiléia: Maria Madalena, Joana, mulher de Cuza e Susana, além de “muitas outras” (cf. Lc 8,2-3).

Acrescenta, porém, que estavam junto à cruz “todos os conhecidos de Jesus”. Logo, também os onze discípulos estariam presentes, à distância, como testemunhas da morte de Jesus.O vínculo entre o mestre e os discípulos não estaria de todo rompido. De fato, Lucas omite a fuga dos discípulos e lembra que “Pedro o seguia à distância” (Hendrickx: 1986, p. 163-164). João é o único a dizer que “junto à cruz estavam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria de Cléofas e Maria Madalena”, além do discípulo que Jesus amava (Jo 19,25-26).
A presença das mulheres junto à cruz é mencionada em Marcos, Mateus e Lucas porque elas exercem uma função importante no sepultamento e no encontro do túmulo vazio (Mc 15, 47-16,8; Mt 27,61; 28,1-10; Lc 23,55-24,1-11).

Conclusão

Como vimos acima, Marcos recolheu materiais do relato da paixão, anteriores a ele, e foi o primeiro a organizá-los, dando-lhes alguns acentos teológicos próprios. Mateus e Lucas (e de certa forma João) respeitaram estes dados da tradição oral e acolheram a organização que lhes foi dada por Marcos. Também eles têm seus acentos teológicos próprios.

Marcos tem uma reflexão cristológica própria. Jesus é um inocente, crucificado como Messias, “rei dos judeus” (Mc 15,2.9.12.18.26). Provavelmente, ao falar do silêncio de Jesus e de sua inocência, esteja fazendo uma alusão aos cânticos do Servo Sofredor (Is 53,7.9). Realça o contraste entre Jesus e Barrabás, e a crescente solidão e rejeição de Jesus. No seu relato fica, também, clara a responsabilidade dos judeus (Mc 15,3-14). O julgamento de Jesus diante de Pilatos é um julgamento do rei dos judeus, que silencia enquanto os judeus o acusam (Hendrickx: 1986, p. 92-93).

Mateus dá também destaque ao aspecto cristológico, insistindo na fé e no título “filho de Deus” (Mt 27,40.43.54). O relato de Mateus tem uma característica fortemente eclesial (Hendrickx: 1986, p. 149). A morte de Jesus marca o fim da antiga aliança e o começo do novo povo de Deus (Mt 27,51-54). Com Marcos, frisa também ferrenha oposição dos chefes judeus e sua responsabilidade pela morte de Jesus.

Lucas dá um realce ao amor de Jesus pelos pecadores, tanto na cruz como durante seu ministério público, e à firma confiança na proteção do Pai (Hendrickx: 1986, p. 164). Jesus não é alguém abandonado e rejeitado por todos. No caminho da cruz, recebe a solidariedade de Simão Cireneu, é seguido por uma multidão de povo e mulheres, que se compadecem dele e as quais Jesus exorta. Em lugar de “bandidos” que amaldiçoam a Jesus, aparece um “criminoso” arrependido e que recebe a promessa de estar na presença de Deus (Lc 23,39-43). Lucas substitui o grito de abandono de Jesus – “meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” (Sl 22,2) – pelo de confiança: “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito” (Sl 31,6). Lucas não fica no aspecto escatológico dos sinais após a morte de Jesus, mas acentua a relação pessoal de um centurião que declara Jesus como um justo e da multidão que, arrependida, bate no peito (Lc 23,47-48).

Como vimos, cada um dos evangelistas tem o seu modo próprio de contar a paixão. Que eles nos inspirem a meditarmos e vivermos com maior profundidade a paixão e morte de Jesus, nas celebrações da Semana Santa.


Bibliografia:
BURNIER, Martinho Penido. Perscrutando as Escrituras, fasc. IX: Paixão e ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo (III). Círculos Bíblicos. Petrópolis: Ed. Vozes, 1971, 203 p.
GOURGUES, M. Jesus diante de sua paixão e morte. Cadernos Bíblicos, 24. São Paulo: Paulinas, 1985, 80 p.
HENDRICKX, Herman. Los relatos de la pasión. Madrid: Ediciones Paulinas, 1986, 228 p.
KONINGS, Johan. Sinopse dos Evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas e da “fonte Q“. Bíblica Loyola, 45. São Paulo: Ed. Loyola, 2005.


Notas de Rodapé
1 Na análise dos textos de Marcos, Mateus e Lucas seguimos, de modo geral, a exposição de Herman Hendrickx. Los relatos de la pasión. Estúdio sobre los evangelios sinópticos. Madrid: Ediciones Paulinas, 1986.
2- “Santo” era o espaço no tabernáculo (Ex 26,23) e no templo de Salomão (1Rs 6,3.5.17.33) que dava acesso ao “Santo dos Santos”. No “Santo” ficava o altar dos perfumes, a mesa dos pães apresentados e dez candelabros (um candelabro de sete braços no templo de Herodes). No “Santo dos Santos” estava a arca da aliança até a destruição do Templo em 587 aC. Somente o sumo sacerdote, uma vez por ano, no Dia da Expiação, podia entrar no “Santo dos Santos” (Lv 16,2; Hb 9,7-10). No templo de Herodes dois véus separavam o “Santo” do “Santo dos Santos”.

Ofício da Paixão do Senhor

Dos Escritos de São Francisco

Aqui começam os Salmos que nosso beatíssimo pai Francisco fez compilar em honra, memória e louvor da paixão do Senhor, para serem rezados por extenso a todas as horas do dia e da noite. Começam com as Completas da Sexta-feira Santa porque naquela noite Nosso Senhor Jesus Cristo foi traído e preso. Cumpre notar que o bem-aventurado Francisco rezava essas horas da seguinte maneira: Primeiro dizia a oração que Nosso Senhor e Mestre nos ensinou: “Santíssimo Pai nosso, etc.” com os louvores, a saber: “Santo, santo, santo” (como ficou dito acima). Após os louvores com sua oração entoava a seguinte antífona, a saber: “Santa Virgem Maria”. Recitava primeiros os Salmos que tinha selecionado; e no fim de todos os salmos que recitava e rezava ainda os Salmos da Paixão. No fim do Salmo rezava a seguinte antífona: “Santa Virgem Maria”. Terminada a antífona, encerrava-se o ofício.

PRIMEIRA PARTE

COMPLETAS

Antífona: Santa Virgem Maria.
Salmo
1 – Ó Deus, a vós expus a minha vida; – tendes presentes diante de vossos olhos minhas lágrimas (Sl 55,9).
2 – Todos os meus inimigos urdiam males contra mim, – reuniram-se em conselho contra mim (Sl 40,8).
3 – Pagaram-me o bem com o mal – e meu amor, com o ódio (Sl 108,5).

4 – Em resposta ao meu afeto me acusaram; – eu, porém, orava (Sl 108,4).
5 – Meu santo Pai, Rei do céu e da terra, não vos retireis de mim – porque a tribulação se aproxima e não há quem me acuda (Sl 21,12).
6 – Serão repelidos os meus inimigos no dia em que vos invocar; – eis que reconheci que vós sois meu Deus (Sl 55,10).
7 – Meus amigos e meus companheiros aproximaram-se de mim com hostilidade e se puseram contra mim – e meus companheiros permaneceram à distância (Sl 37,12).
8 – Afastastes de mim os meus amigos, objeto de horror me tornastes para eles; – estou aprisionado sem poder sair (Sl 87,9-10).
9 – Meu santo Pai, não afasteis de mim o vosso auxílio, – meu Deus, acudi em meu auxílio (Sl 21,20).
10 – Vinde depressa em meu auxílio, – Senhor, Deus de minha salvação! (Sl 37,23).
11 – Glória ao Pai…
12 – Antífona: Santa Virgem Maria, não há mulher nascida no mundo semelhante a vós, filha e serva do altíssimo Rei e Pai celestial, Mãe de nosso Santíssimo Senhor Jesus Cristo, esposa do Espírito Santo: rogai por nós com São Miguel Arcanjo e todas as Virtudes do céu e todos os santos junto a vosso Santíssimo e Dileto Filho, Nosso
Senhor e Mestre. Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, assim como era no princípio, agora e sempre, e por toda a eternidade. Amém.

Cumpre notar que esta antífona é dita a todas as horas canônicas. É rezada como antífona, capítulo, hino, versículo e oração, e isto da mesma maneira tanto às Matinas como às demais horas. Nada mais rezava ele a essas horas do que esta antífona com seus Salmos.

11 Bendigamos ao Senhor Deus vivo e verdadeiro. Rendamos-lhe louvor, glória, honra, bênção e todos os bens. Amém. Amém. Assim seja. Assim seja.

MATINAS
Antífona: Santa Virgem Maria

Salmo
1 Senhor Deus da minha salvação – dia e noite clamei diante de vossa face (Sl 87,1)
2 Chegue à vossa presença minha oração, – inclinai o vosso ouvido à minha súplica (SL 87,2)
3 Acorrei à minha alma e livrai-a, – salvai-me dos meus inimigos (Sl 68,19).
4 Pois fostes vós que me extraístes do ventre de minha mãe, minha esperança desde os peitos de minha mãe: – de vós dependo desde o seio de minha mãe (Sl 21, 10).
5 Vóis sois o meu Deus desde o ventre de minha mãe, – não vos retireis de mim (Sl 21,11)
6 Vós conheceis o meu opróbrio e minha confusão – e minha grande humilhação (Sl 68,20).
7 Ante vossos olhos estão todos os que me confundem; – meu coração contava com os seus ultrajes (Sl 68,20-21).
8 Esperei em vão quem tivesse compaixão de mim, – quem me consolasse, e não encontrei (Sl 68,21).
9 Ó Deus, os soberbos se levantaram contra mim, uma turba de prepotentes atentava contra minha vida, – e a vos não tinham presente ante seus olhos (Sl 85,14).
10 Já sou contado entre os que descem à tumba, – tal qual um homem inválido sem recurso, abandonado aos mortos (Sl 87,5).
11 Vós sois meu santíssimo Pai, meu Rei e meu Deus (Sl 37,22).
12 Vinde em meu socorro, – Senhor, Deus de minha salvação (Sl 37,23).
Glória ao Pai…
Antífona: cf. acima

PRIMA
Antífona: Santa Virgem Maria

Salmo III
1 Tende piedade de mim, ó Deus, tende piedade de mim, – porque a minha alma em vós procura o seu refúgio (Sl 56,1).
2 Abrigo-me à sombra de vossas asas – até que a tormenta passe (Sl 56,2).
3 Clamarei a meu supremo Pai santíssimo, – ao Deus que me cumulou de benefícios (Sl 56,3).
4 Enviou do céu o auxilio que me salvou, – cobriu de confusão os que me perseguiam (Sl 56,4).
5 Deus estendeu sua mão e sua verdade, livrou-me dum inimigo poderoso e daqueles que me odeiam, – de adversários mais fortes do que eu (Sl 17,18).
6 Eles armaram laços aos meus pés, – e dobraram minha alma ao chão.
7 Diante de mim cavaram uma fossa; – caíram nela eles mesmos (Sl 56,7).
8 Disposto está o meu coração, meu Deus, disposto está o meu coração – para
cantar e entoar hinos de louvor (Sl 56,8).
9 Desperta-te, meu canto de glória, despertai-vos, harpa e cítara; – levantar-me-ei pela aurora (Sl 56,9).
10 Entre os povos, Senhor, vos louvarei; – salmodiarei a vós entre os gentios (Sl 56,10).
11 Porque aos céus se eleva a vossa misericórdia – e até às nuvens vossa verdade (Sl 56,11).
12 Elevai-vos, ó Deus, nas alturas dos céus, – e brilhe a vossa glória sobre toda a terra (Sl 56,12).
Glória ao Pai….
Antífona, cf. acima
Cumpre notar que o presente Salmo é sempre rezado à Prima.

TERÇA
Antífona: Santa Virgem Maria.
Salmo:
Salmo IV
1 Tende piedade de mim, ó Deus, porque aos pés me pisaram os homens, – sem cessar me oprime o adversário (Sl 55,2).
2 Meus inimigos continuamente me espezinharam, – pois são numerosos os que me combatem (Sl 55,3).
3 Todos os meus inimigos urdiam males contra mim, – reuniram-se em conselho contra mim (Sl 40, 8-9).
4 0s que insidiavam minha vida, – reuniam-se em conselho contra mim (Sl 70,10).
5 Eles saíam para fora – e confabulavam (Sl 40,8).
6 Todos os que me viam zombavam de mim, – falavam com os lábios e meneavam a cabeça (Sl 21,8).
7 Eu porém sou um verme, não sou homem, – o opróbrio de todos e a abjeção da plebe (Sl 21,7).
8 Por causa de meus inimigos tornei-me opróbrio para meus vizinhos, – e o horror dos meus conhecidos (Sl 30,12).
9 Santo Pai, não afasteis de mim a vossa ajuda, – Senhor, Deus de minha salvação (Sl 37,23).
10 Apressai-vos em socorrer-me, – Senhor Deus, meu Salvador,

Antífona, cf. acima

SEXTA
Antífona: Santa Virgem Maria
Salmo:
1 Com minha voz clamei ao Senhor, – com minha voz supliquei ao Senhor (Sl 141,2).
2 Derramo ante sua face minha oração, – e lhe exponho toda a minha angustia (Sl 141,3).
3 Na hora em que o espírito desfalece, – vós conheceis o meu caminho (Sl 141,3).
4 Na senda em que andava, – ocultaram-me um laço (Sl 141,4).
5 Olhava para a direita e observava, – e todos simulavam não conhecer-me (Sl 141,5).
6 Não existe para mim um refúgio, – e não há quem se interesse pela minha vida (Sl 141,5).
7 Pois foi por vós que eu sofri afrontas, – e o rubor da confusão subiu-me à face (Sl 68,8).
8 Tornei-me um estranho para meus irmãos, – um desconhecido para os filhos de minha Mãe (Sl 68,9).
9 Pai santo, o zelo de vossa casa me consome – e os insultos dos que vos ultrajam caíram sobre mim (Sl 68,10).
10 E na minha desgraça eles se reuniram para se alegrar, – juntaram-se para me dilacerar a golpes sem eu saber por quê (Sl 34,15).
11 Mais numerosos que os cabelos de minha cabeça, – os que me detestam sem razão (Sl 68,5).
12 Tornaram-se fortes os meus inimigos que me perseguiram injustamente; – o que não roubara quiseram que restituísse (Sl 68,5).
13 Surgiram testemunhas falsas, – interrogaram-me sobre o que eu desconhecia (Sl 34,11).
14 Retribuíram-me o mal pelo bem recebido, – e caluniavam-me, porque eu queria fazer o bem (Sl 37,21).
15 Vós sois meu Pai santíssimo, – meu Rei e meu Deus (Sl 43,5).
16 Vinde depressa em meu auxílio, – Senhor, Deus de minha salvação (Sl 37,23).
Glória ao Pai…
Antífona: cf. acima

NOA
Antífona: Santa Virgem Maria

Salmo:

1 O vós todos que passais pelo caminho – atendei e vede se há dor semelhante à minha dor (Lm 1,12).
2 Porque rodeou-me uma malta de cães, – cercou-me um bando de malfeitores (Si 21,17).
3 Eles olharam para mim e me observaram bem, – repartiram entre si as minhas vestes e lançaram a sorte sobre a minha túnica (SI 21,18-19).
4 Traspassaram minhas mãos e meus pés – e contaram todos os meus ossos (Si 21,17-18).
5 Contra mim eles abriram suas fauces – como um leão que ruge e arrebata (Si 21,14).
6 Pareço-me com água derramada, – e desconjuntados estão todos os meus ossos (Si 21,15).
7 Meu coração tornou-se como de cera – que se derrete nas minhas entranhas (Si 21,15).
8 Ressequido como caco de louça está o meu vigor – e gruda-se no paladar a minha língua (Sl 21,16).
9 Deram-me fel por alimento, – na minha sede deram-me vinagre a beber (Si 68,22).
10 Reduziram-me ao pó da morte (SL 21,16) – e reduplicaram a dor de minhas chagas (Sl 68,27)
11 Deitei-me a dormir e levantei-me de novo – e meu santíssimo Pai me recebeu com honras (Sl 3,6)
12 Santíssimo Pai, vós me tomastes pela mão direita, – vossos desígnios me conduziram e me recebestes com honras (Sl 72, 23-24).
13 Pois quem senão vós existe para mim no céu, – e o que desejei na terra senão a vós? (Sl 72,25).
14 Reparai e reconhecei que sou Deus, diz o Senhor, – dominarei sobre as nações e sobre toda a terra (Sl 45,11).
15 Bendito seja o Senhor, Deus de Israel, que libertou com seu próprio sangue sacratíssimo as almas de seus servos; – não serão desamparados os que n’Ele esperam (Sl 33,23).
16 E sabemos que Ele vem, – que virá julgar o mundo com justiça (Sl 95,13).
Glória ao Pai…
Antífona: cf. acima

VÉSPERAS
Antífona: Santa Virgem Maria
Salmo:

1 Povos, batei palmas de aplauso, – aclamai a Deus com vozes alegres (Sl 46,2).
2 Porque o Senhor é excelso e terrível – Rei supremo sobre toda a terra (Sl 46,3).
3 Eis que o santíssimo Pai celestial, nosso Rei, enviou desde os tempos antigos do alto o seu dileto Filho, – e operou a salvação por toda a terra (Sl 73,12).
4 Alegrem-se os céus, rejubile a terra, ressoe o mar com tudo o que contém, – rejubilem-se os campos e o que neles existe (Sl 95,11-12).
5 Cantai ao Senhor um cântico novo, – cantai ao Senhor, universo inteiro (Sl 95,1).
6 Porque o Senhor é grande e digno de louvor, – é mais temível que todos os deuses (Sl 95,4).
7 Dai ao Senhor, ó famílias dos povos, – dai glória e poder ao nome do Senhor (Sl 95,7-8).
8 Oferecei em holocausto os vossos corpos e carregai a sua santa cruz – observai até o fim a sua santa lei (Lc 14,27).
9 Trema ao seu olhar a face da terra; – anunciai entre os povos que (do lenho) reina o Senhor (Sl 95,10).

Até aqui se reza desde a Quinta-feira Santa até a festa da Ascensão. E na festa da Ascensão acrescentam-se os versículos seguintes:

10 E subiu aos céus, – e está sentado à direita do santíssimo Pai celestial.

11 Elevai-vos, o Deus, nas alturas dos céus, – e sobre a terra em vossa glória (Sl 56,12).
12 E sabemos que Ele vem, – que virá para julgar com justiça (Sl 95,13).
Glória ao Pai…

SEGUNDA PARTE
No Sábado Santo
Quer dizer, depois de encerrado o sábado

COMPLETAS
Antífona: Santa Virgem Maria
Ó Deus, vinde em meu auxílio, etc.

O Salmo 69 é rezado por extenso conforme se encontra no Saltério. Antífona, cf. acima
E isto se reza até a oitava de Pentecostes, às Completas.

MATINAS DO DOMINGO DA PÁSCOA
Antífona: Santa Virgem Maria.
Salmo:
1 Cantai ao Senhor um cântico novo – pelas maravilhas que Ele operou (Sl 97,1).
2 Sua destra santificou o seu Filho – e seu santo braço (Sl 97,1).
3 0 Senhor fez conhecer a sua salvação; – à face de todos os povos manifestou a sua justiça (Sl 97,2).
4 Naquele dia o Senhor ofereceu a sua misericórdia – e à noite foi cantado o seu louvor (Sl 91,9).
5 Este é o dia que o Senhor fez – alegres exultemos por ele (Sl 117,24).
6 Bendito seja o que vem em nome do Senhor, – o Senhor é Deus e fez brilhar sobre nós a sua luz (Sl 117,26-27).

7 Alegrem-se os céus, rejubile a terra; ressoe o mar com tudo o que ele contém – rejubilem-se os campos e o que neles existe (Sl 95,11-12).
8 Dai ao Senhor, ó famílias dos povos, dai ao Senhor glória e poder; – tributai ao Senhor o louvor devido ao seu nome (Sl 95,7-8).

Até aqui se reza desde o domingo da Páscoa até a festa da Ascensão a todas as horas, exceto às Vésperas, às Completas e à Prima. E na vigília noturna da Ascensão acrescentaram-se contudo os seguintes versículos.

9 Reinos da terra, cantai à glória de Deus, salmodiai ao Senhor; – louvai a Deus, que é levado pelo céu do céu até o oriente (Sl 67,33-34)
10 Eis que dará à sua voz o sonido da força, – rendei glória e louvor ao Deus de Israel; – sua majestade e seu poder resplandecem nas nuvens (Sl 67,35).
11 Maravilhoso é Deus nos seus santos; – o Deus de Israel, é Ele que dá ao seu povo a força e o poder. Bendito seja Deus (Sl 67,36).
Glória ao Pai….

Antífona: cf. acima

É mister observar que este Salmo é rezado diariamente com os versículos acima citados, desde a Ascensão do Senhor até a oitava de Pentecostes, às Matinas, à Terça, à Sexta e à Noa. O Glória-ao-pai se reza no lugar onde se diz: “Bendito seja Deus”, e não alhures. Cumpre ainda notar que deste modo só se reza nas Matinas e festas principais desde a oitava de Páscoa até o Advento do Senhor e desde a oitava da Epifania até a Quinta-feira Santa, porque neste dia o Senhor comeu com os seus discípulos o cordeiro pascal. Pode-se, querendo, às Matinas e Vésperas, rezar também um outro Salmo, a saber: “Eu vou exaltarei, Senhor”, etc. (Sl 29), conforme se acha no Saltério, e isto desde o domingo da Páscoa até a festa da Ascensão, não adiante.

PRIMA
Antífona: Santa Virgem Maria

Salmo:
Tende piedade de mim, ó Deus
Como acima

TERÇA, SEXTA E NOA
Salmo:
Cantai ao Senhor…
Como acima

VÉSPERAS
Povos, batei palmas…

Como acima…

TERCEIRA PARTE
Aqui começam outros Salmos, que nosso beatíssimo pai Francisco compilou igualmente. Sejam rezados em lugar dos acima citados Salmos em honra da paixão do Senhor, nos domingos e festas principais desde a oitava de Pentecostes até o Advento e desde a oitava da Epifania até a Quinta-feira Santa. Entenda-se bem que devem ser rezados nesse mesmo dia, porque é o dia da Páscoa do Senhor.

COMPLETAS
Antífona: Santa Virgem Maria
Salmo:
Ó Deus, vinde em meu auxílio (Sl 69).
Como está no Saltério.
MATINAS
Antífona: Santa Virgem Maria.
Salmo:
Cantai ao Senhor…
Como acima…
PRIMA
Antífona: Santa Virgem Maria.
Salmo: Tende piedade de mim, ó Deus…
Como acima…
TERÇA
Antífona: Santa Virgem Maria.

Salmo:
1 Aclamai a Deus, terras todas, cantai a glória do seu nome; – rendei-lhe glorioso louvor (Sl 65,1).
2 Dizei a Deus: Como são estupendas vossas obras! – Tal é o vosso poder que os próprios inimigos vos glorificam (Sl 65,2)
3 Diante de vós se prosterne toda a terra – e cante em vossa honra a glória de vosso nome (Sl 65,3).
4 Vinde ouvi, vós todos que temeis a Deus, eu vos narrarei – quão grandes coisas Ele fez à minha alma (Sl 65,16).
5 A Ele clamei com minha boca, – com minha língua o louvei (Sl 65,17).
6 Do seu templo santo ouviu a minha voz, – meu clamor chegou aos seus ouvidos (Sl 17,7).
7 Bendizei, ó povos, ao nosso Deus, – publicai os seus louvores (Sl 658).
8 Nele serão abençoadas todas as raças da terra, – e todos os povos hão de bendizê-lo (Sl 71,17).
9 Bendito seja o Senhor Deus de Israel, – que só Ele faz maravilhas (Sl 71,18).
10 Bendito seja eternamente seu nome glorioso, – e toda a terra se encha de sua glória. Assim seja. Assim seja (Sl 71,19).
Glória ao Pai…
Antífona: cf. acima

SEXTA
Antífona: Santa Virgem Maria.
Salmo:
1 0 Senhor te escute no dia da provação, – e te proteja o nome do Deus de Jacó (Sl 19,2).
2 Do seu santuário Ele te socorra – e de Sião Ele te sustente (Sl 19,3).
3 Ele se lembre de tuas ofertas, – e aceite os teus sacrifícios (Sl 19,4).
4 Ele te dê o que teu coração aspira, – e realize todos os teus desejos (Sl 19,5).
5 Nós vamos alegrar-nos com tua vitória, – e gloriar-nos no nome do Senhor nosso Deus (Sl 19,6).
6 0 Senhor realize todos os teus pedidos. – Agora reconheci que o Senhor enviou a Jesus Cristo, seu Filho (Sl 19,6-7), e Ele julgará o universo com justiça (Sl 9,9).
7 E o Senhor se tornou refúgio para o pobre, e defensor na angústia – e esperam em vós os que conhecem vosso nome (Sl 9,10-22).
8 Bendito seja o Senhor meu Deus, – porque Ele se tornou o meu amparo, o meu refúgio no dia da tribulação (Sl 58.17).
9 A vós, meu Deus, cantarei salmos porque sois minha defesa, – vós sois meu Deus e minha misericórdia (Sl 58,18).
Glória ao Pai….
Antífona: cf. acima…

NOA
Antífona: Santa Virgem Maria
Salmo:
1 Em vós, Senhor, pus minha confiança, não perecerei por toda a eternidade, – por vossa justiça livrai-me, libertai-me (Sl 70,2).
2 Inclinai para mim vossos ouvidos – e salvai-me (Sl 70,2).
3 Sede-me um Deus protetor e uma cidadela forte – para me salvardes (Sl 70,3).
4 Porque vós sois, ó meu Deus, minha esperança; – Senhor, desde a juventude vós sois minha confiança (Sl 70,5).
5 Em vós me foi dada forra desde o seio de minha Mãe, desde o seio materno sois meu protetor, – a vós ressoa sempre o meu louvor (Sl 70,6).
6 Minha boca se encha de vossos louvores para que eu cante sempre vossa glória, – continuamente vossa grandeza (Sl 70,8).
7 Ouvi-me, Senhor, pois vossa bondade é compassiva; – em nome de vossa
misericórdia voltai-vos para mim (Sl 68,17).
8 Não escondais ao vosso servo o aspecto de vossa face – atendei-me logo, porque estou muito atormentado (Sl 68,18).
9 Bendito seja o Senhor Deus meu, porque se tornou o meu amparo, – o meu refúgio no dia da tribulação (Sl 58,17).
10 A vós, meu Deus, cantarei salmos, porque sois minha defesa, – vós sois o meu Deus, sois minha misericórdia (Sl 58,18).
Glória ao Pai…
Antífona: cf. acima

VÉSPERAS
Antífona: Santa Virgem Maria
Salmo: Povos batei palmas…

Como acima…

Hino das Laudes da Semana Santa

Hino das Vésperas da Semana Santa