Vida Cristã - Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil - OFM

Meditação diária

março/2026

  • A armadilha da vida automática

    Uma vida pequena é aquela que nega a vibração da própria existência. O que é uma vida banal, uma vida venal? É quando se vive de maneira automática, robótica, sem uma reflexão sobre o fato de existirmos e sem consciência das razões pelas quais fazemos o que fazemos.

    Por que fazemos o que fazemos?
    Mario Sergio Cortella.

    Editora Planeta, 2016.

  • O trabalho como espelho do eu

    Eu preciso me reconhecer nas atividades que exerço, usando um termo de Hegel, isto é, devo objetivar a minha subjetividade. Hegel dizia que fazíamos as coisas para nos objetivarmos. Eu sou uma subjetividade, mas eu não sei o que sou a não ser naquilo que faço. Porque quando faço algo, eu me “re-conheço”, isto é, eu conheço a mim mesmo de novo.

    Por que fazemos o que fazemos?
    Mario Sergio Cortella.

    Editora Planeta, 2016.

  • Ação transformadora consciente

    No campo da filosofia, existe uma formulação clássica segundo a qual o trabalho pode ser sintetizado como uma ação transformadora consciente. Todo animal tem ação, alguns têm ação transformadora, e nós, humanos, temos ação transformadora consciente. Nós sabemos por que fazemos algo. E não só fazemos porque queremos; muitas vezes, apesar de não querermos e sabermos disso, também sabemos porque estamos fazendo. Nesse sentido, a ideia de ação transformadora consciente nos distingue de outros animais em relação ao esforço para existir.

    Por que fazemos o que fazemos?
    Mario Sergio Cortella.

    Editora Planeta, 2016.

  • Construção da realidade e a métrica da saúde

    Somos seres que têm de construir a própria realidade. E a noção de trabalho é tão forte entre nós que perpassa outras esferas da nossa vida. Até a noção que temos de saúde está ligada à ideia de trabalho. Você só se considera saudável quando pode voltar a trabalhar, não quando é capaz de passear, cantar, dançar…

    Por que fazemos o que fazemos?
    Mario Sergio Cortella.

    Editora Planeta, 2016.

  • A criatividade da carência

    O propósito original do trabalho é que não nos deixemos morrer. Afinal de contas, somos seres de carência, de necessidade. Ou construímos o nosso mundo ou não há como existir.

    Por que fazemos o que fazemos?
    Mario Sergio Cortella.

    Editora Planeta, 2016.

  • Enfrentamento da natureza como gesto humano

    Por incrível que pareça, a nossa ação no mundo é antinatural, é um enfrentamento da natureza, e, apesar disso não implicar um caráter destrutivo, é uma luta contra. Basta lembrar, por exemplo, de qual seria o caminho natural de uma inflamação aguda do apêndice ou um ferimento infeccionado. A septicemia e a morte sequente. Nós enfrentamos isso, lutando contra, por meio de uma cirurgia “antinatural” ou de medicamentos sintéticos, pois não são frutos da natureza. A natureza é algo que se opõe a nós e, ao se opor, nós a transformamos.

    Por que fazemos o que fazemos?
    Mario Sergio Cortella.

    Editora Planeta, 2016.

  • Abundância de produção, escassez de partilha

    A humanidade poderia viver hoje com sobra de matéria e tempo do que já produzimos. A questão é que caminhamos para a concentração em vez da distribuição e, de modo realista, não temos uma partilha das tarefas. Enquanto algumas pessoas são sobrecarregadas, outras são liberadas.

    Por que fazemos o que fazemos?
    Mario Sergio Cortella.

    Editora Planeta, 2016.

  • Quando a máquina substitui o autor

    Se o próprio indivíduo fizer as coisas de modo automático, robótico, isso levará a um processo de alienação, isto é, de perda de si mesmo. Portanto, algo muito forte da natureza do trabalho se perde, a natureza autoral, a sensação de “eu sou o realizador daquilo”. Fazê-lo de modo automático é tirar de mim a dimensão realizadora. Nessa hora, eu me desumanizo, isto é, me aproximo do mundo das máquinas.

    Por que fazemos o que fazemos?
    Mario Sergio Cortella.

    Editora Planeta, 2016.

  • O resgate do espírito artífice

    Convém reafirmar a necessidade de que o trabalho se descole da alienação, daquilo que é a ausência de pertencimento. Eu não quero apenas fazer coisas, quero ter uma postura autoral em relação às coisas que faço, como algo que também é da minha lavra. De certa forma, essa autoria se aproxima do espírito artífice na história do Ocidente. Aquele que fazia as coisas com as próprias mãos e assinava a obra.

    Por que fazemos o que fazemos?
    Mario Sergio Cortella.

    Editora Planeta, 2016.

  • Autoria como antídoto à descartabilidade

    Cada vez mais desejamos o autoral. A percepção da autoria é necessária para que a pessoa se construa como indivíduo que não é descartável, que não é inútil e que não pode ser colocado à margem.

    Por que fazemos o que fazemos?
    Mario Sergio Cortella.

    Editora Planeta, 2016.

  • Não ser passageiro da própria existência

    Uma vida com propósito é aquela em que sou autor da minha própria vida. “Eu não sou alguém que vou vivendo.”

    Por que fazemos o que fazemos?
    Mario Sergio Cortella.

    Editora Planeta, 2016.

  • Fazer para continuar a ser

    Por que eu faço o que faço hoje? Porque eu me construí como um fazedor disso, e quero me manter nessa feitura, de modo que eu possa continuar me fazendo. Deixar de fazê-lo agora seria me desfazer.

    Por que fazemos o que fazemos?
    Mario Sergio Cortella.

    Editora Planeta, 2016.

  • O propósito que justifica o desgaste

    Para ter o resultado que eu gosto, nem sempre faço o que quero. Porque o desgaste é inerente a qualquer processo de produção: do tempo, do espírito, da peça, da natureza. E esse desgaste poderá ser negativo se eu não entender o sentido daquilo que estou fazendo. Mas, se existir um objetivo adiante, um propósito maior, esse desgaste será compensado pelo resultado.

    Por que fazemos o que fazemos?
    Mario Sergio Cortella.

    Editora Planeta, 2016.

  • Valores para uma vida elevada

    Quem deseja uma vida decente precisa de valores e propósitos decentes, que não sejam destrutivos, autofágicos, degradantes. Bons propósitos são aqueles que elevam o indivíduo e a comunidade na qual ele está inserido.

    Por que fazemos o que fazemos?
    Mario Sergio Cortella.

    Editora Planeta, 2016.

  • Eu e minhas circunstâncias

    O filósofo espanhol Ortega y Gasset afirmou “eu sou eu e a minha circunstância”. Quando chego numa relação afetiva ou num grupo de amigos, não estou absolutamente isento do que carrego na minha história. O meu caminhar é feito com todas as minhas coisas.

    Por que fazemos o que fazemos?
    Mario Sergio Cortella.

    Editora Planeta, 2016.

  • Ética para elevar o coletivo

    Qual o meu principal propósito de natureza ética? Me elevar, não ter uma vida degradante, mas elevar comigo toda a minha circunstância, aqueles que me acompanham. A ética entra nesse circuito porque o propósito da vida coletiva, e não só individual, deveria ser fazer com que a vida fosse melhor para todos e todas.

    Por que fazemos o que fazemos?
    Mario Sergio Cortella.

    Editora Planeta, 2016.

  • Insatisfação e serenidade

    Toda insatisfação necessita de um ponto de serenidade, porque, do contrário, não se aproveita aquilo por que tanto se almejou. Se você passa o tempo todo em estado de sofreguidão, em busca de algo – mesmo que já tenha, quer sempre um patamar acima – sem que haja possibilidade de agregar aquilo como uso e fruição, qual o sentido? Volto ao caso do colecionador, o sujeito que tem uma adega de vinhos inacreditável, mas que está ali para ser exibida, não para beber.

    Por que fazemos o que fazemos?
    Mario Sergio Cortella.

    Editora Planeta, 2016.

  • Liberdade de escolha e o peso da abdicação

    Não existe decisão sem abdicação. Não existe escolha sem exclusão. Se eu entendo a minha vida como resultante de opção livre, consciente, deliberada, intencional, todas as vezes que escolho, sei que deixo outras coisas de lado.

    Por que fazemos o que fazemos?
    Mario Sergio Cortella.

    Editora Planeta, 2016.

  • A pequena pedra que nos preserva

    Com relação ao mundo do emprego e do trabalho, não só valem as minhas razões como também os meus senões. Aquilo que tenho como obstáculo tem a ver com o que os antigos chamavam de “escrúpulo”, que significa “pequena pedra”, no sentido de ser algo que pode me incomodar, mas também me preserva de fazer o que eu não devo. Até posso fazer, e eventualmente isso não causará outros impactos, mas sei que não devo.

    Por que fazemos o que fazemos?
    Mario Sergio Cortella.

    Editora Planeta, 2016.

  • A fragilidade da fantasia sem credibilidade

    A fantasia funciona enquanto é possível acreditar nela. No momento em que corre o risco de perder a credibilidade, o propósito desaba.

    Por que fazemos o que fazemos?
    Mario Sergio Cortella.

    Editora Planeta, 2016.

  • Tempo é vida

    Há muitos caminhos honrados, há muitos negócios decentes; é procurar não desperdiçar tempo – tempo é vida.

    Por que fazemos o que fazemos?
    Mario Sergio Cortella.

    Editora Planeta, 2016.

  • O custo da falta de escolha

    Aquilo que é imposição está fora do campo da escolha. Mas a escolha pode ser feita e olhada como algo que valeu o esforço ou como um tempo em que fui privado de várias outras situações, fazendo com que eu tenha uma dívida comigo mesmo pelo que não fiz, pelo que deixei de viver ao longo do tempo.

    Por que fazemos o que fazemos?
    Mario Sergio Cortella.

    Editora Planeta, 2016.

  • A necessidade da saudade

    Se eu gostaria de passar o dia todo com quem eu quero? Sim. Mas também há um nível de fastio nessa situação. É preciso produzir saudade nas pessoas. A presença contínua se torna extremamente enfadonha.

    Por que fazemos o que fazemos?
    Mario Sergio Cortella.

    Editora Planeta, 2016.

  • A insatisfação que nos humaniza

    O que é o ser humano? Nós somos seres de insatisfação. É a capacidade de ter essa lacuna. Uma vez preenchida, estamos desumanizados. De maneira geral, um cão, um gato, um cavalo já estão com o seu jogo preenchido. Não há espaço de movimentação. Ele é o que é. Ele não pode ser de outro modo, não por si mesmo, apenas se houver uma força externa a ele. Mas eu posso. Consigo montar o meu jogo de outros modos. Mas isso exige que eu tenha o tempo todo uma lacuna interior.

    Por que fazemos o que fazemos?
    Mario Sergio Cortella.

    Editora Planeta, 2016.

  • Prioridade não tem plural

    Os caminhos que tomamos são fruto de escolhas. Vale lembrar que prioridade é uma palavra sem plural. Se você põe um “s”, deixa de ser prioridade. Quan do ouço alguém dizer que tem duas prioridades, eu digo, “então você não tem, precisa fazer uma escolha”. A prioridade requer exclusividade. Se você deu conta dessa, estabelece outra, ou então abandona essa e passa para a próxima.

    Por que fazemos o que fazemos?
    Mario Sergio Cortella.

    Editora Planeta, 2016.

  • Autorrevisão: o escalonamento das metas

    As minhas prioridades ao longo da vida se constroem a priori ou a posteriori? Vou ver qual caminho sigo depois que eu já estou fazendo algo? Não.

    Em princípio, preciso pensar quais são as minhas metas e prioridades no meu tempo e vou escalonando cada uma sem o “s”. Nessa hora, a noção de propósito é fortíssima.

    O que você deixou de fazer e deveria ter feito? O que você escolheu porque era mais cômodo? As escolhas terão seu custo. É preciso desenvolver uma capacidade de autorrevisão e reflexão a respeito delas.

    Por que fazemos o que fazemos?
    Mario Sergio Cortella.

    Editora Planeta, 2016.

  • Procrastinação: o medo da realização

    A procrastinação contínua é um distúrbio.

    Ela é, acima de tudo, um indicador de que a pessoa tem medo de realizar aquilo. Isto é, ela tem um temor, porque se realizar o que tanto desejou, pode não ser aquilo que, de fato, vai felicitá-la.

    Ter em mente “um dia vou ser bailarino”, “um dia vou ser escritor” e não o fazer permite que se viva o sonho, portanto, se viva muito mais a expectativa do que a realização.

    Por que fazemos o que fazemos?
    Mario Sergio Cortella.

    Editora Planeta, 2016.

  • O conforto do desejo platônico

    A procrastinação como maneira de fruição do imaginário é muito forte. É o campo do desejo não realizado, numa perspectiva platônica, seja o desejo platônico entendido como aquele em que a pessoa se contenta com a representação. Pois é muito mais fácil romantizar a ideia.

    Por que fazemos o que fazemos?
    Mario Sergio Cortella.

    Editora Planeta, 2016.

  • Entre o sonho factível e o delírio paralisante

    Há pessoas que procrastinam porque elas desejam o delírio e não o sonho. O sonho é o desejo factível, o delírio é o desejo não factível. Uma parte da procrastinação tem como fonte maior a ideia de que eu não quero realizar, mas apenas desejar que algo fosse assim. Como não será, não posso dar o passo naquela direção.

    Por que fazemos o que fazemos?
    Mario Sergio Cortella.

    Editora Planeta, 2016.

  • A tirania da felicidade e a sala de espera

    Há uma obsessão muito forte por essa ideia de felicidade e, em grande medida, pessoas vivem muito mais a expectativa do que a realização.

    O escritor francês Jules Renard anotou no diário dele, em 1893: “Caso se construísse a casa da felicidade, seu maior cômodo seria a sala de espera”.

    Por que fazemos o que fazemos?
    Mario Sergio Cortella.

    Editora Planeta, 2016.

  • O perigo de viver apenas no amanhã

    Enquanto aguardamos aquilo que virá, não podemos deixar de viver aquilo que pode ser vivido agora. Não faz sentido ficar somente na espera.

    Por que fazemos o que fazemos?
    Mario Sergio Cortella.

    Editora Planeta, 2016.