Quem somos - Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil - OFM

Hermógenes Harada

* 02.10.1928               †21.05.2009

Faleceu nesta quinta-feira (21/05), o filósofo Frei Hermógenes Harada. Seu falecimento se deu no Hospital Nossa Senhora das Graças, em Curitiba, onde estava internado desde o dia 22 de janeiro.

Nesta quinta-feira, Frei Hermógenes foi reconduzido à UTI devido à queda de pressão arterial e o surgimento de um foco de infecção. Desde então, o seu quadro se agravou sempre mais; ao que tudo indica, a infecção se tornou forte e ele não resistiu.

Segundo o guardião Frei Jaime Spengler,  desde semana passada ele vinha apresentando sinais de recuperação. “Ele conseguia se comunicar e falar; também retomou a alimentação via oral (gelatina, com o auxilio da fonoaudióloga) e, o mais surpreendente, foi que os rins começaram a dar sinais de vida novamente. Portanto, o quadro era animador; existia muita esperança. E eis que, de repente, apareceu uma infecção que o levou a óbito,  às 18 horas.

A missa exequial será celebrada às 16 horas, na capela do Convento São Boaventura, e seu sepultamento se dará no cemitério do convento.

O frade menor

Frei Hermógenes Harada nasceu em Miyasaki, Japão, no dia 2 de outubro de 1928. Seu pai, Kampei Harada, e sua mãe, Sunao Kubo, eram budistas convertidos ao cristianismo protestante. Segundo Frei Harada, eles se encontraram ao trabalharem numa obra social de assistência às crianças abandonadas. Mais tarde se converteram ao catolicismo sob a influência dos missionários salesianos.

Como conta o frade em sua biografia, tanto o pai como a mãe, apesar de jovens, já eram viúvos quando se casaram. O pai não tinha filho e a mãe tinha dois. “Os meus irmãos, hoje falecidos, são, portanto, meio-irmãos”. O sobrenome também tem uma curiosidade. “Na verdade, o sobrenome de seu pai é Niina. Harada é o nome da família da primeira esposa. Quando a filha é filho único, para que o nome da família permaneça, o marido é adotado e recebe o nome da esposa”, conta Frei Hermógenes.
Em 1936, Harada veio para o Brasil.  Foi então que decidiu ser religioso franciscano. “Minha família não me influenciou na vocação em termos de religiosidade, mas pela atitude moral de meus pais, que sempre falavam e exigiam a necessidade de  ser alguém útil à humanidade. Aliás, meu pai queria que fosse médico”, confessa Frei Hermógenes.

O frade conta que toda a influência para a vida religiosa e sacerdotal veio dos franciscanos missionários para os japoneses, Frei Martinho Friese, Frei Bonifácio Duxx e Frei Virgilio Nagel, frades da Província de Fulda. Antes de morrer, seu pai pediu a Frei Martinho que fizesse de Frei Hermógenes “alguém útil à sociedade”: “Ao ver a vida e o modo de ser dos missionários decidi ser como eles”.

Para fazer sua formação religiosa, Harada seguiu para o Seminário Seráfico de São Luís de Tolosa, em Rio Negro, no Paraná. Ali cursou o Juvenato até 1949, quando foi admitido na Ordem Franciscana ao ingressar no Noviciado de Rodeio.

Cursou os estudos superiores nos institutos da Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil, sendo os filosóficos em Curitiba (PR) e os teológicos em Petrópolis (RJ). Aprofundou seus estudos filosóficos em Freiburg e Würzburg, Alemanha, ocasião em que editou dois volumes das Raimundi Lulli Opera Latina.

Entre seus trabalhos preferidos, está o ensino de Filosofia, onde foi mestre por causa 20 anos. Era muito requisitado para pregar retiros e cursos de espiritualidade franciscana. Gostava de pesquisas relacionadas a assuntos de filosofia e espiritualidade franciscana.

Foi pesquisador do Ifan (Instituto Franciscano de Antropologia) e do NEF (Núcleo de Estudos Medievais e Franciscanos), da Faculdade de Filosofia São Boaventura. É co-autor de “Ensaios de Filosofia” (Vozes, 1999) e autor de “Em comentando I Fioretti” (Edusf, 2ª edição revista, 2006) e “Coisas.

Reflexivo, quieto, bastante fraternal e atencioso com as pessoas, reconhecia que tinha dificuldades para “certas animações comunitárias”.

Seu grande sonho era fazer uma experiência “radical” mística no deserto, enquanto tinha como desafio na vida religiosa “ser cada vez mais radicalmente humilde e puro”.

PUBLICAÇÕES
1. RAIMUNDI LULLI, in Corpus Christianorum (continuatio Mediaevalis) XXXII, Opera Latina, Tomus VII, 168-177, Anno MCCCXI compósita, Edidit, Turnholti, Typographi Brepolis Editores, MCMLXXV, sob orientação do Prof. Friedrich Stegmüller.
2.. RAIMUNDI LULLI, in Corpus Christianorum (continuatio Mediaevalis) XXXIV, Opera Latina, Tomus VIII, 178-1 89, Anno MCCCXI compósita, Edidit, Turnholti, Typographi Brepolis Editores, MCMLXXX, sob orientação do Prof. Friedrich
Stegmüller.
“Coisas, velhas e novas – À margem da espiritualidade franciscana” – Ediusf 2006
http://www.franciscanos.org.br/multimidia/publifrades/publi17.php
“Em comentando I Fioretti: reflexões franciscanas intempestivas” – Ediusf – 2ª edição – 2006

ARTIGOS
• À margem do Estruturalismo, REB vol. 28, fasc.4, dezembro 1968, Petrópolis, 10 páginas.
• Reflexão de quem não sabe o que é oração, em Oração no Mundo Secular, desafio e chance, Ed. Vozes, 1975, Petrópolis.
• Cristologia e Psicologia de C.G. Jung, REB vol. 31, fasc. 121, março 1977, Petrópolis, 25 páginas.
• Da Experiência, em Experimentar Deus Hoje, Ed. Vozes, 1974, Petrópolis, 15 páginas.
• Fenomenologia do corpo, Revista de Cultura Vozes, 1971, Petrópolis, 8 páginas.
• Uma Estória sem utilidade, Revista de Cultura Vozes, 1971, Petrópolis, 2 páginas.
• À margem de um deserto, Revista de Cultura Vozes, 1971, Petrópolis, 2 páginas.
• Animal e Super-Homem, Revista de Cultura Vozes, 1971, Petrópolis, 6 páginas.
• O trapaceiro, Revista de Cultura Vozes, 1971, Petrópolis, 1 página.
• Camelo, Leão e Criança, Revista de Cultura Vozes, 1971, Petrópolis, 6 páginas.
• Espírito e Liberdade, Grande Sinal, Ano XXVI-1 972, Petrópolis, 11 páginas.
• A virgindade consagrada, Grande Sinal, Ano XXVUI-1 974, Petrópolis, 17 páginas.
• A Obediência, Grande Sinal, Ano XXIX-1 975, Petrópolis, 8 páginas.
• A pobreza e a liberdade interior, Grande Sinal, Ano XXIX-1 975, Petrópolis, 22 páginas.
• A vida fraterna, Grande Sinal, Ano XXIX-1 975, Petrópolis, 10 páginas.
• O celibato, Grande Sinal, Ano XXIX-1975, Petrópolis, 10 páginas.
• A arte de harmonizar a vida, Grande Sinal, Ano XX)(l-1977, Petrópolis, 12 páginas.
• A rosa é sem porque, Grande Sinal, Ano XXXI-1 977, Petrópolis, 10 páginas.
• A perfeita alegria, Grande Sinal, Ano XXXII-1 978, Petrópolis, 8 páginas.
• Apenas apenas, Grande Sinal, Ano XXXII-1 978, Petrópolis, 10 páginas.
• Vida e santidade, Grande Sinal, Ano XXXIII-1979, Petrópolis, 12 páginas.
• O Meio Silêncio, Arte e Palavra, Silêncio, Fórum de Ciência e Cultura, UFRJRJ, 14 páginas.
• Importa não ser http://www.saoboaventura.edu.br/expoentesdessaescola/harada.pdf
• Espiritualidade Franciscana – Do espírito de pertença

Dados Pessoais 
Nascimento: 02.10.1928
Local de nascimento: Miyazaki — Japão
80 anos de idade
59 anos de vida franciscana
52 anos de ministério sarcedotal

FORMAÇÃO FRANCISCANA INICIAL
1943 – Ingresso no Seminário Seráfico São Luís de Tolosa, Rio Negro-PR, onde fez estudos iniciais até 1949.
09.12.1949 – admitido ao Noviciado, em Rodeio-SC.
20.12.1950 – Primeira profissão religiosa ao término do noviciado.
1951-1 952 – Estudos de Filosofia, em Curitiba-PR.
1953-1 956 – Estudos de Teologia, em Petrópolis-RJ.
20.12.1953 – Profissão dos votos solenes na Ordem dos Frades Menores.
21.12.1955 – Ordenação diaconal.
02.07.1956 – Ordenação presbiteral.
1957 – Ano de estágio pastoral, em Luzerna-SC.
1958-1965 – Convento de Freiburg, i. Br, Alemanha – Estudante de Filosofia
1966-1967 – Convento dos Franciscanos Conventuais, depois Irmãs Franciscanas do Menino Jesus em Wurzburg, – estudante de Filosofia
1968 – 1982 – Petrópolis – Docente de Filosofia – Técnico para Estudos no Cefepal
1982-1998 – Rondinha – Docente de Filosofia.

ESTUDOS DE ESPECIALIZAÇÃO
1958- 1967 – Estudos de especialização em Filosofia: Universidade Würzburg, i.Br. Alemanha (Albert-Ludwigs – Freiburg), tendo feito os seguintes cursos:
• Ontologia Medieval, Edição Crítica e Fenomenologia
• Psicologia Analítica (Freud e Jung)
• Teologia Dogmática
• Paleografia Medieval

ATIVIDADES DESENVOLVIDAS
1968-1982 – Docente de Filosofia no Instituto Filosófico-Teológico Franciscano; Técnico para Estudos Franciscanos no CEFEPAL, em Petrópolis-RJ;
1982- 1999 – Docente de Filosofia no Instituto Franciscano de São Boaventura, Rondinha – Campo Largo-PR;
1992 – Período sabático e atendimento no Eremitério de Carceri, Itália.
Janeiro-maio 2000 – docente de Filosofia no Seminário Diocesano de Malange, Angola.
Junho-dezembro 2000 – Atendimento no Santuário e Convento de São Francisco, em São Paulo-SP; Assistente espiritual da Pequena Família Franciscana; Janeiro-agosto 2001 – a serviço da Universidade São Francisco, em Bragança Paulista-SP (Instituto Franciscano de Antropologia – IFAN);
2002-2004 – a serviço do IFAN e do NEF (Núcleo de Estudos Filosóficos), na Faculdade de Filosofia São Boaventura, em Curitiba-PR.

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