Quem somos - Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil - OFM

Alécio Broering

*09/05/1936     + 23/08/2016

Faleceu na madrugada de terça-feira (01h00, 23 de agosto), em São Paulo, Frei Alécio Broering. O frade, que era conhecido por ter dedicado sua vida à Pastoral Nipo-brasileira, faleceu de insuficiência renal e problemas cardíacos em decorrência de três amputações devido ao diabetes.

Seu corpo foi velado no Convento São Francisco, no Centro de São Paulo, onde residia o frade, e em seguida foi trasladado para o Cemitério do Santíssimo Sacramento, onde  está o Jazigo dos Frades da Província da Imaculada Conceição.

O frade menor

Frei Alécio dedicou quase toda a sua vida religiosa franciscana ao trabalho pastoral na colônia japonesa no Brasil. A falta de missas em japonês, muito pedidas pela colônia, motivou o jovem frade a estudar no Japão em 1963, onde trabalhou como missionário. Lá, estudou a língua por dois anos, adquiriu fluência e então pôde voltar para ministrar os sermões, casamentos, bodas, celebrar Missas e batizados para a Comunidade Nipo-brasileira.

Residindo em São Paulo, onde está a maior comunidade japonesa do Brasil, Frei Alécio desenvolveu um grande trabalho pastoral, especialmente na celebração de missas em

Dados pessoais: formação, transferências, trabalhos

Nascimento: 9.05.1936 (80 anos de idade), em Santo Amaro da Imperatriz – SC;
Admissão ao Noviciado: 21.12.1955, em Rodeio, SC;
Primeira Profissão: 22.12.1956 (60 anos de Vida Franciscana);
Profissão Solene: 22.12.1959;
Ordenação Presbiteral: 06.07.1962 (54 anos de Sacerdócio);
1957 – 1958 – Curitiba – estudos de Filosofia;
1959 – 1962 – Petrópolis – estudos de Teologia;
1962 – Tóquio – Estudo da Língua e História Japonesa
1965 – São Paulo – Pastoral Nipônica;
24.01.1966 – Agudos – Professor no Seminário e missionário entre os japoneses;
09.01.1967 – Bauru – Missionário entre os Japoneses;
20.08.1967 – São Paulo – São Francisco – Presidente da Pastoral Nipo-brasileira;
28.01.1968 – São Paulo – Vila Clementino – missionário entre os japoneses e coordenador interino da fraternidade;
21.12.1976 – São Paulo – Vila Clementino – Vigário paroquial;
15.12.1982 – São Paulo – São Francisco – Guardião e pároco (1986 reeleito);
21.01.1989 – São Paulo – Vila Clementino – Vigário da casa e vigário paroquial;
28.09.1990 – São Paulo – Pari – Vigário paroquial;
10.01.1995 – São Paulo – Vila Clementino – Vigário paroquial;
01.12.1997 – São Paulo – Vila Clementino – Guardião e pároco
22.11.2000 – São Paulo – São Francisco – Vigário paroquial
20.12.2006 – São Paulo – Pari – Vigário paroquial e assistente da OFS
17.12.2009 – Bragança Paulista – A serviço da Pastoral Nipo-brasileira
12.12.2012 – São Paulo – São Francisco – atendente conventual

japonês na Igreja São Francisco de Assis, na Vila Clementino, sempre no segundo e quarto domingos de cada mês. Durante muitos anos coordenou a Pastoral Nipo-brasileira e participou ativamente de sua fundação em 1967, quando foi o primeiro presidente nacional. Como missionário itinerante entre os japoneses visitava constantemente os Estados de São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro e Mato Grosso, onde estavam as maiores colônias de japoneses.

Em 1974, Frei Alécio foi Visitador Geral da Federação Franciscana do Japão, que reunia 11 províncias. “O objetivo principal de minha visita era fundar a Província Franciscana do Japão. E aconteceu como a Cúria Geral desejava. Em 1977, foi criada a Província Franciscana dos 26 Mártires do Japão”, escreveu Frei Alécio em texto nas Comunicações internas da Província da Imaculada. Frei Alécio é autor do livro “Os 26 mártires do Japão – A Fé na terra do Sol Nascente”.

O frade dirigiu pelo menos seis romarias dos nipo-brasileiros ao Japão, à Terra Santa e à Europa. Participou ainda de outros trabalhos como o do Cemitério Morumbi, onde há mais de 30 anos trabalhou como presidente da Mantenedora, a Comunidade Religiosa João XXIII. Frei Alécio também foi um dos fundadores da ONG Aliança pela Vida – ALIVI -, que cuida de soropositivos e pessoas vivendo com HIV, especialmente crianças.

Para atender a todas a um maior número de comunidades orientais, fez o Curso de Língua Coreana na Escola Haguon, de 1995-1998, estudando em Seul de setembro a outubro de 98. Além de japonês e coreano, Frei Alécio falava alemão, inglês e francês.

Sempre depois das Celebrações Eucarísticas para a Colônia havia uma confraternização, que Frei Alécio fazia questão de incentivar. “Na verdade a missa que celebro é mais brasileira que japonesa. No Japão, as pessoas gostam de silêncio e recato durante a cerimônia”, dizia em uma entrevista ao Jornal Nippo-Brasil. “Peço aos nikkeis que conservem o que o Japão tem de bom ao mesmo tempo que aprendam as boas coisas brasileiras. Geralmente acontece o contrário”, dizia o frade, sempre muito brincalhão e alegre.

Frei Alécio, contudo, se definia como tímido. Para ele, a preocupação com os mais necessitados vinha desde cedo. Aprendeu a dividir e compartilhar pequenas coisas com os nove irmãos. “No inverno vestia mais camisas quando ia à escola para poder emprestar a um colega que vinha quase sem roupa”, revelou. Ele era o quinto filho de Lídia e Rodolfo Augusto Broering, casal de alemães que deu todo apoio ao filho que quis ingressar no seminário em 1948. “Minha mãe contava que quando comecei a falar, já dizia que queria ser padre”, dizia o frade, para explicar que o desejo de se tornar padre começou cedo. Para ele, a religiosidade na família e o exemplo dos frades tornaram mais forte a vontade de seguir o sacerdócio, que para ele é “usar a vida a serviço dos irmaos”.

A Pastoral Nipo Brasileira, representada pela sigla PANIB, foi fundada em 1967. É uma entidade beneficente, educacional, religiosa, cultural e de assistência social, tendo por finalidade a evangelização e catequização dos japoneses e seus descendentes, radicados no Brasil, visando a sua integração ao cristianismo e a sua adaptação e integração na vida nacional.

R.I.P.

Amigos e familiares recordam alegria e disponibilidade

 

Érika Augusto

São Paulo (SP) – Quem entrava na igreja São Francisco, construção tricentenária localizada no coração da cidade de São Paulo, na tarde desta terça-feira (23), demorava a entender o que acontecia.

Por volta das 14 horas um grupo de religiosos, religiosas e leigos entoavam belos cantos em japonês. O homenageado era Frei Alécio Broering, de 80 anos, que fez sua Páscoa na madrugada de ontem e estava sendo velado no local. Os cantos expressavam o carinho da comunidade japonesa com o frade, que dedicou tantos anos de sua vida junto aos imigrantes.

Após os cantos aconteceu a missa de exéquias, às 15 horas, e foi presidida por Dom Julio Endi Akamine, bispo auxiliar da Arquidiocese de São Paulo. Frades de São Paulo e de Bragança Paulista estiveram presentes, além de religiosos e religiosas da PANIB – Pastoral Nipo-Brasileira e da comunidade coreana – para a qual ele também prestava assistência. Os familiares, as irmãs e os sobrinhos e sobrinhas vindos de Santa Catarina, também vieram se despedir de Frei Alécio. Eles estiveram presentes em muitas ocasiões, principalmente durante o tempo em que o frade esteve internado no hospital.

Em sua homilia, Dom Julio destacou que o momento era de ação de gratidão pelos bens recebidos de Deus através dos inúmeros dons de Frei Alécio, apesar da tristeza pela despedida. “A morte está inscrita em nossa condição humana, ser homem significa ser mortal”, afirmou o bispo. Apesar da naturalidade, o ser humano ainda experimenta a morte como um drama, segundo Dom Julio, “pois corta as relações definitivamente, tira de nosso convívio as pessoas que amamos, a morte torna definitiva a nossa separação das pessoas”, afirmou.

O bispo ressaltou que a partir da morte e ressurreição de Jesus, recebemos a esperança da vida eterna e que este seria então o dia do natal, dia em que o Frei Alécio nasceria para a vida eterna junto a Deus. Dom Julio convidou então 4 representantes para falarem um pouco de Frei Alécio.

exequias1_240816Frei Leonardo Matsuo, OFMConv falou em nome da PANIB. O frade destacou duas características de Frei Alécio: a alegria e a inteligência. Ele recordou que no dia 27 de dezembro de 2015, os dois receberam das mãos de Dom Julio a Comenda Pro Ecclesia et Pontifice, a mais alta condecoração concedida pelo Papa a um religioso, por causa do trabalho dos frades junto aos imigrantes japoneses.

Frei Matsuo, que se revezava com Frei Alécio na presidência e vice-presidência da Pastoral Nipo-brasileira, falou que o frade era uma pessoa que cultivava muitas amizades, e recordou um outro amigo falecido, padre Tanaka, e que certamente os dois se encontrariam na eternidade.

O padre Daniel Koo falou em nome da comunidade coreana da Fraternidade São Boaventura. Ele destacou a presença do frade na comunidade, e do seu esforço em falar coreano. “Ele sempre se mostrou muito amoroso, muito carinhoso com a comunidade”, afirmou. O religioso apontou também a presença franciscana de Frei Alécio nas reuniões, e disse que este seria um legado deixado pelo frade entre a comunidade. “Ele se tornou também coreano entre nós”, concluiu Padre Daniel.

Visivelmente emocionado, Frei Anacleto Gapski falou em nome dos franciscanos, e segundo ele, falou “de cátedra”. Os frades se conheceram em 1964, quando Frei Alécio, recém-chegado do Japão, foi dar aula no Seminário Franciscano em Agudos (SP). A amizade e convivência, de 52 anos, era muito familiar. Frei Anacleto contou que quando os sobrinhos do frade vinham visitar o tio em São Paulo, era ele quem os levava para passear. “Leva minha turma pra lá”, dizia Frei Alécio ao confrade, pois não tinha muita paciência com as crianças.

Um confrade generoso e disponível

“Uma inteligência brilhante, mas um coração maior ainda”, assim o definiu Frei Anacleto. Ele afirmou que Frei Alécio era um bom amigo para aqueles que precisavam, e que não media esforços para atender o próximo. E partilhou com os presentes o início do trabalho do confrade com a comunidade coreana. Ele não sabia falar o idioma e, um dia, ao ver que eles necessitavam de assistência espiritual, foi para a Coréia aprender coreano e contribuir com mais eficácia na comunidade. Ao retornar, toda a fraternidade participava involuntariamente do aprendizado, pois eles assistiam TV coreana duas vezes na semana, brincou o frade.

Salete, a irmã de Frei Alécio, falou em nome da família. Ela agradeceu pelos 80 anos de vida, e afirmou que ele foi um bom irmão e um bom tio para os sobrinhos. Ela agradeceu também ao João, enfermeiro que trabalha no São Francisco, que sempre cuidou do frade nos momentos de necessidade. Ela disse que nas últimas semanas ela ligava para ele muitas vezes, para saber do estado de saúde do Frei. “Muito obrigada por ter sido nosso irmão e ter nascido na nossa família, você nos deu muita alegria”, concluiu a irmã do frade.

Após a missa, o corpo foi levado para o Cemitério Santíssimo Sacramento, onde os frades, amigos e familiares deixaram seu último adeus a Frei Alécio.

A missa de 7º dia acontecerá no Largo São Francisco na próxima segunda-feira (29), ao meio dia

Até um dia, Frei Alécio!

alecioFrei Almir Guimarães

Estimado Frei Alécio… Você terminou sua carreira na terra dos homens. Ouvi dizer que seus últimos dias foram doloridos. Que lá, para além das estrelas, para além do cosmos, para além do espaço e do tempo você viva, como devem viver esses frades todos que andam largando suas mãos de nossas mãos, sem aviso prévio…

Não estou querendo escrever muito. Apenas uma palavra de saudade e de lembranças agradabilíssimas de um tempo que convivemos em Petrópolis.

Era a década de 60. Começo de sessenta. Você se chamava Frei Odolfo. Já estava quase terminando a Teologia e eu vinha de Curitiba. Havia, aqui em Petrópolis, onde vivo novamente nesses últimos anos, um clima de muita esperança, confiança, alegria. Nossa casa estava cheia. Nesses acanhados e queridos espaços éramos cem estudantes de Teologia. Com os professores e irmãos chegávamos a 120. Os brasileiros, os argentinos, os americanos, os chilenos. O mundo se encontrava na Montecaseros. Pastoral empolgante nos finais de semana, sobretudo em Duque de Caxias. Esses professores que encontrávamos nos corredores: Kloppenburg, Koser, Spindeldreier, Kalverkamp. Nosso Padre Mestre era Frei Paulo Evaristo Arns… Era mestre e custos. A Província queria atender pastoralmente os japoneses. Quanta movimentação… Você estava terminando Teologia e eu chegava como recruta novo. Na simplicidade de meu jeito de ser (ao menos naquele tempo), eu admirava sua inteligência, jovialidade que se manifestava em seu jeito e seus gestos. Com outros, uns sete ou oito, você foi escolhido para estudar japonês no Japão. Fiquei admirado de sua coragem e a dos outros… Tempo do Concílio, tempo de criar o novo, tempo da nova liturgia, do povo de Deus, e um pouco adiante, das comunidades eclesiais de base. Quanta saudade. São poucos os sobreviventes com os quais a gente pode ainda falar dessas coisas. Estamos realmente na era da “morte do pai”. Essa gente toda com celular, whatsapp… bom deixa pra lá… E você passou a se dedicar aos japoneses… e depois aos coreanos… inteligente, esperto, sagaz, eu cheguei a pensar que você, com seu brilhantismo, seria nosso provincial. Isso não aconteceu. Parece que você nunca foi bom de voto… Nos Capítulos, você era sempre secretário. E que secretário!!! Vejo-o quase que só em nossa casa da Vila Clementino. Poucos frades, zelosos, hospitais, atendimento e você se ocupando dos japoneses, e pároco, e homem chamado para cá e para lá. Ultimamente vivemos juntos na casa do Pari… Mas os tempos mudaram, mudou o tempo, mudamos nós, evoluímos, involuímos, a vida foi deixando marcas na sua vida, na vida…

Basta, só queria dizer que você foi importante para mim. Você me passou entusiasmo, idealismo… Ia me esquecendo de dizer que a Ordem Franciscana Secular em São Paulo deve muito a você com sua assistência ao grupo coreano, uma das mais belas fraternidades da Ordem.

Não estive em seu sepultamento. Não tive ocasião de despedir-me de você. Muito grato pela sua vida, pela acolhida que me dava na Vila quando eu assistia as fraternidades seculares de São Paulo. No final do domingo, participávamos de um recreio ou saíamos todos para comer uma pizza… Frei Anacleto e Frei Heitor se lembram disso…

Você se irritava quando, nas refeições da Vila, eu me punha a falar em francês. Primeiro pensava que fosse uma irritação de mentira… Depois parece que era um bronca mesmo… Quase queria escrever: “Au revoir, Frei Alécio”. Mas deixa…
Paz, estima, saudades e até breve, Frei Alécio Broering.

Seu irmão,

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ACESSE A LISTA COMPLETA DE FRADES FALECIDOS