
O costume de rezar pelas missões além-fronteiras e, de ajudá-las, é antigo. O apóstolo Paulo elogiou as Igrejas da Macedônia que, em sua pobreza, “deram-se a si mesmos, primeiro ao Senhor e, depois, aos pobres de Jerusalém”. Esta coleta foi incentivada em todas as Igrejas missionadas pelo apóstolo. Para uma melhor transparência, constituiu uma equipe, coordenada por Tito, seu companheiro nas missões (cf. 2Cor 8,1-23).
No transcorrer da história, Congregações e Institutos Religiosos sempre mantiveram Missões fora de seus países, anunciando o Evangelho, atendendo obras sociais (escolas, hospitais, asilos) e, acima de tudo, pelo testemunho pessoal de cada missionário. Porém, sentia-se a necessidade de um Órgão que assumisse a coordenação deste trabalho, uma vez que, cada qual trabalhava independentemente.
De 1922 – 1939, a Igreja Católica foi pastoreada por um Papa missionário, Pio XI. No mesmo ano em que assumiu a Cátedra de Pedro, criou as Pontifícias Obras Missionárias com esta função específica, a de coordenar as missões que as múltiplas congregações mantinham. Também, no mesmo ano, ao presidir a Missa de Pentecostes, “num gesto surpreendente e profético, interrompeu a homilia e, em meio a impressionante silêncio, tomou seu solidéu, fazendo-o passar entre os bispos, presbíteros e fiéis, pedindo ajuda às missões”.
Desenvolveu, igualmente, outras ações, entre as quais, podemos destacar as seguintes: no Ano Jubilar de 1925, organizou uma exposição missionária mundial; ordenou os primeiros bispos indianos (1923) e chineses (1926); nomeou o primeiro bispo indígena, Dom Poche, incentivando, assim, o clero nativo.
Por fim, em 14 de abril de 1926, oficializou o penúltimo domingo de outubro como Dia Mundial das Missões no qual as paróquias do mundo inteiro fazem orações e coletas para as missões além-fronteiras.
A cada ano, o Papa publica uma mensagem. No Brasil, as Pontifícias Obras Missionárias elaboram subsídios para o mês de outubro, em sintonia com o tema da Campanha da Fraternidade.
Todo cristão é e deve ser missionário pela oração, sacrifícios, testemunho de vida e contribuição financeira. Este apelo é dirigido, também, às lideranças religiosas, inclusive, a coleta, pois Pio XI fez “passar seu solidéu”, primeiramente, entre bispos e presbíteros e, depois, com o povo. Esta coleta é mais do que uma oferta. Ela é fruto do sacrifício que o cristão faz, espontânea e alegremente, economizando parte do seu salário e/ou mesada. Diz um provérbio popular: “Missões se fazem com pés dos que vão, com os joelhos dos que ficam e com as mãos dos que contribuem”.
Uma curiosidade: um estudo realizado, em 2010, pelo Centro Mundial do Cristianismo, nos Estados Unidos, diz que o Brasil é o segundo país com mais missionários no mundo, aproximadamente, 34 mil, superado, apenas, pelos Estados Unidos com 127 mil. Segundo as Pontifícias Obras Missionárias do Brasil/2015, há 2.029 missionários no exterior, sendo 491 homens e 1.538 mulheres. Segundo estimativas recentes, de 2025 e 2026, o Brasil possui cerca de 38 mil a 40 mil missionários atuando pelo mundo.
Frei Luiz Iakovacz


