Quem somos - Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil - OFM

Carta do Ministro geral aos Ministros e Custódios da Formação

29/01/2025

O Ministro Geral, Frei Massimo Fusarelli, após mais de três anos de visitas a diversas Entidades da Ordem e depois de ter encontrado muitos frades em formação permanente e inicial, bem como numerosos candidatos, e após consulta ao Definitório Geral e em colaboração com a Secretaria Geral da Formação e dos Estudos, decidiu dirigir-se a todos os Ministros e Guardiães de nossa Ordem com uma carta sobre a formação. Esta é a primeira de uma série de cartas que serão enviadas aos diversos grupos de frades responsáveis pela formação permanente, pela pastoral vocacional e pela formação inicial.

Leia abaixo a carta traduzida para a Língua Portuguesa


A todos os Ministros e Custódios da Ordem dos Frades Menores

Roma, 25 de janeiro de 2025.

Carta aos Ministros e Custódios sobre a formação

Estimado Ministro,

Estimado Custódio,

O Senhor te dê a paz!

 Gostaria de começar esta carta, no início do Ano do Jubileu 2025, com as palavras do Apóstolo São Paulo com que o Santo Padre abre a bula de proclamação do Jubileu: Spes non confundit: “A esperança não engana. Porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Rm 5,5). Eu pude experimentar os sinais deste amor de Deus durante as visitas a muitas Entidades da Ordem desde o último Capítulo Geral. É esse amor que se une à vida e à missão dos irmãos. É esse amor que deve ser sempre reconhecido, apreciado e correspondido. É esse amor que, nas palavras de Paulo, derrama-se em nossos corações através do Espírito Santo. Este amor é a fonte de nossa esperança. Nestes três anos, também foi possível ver o lado doloroso deste amor e as trevas que podem afogar a esperança.

Baseados nestas razões, o Definitório geral e a Secretaria para a Formação e os Estudos amadureceram a intenção de dirigir algumas breves linhas a todos os frades de nossa Ordem envolvidos na formação. Com esta finalidade, nos anos 2025 e 2026, os dois últimos do grande centenário de São Francisco, enviaremos sete cartas aos responsáveis pela formação. Esta primeira carta é dirigida a você, estimado irmão, assim como ao seu definitório ou conselho, como primeiro responsável pela formação em sua Entidade (cf. CCGG art. 138).

Ícone bíblico

“No dia seguinte, João estava de novo com dois de seus discípulos e, vendo Jesus passar, disse: ‘Eis o Cordeiro de Deus!’. Ouvindo essas palavras, os dois discípulos seguiram Jesus. Voltando-se para eles e vendo que o estavam seguindo, Jesus perguntou: ‘O que estais procurando?’. Eles disseram: ‘Rabi (que quer dizer: Mestre), onde moras?’. Jesus respondeu: ‘Vinde ver’. Foram, pois, ver onde ele morava e, nesse dia, permaneceram com ele. Era por volta das quatro da tarde” (Jo 1,35-39).

Nesta passagem do Evangelho de João encontramos alguns detalhes muito importantes. Em primeiro lugar, João Batista dirige seu olhar para Jesus. O olhar fixo no Mestre e Senhor é requisito prévio para poder mostrá-Lo aos demais e lhes mostrar o caminho a seguir.

Em primeiro lugar, cada um de nós, como Ministro ou Custódio, é chamado a manter sempre os olhos fixos no Senhor. Não é possível responder bem a todas as exigências da formação permanente e inicial na própria Entidade sem este olhar fixo. São Francisco nos mostra que podemos fixar nosso olhar em Deus Altíssimo se o pousarmos sobre os pequenos, sobre as pessoas em dificuldade, nas periferias, como o leproso, ou se o pousarmos sobre as criaturas que nos rodeiam. Deste modo, ao baixarmos o olhar, nós o elevamos ao Senhor. Além disso, São Francisco nos mostra que podemos fixar nosso olhar no Senhor escutando sua palavra, experimentando sua proximidade e sensibilidade na Eucaristia.

Como Ministro ou Custódio, você pode se ver em uma dupla posição: encarnando João Batista, aquele que mostra o caminho para o Senhor e, ao mesmo tempo, os discípulos que se colocam no caminho indicado. Para ser formador, cada pessoa é chamada a se deixar formar. Você também é convidado a permanecer na sequela Christi como os discípulos. Se Ele lhe perguntar: “O que deseja?”, que sua resposta surja do desejo de estar onde o Senhor está, de permanecer com Ele. Não se esqueça do desejo de São Francisco de permanecer na solidão e no silêncio, diante do Senhor. É verdade que o Senhor lhe forma nos eventos da vida cotidiana, assim como Ele lhe forma por meio da meditação, da leitura orante de sua Palavra e da contemplação. As duas vertentes da formação pessoal são inseparáveis.

Por fim, dois discípulos seguiram Jesus: dois e não um. Você sem dúvida se lembrará da alegria que São Francisco encontrou em seus irmãos, mesmo quando a vida fraterna era difícil. Tenho certeza de que você também se lembra que Francisco sempre quis ter um Guardião para si. A formação, no sentido franciscano, sempre acontece em fraternidade.

Responsabilidade pelos irmãos

A formação permanente é um caminho contínuo, sobretudo para Ministros e Custódios. Além disso, “o Ministro Provincial/Custódio é o primeiro chamado a viver o itinerário formativo, conservando uma relação constante e atenciosa com cada irmão da Fraternidade provincial/custodial, sobretudo visitando periodicamente as Fraternidades” (cf. Chamados à liberdade, n. 50). Portanto, é justamente no exercício cotidiano do serviço que o caminho formativo dos irmãos responsáveis ​​pelos outros é alimentado e animado. Por isso, vocês são chamados a não descuidar daquilo que pode lhes nutrir e motivar cada vez melhor diante dos desafios e das provações do ministério, que se concentra sobretudo nas relações com os irmãos e com os outros e no trabalho administrativo.

Vocês sabem que são chamados a permanecer atentos aos sintomas de cansaço, desmotivação ou o constante abandono da oração pessoal, bem como aos sinais de possíveis desconfortos emocionais e afetivos, dos quais ninguém está isento por seu ofício.

Uma prova para os Ministros e Custódios é estar em contato, sobretudo, com problemas e desafios que exigem respostas imediatas, somado ao contato pessoal com as experiências mais difíceis de não poucos irmãos. Tudo isso pode desgastar seriamente, talvez sem nos darmos conta, minando a energia para desempenhar com serenidade e compromisso o serviço que nos foi confiado.

Mesmo essas crises podem se tornar oportunidades para fazer uma pausa para reflexão e retomar o caminho, sem medo e com o apoio de uma mediação adequada, como acompanhamento pessoal, pausas para descanso, oração e estudo, contato com outras pessoas, amigos, etc. Resumindo, reserve um tempo para “ficar com o Senhor Jesus”.

Fraternidade formativa

A formação permanente abrange toda a vida dos irmãos e não se limita apenas a encontros periódicos, como capítulos locais, encontros periódicos de formação permanente ou formação para diferentes grupos de irmãos. Cada circunstância da nossa vida, segundo a nossa vocação de Frades Menores, é uma oportunidade de formação permanente, e isso desde já deve estar claro para os candidatos e irmãos em formação inicial.

Neste sentido, a fraternidade formativa tem uma importância indispensável. “A formação deve desenvolver-se numa fraternidade concreta, cujo princípio unificador é o amor (cf. RB 6,8), e deve preparar os irmãos e os candidatos para enfrentar adequadamente os problemas concretos da vida fraterna” (RFF 70, § 2).

Contudo, quando falamos de fraternidade formativa, não podemos pensar apenas nas Fraternidades onde acontece a formação inicial. Toda Fraternidade é formativa. A fraternidade de uma Entidade é formativa. Tenho certeza de que, como Ministro ou Custódio, você está plenamente ciente disso, tanto na teoria quanto pela experiência.

Aqui emerge mais uma vez a importância da figura e do serviço do Guardião. Peço que dediquem especial atenção à formação dos Guardiães, como primeiros agentes da formação permanente. A este respeito, recordo o Manual dos Guardiães de 2019, que menciona, entre outras coisas, a dimensão fraterna (n. 5) e a dimensão de formação ou animação (n. 6). Os Guardiães são vistos como seus primeiros colaboradores na área de formação. De fato, as Constituições Gerais enfatizam que: “Os Ministros e os Guardiães, em estreita união com os irmãos a eles confiados, esforçam-se por construir a fraternidade “como família em Cristo”, na qual acima de tudo se busque e se ame a Deus. Sirvam de exemplo no exercício das virtudes e na observância das leis e tradições da Ordem” (CCGG art. 45, § 1). Seria bom propor novamente este texto a todos os Guardiães e, especialmente, aos novos.

No Manual dos Guardiães lemos: “Fica claramente estabelecido que é obrigação do Guardião ‘fazer que a vida ordinária da fraternidade promova a ação formativa’” (CCGG art. 137, § 2): isto significa que a formação permanente é realizada na vida cotidiana e não por meio de iniciativas extraordinárias. “Cuidar da qualidade da vida ordinária é o verdadeiro trabalho da formação permanente” (Manual dos Guardiães, n. 6.4). É evidente que a qualidade da vida ordinária depende em grande parte dos compromissos ordinários confiados a cada fraternidade e a cada irmão. E é precisamente aqui que surge a responsabilidade do Ministro com seu Definitório ou do Custódio com seu Conselho. A realidade da Entidade deve favorecer a qualidade de vida e não obscurecê-la com demasiados compromissos. Não podemos avançar movidos somente por urgências imediatas. Por isso é importante ter claro o projeto de vida e missão da Entidade.

No que se refere à Formação Inicial, “todos os irmãos desta fraternidade formativa estão voltados a acolher os formandos e a ajudá-los a crescer na sua vocação franciscana, embora nem todos sejam expressamente designados como formadores ou membros do coetus formatorum” (RFF 125). Além disso, “a fraternidade formativa é uma só, composta pelos formandos, pelos irmãos expressamente designados como formadores e por outros irmãos professos solenes que vivem juntos, fazendo da fraternidade o lugar privilegiado de conversão contínua, partilhando a vida comum e a mútua responsabilidade” (RFF 128). Nos encontros sobre o desenvolvimento da formação inicial que temos organizado nos últimos anos nas Conferências ou na Cúria Geral, surgiu a impressão de que a formação inicial, em vez de ajudar no crescimento, por vezes corre o risco de “infantilizar” os candidatos em certo sentido. Devemos sempre insistir na corresponsabilidade, como também defende a Ratio Formationis Franciscanae. Além disso, sempre sob sua responsabilidade e a de seu Definitório ou Conselho, a composição das fraternidades de formação inicial deve ser tal que favoreça um clima de colaboração fraterna e de corresponsabilidade. Vocês não podem escolher somente os formadores, sem prestar atenção em toda a fraternidade, para que esta seja capaz de caminhar unida e a serviço da formação.

Se é verdade que toda a Província ou Custódia é uma fraternidade formativa, também é verdade que cada fraternidade é composta por irmãos com responsabilidades diferentes: entre elas, e não menos importantes, estão aquelas mais diretamente relacionadas com o processo formativo. Devemos, portanto, pensar sobretudo no Secretário para a Formação e os Estudos, no Moderador para a Formação Permanente, no Animador da Pastoral Vocacional, nos Mestres para as diversas etapas da formação inicial, juntamente com o coetus formarum. Estes ofícios serão um auxílio para você, que é o primeiro formador da Entidade, mas é evidente que se deve confiar plenamente nos irmãos chamados a exercer estes ofícios. É dever do Ministro ou Custódio promover a colaboração fraterna entre os formadores, por meio de reuniões e discussões periódicas sobre o projeto e o programa formativo e sua implementação. Isso também facilitará a necessária continuidade entre as etapas da formação. Além disso, você é responsável por promover a colaboração dos formadores com os responsáveis ​​pela Missão e Evangelização e pela Justiça, Paz e Integridade da Criação. Os encontros entre os diversos Secretários e Animadores das Entidades que tivemos com as Conferências nos últimos anos nos mostraram diferentes caminhos para uma colaboração possível e até necessária.

Visão da formação

Como bem sabem, os Estatutos Gerais preveem que as Conferências e Entidades elaborem “a sua própria Ratio Formationis” (EEGG art. 81, § 3). Sem eliminar esta obrigação, mais do que ter um texto escrito, é importante discutir a nível de Entidade a visão da formação contínua e inicial. Para isso pode-se recorrer aos Capítulos locais, ao Conselho plenário, ao Definitório ou ao Capítulo da Entidade. Também podem ser formados diferentes comissões para refletir sobre a situação atual e sobre uma nova visão da formação na Entidade.

Nos últimos encontros da nossa Ordem a nível internacional, pudemos perceber o desejo de repensar a atual Ratio Formationis Franciscanae. Um processo de reflexão e discussão sobre a formação a nível de fraternidades e entidades locais poderia ajudar a repensar futuramente este documento fundamental para a formação na nossa Ordem.

No clima de colaboração entre as Entidades da Ordem e, particularmente em algumas regiões, tendo em vista a diminuição do número de vocações, estão surgindo cada vez mais casas de formação interprovinciais. É bom que a formação nessas fraternidades seja bem organizada e regida por um Estatuto particular, aprovado pelo Definitório geral, e por um programa de formação acordado pelas Entidades interessadas, a fim de promover a continuidade entre as etapas formativas. Para isso, nesses casos, seria bom organizar encontros entre os formadores das Entidades individuais e os formadores das casas interprovinciais, onde pudessem compartilhar experiências e aprender mais sobre o processo de formação.

Conclusão

Caro irmão, sei que os compromissos e responsabilidades dos Ministros e Custódios são muitos e complexos, mas a formação deve sempre ocupar o seu devido lugar. Com esta carta, e com aquelas que dirigiremos aos formadores nos próximos dois anos, não quero acrescentar mais peso, mas desejo oferecer uma visão da realidade e das necessidades da formação, para que não interrompamos o desenvolvimento contínuo e responsável desta dimensão.

Juntamente com os irmãos do Definitório e do Secretariado geral para a Formação e os Estudos, desejo-lhes o contínuo auxílio de Nosso Senhor Jesus Cristo, de cujas pegadas vocês escolheram seguir. Que a intercessão da Bem-Aventurada Virgem Maria, Esposa do Espírito Santo e Mãe e Rainha da nossa Ordem, e a bênção de São Francisco os acompanhem.

Acesse o documento oficial em Espanhol


Fraternalmente,

Ir. Massimo Fusarelli – Ministro geral

Download WordPress Themes Free
Download WordPress Themes
Download WordPress Themes Free
Download WordPress Themes
free download udemy course
download samsung firmware
Download Best WordPress Themes Free Download
download udemy paid course for free

Conteúdo Relacionado