Vida Cristã - Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil - OFM

Creio na Igreja Católica – 5

06/06/2012

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Aula 29

5 – A Igreja como Corpo de Cristo (CIC 787-796).

5.1- A Igreja é o Povo de Deus em Comunhão com Cristo (CIC 787-789; LG 12-14)

Como tema de fundo que ajuda a esclarecer toda a aula de hoje temos as coisas que Jesus falou aos seus mais próximos sobre união e comunhão de seus discípulos de todos os tempos com Ele para estabelecer igual união e comunhão de seus seguidores entre si.

Um rápido passar de olhos só no Evangelho de São João dá para perceber a importância do tema e juntar seus elementos.

● “Que todos sejam um como Tu, Pai, estás em Mim e Eu em Ti” (Jo 17, 21). Eu neles e Tu em Mim, para que sejam perfeitos na unidade” (Jo 17, 23).

● Na imagem da videira (Jo 15, 1-8) Jesus acentua a absoluta necessidade de contato direto entre as raízes alimentadoras, passando pelo tronco, aos ramos todos, até cada baga de uva do cacho. Aqui, Jesus mesmo diz que Ele é a cepa, o que inclui raízes, de onde vem a seiva vital. Numa imagem moderna podemos imaginar Jesus como o gerador da eletricidade e cada um de nós uma lâmpada a iluminar. Nenhuma interrupção na rede pode ocorrer.

● “Eu vos dou um novo mandamento: que vos ameis uns aos outros. Assim como Eu vos amei, amai-vos também uns aos outros” (Jo 13, 34).

O amor entre nós deve ser da mesma qualidade do amor Dele, de Jesus! Vai até a doação da vida pelo irmão. Aqui também podemos imaginar o amor a circular de irmão para irmão e de cada irmão a Cristo, comparando-o à energia vitalizante da seiva que vai das raízes até às uvas.

Destas citações de João que acabamos de ver sobressai uma evidência. O amor é tudo no mundo de ser de Jesus. É tudo no seu plano de redenção do Ser Humano e tem de ser tudo na vida do dia-a-dia dos seus discípulos.

O amor pode ser extremo, heroico, mas raro. Não é toda hora que acontece o cristão ser convocado a dar sua vida por alguém. Mas, no cotidiano, a cada momento, somos convidados à solidariedade, à partilha e ao serviço aos irmãos.

A partilha total é a parte do amor do dia-a-dia. Contudo, Jesus coloca a partilha em lugar especial. A partilha só é perfeita quando inclui a participação do outro em algo de quem reparte alguma coisa. Esta participação de pessoa em pessoa pode ser maior ou menor. Preparar um prato para um pobre já é amor ao próximo. Mas ideal seria a gente gozar de uma situação de segurança que nos permitisse convidar ao pobre para nossa mesa. Aí teríamos a convivência e, tanto nós quanto o pobre, nos sentiríamos realmente próximos, unidos e iguais.

O segredo de Jesus, o modo típico de  ser Dele, é querer que os seus discípulos de tudo o que Ele tem. Vejamos a que somos convidados, ponto por ponto.

● A participar do universo do conhecimento Dele (a Verdade). “Já não vos chamo de servos, porque o servo não sabe o que faz seu Senhor. Eu vos chamo de amigos porque vos dei a conhecer todo o que ouvi de meu Pai” (Jo 15, 15).

● A participar de sua alegria (Felicidade). “Disse-vos essas coisas para que minha alegria esteja convosco e vossa alegria seja completa” (Jo 15, 11). A felicidade de duas pessoas que se amam deve ser uma só. Tua felicidade é a minha felicidade! Isso pode ser vivido privilegiadamente no casamento.

● A participar da vitória Dele sobre a morte. “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá” (Jo 11, 25). Nem a morte pode destruir ou separar pessoas que estão no círculo com amor com Cristo.

● A participar até do Seu poder de julgar e salvar. Aos apóstolos prometeu que haveriam de assentar-se sobre doze tronos para julgar as tribos de Israel. “Todo o poder Me foi dado no Céu e na Terra. Ide, pois, fazei discípulos Meus todos os povos …” (Mt 28, 18-19). Participamos pois também de “Seu poder que domina todas as coisas que domina todas as coisas do Céu e da Terra” (LG 15).

● Por fim, a participar do Seu círculo divino mais íntimo. Aqui é interessante voltar a aula 24 onde falávamos da SSma Trindade.

2 – A Igreja forma um só corpo, cuja cabeça é Cristo (CIC 790-795)

Recomendo cada um começar o estudo desta unidade lendo 1Cor 12, capítulo todo do versículo 1 ao 11. São Paulo fala dos dons do ES. Podemos dizer que no seu conjunto eles formam a verdadeira da Igreja, pois é por eles que todos os serviços para o bem de todos são exercidos. O restante do capítulo, ocupa-se com a imagem do corpo do qual Cristo é a cabeça. Nos versículos 27-31, o autor mostra que existe uma jerarquia nas funções dos membros deste corpo.

A Igreja tem sido tradicionalmente considerada como o Corpo Místico de Cristo. O termo místico nos remete a realidades sobrenaturais, espirituais e tem a ver com mistério, já bem explicados em nossas aulas. Mas cuidado para não chegar à ideia de que a Igreja é só uma espécie de comunhão de almas com Cristo. Este corpo é constituído de cada batizado que vive a comunhão com os irmãos e com Cristo na totalidade do seu ser, alma, espírito e corpo.

Vamos voltar aos quadros 5 e 6 da aula 27, a partir da frase: “Por isso São Paulo afirma que esse tecido humano …” . Quando Jesus comparou a Igreja com uma videira, Ele mesmo colocou-se no papel da cepa e raízes como vimos. Ele é a seiva, a energia vital que faz tudo crescer e frutificar. Agora na alegoria do Corpo Místico, descrita por São Paulo, Cristo é a cabeça, o membro mais importante que comanda a vida de todo o organismo. Mas com Cristo coopera e atua o ES. “Um só é o Espírito que, para utilidade da Igreja distribui seus vários dons segundo suas riquezas e as necessidades dos ministérios” (leia-se serviços e funções), escreve a Lumen Gentium, 14, remetendo para 1Cor 12, 1-11.

Através da contínua distribuição dos dons, destinados aos ministérios, feita pelo ES, Cristo Cabeça, por esse mesmo Espírito, na Igreja, “pela força derivada Dele, nos prestamos mutuamente os serviços para a salvação, de tal forma que, vivendo a verdade na caridade, em tudo cresçamos Nele que é nossa Cabeça” (LG 17, remetendo a Ef 4, 11-16).

Aqui se diz com todas as letras que até mesmo a salvação eterna que Cristo nos mereceu por sua morte concretiza-se pela ação conjunta, através do tempo, entre Cristo Cabeça e cada um de nós pela prestação de serviços mútuos. Sugiro ler LG 12-19.

Aqui vai bem uma conversa entre nós sobre o alcance de nossos serviços. Quais são eles?

3 – A Igreja é a esposa de Cristo (CIC 796)

A imagem de Javé ora como noivo, ora como esposo apaixonado por Sua Noiva ou Esposa (Israel) foi muito abordada e divulgada pelos profetas. Citarei apenas tres passagens: Is 54, 5-8; Os 2, 16-18 e Ez 16, 1-63. O capítulo 16 de Ezequiel é longo, cru, brutal e chega ao patético. Mas de tudo sobressaí o perdão amoroso do esposo quando não seria mais sequer imaginável.

O NT apresenta o Cristo como noivo apaixonado. João Batista contenta-se em ser o amigo do esposo, o que já é motivo de alegria perfeita (Jo 3, 29). Em Marcos 2, 19,20, o próprio Jesus se apresenta como esposo que está em convivência com seus amigos. Mateus 22, 1-14 descreve o reinado de Deus com os homens como uma grande festa nupcial, tema que vai repetir-se na parábola das dez virgens (Mt 25, 1-13).

Evidentemente que era só a Igreja começar a existir e logo seus pensadores fizeram a ligação, uma espécie de transposição: Cristo é o Esposo predito pelos profetas. A Esposa é a Igreja. São Paulo mais e melhor do que ninguém ocupa-se com esse tema. Proponho a leitura de 1Cor 6, 15-17; 2Cor 11, 2; Ef 5, 25; Ap 22, 17. A imagem é linda!

Frei Hipólito Martendal, OFM.

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