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Minoridade e serviço
Dia a dia com Francisco de Assis
Francisco e a tradição franciscana não cessarão de descobrir as múltiplas aplicações dessa minoridade/serviço, dessa submissão a todos, no nível das relações interpessoais, na maneira de exercer a autoridade, de servir, de trabalhar na casa do outro, de conceber a missão, e se situar perante a Igreja, com relação a seu tempo.
Michel Hubaut
Organização: Frei Almir Guimarães
Imagem ilustrativa de Frei Fábio Melo Vasconcelos
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Voto de pobreza
Dia a dia com Francisco de Assis
Há uma pobreza a ser destruída: a dos que não têm o que comer, nenhuma proteção, que não podem se vestir e vivem uma exclusão de geração em geração, os que recebem a miséria como herança. Sei que miséria e exclusão não geram felicidade. No entanto, descubro nos mais pobres uma alegria, fruto do combate travado em busca da dignidade e de saírem da miséria. Para percebê-la é preciso aproximar-se de tudo o que desumaniza. Em contato com os pobres é que encontro o verdadeiro sentido de meu voto de pobreza.
Frédéric-Marie Le Méhauté, OFM
Organização: Frei Almir Guimarães
Imagem ilustrativa de Frei Fábio Melo Vasconcelos
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O mundo para contemplar e louvar
Dia a dia com Francisco de Assis
São Francisco, fiel à Sagrada Escritura, propõe-nos reconhecer a natureza como um livro esplêndido onde Deus nos fala e transmite algo da sua beleza e bondade: «Na grandeza e na beleza das criaturas, contempla-se, por analogia, o seu Criador» (Sab 13, 5) e «o que é invisível n’Ele – o seu eterno poder e divindade – tornou-se visível à inteligência, desde a criação do mundo, nas suas obras» (Rm 1, 20). Por isso, Francisco pedia que, no convento, se deixasse sempre uma parte do horto por cultivar para aí crescerem as ervas silvestres, a fim de que, quem as admirasse, pudesse elevar o seu pensamento a Deus, autor de tanta beleza. O mundo é algo mais do que um problema a resolver; é um mistério gozoso que contemplamos na alegria e no louvor.
Papa Francisco, “Laudato si’”
Organização: Frei Almir Guimarães
Imagem ilustrativa de Frei Fábio Melo Vasconcelos
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Tudo pertence a Deus
Dia a dia com Francisco de Assis
Quanto mais a vida se torna um cântico de louvor, menos somos tentados à busca de nós mesmos e abusar das obras de Deus delas se apropriando. Discípulo da santa pobreza, Francisco convida seus irmãos a louvar Deus em suas criaturas, porque ele tudo fez. Não de uma piedosa mania ou sentimentalismo, mas decidida vontade de renunciar a todo próprio para dar a Deus o que lhe é devido, porque tudo lhe pertence. A vida franciscana não tem outro sentido senão louvar a Deus pela pobreza absoluta. Seu júbilo prefigura o cântico que toda criação pronunciará para a glória de Deus, quando concluída a Redenção, Deus será tudo em todos porque todos o reconhecerão como Senhor e Pai único e o exaltarão pelo séculos dos séculos.
Esser & Grau
Organização: Frei Almir Guimarães
Imagem ilustrativa de Frei Fábio Melo Vasconcelos
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O encontro com o Deus pobre
Dia a dia com Francisco de Assis
A vida de Francisco foi marcada profundamente pelo encontro com o Deus pobre, presente em nosso meio através da figura de Jesus de Nazaré: presença humilde, escondida, que o Poverello admira e adora na Encarnação e na Eucaristia. Através dessa pobreza, na obediência total ao Pai, Jesus restabeleceu o diálogo entre Deus e os homens e entre os homens entre si. Maurice Zundel escreve: “A mais alta expressão do cristianismo é a descoberta da pobreza. É a intuição profunda, viva da pobreza de Deus. Deus é pobre. Deus não tem nada. Deus é Deus porque não tem nada”. Francisco deixou-nos como herança este amor profundo e libertador pela pobreza material e espiritual.
Frei Giacomo Bini, OFM
Organização: Frei Almir Guimarães
Imagem ilustrativa de Frei Fábio Melo Vasconcelos
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O essencial de uma fraternidade
Dia a dia com Francisco de Assis
«FRATELLI TUTTI»: escrevia São Francisco de Assis, dirigindo-se a seus irmãos e irmãs para lhes propor uma forma de vida com sabor a Evangelho. Destes conselhos, quero destacar o convite a um amor que ultrapassa as barreiras da geografia e do espaço; nele declara feliz quem ama o outro, «o seu irmão, tanto quando está longe, como quando está junto de si».[2] Com poucas e simples palavras, explicou o essencial de uma fraternidade aberta, que permite reconhecer, valorizar e amar todas as pessoas independentemente da sua proximidade física, do ponto da terra onde cada uma nasceu ou habita. Este Santo do amor fraterno, da simplicidade e da alegria, que me inspirou a escrever a encíclica Laudato si’, volta a inspirar-me para dedicar esta nova encíclica à fraternidade e à amizade social.
Papa Francisco, “Fratelli tutti”
Organização: Frei Almir Guimarães
Imagem ilustrativa de Frei Fábio Melo Vasconcelos
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Francisco e o amor pelos irmãos
Dia a dia com Francisco de Assis
Com efeito, São Francisco, que se sentia irmão do sol, do mar e do vento, sentia-se ainda mais unido aos que eram da sua própria carne. Semeou paz por toda a parte e andou junto dos pobres, abandonados, doentes, descartados, dos últimos. Na sua vida, há um episódio que nos mostra o seu coração sem fronteiras, capaz de superar as distâncias de proveniência, nacionalidade, cor ou religião: é a sua visita ao Sultão Malik-al-Kamil, no Egito. A mesma exigiu dele um grande esforço, devido à sua pobreza, aos poucos recursos que possuía, à distância e às diferenças de língua, cultura e religião. Aquela viagem, num momento histórico marcado pelas Cruzadas, demonstrava ainda mais a grandeza do amor que queria viver, desejoso de abraçar a todos. A fidelidade ao seu Senhor era proporcional ao amor que nutria pelos irmãos e irmãs. Sem ignorar as dificuldades e perigos, São Francisco foi ao encontro do Sultão com a mesma atitude que pedia aos seus discípulos: sem negar a própria identidade, quando estiverdes «entre sarracenos e outros infiéis (…), não façais litígios nem contendas, mas sede submissos a toda a criatura humana por amor de Deus».
Papa Francisco “Fratelli tutti”
Organização: Frei Almir Guimarães
Imagem ilustrativa de Frei Fábio Melo Vasconcelos
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O triunfo do amor na minoridade
Dia a dia com Francisco de Assis
A minoridade não é outra coisa senão o mistério do abaixamento de Cristo, do Criador que mergulha na finitude do Homem que nada mais do que um corpo esmagado, merecedor de pena, insignificante destituído de todo poder aparente. E, no entanto, a maior revolução da história germinava nesse crucificado, cuja “minoridade” velava o triunfo do Amor, o único poder que tem promessas de eternidade.
Michel Hubaut, “Chemins d’intériorité avec Saint François”, Éd. Franciscaines, p. 135-136
Organização: Frei Almir Guimarães
Imagem ilustrativa de Frei Fábio Melo Vasconcelos
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Louco de alegria
Dia a dia com Francisco de Assis
Assim, falou Francisco para nós diante do Crucifixo de São Damião:
“Se o Filho do homem havia morrido na cruz, então eu estava salvo.
Toda tristeza devia ser banida.
Cada um de nós era senhor do mundo.
Todo pobre era rico
Todo coração estava saciado.
Todo projeto era possível.
Desci do altar e comecei a dançar de pés descalços sobre o pavimento de São Damião.
Senti-me com um jogral, louco de alegria e cheio de vida.Carlo Carreto, “Eu, Francisco”, Paulinas, p. 49
Organização: Frei Almir Guimarães
Imagem ilustrativa de Frei Fábio Melo Vasconcelos
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A dignidade dos pobres
Dia a dia com Francisco de Assis
Amar os pobres, significa em primeiro lugar, respeitá-los e reconhecer sua dignidade. Neles, justamente pela falta de outros títulos e distinções secundárias, brilha com luz mais viva a radical dignidade do ser humano. Em uma homilia de Natal em Milão, o Cardeal Montini declarou: “A visão completa da vida humana à luz de Cristo enxerga no pobre algo mais do que um necessitado apenas; enxerga nele um irmão misteriosamente revestido de uma dignidade que obriga a tributar-lhe reverência, acolhe-lo com presteza, compadecer-se dele além do mérito”.
Citado em:
Apaixonado por Cristo
Frei Raniero Cantalamessa, OFM. Cap
ZENIT Books, p. 54
Organização: Frei Almir Guimarães
Imagem ilustrativa de Frei Fábio Melo Vasconcelos
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Educar na pobreza e paciência
Dia a dia com Francisco de Assis
Assim fala São Francisco: Minha mãe era generosa para com os pobres dando-lhes muita coisa. Em minha casa, eu sempre vira muitos pobres (…). Quando recomecei a viver, vendo as coisas com novos olhos, também comecei a ver os pobres com olhos novos. Ou melhor, comecei a ver sobretudo os pobres com olhos novos. E devo dizer que foram eles exatamente que me salvaram arrancando-me de dentro da toca de meu egoísmo. Foi vendo os pobres que eu tive a graça de viver, pois neles encontrei o meu amanhã, a minha vocação, a alegria de fazer algo de válido em minha vida. Os pobres me educaram na paciência que eu não tinha e na penitência que eu não conhecia.
Carlo Carreto, “Eu, Francisco”, Paulinas, p. 37
Organização: Frei Almir Guimarães
Imagem ilustrativa de Frei Fábio Melo Vasconcelos
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Cristo nos conhece
Dia a dia com Francisco de Assis
É preciso pensar em Cristo como alguém vivo, atualmente vivo, que está no mundo e que, entre milhões de outros, te escolheu, porque é já escolhido por ele que o reconheces. Tu deves pensar em Cristo como o único amigo que penetra tua vida até o lugar mais secreto, até essa parte inacessível a toda criatura e que, talvez, tu mesmo ignores. Ele tem um olhar sobre ti tal como tu és. Ele conhece o santo, diferente de todos os outros santos, que tu, em germe, carregas e que ele criará com o melhor e o pior de ti mesmo, à condição de não fazer resistência ao seu amor.
François Mauriac
Organização: Frei Almir Guimarães
Imagem ilustrativa de Frei Fábio Melo Vasconcelos
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Menores com a criação
Dia a dia com Francisco de Assis
A minoridade franciscana não se relaciona somente com Deus e com os irmãos. Somos chamados também a cultivar a minoridade em relação às criaturas inanimadas. Sentimo-nos menores e servos inclusive a respeito da criação em seu conjunto: “A santa obediência confunde todos os desejos sensuais e carnais e mantém o corpo mortificado para obedecer ao espírito e obedecer aos irmão, e torna o homem submisso a todos os homens deste mundo, e nem só aos homens, senão também a todas as feras e animais irracionais, para que dele possam dispor a seu talante até o ponto que lho for permitido do alto pelo Senhor.
Saudação das Virtudes 14-18
Organização: Frei Almir Guimarães
Imagem ilustrativa de Frei Fábio Melo Vasconcelos
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Desapropriar-se de si mesmo
Dia a dia com Francisco de Assis
Francisco compreendeu que somente o homem que tem o coração desobstruído pode desejar as riquezas de Deus, mais desejáveis do que qualquer outro bem. Ele sabe quanto o coração prisioneiro de algum bem corre o risco de fechar-se em si mesmo (…). A desapropriação de si é uma forma de pobreza sobre a qual o Poverello sempre volta em seus escritos: De nada se apropriar… Nada atribuir a si mesmo, não somente no nível dos bens materiais, mas também no plano de suas capacidades intelectuais, morais e no apostolado. Ser pobre é reconhecer que nada temos de próprio, a não ser nossos vícios e pecados. Porque tudo que há em nós de bom é dom que o Senhor nos confia para o serviço de sua glória e dos outros.
Michel Hubaut
Organização: Frei Almir Guimarães
Imagem ilustrativa de Frei Fábio Melo Vasconcelos
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Um estilo de vida missionário…
Dia a dia com Francisco de Assis
… quase como ciganos… A nova forma de vida evangélica vivida por Francisco e seus primeiros companheiros acontece sob o signo da mobilidade apostólica. Propõe-se como modelo a vida dos discípulos enviados em missão por Cristo. Hoje aqui, amanhã em outro lugar, os membros da nova comunidade não têm morada fixa. O que determina tudo é a missão, o anúncio da Boa Nova. Esta exige uma grande liberdade de movimento. É, necessariamente, itinerante. Da mesma forma que os comerciantes ambulantes, os companheiros de Francisco estão muitas vezes pelas estradas. Quando a comunidade ainda não tem dez membros, Francisco envia-os dois a dois pelas diferentes regiões para anunciar a paz e pregar a conversão.
Éloi Leclerc, “Francisco de Assis. O retorno ao evangelho”, Vozes, p. 56
Organização: Frei Almir Guimarães
Imagem ilustrativa de Frei Fábio Melo Vasconcelos
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O coração do projeto franciscano
Dia a dia com Francisco de Assis
O ponto central, o coração do projeto franciscano primitivo, é o Evangelho. Para Francisco o Evangelho não se reduz à pobreza, à itinerância, à pregação ou a comportamentos como o de “vender todos os bens”. Observar o santo Evangelho quer dizer acolher a mensagem da revelação em sua totalidade: seu ensinamento, suas promessas, suas exigências, sem excluir ou privilegiar particularmente alguma. O santo Evangelho é Jesus revelando-nos por sua vida e sua palavra, o ser profundo de seu Pai e nos introduzindo em sua comunhão.
Thaddée Matura, OFM
Organização: Frei Almir Guimarães
Imagem ilustrativa de Frei Fábio Melo Vasconcelos
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Sentido sagrado da vida
Dia a dia com Francisco de Assis
As convicções religiosas sobre o sentido sagrado da vida humana consentem-nos «reconhecer os valores fundamentais da nossa humanidade comum, valores em nome dos quais se pode e deve colaborar, construir e dialogar, perdoar e crescer, permitindo que o conjunto das diferentes vozes forme um canto nobre e harmonioso, e não gritos fanáticos de ódio».
Papa Francisco, Fratelli tutti
Organização: Frei Almir Guimarães
Imagem ilustrativa de Frei Fábio Melo Vasconcelos
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Menores na evangelização
Dia a dia com Francisco de Assis
Aconselho, admoesto e exorto a meus irmãos no Senhor Jesus Cristo que, quando vão pelo mundo, não discutam nem alterquem com palavras nem julguem os outros; mas sejam mansos, pacíficos e modestos, brandos e humildes, falando a todos honestamente como convém. E não devem andar a cavalo, a não ser que sejam obrigados por manifesta necessidade ou por enfermidade
Regra Bulada 3, 11-13
Organização: Frei Almir Guimarães
Imagem ilustrativa de Frei Fábio Melo Vasconcelos
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“Vamos pelo mundo…
Dia a dia com Francisco de Assis
… e, mais ainda por nossos exemplos do que por nossas palavras, exortemos os homens a fazer penitência de seus pecados e guardar a lembrança dos mandamentos divinos. Não tenham medo pensando em sua fraqueza e ignorância, mas sem medo e com simplicidade preguem a penitência. Tenham confiança em Deus que venceu o mundo; é seu Espírito que fala em vocês e por vocês e para exortar todos os pecadores à conversão e à observância de seus preceitos.
Três Companheiros 36
Organização: Frei Almir Guimarães
Imagem ilustrativa de Frei Fábio Melo Vasconcelos
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“Penitência”, mas o que é isso?
Dia a dia com Francisco de Assis
Ter um coração sensível às inspirações da consciência.
Não procurar somente facilidades, mas acolher com serenidade a vida como ela.
Eliminar toda postura de autossuficiência e arrogância, falando e agindo na verdade e com “humanidade”.
Acreditar que o Senhor Deus tem a última palavra.
Não hesitar em mudar programas e projetos pessoais em vista de alguém que anda jogado na beira da estrada.
Ter a coragem de mudar.
Respirar cotidianamente o espírito do Sermão da Montanha.
Frei Almir Guimarães
Imagem ilustrativa de Frei Fábio Melo Vasconcelos
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Itinerantes
Dia a dia com Francisco de Assis
Esta pobreza de itinerantes e mendigos será vivida pelos frades em estreita comunhão com Cristo que não tinha uma pedra onde reclinar a cabeça e que vivia da generosidade dos que lhe davam hospedagem. No seguimento do Cristo pobre e sem abrigo, os primeiros frades estão nesta terra como peregrinos e estrangeiros. Como Cristo vivem o Êxodo e celebram a Páscoa, isto é, a passagem deste mundo para o Pai. A pobreza franciscana primitiva é penetrada e perpassada de marcante espírito pascal. É caminho que leva os irmãos à Terra Prometida, vivida na alegria e como libertação. Francisco e seus irmãos anunciam a verdadeira juventude e a autêntica liberdade ao jovem mundo das comunas tão cioso de suas liberdades, mas escravo do dinheiro.
Éloi Leclerc
Organização: Frei Almir Guimarães
Imagem ilustrativa de Frei Fábio Melo Vasconcelos
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Buscar Deus com coração sincero
Dia a dia com Francisco de Assis
A partir da nossa experiência de fé e da sabedoria que se vem acumulando ao longo dos séculos e aprendendo também das nossas inúmeras fraquezas e quedas, como crentes das diversas religiões sabemos que tornar Deus presente é um bem para as nossas sociedades. Buscar a Deus com coração sincero, desde que não o ofusquemos com os nossos interesses ideológicos ou instrumentais, ajuda a reconhecer-nos como companheiros de estrada, verdadeiramente irmãos. Julgamos que, «quando se pretende, em nome duma ideologia, expulsar Deus da sociedade, acaba-se adorando ídolos, e bem depressa o próprio homem se sente perdido, a sua dignidade é espezinhada, os seus direitos violados. Conheceis bem a brutalidade a que pode conduzir a privação da liberdade de consciência e da liberdade religiosa, e como desta ferida se gera uma humanidade radicalmente empobrecida, porque fica privada de esperança e de ideais».
Papa Francisco, Fratelli tutti
Organização: Frei Almir Guimarães
Imagem ilustrativa de Frei Fábio Melo Vasconcelos
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Sonho com…
Dia a dia com Francisco de Assis
…uma opção missionária capaz de transformar tudo, para que os costumes, os estilos, os horários, a linguagem e toda a estrutura eclesial se torne um canal proporcionado mais à evangelização do mundo atual do que à autopreservação. A reforma das estruturas, exigida pela conversão pastoral, só se pode entender nesse sentido: fazer que todas elas se tornem mais missionárias, que a pastoral ordinária em todas as suas instâncias seja mais comunicativa e aberta, que coloque os agentes pastorais em atitude constante de saída e, assim favoreça a resposta positiva de todos aqueles a quem Jesus oferece sua amizade.
Papa Francisco, A alegria do Evangelho, 27
Organização: Frei Almir Guimarães
Imagem ilustrativa de Frei Fábio Melo Vasconcelos
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Improvisação
Dia a dia com Francisco de Assis
Uma das marcas da vida de Francisco e dos irmãos e irmãs da primeira hora foi a simplicidade da “imediatez” e da improvisação. Retamente entendida, a improvisação não significa ausência de análise, planejamento, organização, eficácia vigilante, controle das próprias atividades. Não desconhecemos a necessidade de tudo isso, mas isso será sempre secundário. Por estarmos junto à vida das pessoas, sempre foi próprio dos irmãos e das irmãs de Francisco e Clara a flexibilidade, a “imediatez” e a improvisação criativa no socorro à vida, os métodos simples, que existem e devem existir apenas para operacionalizar o espírito de fraternidade e solidariedade. Quaisquer que sejam nossos empreendimentos, jamais podem abafar ou substituir nossa proximidade com as pessoas, com o povo e absorver os irmãos e irmãs apenas em sua operacionalidade. Empreendimentos não substituem o ser fraterno. E a fraternidade, antes existem para viabiliza-los.
Documento CEFEPAL 2008
Organização: Frei Almir Guimarães
Imagem ilustrativa de Frei Fábio Melo Vasconcelos
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Guia do caminho para Francisco
Dia a dia com Francisco de Assis
Cristo crucificado foi o guia do caminho para Francisco desde o princípio da sua vida até ao fim; e até no monte Alverne lhe imprimiu exteriormente os sagrados estigmas, de maneira que ele, também diante dos olhos dos homens, “foi visto como crucificado” . Francisco reproduziu completamente e conformou-se com o modelo do Crucificado; e a causa mais importante por que se deu à suma pobreza foi o seguimento de Cristo. Estando já perto da morte, resumiu a sua singular experiência espiritual nestas simples e altíssimas palavras: “conheço Cristo pobre crucificado” (35). Na verdade, desde que se converteu a Deus, viveu continuamente como quem está marcado pelos estigmas de Cristo.
São João Paulo II, Carta aos Ministros Gerais das Ordens Franciscanas
Organização: Frei Almir Guimarães
Imagem ilustrativa de Frei Fábio Melo Vasconcelos
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Evangelização
Dia a dia com Francisco de Assis
As palavras de São Francisco convidam-nos a compreender que nossa reflexão sobre a evangelização não é, em primeiro lugar, um problema de organização, de iniciativas eficazes, de obras ou de meios e instrumentos mais eficientes (sem excluir a necessidade de nos ocuparmos de tudo isso); a evangelização é, simplesmente, uma dimensão de nossa vida que se é verdadeira vida de irmãos menores, é também evangelização.
Doc. OFM: Todos vós sois irmãos, p. 134
Organização: Frei Almir Guimarães
Imagem ilustrativa de Frei Fábio Melo Vasconcelos
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Conversão contínua
Dia a dia com Francisco de Assis
Na realidade, o “novo” tão invocado nestas últimas décadas faz parte da vida cristã: é o resultado da conversão contínua que nos torna novos tanto no coração quanto nas relações para a acolhida mais plena do Senhor e dos irmãos que caminham conosco no tempo. O novo é precisamente aquele fiel discipulado na escola do Mestre que afirmou que faria novas todas as coisas e aquele dinamismo que faz passar do ouvistes o que foi dito ao eu porém vos digo. Agora, a dimensão interior e aquela exterior do novo são inseparáveis, com são inseparáveis a raiz e o fruto por consequência, a mudança do coração reveste as relações e as obras que constituem nossa vida com os outros, com a fraternidade e com o trabalho pastoral.
Doc. OFM: Ite, nuntiate…p 20
Organização: Frei Almir Guimarães
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Compaixão com todos
Dia a dia com Francisco de Assis
Não é possível ocupar-se com Francisco e Clara sem perceber seu extremo cuidado para com todos, especialmente os que têm suas vidas mais expostas e fragilizadas a partir dos leprosos, os excluídos. O encontro de Francisco com os leprosos divide sua vida em um antes e um depois: é sua conversão. Passa a cuidar deles como se fossem o corpo de Cristo.
Doc. CEFEPAL 2009
Organização: Frei Almir Guimarães
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A liberdade de Francisco
Dia a dia com Francisco de Assis
A liberdade, porém, que Francisco seguiu e louvou de maneira nenhuma se opõe à obediência à Igreja e mesmo “a todos os homens, que estão no mundo”, mas, pelo contrário, desta mesma procede. Pois aquela forma perfeita e original do homem, em virtude da qual é livre e senhor do universo, brilha nele com luz especial. Nisto também se encerrara aquela singular familiaridade e docilidade, que todas as criaturas mostravam a este Pobre de Cristo. Dai resultou escutarem os pássaros a sua pregação sagrada, tornar-se manso — segundo a conhecida narração — o lobo , e até o fogo, mitigando os seus ardores, tornar-se “curial”, quer dizer afável. E assim, como o citado primeiro historiador da sua vida afirma, “percorrendo o caminho da obediência e abraçando perfeitamente o jugo da divina sujeição, na obediência das criaturas conseguiu diante de Deus grande dignidade”. Mas a liberdade de São Francisco provém sobretudo da pobreza voluntária, com que se eximia de toda a cobiça terrena e de toda a solicitude, de maneira que se tornou um daqueles homens que, segundo as palavras do Apóstolo, “nada tendo, tudo possuem”.
São João Paulo II, Carta aos Ministros Gerais das Ordens Franciscanas
Organização: Frei Almir Guimarães
Imagem ilustrativa de Frei Fábio Melo Vasconcelos
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Projeto comum
Dia a dia com Francisco de Assis
Cuidar do mundo que nos rodeia e sustenta significa cuidar de nós mesmos. Mas precisamos de nos constituirmos como um «nós» que habita a casa comum. Um tal cuidado não interessa aos poderes econômicos que necessitam de um ganho rápido. Frequentemente as vozes que se levantam em defesa do ambiente são silenciadas ou ridicularizadas, disfarçando de racionalidade o que não passa de interesses particulares. Nesta cultura que estamos desenvolvendo, vazia, fixada no imediato e sem um projeto comum, «é previsível que, perante o esgotamento de alguns recursos, se vá criando um cenário favorável para novas guerras, disfarçadas sob nobres reivindicações».
Papa Francisco, “Fratelli tutti”
Organização: Frei Almir Guimarães
Imagem ilustrativa de Frei Fábio Melo Vasconcelos
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Oração a São Francisco de Assis
Ó São Francisco,
estigmatizado do Monte Alverne,
o mundo tem saudades de ti,
qual imagem de Jesus crucificado.Tem necessidade do teu coração
aberto para Deus e para o homem,
dos teus pés descalços e feridos,
das tuas mãos trespassadas e implorantes.Tem saudades da tua voz fraca,
mas forte pelo poder do Evangelho.Ajuda, Francisco, os homens de hoje
a reconhecerem o mal do pecado
e a procurarem a sua purificação na penitência.
Ajuda-os a libertarem-se
das próprias estruturas do pecado,
que oprimem a sociedade de hoje.Reaviva na consciência
dos governantes a urgência
da Paz nas Nações e entre os Povos.Infunde nos jovens o teu vigor de vida,
capaz de contrastar as insídias
das múltiplas culturas da morte.Aos ofendidos
por toda espécie de maldade,
comunica, Francisco,
a tua alegria de saber perdoar.A todos os crucificados
pelo sofrimento,
pela fome e pela guerra,
reabre as portas da esperança.Amém
São João Paulo II
Organização: Frei Almir Guimarães
Imagem ilustrativa de Frei Fábio Melo Vasconcelos