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Carta do Ministro e do Definitório Geral a toda a Ordem para a Solenidade de São Francisco de 2025

17/09/2025

Queridos irmãos, queridas irmãs,

Que o Senhor lhes dê a paz!

Com a festa de São Francisco, neste ano de 2025, estamos prestes a concluir o oitavo centenário do Cântico do Irmão Sol e caminhamos para o centenário da Páscoa de São Francisco, que celebraremos no próximo ano.

Encontramos essa conexão entre o Cântico e a morte de São Francisco na antiga história da Compilatio Assisiensis, onde, ao saber de sua morte iminente, São Francisco disse:

“Bem, se a morte é iminente, chamem-me o Irmão Ângelo e o Irmão Leão, para que me cantem a Irmã Morte.”

Os dois se apresentaram diante dele e, em lágrimas, cantaram o Cântico do Irmão Sol e das outras criaturas do Senhor, composto pelo próprio santo durante sua doença, em louvor ao Senhor e para o consolo de sua alma e da dos outros. Neste Cântico, antes da última estrofe, ele inseriu a estrofe da Irmã Morte (CAss 7).

É o próprio São Francisco, portanto, que se aproxima da morte com o Cântico, ao qual, pouco antes, já havia acrescentado a estrofe do perdão, para mover o Podestà e o Bispo de Assis, que estavam em guerra entre si, à reconciliação.

Leia o texto completo da Carta:


Queridos irmãos, queridas irmãs,

Que o Senhor vos dê a paz!

Com a festa de são Francisco deste ano 2025, estamos prestes a concluir o oitavo centenário do Cântico das criaturas (Cântico do irmão sol) e caminhamos para o centenário da Páscoa de são Francisco, que celebraremos no próximo ano.

Do Cântico ao Trânsito

Esta conexão entre o Cântico e a morte de são Francisco é encontrada no antigo relato da Compilatio Assisiensis (Compilação de Assis), onde, ao ouvir a notícia do aproximar-se de sua morte, são Francisco disse:

“Portanto, se devo morrer em breve, chamai-me Frei Ângelo e Frei Leão para que cantem para mim algo da irmã morte”. Estes irmãos foram à presença dele e, com muitas lágrimas, cantaram o Cântido do Irmão Sol e das outras criaturas do Senhor, o qual o próprio santo compôs em sua enfermidade para o louvor do Senhor e para consolação de sua alma e dos outros; neste canto, antes do último verso, colocou um verso sobre a irmã morte (CA 7).

É o próprio são Francisco, portanto, que se aproxima da morte com o Cântico, ao qual, pouco antes, ele já tinha adicionado a estrofe do perdão, para impelir à reconciliação o Podestà e o Bispo de Assis, que estavam litigando entre si.

Antes de tudo, o perdão e a reconciliação

Também nós queremos seguir esta indicação, que vem das ações do próprio são Francisco, preparando-nos para celebrar o seu Trânsito, e deixemo-nos ser tocados em primeiro lugar pelo seu convite ao perdão e à reconciliação:

Louvado sejas, meu Senhor, por aqueles que perdoam pelo teu amor, e suportam enfermidade e tribulação.

Bem-aventurados aqueles que as suportarem em paz porque por ti, Altíssimo, serão coroados.

Tanto Deus como os irmãos estão envolvidos neste convite: o per- dão é possível pelo amor de Deus (“pelo teu amor”), portanto entrando em um relacionamento com Deus e recorrendo à sua imensa misericórdia, e a enfermidade e a tribulação podem ser “suportadas em paz” somente olhando com fé e esperança para o Altíssimo e sua coroa. Deus e os irmãos entrelaçam-se neste grande convite ao perdão e à reconciliação, do qual brota o misterioso dom da paz, que nos permite “suportar em paz” todas as dificuldades.

Esta paz, esta reconciliação e este perdão são hoje mais necessários do que nunca, neste nosso mundo dilacerado por conflitos e guerras: demasiadas guerras entre povos e entre nações, antes de tudo, mas também as lutas e discórdias dentro do mesmo país e também, infelizmente, as divisões dentro das nossas fraternidades ou das nossas comunidades cristãs. O convite de são Francisco ao perdão chega-nos na nossa vida quotidiana e convida-nos a dar um primeiro passo concreto rumo à paz que invocamos de Deus para nós mesmos e para o mundo inteiro, através do dom do perdão oferecido e recebido.

O Testamento: um convite a fazer memória

Nos meses que precederam a sua morte, além de compor a estrofe do Cântico para reconciliar o Podestà e o Bispo, são Francisco ditou o seu Testamento que, na sua primeira parte, é uma memória das etapas mais importantes da sua vida, começando pelo encontro com os leprosos, em que reconhece o início de sua conversão, pela consideração da oração nas igrejas, a escolha de viver na Igreja Católica, o dom dos irmãos e a experiência da primeira fraternidade, marcada pela distribuição de todo o bem aos pobres, pela oração comum, pela escolha de serem menores e submissos a todos, pelo trabalho manual e pelo anúncio da paz. São Francisco ensina-nos, assim, a percorrer as etapas importantes da nossa vida com um olhar de fé, que em cada um desses momentos reconhece a presença operante do Senhor, como ele faz:

“O Senhor concedeu a mim, Frei Francisco, começar assim … e me conduziu entre os leprosos… o Senhor me deu tão grande fé nas igrejas… o Senhor me deu irmãos… o próprio Altíssimo revelou-me que devia viver segundo a forma do santo Evangelho… o Senhor revelou-me que disséssemos esta saudação: O Senhor te dê a paz!”.

Portanto, de São Francisco podemos aprender a “recordar”, isto é, a repercorrer as etapas da nossa vida, treinando-nos para reconhecer a presença do Senhor, que nos acompanhou na história da nossa vocação, e descobrindo assim que tudo é dom de Deus. Esta convicção de que todo o bem nos vem de Deus, o grande Doador, é a chave para compreender o Cântico, hino de louvor e ação de graças pelo grande dom da criação, e é esta mesma convicção que torna toda a vida de são Francisco uma alegre ação de graças, isto é, uma restituição a Deus dos dons d’Ele recebidos.

Até mesmo a morte é um dom

Esta capacidade de fazer memória, ou seja, de olhar a nossa história com olhos de fé, explica também o extraordinário modo como são Francisco se aproxima da morte, compondo a última estrofe do Cântico:

Louvado sejas, meu Senhor, pela irmã nossa, a morte corporal, da qual nenhum homem vivente pode escapar. Ai daqueles que morrerem em pecado mortal: bem-aventurados os que ela encontrar na tua santíssima vontade, porque a morte segunda não lhes fará mal.

Mesmo na morte, são Francisco reconhece a presença misteriosa de Deus e até a morte se torna um dom pelo qual louvar o Senhor. São Francisco também pode reler a morte na chave da beleza da vida e da criação, porque sabe que tudo é dom de Deus: é esta fé profunda que lhe permite ver a beleza da vida mesmo quando a vida termina. Todas as suas experiências, amargas e doces, que recordou no Testamento, o prepararam para esta suprema restituição da própria vida a Deus, que a nossa tradição chama justamente de Trânsito de são Francisco e que por isso podemos reconhecer como uma Páscoa, um trânsito através da morte para uma vida em plenitude.

É a Páscoa de Cristo, na verdade, que definitivamente transformou a morte em uma irmã por meio da qual dar louvor a Deus, e Fran- cisco pode olhar para a morte com os olhos cheios de esperança, proclamando “bem-aventurados os que ela encontrar na tua santíssima vontade, porque a morte segunda não lhes fará mal”. O olhar abre-se para uma vida nova e plena, para aquela vida eterna que o Senhor, ressurreição e vida, promete àquele que acredita e espera n’Ele (cf. Jo 11, 25-26).

A promessa que recebemos

Conhecemos bem esta promessa: é a que ouvimos diante do altar no dia da nossa profissão, quando o celebrante nos disse: “E eu, da minha parte, se tu observares estas coisas, prometo-te a vida eterna”. Irmãos e irmãs, continuemos a ser fiéis ao dom recebido naquele dia, para desfrutar daquela vida que nos foi prometida, que é eterna não só porque nos espera depois da morte, mas também porque já começou e desde já muda a qualidade do nosso dia a dia, tornando-o, com são Francisco, um cântico de louvor a Deus.

Feliz festa de são Francisco, irmãos e irmãs, no louvor e na ação de graças!

Roma, Cúria geral, 17 de setembro de 2025

Festa da Impressão das Chagas de nosso Pai São Francisco

Frei Massimo Fusarelli e os irmãos do Definitório geral

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Fonte: https://ofm.org/

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